sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Movimento 4 - A Terra que vai deixando de ser nossa

De manhã acordei cedo e fui conhecer toda a simpatia da Gina (menina que trabalha com a familia à 18 anos). Muita simplicidade na sua história. Mais tarde pude conhecer melhor a Raquel. Um doce de pessoa. Se mostrando preocupada e generosamente atenciosa com a gente, nos deixou bem à vontade.

No almoço conheci o irmão, que me parecia um gêmeo, do Romulo. Rafael, um rapaz bonito e curioso. Tive a sensação de que existia uma certa inquietação e ansiedade por ali, mas acho que seria difícil uma abertura pra conversar sobre isso. Continuamos, eu e Alê, o dia fazendo planos e buscando mais harmonia na nossa convivência. 

Após ouvirmos falar das belezas naturais de Bonito, decidimos acordar bem cedo para conhecer essa cidade no dia seguinte (30/01). Já estávamos alertas de que era uma cidade turística e as coisas costumavam ser caras. Tomamos café e às 10h a querida Raquel nos deixou num posto perto da estrada que vai pra Bonito. Pegamos uma carona com o Lucas, que enguiçou sua caminhonete e em seguida com o Orlando, que saia para fazer a colheita de soja no infinito oceano de soja.

Chegando em Sidrolândia, pegamos uma carona no caminhão do seu Alberto. Um senhor cheio de história pra contar. Nos explicou tudo que sabia sobre o processo de industrialização da soja. Desde a plantação até a exportação, em diferentes épocas.
Aqui a fiscalização em cima das lavouras é maior do que no Mato Grosso (do norte), portanto não há relatos (pelo menos conhecidos) de casos grotescos de doenças causadas pelo uso excessivo de agrotóxicos.

Chegando em Jardim, paramos para comer. Desenrolamos 2 pratos bem variados em vegetais por 10 reais em um posto de estrada. Em seguida uma carona com o João até Bonito. Um cara super simpático e curioso com a nossa história. Fui falando um monte sobre a transição, o desapego, a busca de auto-conhecimento e felicidade nas coisas simples da vida. João nos deixou onde queríamos e falou um pouco sobre a cidade.

Prontamente fui me informar numa agencia de viagens. Como esperado, tudo muito caro. Passeios pelas águas, rios e corredeiras, mergulhos e grutas em cavernas, animais exóticos, riqueza de fauna e flora, muita natureza. Entretanto não havia uma atividade gratuita. Todos os balneários pertencem à grandes fazendeiros, a não ser pelo municipal que também é cobrado. Um pouco desolados com tanta privatização da nossa querida mãe Terra, sentamos na praça principal para descansar da pequena caminhada e tentar contato com a Lucia (amiga da Raquel que é bióloga em Bonito). Foi ai que descobrimos a parte pobre da cidade.

Irônico é incentivar o turismo, o estupidificado entretenimento de paisagem, os falsos eco-passeios a base de jipes à diesel e cobrar absurdos por isso para justificar a preservação do lugar. Que "bonito" isso tudo. Joga-se os preços lá em cima e quem tem acesso é quem pode pagar. Não vou nem comentar a desapropriação que deve ter rolado por ali à alguns anos atrás. 
A melhor forma de preservar a natureza, na minha opinião, é não altera-la. Sua exploração vem juntamente com pessoas sem uma consciência do todo, do cuidado com o ambiente e consequentemente do cuidado com o próximo. Fica a beleza artificial, sem sentimento, sem emoção. Tudo vira a euforia do momento. Se usufrui com negligência. E como sempre, quem aproveita, não faz ideia do que está financiando.

