segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sergio Kienteca

Alguns anos atrás fui apresentado para uma menina como a pessoa mais doce que ela poderia conhecer.
Já esqueci quem era a menina, mas a ocasião se deu no Curto Café e quem me apresentava dessa forma tão gentil era o Sergio Kienteca (Ki, para os intimos). Ao retribuir a gentileza, me referi ao meu amigo como a pessoa mais espontânea do mundo. 
Nesse contexto era mais excitante a doçura de uma pessoa do que sua espontaneidade. Fato percebido pela leve frustração do Ki com minha tentativa de atribuir-lhe valor.

Nessa época eu ainda morava no Rio e gerávamos tanto aprendizado juntos que era comum voltarmos pra casa ansiosos pelo próximo dia e com dores de cabeça de tanto refletir sobre a vida.
Muito depressa identificamos que todo aprendizado que vinha sendo gerado a cada momento só era possível porque estávamos sendo verdadeiros um com o outro. Verdadeiros com nossos sentimentos e buscando a forma mais legitima de expressa-los. É verdade que faltavam palavras, mas esse era o grande exercício. Responder para nós mesmos os motivos de nossas angustias, tristezas e buscar a origem de tudo isso.

As circunstancias da vida nos afastou, sem pesares, sem tristeza, de forma natural e compreensível. 2 anos se passaram e muita coisa aconteceu. Vivi experiencias incríveis, muitas compartilhadas aqui no blog. Dezenas de lugares, milhares de pessoas e interações, cada qual com sua especificidade. E dentre tantos lugares e pessoas encontrei muita naturalidade e espontaneidade mas nunca um alguém tão sincero quanto Sergio Kienteca.

Se eu pudesse voltar ao dia em que fui apresentado como a pessoa mais doce do mundo, apresentaria meu amigo como a pessoa mais sincera de sentimentos que já conheci. A mais profunda verdade se encontra no coração de Kienteca. Hoje em dia, com minutos de conversa, já é possível perceber a pureza de suas intenções.

Me sinto grato por te-lo conhecido e por vc ter me ajudado a desconstruir o pilar principal de um mundo de confusão que eu vinha construindo até então. Gratidão pela clareza de sentimentos, meu irmão. Beijos no coração. Fique em paz!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Sobre o facebook (por Claudio Oliver)

Texto de Claudio Oliver*

"Amigos e Amigas.... estar aqui no Facebook, me conectando sobre as coisas que faço (não exatamente quem sou) tem sido uma ferramenta útil para inspirar alguns, animar outros, e mesmo reconectar com pessoas distantes. Mas esse não sou o eu real, somente disponível para quem tenho a oportunidade de olhar nos olhos, andar por ai, trabalhar junto... esse facebook realmente é bem bom para encontrar pessoas, mas ... meu tempo se esvai, cada semana vou ficando com menos acesso a internet... e pior.. tem sido bom.
Estou comunicando que , lentamente, vou começar a sumir daqui. POde ser que assim eu acabe sumindo de sua vida, lembranças ou intenções, mas tem um mundo lá fora, que tem sido compartilhado com alguns poucos... e meus amigos aqui estão convidadíssimos a fazer parte dele. Tenho ficado uns dias sem telefone, sem internet e sem contato com rádio. Se ocorre um crime, não sei, se ocorre um terremoto no Japão, fico sabendo quando já foi limpo. E sabe o que? acabo gostando.
Como toda tecnologia, esta aqui é boa, adianta alguns passos, estende sentidos e partes do corpo, assim que passa um primeiro umbral, e abre possibilidades novas em um primeiro momento.
Como toda tecnologia, essa aqui sofre de uma Contraprodutividade Paradoxal, que acaba gerando mais perdas que os ganhos óbvios que produz a princípio.
E como toda tecnologia, do alfinete ao foguete, só é útil e boa se mantida dentro de limites.
VAi levar uns meses, por respeito a amigos queridos, mas vou me despedindo do FAcebook, quem sabe depois do email, e devagarzinho, vou retomar a caneta, o papel e o envelope.
Devagar pois quero pegar o endereço de alguns, voltar a ir ao correio, melhorar a caligrafia para que me entendam e retomar este ultimo pedaço de minha vida que falta retomar.
Foi bom estar aqui, vai ser bom ainda estar aqui um tempo, mas lentamente estou indo embora, respeitando e celebrando muito os amigos aqui feitos.
Vou ver de novo como é caro processar e revelar fotos para poder compartilhar... e começo por deixar de lado a notícia em tempo real, a foto postada em alguns minutos. A gente vivia bem assim antes...
Amigos, estou indo embora daqui, nem hoje, nem amanhã, mas indo, com certeza para ficar onde dá pra ficar. O tempo de trocar endereços com alguns será bem bom, para reaprender a escrever cartas, e faze-las bem, para lembrar quanto tempo leva. Espero que consiga.
Foi difícil mudar o jeito de comer, de trabalhar, de cuidar do lixo, de vestir. Vai ser complicada essa etapa também, mas melhor agora que antes de viver confuso entre o virtual e o concreto, escravizado pela dependência à ferramenta. Espero que funcione.
Forte abraço a quem leu até aqui. Gosto mesmo da maioria dos amigos de minha lista... dei uma boa olhada nela antes de tomar essa decisão, vamos ver no que vai dar."