Desde que optei por buscar um custo zero de vida tenho conhecido muita gente na mesma pegada, optando por uma vida mais simples devido a escassez que o sistema monetário gera. Sair da cidade, buscar transportes alternativos, comer do que se planta, etc.
Entretanto percebi uma coisa que acho legal ser compartilhada. Dentre essa ''muita gente'' que conheci, se destacam uns malucos que não estão ''querendo'' viajar sem dinheiro. Eles simplesmente viajam, a anos. E quando abordo esses assuntos com eles me sinto um 0 a esquerda. Que nada tenho de experiência nesse assunto.
Recentemente conheci o Alexandre que viaja na base das trocas a muito tempo. São pessoas que não se privam de suas vontades colocando a culpa na falta de dinheiro. Desde sempre aprenderam a se comunicar, a interagir, falar com estranhos e resolver problemas. Nunca tiveram mais do que o necessário e não viam no capital a solução dos seus conflitos. Simplesmente entenderam que é uma necessidade criada, sem precisar ler grandes pensadores.
Quando vejo videos e relatos de pessoas que experimentam viver 1 ano sem dinheiro, que viajam sem grana, acho um máximo, mas não creio que devemos ter a visão de algo inusitado e que se precisa de muita coragem e força de vontade para fazer. É igual ao movimento de permacultura. Permacultura sempre se fez de uma forma linda desde que mundo é mundo, até o dia que alguém deu o nome, institucionalizou a técnica e começou a comercializar na forma de cursos.
Viajar sem dinheiro, e fazer qualquer coisa sem ele, é muito fácil. O problema é que nós nos deixamos convencer durante anos que não podemos fazer nada sem ele. E ai mergulhamos nesse mundo capitalista e criamos necessidades desnecessárias.
Comida, tem na terra. Remédio, tem no mato. Abrigo se faz em questao de dias. Transporte?! Suas pernas servem de que?! Água e ar abundantes...
Acho que o grande lance é resgatar o saber primário, necessário a subsistencia do homem e não deixar que nos idiotizem ainda mais.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
O machismo nosso de cada dia
Frequentemente, muito mais do que consigo tolerar, me deparo com cenas machistas no meu dia a dia. Atitudes que são tão desconfortáveis quanto a não gentileza com um idoso ou um ato agressivo contra uma criança. Uma atitude machista não deixa de ser um ato agressivo, em verdade. Mas o que seria machismo e o que classificaria tal atitude?!
Lembro-me logo da amiga Fernanda Tellez e seus textos que trazem uma dose unica de simancol. Entendo por machismo aquilo que chamamos de desigualdade social, mas dessa vez, o gênero como objeto de comparação. Homens e mulheres não são iguais. Fisiologicamente, sensitivamente, na forma de se relacionar, etc. Perfeito, há muita diferença. O machismo aparece quando mulheres deixam de ser pessoas e passam a ser objeto de submissão. Da mesma forma, homens passam a ser colonizadores, exploradores, pesquisadores desse, desprezivelmente, cobiçado ‘’objeto’’.
Nas noites de entretenimento, comummente sextas e sábados, a estupidificada sociedade sai às ruas para competir. A relação mais íntima, pura e profunda que o ser humano pode ter com seu semelhante passa a ser um troféu em disputa. A diversão é acumular troféus. Mostrar para o máximo de pessoas que compete melhor. Que leva jeito pra esse tal jogo de sedução . E assim vamos negligenciando cada vez mais nossa sensibilidade, descartando o pedaço de alma que existe no outro, acabando com a percepção do sentimento alheio e destruindo qualquer forma de relação humana. Quando, enfim, percebemos que somos humanos, inventamos um bando de nomes para o comportamento daquele com quem nos relacionamos mais intimamente, o culpamos por todo nosso sofrimento e desabamos num choro de profunda confusão emocional.
Meninas tendem a sofrer mais nesse jogo de enganação. Acredito que por terem uma sensibilidade maior, devido ao instinto maternal que lhes é mais caracteristico. Meninos podem levar a vida inteira assim até o dia que não conseguirem mais uma companheira para sugar toda a energia e perceberem o grande vazio de pessoas que acumulou na vida. Conheço amigos que perceberam isso um pouco tarde e gostariam de ter melhor explorado (na intenção de enriquecimento de aprendizado) a relação com as pessoas que passaram por suas vidas.
