sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O que você come?

Quem assistiu ao filme-documentário "super size me" e crê piamente que o problema da obesidade americana é determinado pelo que servem nos restaurantes fast foods não pensa diferente da maioria. Americanos tem maus hábitos alimentares? Sim. Que sua dieta de sanduíches e refrigerante atrapalha o desenvolvimento de um corpo saudável é inegável. Mas há um outro lado da história que muitos desconhecem.

Ao me deparar com uma discussão dessas em um grupo de debate pude conhecer uma outra realidade. A base da alimentação norte americana se deve ao milho transgênico e excesso de açucares. Durante o governo  Bush, quando os transgênicos começaram a ser liberados, o povo americano se tornou o mais obeso do mundo.

A Monsanto (principal empresa de produção de alimentos transgênicos no mundo, encampada por Bush) lucra com a venda de seus herbicidas e sementes modificadas aos fazendeiros e agricultores. Por serem híbridas, estas sementes devem ser compradas anualmente. Além de sementes geneticamente modificadas tem em sua história o fornecimento de produtos químicos como DDT (usado na guerra do Vietnã se comprovou que continha substancias carcinogênicas e gerava fetos mal formados), Aspartame (aditivo alimentar que substitui o açúcar), Polisac ou Somatropina Bovina (responsável por um aumento de até 20% da produção de leite e proibido em diversos países por causar até 21 enfermidades nas vacas), PCB ou Ascarel (proibido em 1971 sendo também comprovado seus efeitos cancerígenos).

O que isto tem haver com o Brasil?! Acontece que a Monsanto, por ser uma multinacional e dotada de grande poder econômico, tem seus representantes no Brasil. Em 1997, comprou a Paraná Sementes e a Agroceres consolidando sua supremacia entre as empresas produtoras de sementes no país. O que as empresas de transgênicos mais precisam é de terras agricultáveis ao ar livre. O governo espanhol, afundado em dívidas, permitiu que 42% de seu território fosse ocupado por plantações trangênicas e só agora a população tomou conhecimento. No governo Lula foram cedidas terras do sul do país a algumas transnacionais e não se sabe o motivo.

As sementes transgênicas são originárias de misturas que nunca existiriam se não fosse pela ação do homem. Os danos irreparáveis a nossa saúde e ao meio ambiente são causados pelos agrotóxicos (produto para exterminar pragas de plantações) usados por agricultores. As  sementes modificadas são resistentes a eles, algumas produzem plantas inseticidas. Acontece que tais pragas ganham imunidade com o passar do tempo e a quantidade de agrotóxico é aumentada anualmente. Assim o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxico em 2008.

Do ponto de vista legal também trazem perdas aos que optam por plantações naturais. Os agricultores que não gostam de plantar transgênicos e tem suas terras invadidas por ações naturais (ventos e chuvas) são obrigados a pagar por isso, pois essas sementes são compradas. Aí está o lucro. Não é possível criar um banco de sementes transgênicas, já que são híbridas e assim devem ser compradas todo ano. Não existe consenso na comunidade científica sobre a segurança dos transgênicos pois as empresas repudiam o teste a longo prazo, em cobaias e seres humanos, de seus produtos modificados. Então foi decretado que qualquer produto que tivesse 1% de matéria transgênica deveria ser rotulado com um T preto sobre um triangulo amarelo. A resistência foi grande e muitas empresas não os identificam até hoje. Na Europa esses alimentos são rotulados como manda a lei. Na França, por exemplo, é possível notar em supermercados prateleiras de alimentos transgênicos inteiramente ignoradas.

A Monsanto já perdeu uma quantidade enorme de processos judiciais juntamente com uma grande quantidade de dinheiro em despesas e indenizações, mas nada a faz parar.


Fontes: Ivana Rowena (pesquisadora e roteirista)
               agrisustentavel.com
               greenpeace.org
               Wikipédia

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Onde estão os cientistas sociais?

Muitos acadêmicos, estudiosos de história e sociologia que vemos atualmente estão focados simplesmente em sua rotina cotidiana, cegando-se aos fatos grotescos que vemos claramente no panorama político e social.  Pessoas que sabem, que detém vasto conhecimento sobre causa e consequência de muitos dos problemas atuais e se calam diante da mídia, não divulgam seu parecer, passando a ser apenas mais uma fatia da população que vive o presente momento de corrupção ativa brasileira com aceitação. Não ousam sequer fazer perguntas, como por exemplo as retiradas do texto "Perguntas Proibidas" de Olavo de Carvalho:

"Quantos assentados do MST foram recrutados entre militantes urbanos, falsificando completamente o panorama dos "conflitos rurais"? Qual é o peso estatístico real de duzentos assassinatos de homossexuais num país que tem 50 mil homicídios por ano, mesmo sem averiguar quantos daqueles foram assassinados por seus parceiros? Quantas pesquisas sociológicas com resultado previamente estabelecido pelas fundações estrangeiras que as financiaram foram realizadas nas universidades brasileiras nos últimos anos, e quantas foram em seguida usadas como material de propaganda por ONGs e "movimentos sociais", se não como argumento cabal para justificar leis e decretos? Quanto dos benefícios distribuídos pelo governo federal aos pobres foi pago com puro dinheiro de empréstimos, endividando as gerações vindouras para ganhar os votos da presente? Quantos crimes de morte são praticados com armas legais registradas, e quanto com armas clandestinas cuja circulação o tal "desarmamento civil" não poderá diminuir em nada? Quantas leis e decisões federais vieram prontas de organismos internacionais e tiveram seu caminho aplanado por campanhas bilionárias financiadas do exterior? Quantas delas vieram de decisões tomadas no Foro de São Paulo com anos de antecedência, em assembleias promíscuas onde terroristas, narcotraficantes e sequestradores debatem em pé de igualdade com políticos eleitos? Se for liberado o comércio de drogas, quem terá mais chances objetivas de dominar esse mercado?"

Bom é saber que muitos jovens já acordaram. Esses que não apenas se informam, mas agem. Agem como se quisessem uma mudança no amanhã. Que veem o próximo ano pensando no retrospecto positivo do último. Que não sabem onde querem chegar mas tem a certeza de que algo não está nada bem. E não interessa onde se quer chegar. O que importa é sair dessa estagnação. Hoje não há necessidade de ser um cientista social, um historiador, nem mesmo um grande ativista para obter as respostas dessas perguntas. Qualquer um com uma curiosidade um pouco mais aguçada consegue compreender como a sociedade funciona. Basta se informar, e a partir dai, começar a ação. A fase da revolução cultural terminou, já estamos em plena revolução social.