Mais irônico ainda foi a cena que a Alê presenciou quando sai para comprar um suco. Uma viatura de PMs armados, encostou na praça e um dos policiais começou a revistar 4 dos adolescentes que estavam na praça, bem na frente de onde estávamos. Aparentemente nada de ilegal tinham feito. Estavam conversando sem preocupações. 
Os três menores foram "recomendados" à deixar a praça e o que parecia ser maior de idade, recebeu uma dura perdendo celular e o boné. Quando cheguei de volta à praça, a Alê chorava inconformada. E a revista continuou. Mais um rapaz sem camisa e outros dois garotos mais afastados. Quem parecia ser morador local e apresentasse uma aparente ameaça à "beleza" da cidade não tinha vez. "Bonito para inglês ver", deveria ser o nome da cidade.

O relato da Alê:
"Feito a revista, nada encontrado. Os garotos são expulsos da praça, expulsos, eu vi e ninguém me contou. "saiam daqui, não quero saber de vcs por aqui. E não usem boné". Saem os garotos da praça e acuados vão embora.
Se isso gerou revolta em mim, imagina naqueles adolescentes?!"

Tentei suavizar a cena ridícula, mas o sentimento é de revolta. Um abuso do poder de autoridade sem tamanho. Não existe serviço ao cidadão. A política é do medo em todo o Brasil."Respeita quem pode, obedece quem tem juizo". E assim a violência vai sendo semeada e fomentada nesses garotos. Mais uma cena chata: dois cavalos sendo puxados por uma corda amarrada à um carro (coisa que deve ser comum por aqui). Não tardamos 5 minutos à deixar a cidade. No caminhão de Jucimar, moço pacato e tranquilo, viajamos ouvindo um som sertanejo até Sidrolândia novamente. Chegamos às 21h e procuramos um hotel para dormir, pensando em no dia seguinte voltarmos à Campo Grande.

Aqui faço uma sugestão para os viajantes. Só é seguro viajar se permitindo ao imprevisível, numa sociedade corrompida por um sistema cruel, conhecendo e podendo contar com pessoas. Não viaje à noite. O ideal de viajar baseado nas interações do caminho é na hora em que as pessoas estão acordadas e dispostas. Assim se conhece e aprende mais pelos lugares que se passou. A noite costuma ser mais deserta e mais erma nas cidades. Como o problema não é dinheiro e sim o uso desnecessário dele, pagamos, sem culpa, 90 reais para ficar num quarto de hotel em Sidrolândia. 

Hoje (dia 31), um bom café da manhã na pousada e voltamos para Campo Grande antes de entrar em contato com a Raquel e a prima da Alê que está chegando amanhã por aqui. Dessa vez a carona foi com Aparecido. Outra figura fantástica. Um vendedor de seguro, que luta contra a corrupção na área e já viveu de tudo nessa vida. Fomos tendo uma conversa interessante e curiosa, dos dois lados, até chegarmos em Campo Grande, onde ele mora atualmente com sua família. Gentilmente nos deixou na porta da casa da Raquel e ainda voltou mais tarde pra perguntar se queríamos dar um passeio com sua mulher grávida. Nos contou bastante sobre a cidade e as belezas naturais das cidades vizinhas, muitas abertas ao público e "ironicamente" preservadas. Um resumo da conversa é que "caixão não tem gaveta" e dessa, vida só se leva o que se aprende.

Um gostoso abraço de reencontro na Gina nos deu a sensação de sermos muito bem vindos de volta. Almocei mais uma vez com a Raquel e o Rafa, depois que chegaram, conversando sobre os acontecimentos de uma forma super agradável, enquanto a Alê descansava. Por aqui ficamos mais uma noite.

Ah! Tem foto lá no face!


Alguns Números

Peso:
Mochila da Alê - 14,6 kg
Mochila do Ronny - 11,3 kg

Desembolso:
29/01 - leite de magnésia (R$ 4,40)
30/01 - almoço na estrada (R$ 10,00) suco em Bonito (R$ 4,00)
31/01 - pousada em Sidrolândia (R$ 90,00)

Total:
2 viajantes
3 dias
7 caronas
0 casas que hospedaram
604 Km
R$ 108,40

Total da Viagem:
2 viajantes
21 dias
21 caronas
6 casas que hospedaram
2319 Km viajados
R$ 293,00

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Movimento 3 - getileza gera Gentileza

No dia 24 (sexta-feira), com Marquinhos (primo da Alê), como guia, saimos com os cascos pesados nas costas sentido centro. Fatima e Dani foram com a gente pra passear na Praça Liberdade. Eu e Alê fomos direto para o apê das meninas (Lis, Savana e Monica).