Não é só o desprezo do momento, a desatenção à pessoa, a despreocupação com o sentimento, mas sim a morte das realações humanas que vão ficando de pouco em pouco cada vez mais coisificadas, caracterizáveis, cheias de culpa e culpados, intolerancia e impaciência, não aceitação. Se perde a capacidade de entendimento e vamos, desumanizados, diferenciando homens, mulheres, gays, homosexuais, bis, tris, tetras, etc. esquecendo-se que todos são pessoas, cheias de necessidades afetivas.
Entendo esse comportamento irracional como sintomas de uma sociedade doente. Pessoas que necessitam ser percebidas, que imploram por carinho e atenção e conseguem através do sexo (a forma mais intensa de prazer) saciar essa necessidade por alguns instantes. Institucionalizamos o sexo. O tornamos objeto de triunfo e o desqualificamos simultanemmente. Ainda existem outras formas menos intensas de saciar desejos. Aquilo que um dia chamaram de pecados capitais e suas diferentes formas de consumo desenfreado. Mas o maior fator estimulante do machismo, acredito, ser a falta de cuidado com o outro e a consequente banalização do ato sexual.
''Vamos brincar de imaginar um mundo diferente? As pessoas deixam de ser coisa e passam a ser gente!''
Roberto Freire
Lembro-me logo da amiga Fernanda Tellez e seus textos que trazem uma dose unica de simancol. Entendo por machismo aquilo que chamamos de desigualdade social, mas dessa vez, o gênero como objeto de comparação. Homens e mulheres não são iguais. Fisiologicamente, sensitivamente, na forma de se relacionar, etc. Perfeito, há muita diferença. O machismo aparece quando mulheres deixam de ser pessoas e passam a ser objeto de submissão. Da mesma forma, homens passam a ser colonizadores, exploradores, pesquisadores desse, desprezivelmente, cobiçado ‘’objeto’’.
Nas noites de entretenimento, comummente sextas e sábados, a estupidificada sociedade sai às ruas para competir. A relação mais íntima, pura e profunda que o ser humano pode ter com seu semelhante passa a ser um troféu em disputa. A diversão é acumular troféus. Mostrar para o máximo de pessoas que compete melhor. Que leva jeito pra esse tal jogo de sedução . E assim vamos negligenciando cada vez mais nossa sensibilidade, descartando o pedaço de alma que existe no outro, acabando com a percepção do sentimento alheio e destruindo qualquer forma de relação humana. Quando, enfim, percebemos que somos humanos, inventamos um bando de nomes para o comportamento daquele com quem nos relacionamos mais intimamente, o culpamos por todo nosso sofrimento e desabamos num choro de profunda confusão emocional.
Meninas tendem a sofrer mais nesse jogo de enganação. Acredito que por terem uma sensibilidade maior, devido ao instinto maternal que lhes é mais caracteristico. Meninos podem levar a vida inteira assim até o dia que não conseguirem mais uma companheira para sugar toda a energia e perceberem o grande vazio de pessoas que acumulou na vida. Conheço amigos que perceberam isso um pouco tarde e gostariam de ter melhor explorado (na intenção de enriquecimento de aprendizado) a relação com as pessoas que passaram por suas vidas.
Não é só o desprezo do momento, a desatenção à pessoa, a despreocupação com o sentimento, mas sim a morte das realações humanas que vão ficando de pouco em pouco cada vez mais coisificadas, caracterizáveis, cheias de culpa e culpados, intolerancia e impaciência, não aceitação. Se perde a capacidade de entendimento e vamos, desumanizados, diferenciando homens, mulheres, gays, homosexuais, bis, tris, tetras, etc. esquecendo-se que todos são pessoas, cheias de necessidades afetivas.
Entendo esse comportamento irracional como sintomas de uma sociedade doente. Pessoas que necessitam ser percebidas, que imploram por carinho e atenção e conseguem através do sexo (a forma mais intensa de prazer) saciar essa necessidade por alguns instantes. Institucionalizamos o sexo. O tornamos objeto de triunfo e o desqualificamos simultanemmente. Ainda existem outras formas menos intensas de saciar desejos. Aquilo que um dia chamaram de pecados capitais e suas diferentes formas de consumo desenfreado. Mas o maior fator estimulante do machismo, acredito, ser a falta de cuidado com o outro e a consequente banalização do ato sexual.
