Texto de Augusto de Franco*
Escritor, palestrante e consultor. É o criador e um dos netweavers da Escola-de-Redes - uma rede de pessoas dedicadas à investigação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving. É autor de várias dezenas de livros e textos sobre desenvolvimento local, capital social, democracia e redes sociais.
''Se eu fundasse uma religião ela não exigiria a inclusão das pessoas em clusters (grupos) fechados dos que professam a mesma fé. E nem invalidaria todas as conversações místicas diferentes das suas. Não se declararia como único caminho verdadeiro, apavorando os outros com a sentença de que fora dela não há salvação.
Se eu fundasse uma religião ela não teria doutrina oficial, dogma ou símbolo. Não erigiria igrejas e, assim, não separaria uma igreja docente (um corpo sacerdotal) de uma igreja discente (composta pelo rebanho de fiéis, os leigos). Porque ela não teria sacerdotes, nem qualquer burocracia de intermediários.
Se eu fundasse uma religião, ela não pavimentaria com a crença um caminho para o futuro alheio. Nem se constituiria como um artifício para proteger as pessoas da experiência de Deus.
Sim, se eu fundasse uma religião haveria deuses, claro, qual o problema? Mas seriam mais ou menos assim, mal comparando, como aqueles deuses da democracia grega, deuses da conversação, quer dizer, deuses-fluzz, deuses da interação, como talvez tenha sido prefigurado pelo Zeus Agoraios (divindade tutelar que protegia as conversações na praça do mercado de Atenas) e a deusa Peitho (a persuasão deificada).
Que fique bem claro! Minha religião inventada não teria deuses pré-patriarcais (naturais) e muitos menos deuses patriarcais (sobrenaturais) mas, quem sabe, poderia ter deuses pós-patriarcais (sociais), desde que incapazes de exigir culto dos humanos e, sobretudo de escravizá-los ou submetê-los à servidão. Seriam deuses humanizados, mais-humanos porque sociais e não mais-que-humanos, super-humanos, extra-humanos, antissociais. Não seriam tais deuses potestades unitárias criadoras de qualquer ordem pré-existente e sim entidades compostas pela interação, simbiontes constelados fractalmente por nós.
Se eu fundasse uma religião um cara como Paulo de Tarso estaria fora. Nada de codificadores de doutrina. E um cara como Inácio de Antioquia estaria fora: nada de supervisores (ou episcopos). E nada de padres: todos seriam diáconos. Seria uma religião de garçons: uns servindo aos outros animados pelo espírito santo (que seria santo a não ser enquanto estivesse expressando essa emoção amorosa).
Se eu fundasse uma religião ela não teria templos, nem ritos, rituais, liturgias... e também nada de muros, escadas, portas, colunas, altares, lugares mais sagrados e outros símbolos templários. Não teria cerimônias de iniciação, ordenação, sagração, consagração ou qualquer outro script maligno que pudesse programar as pessoas lesionando suas almas.
Mas uma coisa exigiria minha religião: que as pessoas que a ela se conectassem apostassem na democracia como movimento de desconstituição de autocracia. Sim, seria uma religião para quem não aceita a autocracia, para quem está disposto a desobedecer e, portanto, para quem não acata nem reproduz hierarquia de nenhum tipo, sobretudo espiritual. Uma religião para quem não segue líderes, não se deixa arrebanhar em massas de filiados, nem compõe quadros de sequazes ou militantes de uma causa. Sim, é isto mesmo: uma religião para quem não quer ser cavalgado.
É claro que você já percebeu que minha religião inventada seria uma não-religião. Seria uma simples rede aberta de pessoas dispostas a polinizar mutuamente os modos pelos quais experimentam sua mística ou sua espiritualidade, compartilhando as formas semelhantes como vivem um domínio mais amplo de relações de existência e celebrando suas afinidades e amorosidades mutuas.
Se eu fundasse uma religião... 'Se' é uma hipótese especulativa, não um projeto. Como não vou mesmo fundar uma religião e nem uma não-religião, não serei fundador de nada.
Mas ninguém me impeça de provocar.''
quarta-feira, 31 de julho de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
''Fazendo Junto'' de bioconstrução
A algum tempo começou a ser comum pessoas lindas aparecerem na minha vida. Atualmente me pergunto onde estão aquelas pessoas feias.
Estou cercado de pessoas lindas ou foi eu quem tirou os óculos escuros pra apreciar a naturalidade nas relações humanas?!
Desta vez os lindos da vez são Fabian, Johnny e Marley que estão nos proporcionando grandes momentos de aprendizagem com as oficinas de bioconstrução no espaço cultural Elipse, onde nosso querido Astronauta deseja construir um ambiente agradável para convivência e ensinamentos da sua amada capoeira.