Um esbarrão com a contradição da galera do Greem Peace na Av. Paulista pedindo dinheiro pra recuperar uma área de plantação de soja. Combater agronegócio com grana é no mínimo irônico.
Chegando lá trocamos uma ideia com a Elaine (menina que trabalha na limpeza da casa) deixamos as mochilas e fomos para Praça Liberdade tentar encontrar com a familia da Alê. Ao sair demos de cara com a Savana chegando em casa. Conversa super rápida, meio embolada com apresentações e despedidas, (até agora não entendi bem o  por que se ninguém tinha pressa de nada) saimos então.

Uns 8km de caminhada, compramos macarrao de arroz e cogumelo e voltamos pra casa de metro. Na estação brigadeiro uma ideia genial. Pague quanto quiser a partir de 2 reais num livro a sua escolha, numa dessas máquinas de coca-cola, só que de livro. Além do Bem o do Mal - Friedrich Nietzsche, foi minha escolha.
Um almoço saborosíssimo e aos poucos íamos conhecendo Savana.
Mais tarde Lis, Natalia e Monica. Inacreditavelmente todas as 4 nordestinas. Não entendo como essa galera se encontra por aqui e só anda grudada! João, um cara super simpático e engajado no ramo permacultural apareceu por lá também.
Uma parte da galera foi pro ensaio do Banga, e pelos boatos, se acabaram.

Sábado, Alê e Lis sairam pra comprar uns vegetais. Um tal de Visa-vale danado pra sair da carteira da Lisoca não deixou a Alê gastar um centavo. Mais um almoço incrível, com as mais saborosas almondegas de farinha já feitas pela chica vegana. Sessão cinema  (Os Suspeitos - The Prisioners) no fim da tarde, onde eu, Savana, Alê e Lis trabalhavamos tanto quanto o detetive pra desvendar o mistério do sumiço da filha do Wolverine. Uma roda de conversas reflexivas num desses bares de Sampa fechou a noite. Foi legal conhecer melhor as meninas nesse sentido. A tranquilidade da Lis ao entender tudo com naturalidade, a empolgação da Savana ao se ver fluindo por um novo caminho, a curiosidade de Monica ao dar de cara com um mundo completamente novo e "inseguro" e a profunda observação e análise da Sil em cima dos assuntos abordados. Conversa muito rica.

Domingo, mais um belo almoço vegano entre amigos. A galera que trabalhou com a Alê foi encontrar com a gente lá no apê. Desta vez, admiravelmente, surgiram uns cariocas. No fim da noite a visita da amável Tati. Com uma linda vibe de paz, amor e mudança, conversamos um pouco sobre caminhos e escolhas.

Despedidas a noite e seguda-feira metemos o pé em direção a Campo Grande, só que não. Acordamos tarde e ficamos lagartiando o resto do dia. Suco verde para o desjejum. Mais tarde a imprevisível visita do Ney. Mais uma vez com aquela energia positiva, de vida renovada, de caminho encontrado e um bom som no violão embalando as conversas. Mais uma vez a Tati surgiu pra compartilhar seu tempo com a gente antes de pegarmos a estrada de novo. Mais empolgação e certeza da Savana durante os assuntos. Muito amor!

Preocupados em perdermos a carona da prima da Alê de Corumbá até Santa Cruz de la Sierra no dia 2, acordamos bem cedo ontem (terça-feira dia 28), após um copo de suco verde, e saimos de metro "Meu Deus, quanta gente junta. Se rolasse um som era carnaval." Depois pegamos o trem e chegamos em Itapevi. De lá pegamos um ônibus para saltar num posto, longe da cidade, na Av. Pres. Castelo Branco. A ideia inicial era conseguir chegar em Ourinhos (metade do caminho) e passar a noite por lá.