''Vamos brincar de imaginar um mundo diferente? As pessoas deixam de ser coisa e passam a ser gente!''
Roberto Freire
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Ah!! Essa tal expectativa...
Lembro de uma conversa com Emerson Venuto, numa mesa de cozinha em Niterói, em que fiquei um tempo admirando a sabedoria de suas palavras ''ninguém tem a capacidade de me magoar, só eu tenho.''
Numa discussão com a Alejandra Mendoza, recentemente, essa questão foi abordada novamente. É sempre mais difícil quando a relação contém laços de família (no comum entendimento social).
É muito comum depositarmos no outro toda a razão do nosso sofrimento. Sofremos por causa do que acreditamos, do que criamos ou inventamos, da expectativa que criamos em cima dos outros e não pela ação deles. As pessoas são livres. De pensamentos e ações. Se elas me provocam sentimentos angustiantes e dolorosos, o problema sou eu. Certamente estou desestruturado emocionalmente. Não compreendo, não entendo a liberdade do outro.
Me torno o prisioneiro. Estou preso às minhas expectativas, ao que espero que o outro faça, pense ou acredite. Deposito tudo, ou parte do que quero naquela pessoa. O pior de tudo é culpar ela por tudo isso. Justificar a minha não compreensão dos fatos alegando ingratidão, falta de carinho, desamor, desrespeito. Normalmente o ''filho desnaturado'' é aquele que está tentando ser feliz num ambiente onde stress e angustia predominam abundantemente.
Esse entendimento só me veio quando decidi ser feliz. Independente do que os outros façam, vou em busca do que acredito, fazer do meu jeitinho. Sempre lembro uma frase do Renato Russo que pode parecer um tanto egoista, mas é justamente exercer a essência do que se é ''Poderia ser a pessoa mais agradável do mundo, mas preferi ser eu mesmo''.
Viver uma vida para que o outro não se frustre com suas escolhas, é o mesmo que não viver. Exercer a própria individualidade é um grande passo para o autoconhecimento, para se libertar das amarras impostas pelos que nos ditam o que fazer desde o berço sem nos estimular questionamentos genuinamente necessários à sobrevivencia na cultura do ''salve-se quem puder''.
Numa discussão com a Alejandra Mendoza, recentemente, essa questão foi abordada novamente. É sempre mais difícil quando a relação contém laços de família (no comum entendimento social).
É muito comum depositarmos no outro toda a razão do nosso sofrimento. Sofremos por causa do que acreditamos, do que criamos ou inventamos, da expectativa que criamos em cima dos outros e não pela ação deles. As pessoas são livres. De pensamentos e ações. Se elas me provocam sentimentos angustiantes e dolorosos, o problema sou eu. Certamente estou desestruturado emocionalmente. Não compreendo, não entendo a liberdade do outro.
Me torno o prisioneiro. Estou preso às minhas expectativas, ao que espero que o outro faça, pense ou acredite. Deposito tudo, ou parte do que quero naquela pessoa. O pior de tudo é culpar ela por tudo isso. Justificar a minha não compreensão dos fatos alegando ingratidão, falta de carinho, desamor, desrespeito. Normalmente o ''filho desnaturado'' é aquele que está tentando ser feliz num ambiente onde stress e angustia predominam abundantemente.
Esse entendimento só me veio quando decidi ser feliz. Independente do que os outros façam, vou em busca do que acredito, fazer do meu jeitinho. Sempre lembro uma frase do Renato Russo que pode parecer um tanto egoista, mas é justamente exercer a essência do que se é ''Poderia ser a pessoa mais agradável do mundo, mas preferi ser eu mesmo''.
Viver uma vida para que o outro não se frustre com suas escolhas, é o mesmo que não viver. Exercer a própria individualidade é um grande passo para o autoconhecimento, para se libertar das amarras impostas pelos que nos ditam o que fazer desde o berço sem nos estimular questionamentos genuinamente necessários à sobrevivencia na cultura do ''salve-se quem puder''.
Assinar:
Postagens (Atom)