New Scientist
Nota
introdutória publicada por Ladislau Dowbor:
Um estudo de
grande importância, mostra pela primeira vez de forma tão abrangente como se
estrutura o poder global das empresas transnacionais. Frente à crise mundial,
este trabalho constitui uma grande ajuda, pois mostra a densidade das
participações cruzadas entre as empresas, que permite que um núcleo muito
pequeno (na ordem de centenas) exerça imenso controle. Por outro lado, os
interesses estão tão entrelaçados que os desequilíbrios se propagam
instantaneamente, representando risco sistêmico.
Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das ETN (Empresas Trans-Nacionais) adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente, no site maarxiv.org
Um excelente pequeno resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 (e está publicado a seguir).
Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das ETN (Empresas Trans-Nacionais) adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente, no site maarxiv.org
Um excelente pequeno resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 (e está publicado a seguir).
(*) O
gráfico em forma de globo mostra as interconexões entre o grupo de 1.318
empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de
cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma
A Rede
Capitalista Que Domina O Mundo
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.
Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.
Uma análise
das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno
número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado
sobre a economia global.
A conclusão
é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de
Tecnologia de Lausanne, na Suíça
Este é o
primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa
rede de poder global.
"A
realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das
teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um
dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."
Rede De
Controle Econômico Mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.
O resultado
é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais
em nível global.
Estudos
anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes
porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas
e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo,
portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia
afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.
O novo
estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de
dados com 37 milhões de empresas e investidores.
A análise
identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de
controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em
escala mundial.
Poder Econômico Mundial
Refinando
ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes
empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas
tem 20 conexões com outras empresas.
Mais do que
isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das
receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das
ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de
ações.
Em outras palavras,
elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas
realizadas no mundo todo. E isso não é tudo.
Super-Entidade
Econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.
"Na
verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz
Glattfelder.
E a maioria
delas são bancos.
Os
pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa
e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.
Como o mundo
viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos
nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por
toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.
Eles
ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma
conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um
conluio qualquer.
A questão
real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode
exercer um poder político centralizado intencionalmente.
Eles
suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em
conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a
mudanças na própria rede.
As 50
primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas:
Barclays
plc
Capital Group Companies Inc
FMR Corporation
AXA
State Street Corporation
JP Morgan Chase & Co
Legal & General Group plc
Vanguard Group Inc
UBS AG
Merrill Lynch & Co Inc
Wellington Management Co LLP
Deutsche Bank AG
Franklin Resources Inc
Credit Suisse Group
Walton Enterprises LLC
Bank of New York Mellon Corp
Natixis
Goldman Sachs Group Inc
T Rowe Price Group Inc
Legg Mason Inc
Morgan Stanley
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
Northern Trust Corporation
Société Générale
Bank of America Corporation
Lloyds TSB Group plc
Invesco plc
Allianz SE 29. TIAA
Old Mutual Public Limited Company
Aviva plc
Schroders plc
Dodge & Cox
Lehman Brothers Holdings Inc*
Sun Life Financial Inc
Standard Life plc
CNCE
Nomura Holdings Inc
The Depository Trust Company
Massachusetts Mutual Life Insurance
ING Groep NV
Brandes Investment Partners LP
Unicredito Italiano SPA
Deposit Insurance Corporation of Japan
Vereniging Aegon
BNP Paribas
Affiliated Managers Group Inc
Resona Holdings Inc
Capital Group International Inc
China Petrochemical Group Company
Capital Group Companies Inc
FMR Corporation
AXA
State Street Corporation
JP Morgan Chase & Co
Legal & General Group plc
Vanguard Group Inc
UBS AG
Merrill Lynch & Co Inc
Wellington Management Co LLP
Deutsche Bank AG
Franklin Resources Inc
Credit Suisse Group
Walton Enterprises LLC
Bank of New York Mellon Corp
Natixis
Goldman Sachs Group Inc
T Rowe Price Group Inc
Legg Mason Inc
Morgan Stanley
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
Northern Trust Corporation
Société Générale
Bank of America Corporation
Lloyds TSB Group plc
Invesco plc
Allianz SE 29. TIAA
Old Mutual Public Limited Company
Aviva plc
Schroders plc
Dodge & Cox
Lehman Brothers Holdings Inc*
Sun Life Financial Inc
Standard Life plc
CNCE
Nomura Holdings Inc
The Depository Trust Company
Massachusetts Mutual Life Insurance
ING Groep NV
Brandes Investment Partners LP
Unicredito Italiano SPA
Deposit Insurance Corporation of Japan
Vereniging Aegon
BNP Paribas
Affiliated Managers Group Inc
Resona Holdings Inc
Capital Group International Inc
China Petrochemical Group Company