Parada para o banheiro e em menos de 2 minutos, seu Amarildo (caminhoneiro, gentil toda vida) fez sinal para embarcarmos no caminhão-carreta. Universo conspirando a favor:
- Eu to indo pra Campo Grande.
Disse, Amarildo.
Que beleza! Inacreditável! Por volta de meia noite chegariamos lá. Agora sem pressa, usei o resto de bateria e o pouco sinal que dispunha para acessar o irmãozinho Rômulo pelo facebook.

Rômulo "Gosta", um cara desinibido, contente, brincalhão e segundo as más linguas, um tanto quanto fanfarrão. Com uma ajuda do Sergiao, acompanhando a saga, de Penedo, o amigo Romulo, natural de, Campo Grande, mobilizou a familia para nos receber em sua cidade natal.

Fizemos 2 paradas. Em uma delas desenrolei uma quentinha recheada de arroz e legumes por 7 reais. Chegamos meia noite. Seu Amarildo, poderíamos até chama-lo de Seu Gentileza, estacionou a carreta na porta de sua casa, em Campo Grande, pegou o carro e foi rodar com a gente, pela cidade, em busca do endereço certo. Com uma grande dificuldade de localização e navegação meio a ruas sem saida, liguei pra Raquel (irmã do Romulo), que generosamente saiu de casa e foi nos buscar 3 esquinas depois.

Antes de 1h da manhã já estávamos de banho tomado e quentinhos na cama.

Fica cada vez mais notável a força que temos quando nos unimos. Nem que seja minimamente. Só para fazer o básico, o necessário. As coisas vão acontecendo tão naturalmente que é difícil não enxergar a incrível beleza presente em cada ser humano. Da pra perceber que as pessoas pelo caminho só aumentam e com elas o nosso aprendizado. Gratidão, é esse o sentimento. Gratidão pela vida e por ter percebido a beleza de viver.

"Seja gentil sempre que puder. Sempre é possivel."

Ah! Tem foto lá no face!


Alguns Números

Peso:
Mochila da Alê - 14,6 kg
Mochila do Ronny - 11,3 kg

Desembolso:
24/01 - onibus em SP (R$ 6,40) trem em SP (R$ 6,00) macarrao de arroz (R$ 5,00) cogumelo (R$ 3,30) livro Além do Bem e do Mal - Nietzsche (R$ 2,00)
25/01 - azeite extra virgem (R$ 12,95)
25/01 - onibus em SP (R$ 12,00)
28/01 - metro em SP (R$ 6,00) caneta pilot (R$ 3,90) onibus para estrada (R$ 6,40) quentinha na estrada (R$ 7,00)

Total:
2 viajantes
4 dias
1 carona
2 casas que hospedaram
1034 Km
R$ 70,95

Total da Viagem:
2 viajantes
18 dias
14 caronas
6 casas que hospedaram
1715 Km viajados
R$ 187,60

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Movimento 2 - Into the cement (No cimento selvagem)

Dia 20 voltamos à Volta Redonda de carona com o Sergião. Depois de alguma burocracia e horas de espera, passaporte em mãos. Feito o que havia de ser feito por lá, todos de volta à Penedo. No caminho a visita inesperada do Rafa com sua simpatia e conhecimentos automobilísticos.
"Boa sorte na caminhada, meu irmãozinho!"

Acordamos no dia 21 preparados para meter o pé na estrada. O Rafa acordou mais cedo e levou o excesso da nossa bagagem de volta pro Rio (gratidão). Mais uma carona do Sergio até a Graal para tentarmos uma carona de lá pra SP. Articulamos com gerentes e funcionários conhecidos, e ficamos na expectativa de rolar alguma coisa.