Além de uma preocupação em usar recursos naturais ou permaculturando com o que já temos disponível, a bioconstrução traz como base fundamental o cuidado. Um sempre observando o outro, manejar e guardar as ferramentas da forma recomendada, perceber quem se sente mais seguro para determinadas tarefas, dedicar tempo a explicações e entendimentos. A sensação é de estar, mais uma vez, em família.
Não há mestres de obra. Sem essa de peão. Fora hierarquia. Cada um faz o que se sente mais a vontade. Os que tem mais experiencia são os mais pacientes. Todos aprendendo de tudo um pouco uns com os outros. Técnicas nativas bem antigas sendo usadas magistralmente com eficiência em cada detalhe e com a colaboração como pilar fundamental.
Aqueles que doam seu tempo e sua grande experiencia na obra deixando claro quanto tempo tem disponível para dedicar. A necessidade financeira pro sustento familiar abertos pra que pensemos juntos em como captar os recursos. Tudo fluindo sem pressa e sem perder tempo. Tudo ao embalo de Novos Baianos, Tima Maia e Jorge Ben. Sem falar no rango de primeira. Isso é fazer junto. Gratidão família. Tamo junto!
Quem quiser participar, já sabe né?! Aquele esquema. Só chegar!
Estou cercado de pessoas lindas ou foi eu quem tirou os óculos escuros pra apreciar a naturalidade nas relações humanas?!
Desta vez os lindos da vez são Fabian, Johnny e Marley que estão nos proporcionando grandes momentos de aprendizagem com as oficinas de bioconstrução no espaço cultural Elipse, onde nosso querido Astronauta deseja construir um ambiente agradável para convivência e ensinamentos da sua amada capoeira.
Além de uma preocupação em usar recursos naturais ou permaculturando com o que já temos disponível, a bioconstrução traz como base fundamental o cuidado. Um sempre observando o outro, manejar e guardar as ferramentas da forma recomendada, perceber quem se sente mais seguro para determinadas tarefas, dedicar tempo a explicações e entendimentos. A sensação é de estar, mais uma vez, em família.
Não há mestres de obra. Sem essa de peão. Fora hierarquia. Cada um faz o que se sente mais a vontade. Os que tem mais experiencia são os mais pacientes. Todos aprendendo de tudo um pouco uns com os outros. Técnicas nativas bem antigas sendo usadas magistralmente com eficiência em cada detalhe e com a colaboração como pilar fundamental.
Aqueles que doam seu tempo e sua grande experiencia na obra deixando claro quanto tempo tem disponível para dedicar. A necessidade financeira pro sustento familiar abertos pra que pensemos juntos em como captar os recursos. Tudo fluindo sem pressa e sem perder tempo. Tudo ao embalo de Novos Baianos, Tima Maia e Jorge Ben. Sem falar no rango de primeira. Isso é fazer junto. Gratidão família. Tamo junto!
Quem quiser participar, já sabe né?! Aquele esquema. Só chegar!
quarta-feira, 17 de julho de 2013
O poder do agora
Há uma
dificuldade de manter-se no presente. O pensamento, a todo tempo nos leva ao
passado ou está criando expectativas de um futuro esperado. Aquele que consegue
fluir no rumo dos acontecimentos certamente se manterá mais saudável
emocionalmente. Ansiedade, expectativa, impaciência, são todas palavras de um
mesmo campo e tem a incrível capacidade de desestruturar o ser humano.
A querida
amiga Eva, sabiamente, me disse uma vez, ''Se você quer encontrar o que
procura, pare de procurar.''
Por mais paradoxal
que pareça é exatamente assim que as coisas são. Os momentos mais incríveis que
vivi me vieram sem que eu esperasse, e mais, em circunstâncias inimagináveis e
inusitadas. As pessoas mais agradáveis que conheço, conheci em lugares que me
permiti visitar sem a pretensão de encontrar algo especial. Os lugares mais
lindos por onde passei foi sem nunca ter desejado estar lá algum dia, aliás, aqueles
que idealizo, provavelmente nunca passarei por perto e caso o faça, não há de
ser tão sublime quanto em meus pensamentos.
Construímos algo
que julgamos ser o ideal e passamos a viver parte da vida em função do que
inventamos. Acontece que esse ''algo'' não passa do campo das ideias. A
perfeição vai muito além. A perfeição está no agora, assim como a plenitude, o
equilíbrio. Qualquer hora é a hora perfeita para o quer que seja. Entender o
presente, fazer parte do momento, se entregar, fluir sem amarras, com uma visão
muito pessoal arrisco dizer que é a forma mais pura de sabedoria. Donde se
esvai qualquer vestígio de preconceito e julgamento, e não há certo ou errado,
bem ou mal. Há vida, livre de paradigmas, cheia de amor. O que é o amor se não
a forma mais harmoniosa de viver cada instante.
Dos
acontecimentos da vida, a própria vida se encarrega. Cabe a nós, simplesmente, viver.
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