Texto de Claudio Oliver*
O QUE FAZER COM SEU PEDACINHO DE CHÃO?
Amigo Ricardo, antes de mais nada recorra à nossa vocação atávica e pense como jardineiro, nunca como fazendeiro (de um ou de mil hectares... tanto faz). Antes de fazendar, experimente jardinar, pois no jardim a abundância e a variedade é sempre maior que na fazenda.
Cuide do solo, nutra a terra e junte água.
Não se perca pensando em plantas e animais, mas pense na terra. Se cuidar dela, a consequência será vegetais sadios, animais fortes e felizes e ciclos de vida ao seu redor. Fertilize a terra sempre, traga o máximo de carbono que puder para dentro da propriedade, e quando pensar que trouxe demais, dobre sua aposta e quadruplique o que trouxe.
Dai vai precisar de nitrogênio, para encher o esqueleto deste carbono. Urine nas palhas e restos de madeira, e urine muito, e peça aos seus amigos que façam o mesmo. Traga bichos para trazer mais N, esterco bem aplicado nunca é passivo ambiental. Não existe, nem nunca existiu, antes da Agricultura química, vegetais sem animais.
E antes de ter animais, pense em ter com o que alimentar os animais, de preferência com restos da cidade, que os desperdiça na forma de lixo, e faça isso para reverter a eterna extração e mineração sem ciclos.
Verticalize tudo que puder, e não pense horizontalmente. Ter mais terra é só a prova maior da incompetência e desamor do agronegócio monocultural. A gente não precisa de mais terra, precisa é de mais competência para administrar e ser bom mordomo do que temos.
Plante árvores para que elas tragam água e nutrientes do subsolo e pássaros que trarão nutrientes de longe.
Deixe a terra descansar a cada sete anos, e não plante nada naquele então, vivendo do que a terra lhe der. E receba amigos, seja simples, respeite as frutas e verduras da estação, respeite as estações, cultive o solo, plante água.
Com Carinho. Claudio Oliver "