Sergião voltou pra casa e logo vemos que a galera do posto, ocupada em suas funções, não ia poder ajudar muito. Esticamos o dedão, um de cada lado. Rapidinho a Alê conseguiu um caminhão. Valdecir, o simpático Tico, nos cedeu uma carona, em seu potente caminhão 320 cavalos, direto pra Guarulhos, onde combinamos de pegar a câmera GoPro, generosamente trazida pela amiga Juliane dos EUA. De lá seguiríamos para Paraíso para se hospedar na casa das amigas Monica, Savana e Lisoca.

No caminhão sentamos, quase deitados, numa cabine super confortável. O Tico até nos pediu para tirar o tênis na porta. Seguindo devagar e sem pressa, fomos os três proseando até São José dos Campos, onde rolou uma paradinha pra esticar as pernas. 1h depois: de volta a estrada. Um telefonema e uma mudança de planos. Tico teve que mudar a rota em direção a Mauá. Minutos para repensarmos nosso caminho.

Os primos Célio e Elis! Pra lá que a mãe da Alê estava indo, "coincidências" da vida, ela ia chegar de Recife no mesmo dia que nós.
No caminho pra Mauá, Tico conseguiu nos deixar a pouco menos de 2km da casa da Elis.
Encarando o sobe e desce das ruas de Santo André com mais de 10kg nas costas, chegamos na hora que o primo Célio foi para o Aeroporto buscar a Fátima e a Dani (mãe e irmã da Alê). Frutas frescas para dar fim à larica da estrada.

A GoPro ficou pro dia seguinte. Missão para o figurassa e tagarela Sidnei!
Sidnei é o entregador de mercadorias da empresa do primo Célio que tinha uma entrega pra fazer em Guarulhos no dia seguinte. "Valeu Universo!"
Às 9h da manhã a figura estava na porta de casa montando o banco da Kombi para nos levar até lá.
Fizemos 2 entregas, nos enfiamos num lugar que julgamos improvável acharmos com facilidade, mais uma entrega e em 3 ou 4 horas já estávamos de volta em casa para o almoço com a câmera em mãos. Porém, um porém. A Juliane foi visitar sua irmã Halanne no Rio e levou os acessórios, na esperança de nos entregar, esquecendo justamente a câmera em casa. Fato que não fez da nossa viagem até Garulhos ser em vão.

Comida leve e simples. Do jeito que a gente gosta. Arroz, feijão e os vegetais cruz e cozidos. Tarde de preguiça, conversas e brincadeiras com a admirável Bia, de 3 aninhos. Mais abaixo um parágrafo especial pra essa pequena. Senti que deveria fazer uma massagem no joelho da Dona Socorro (mãe do Celio) ao ouvi-la reclamando de dor. Ali pus em prática todo o aprendizado obtido gratuitamente com o paizão Zezito em Paraty. Mais gratidão.

No fim do dia, conversando com a Alê, ficou claro, pra mim, que é muito difícil viver por aqui! A periferia de São Paulo, não diferente de outras periferias, existe pra suprir as necessidades de quem ostenta poder e bens de consumo. As regiões mais pobres surgiram com o crescimento econômico, exatamente como se dá num processo de favelização. A politica do medo é fortemente implementada, as classes mais baixas, notavelmente ignorantizadas e a cultura do ter, fortemente presente. Quanto mais se tem, mais se deseja ter, gerando mais insegurança e medo da perda. A ideia de posse vai segregando e distanciando as pessoas umas das outras, em um espaço físico cada vez menor. A sensação que da é que, como diz Criolo, "Nao existe amor em SP".

Mais umas frutinhas e cama.
Descansando e seguindo essa alimentação de frutas e vegetais (alguns cozidos) chegamos ao dia 24 (sexta-feira) se preparando para a próxima etapa. Uma visita à "casa das meninas" em Paraiso. Recebemos os acessórios da GoPro enviados pela querida Lane por correio, "Yes! \o/", fechamos a conta corrente da Alê no banco,  "uhuuuul \o/", e partimos de baixo do sol quente.

