terça-feira, 28 de outubro de 2014

Nós somos as pessoas comuns

Texto de Augusto de Franco*

"Nós não somos os anônimos. Somos aqueles que têm muitos nomes. E temos nossos próprios rostos. Não somos mais um indivíduo numa massa uniforme de mascarados com a mesma máscara. Não queremos ser mais uma parte em qualquer coletivo: queremos ser o todo naquela parte que somos porque cada um de nós é unique.

Não queremos substituir o velho mundo por outro que também seja único. Sabemos que muitos mundos são possíveis, desde que consigamos construí-los em nossa convivência.
Somos muitos, sim, mas um-a-um: nada de rebanho, nada de seguimento de lideranças, nada de caminhos pré-traçados para um porvir radiante, nada de revoluções épicas, nada de transformações cósmicas capazes de produzir um novo céu e uma nova terra. O novo céu será a composição fractal de muitas terras, de muitas redes tecidas por nós: liricamente!

Nós somos os que desobedecem, no dia a dia, nos pequenos gestos, salvando os mundos em que interagimos um instante de cada vez e não em formidáveis batalhas episódicas. Nós não achamos que todo mal que nos assola será redimido quando vencermos algum grande inimigo. Sabemos que o único inimigo que existe é aquele que constrói inimigos para lutar contra eles.

Não somos nem queremos ser heróis ou santos, que fugiram da humanidade porque não se achavam bons o bastante. Heroísmo ou santidade não convêm a seres humanos.

Não temos mais raízes: temos antenas. Não pertencemos a grupos e não erigimos organizações, não construímos diques e não lançamos âncoras para nos proteger da correnteza, para escapar do fluxo caudaloso... Não temos medo do abismo da interação. Quando o abismo nos olha, pulamos nele.
Nós somos as pessoas comuns."



"É desonesto reduzir-se a uma identidade. Quero falar com a sua diferença."
                                                                                                      Carla Ferro

domingo, 19 de outubro de 2014

Ferramentas de controle do Estado

Antes eu tivesse continuado na minha saudável rotina de matuto do mato. Comecei a ler os posts sobre eleições e fico cada vez mais indignado com a falta de questionamento. Com a grande competência do Estado de ignorantizar e conduzir as massas.

Ninguém se da conta do virus que está rodando. Da politica suja que está se fazendo. Como estamos replicando toda e qualquer informação absurda como memes. Raríssimas exceções são aqueles que estão se questionando sobre nossa atual forma de governo.

Confesso que estou ficando cada vez mais preocupado. Não fazia ideia do rumo que as coisas estavam tomando. Não acreditava que uma forte e desonesta propaganda politica pudesse influenciar tanta gente. Pessoas que eu considero engajadas e reflexivas.

Estamos vivendo o inicio de uma era de forte autoritarismo. Liderança centralizada. E não digo que é de uma forma tímida. Acreditei que fosse, mas não. É de uma forma inescrupulosamente falsa, mentirosa, escondida, mascarada. Há uma estratégia para ignorantizar o povo, isso sempre foi óbvio, dado o que foi feito com o ensino publico anos atrás. Mas não acreditei ser tão eficiente com pessoas que gostam e fazem politica em seu dia-a-dia. Somos todos analfabetos políticos.

Revelo o meu medo pelo que estar por vir porque pode e certamente vai me afetar diretamente. Como já tem afetado. Em doses homeopáticas. A cada medida governamental tomada na intenção de aparelhar o Estado, eu me sinto menos livre. Segue exemplos óbvios no quadrinho aqui em baixo.

Isso não é conspiração. Não são dados falsos. São medidas reais que foram tomadas e que revelam um claro interesse autocrático do Estado. O interesse é o de menos. O grande problema é que a coisa está se mostrando funcional e ninguém ta se questionando em relação a isso. Estão todos mais preocupados se o candidato é machista, ou homosexual ou se rouba ou bate em cachorrinho. Não está obvio que são ferramentas tendenciosas de controle social.

Há um interesse em jogo e as ferramentas de manipulação estão se mostrando ALTAMENTE EFICAZES!!!! Vamo acorda gente bonita, isso é importante. Discutam, escrevam aqui, vai! Não to defendendo lado nenhum. Estou é muito preocupado com o rumo dos acontecimentos dado nosso notável e GIGANTESCO DESPREPARO para lidar com o isso.


Visão politico-partidária

Estive algum tempo bem por fora de debates e conversas aqui no face, e portanto meu posicionamento politico-partidário não foi expresso nenhuma vez.
Aos pouquinhos estou começando a ler (muitas coisas mal questionadas) que alguns amigos tem postado.
Já que nessa época todo mundo quer falar e mostrar seu posicionamento, o que acho muito bom, também vou deixar aqui o meu. De uma forma mais timida, mas ai vai.

Como muitos sabem, me considero anarquista. Não acredito em democracia representativa. Adotei pra minha vida a política da boa vizinhança. Fazer o que cabe a mim para viver da forma como acredito. Plantar meu próprio alimento, compartilhar meus recursos, participar de mutirões, construir casas com amigos, enfim, estimular meu capital social e aquilo que chamo de rede.

Fui descobrir lendo e conversando com alguns amigos que participaram da construção politica do pais tempos atrás, a forma como o PT e outros tantos partidos se organizam de forma autocrática. Onde aos pouquinhos vai destituindo as diferenças de pensamentos e tornando tudo uma coisa unica por pequenos atos. Como criação da guarda da policia nacional, por exemplo.

Estou, realmente, cagando pra quem está no poder, o que faz ou deixa de fazer, desde que isso não afete a minha liberdade. Democracia! Por mais corrupta que seja, que pelo menos exista em teoria. A não rotatividade de partidos opostos na cadeira presidencial implica em uma forma cada vez mais autocrática de mando. A centralização do poder nas mãos de 1 só representa o fim da liberdade e o inicio de uma era de autoritarismo.

Por Deus! Não estou defendendo um lado. Não sou Aécio, nem Dilma, e nem Marina ou Eduardo Jorge. Não adoto posicionamento de esquerda nem direita. A 5 anos que eu não chego perto de uma urna eletronica para votar e nem pretendo, mas sou a favor da liberdade de escolha. Só preciso que não me impeçam de fazer o que quero. E obviamente em um estado autocrático isso será cada vez mais dificil. Mantendo Dilma no poder por mais 4 anos, sabe-se lá quantos anos mais o PT continuará amarrando o pais.