Antes de sair nos despedimos da galera que nos recebeu com todo coração. Gratidão aos primos Célio e Elis. Dona Socorro por todo o carinho, atenção e a toalha de banho de presente e Maquinhos pelas informações geográficas. E a pequena Bia. 3 aninhos de pura sabedoria. De fato uma criança cristal. Super segura, decidida, curiosa, questionadora, delicada e gentil. Muito amor. Uma capacidade de compreensão que se ve em poucas crianças nessa idade. A livre aprendizagem flui sem amarras no dia dia, perguntando, assimilando e entendendo. Um pouco de chororo ao se despedir de nós. Se permitissem ela embarcava junto com a gente nessa trip. Tiramos uma foto e simbora pro coração da cidade.

Ah! Tem foto lá no face!

Alguns Números

Peso:
Mochila da Alê - 14,6 kg
Mochila do Ronny - 11,3 kg

Desembolso:
-

Total:
2 viajantes
6 dias
5 caronas
1 casas que hospedaram
291 Km
R$ 0,00

Total da Viagem:
2 viajantes
14 dias
13 caronas
4 casas que hospedaram
681 Km viajados
R$ 116,65

sábado, 18 de janeiro de 2014

Movimento 1 - Começando a Viagem

Saimos, eu e Alê, do Rio, dia 10 de janeiro. O destino principal, originalmente, é Santa Cruz de la Sierra - Bolivia. Vamos seguindo por terra, com uma atenção especial à saúde alimentar e o não uso do recurso monetário. Procuramos usar a menor quantidade de dinheiro possível dando preferência à Alimentação Viva (basicamente sementes germinadas e vegetais frescos, crus e orgânicos).

Após o meu querido paidrasto Marinho "dar um bonde" até o Terminal Menezes Cortes, fizemos uma baldeação até Volta Redonda, onde paramos para tirar meu passaporte e celebrar o casamento dos amigos Libby e Elisson. Fomos muito bem recebidos na casa da Claudia, com pão caseiro, frutas e geleia orgânica. Rolou até uma carona com o Gilmar (amigo da Claudia) até a casa de festa do casamento.

Apesar das tradições engessadas, compromissos para sempre, enfim, tinha muita gente boa. Após o casamento, onde a Alê e eu recebemos uma atenção especial com pratos veganos, o noivo Elisson nos deu uma carona até a rodoviária para pegar o ônibus das 5:30h pra Resende. De lá pra Penedo. Esperamos o passaporte ficar pronto descansando na casa (que é toda nossa) dos irmãos Venuto. Aqui a alimentação é farta e há uma preocupação com a saúde. Basicamente frutas e vegetais cozidos com uma tapioca aqui e acolá.

Uma fugida rápida pro meio da natureza... Passamos 4 belos dias nas montanhas de Visconde de Mauá. Indo e vindo de carona na estrada. 3 caronas pra subir e 3 pra descer a serra. Tempo suficiente pra revigorar as energias. Gratidão à amiga Bel que adotou o hábito do compartilhamento e nos deixou a chave do seu lindo chalezinho. Gastamos uns trocados pra comprar uns legumes e frutas para um suco verde. As folhas vieram do quintal, claro.

Hoje é dia 18 e estamos de volta à casa dos irmãos Venuto (Emerson e Sergio) em Penedo. Aproveitando pra lavar roupa e os tapetinhos de yoga. Aprendendo mais sobre livre interação, displina e paciência com as peripécias da pequena Nina de 2 aninhos. 

obs.: me rendi aos lácteos ao comer alguns bons chocolates no casamento.

Ah! Tem foto lá no face!

Alguns Números

Peso:
Mochila da Alê - 14,6 kg
Mochila do Ronny - 11,3 kg

Desembolso:
10/01 - baldeação até Volta redonda (R$ 53,20) frutas (R$ 4,60)
12/01 - ônibus até Resende (R$ 18,90) ônibus até Penedo (R$ 5,80)
14/01 - verduras e frutas em Mauá (R$ 14,15)
18/01 - contribuição pra caixinha da Bel (R$ 20,00)

Total:
2 viajantes
8 dias
8 caronas
3 casas que hospedaram
390 Km viajados
R$ 116,65

Total da Viagem:
2 viajantes
8 dias
8 caronas
3 casas que hospedaram
390 Km viajados
R$ 116,65

sábado, 11 de janeiro de 2014

Por amor, não me deêm empregos e esmolas

Depois que larguei meu emprego, nunca mais parei de trabalhar. Mudei radicalmente meu estilo de vida e comecei a me dedicar às coisas que realmente amo fazer. Sem me dar conta, estava trabalhando. Trabalhando e aprendendo. Conhecendo quem eu sou e desenvolvendo minhas habilidades para o trabalho.

O tempo foi passando e percebi que o trabalho foi se lapidando. A busca por conhecimento se tornou natural. Me fez mais questionador. A prática me deu mais segurança e abriu novos horizontes. É como se fossemos nos especializando, porém sem restrições. Vamos nos aperfeiçoando em sermos nós mesmos. Isso é formidável. Me senti muito grato pelos momentos de liberdade de escolha.

Com todo esse aprendizado me surge o velho mundo novamente. Convidando a embarcar no navio da escassez. Um novo emprego, só que com um nome mais bonitinho. Boas recompensas. Um lugar legal para realizar um trabalho legal com pessoas legais, um recurso financeiro extra pra pagar as necessidades materiais básicas e até uma promessa de tornar o mundo um lugar melhor, enfim... Ofertas que nos fazem pensar se vale a pena. Fica até dificil perceber que com isso assumimos também o compromisso com algo ou alguém, assim nos privando da boa e velha liberdade de escolha, e lá vem a falta de tempo (na minha opinião nosso recurso mais valioso).
Acaba faltando tempo para o outro, para cuidar do outro, para cuidar de si mesmo. Isso nos afasta do presente, do momento. Estamos sendo algo além de nós, muitas vezes, sem se dar conta.

Claro que isso não é um regra, mas, na minha opinião, tendemos a ficar insatisfeitos. Não acredito que nascemos para desempenharmos uma função ou fazer parte de uma instituição ou grupo. Não somos engrenagens de uma máquina. Nós somos seres mutantes, uma eterna metamorfose. Somos fluxo. Nascemos para aprender, para nos permitir, mergulhar de cabeça no desconhecido. Se não fazemos isso damos permissão para o medo se apropriar de nós e aceitamos facilmente o que nos oferecem, com uma falsa ilusão de segurança.

O único coletivo que enxergo é a coletividade humana como um todo. É para melhor servi-la que me especializo em ser eu mesmo. Para dar mais atenção às minhas relações, para estar disponível para o outro, para estar pronto para resolver qualquer eventual problema que possa surgir. Assim estou mudando o mundo, no que é cabível a minha pequeneza humana, sem nem me dar conta.

Isso é o que me leva a continuar plantando, cozinhando, permaculturando, bioconstruindo, fazendo musica, massagem, yoga experimentando e estudando o que eu quiser, como e quando quiser. Sobra tempo. Na verdade o tempo cronológico deixa de existir, tudo passa a pertencer ao presente, ao momento. A vida vai ficando leve e eu vou descobrindo o que é amar de verdade.

''Se fossemos restaurar o genero humano por meios genuinamente naturais, caberia, em primeiro lugar, sermos nós mesmos, simples e bons como a natureza. Não nos limitemos a ser provedores de pobres, mas tentar nos tornar a própria riqueza do mundo.''
Henry David Thoreau


Aqui o que escrevi sobre o que penso quando me perguntam: ''mas como a gente vai mudar o mundo?''

Varrendo o Quintal de Casa