sábado, 31 de janeiro de 2015

Falta Arrependimento (por Claudio Oliver)

Texto do Claudio Oliver*

"Na minha tradição existe uma palavra que é usada para conclamar as pessoas às mudanças necessárias e urgentes, e para que um novo futuro se desenhe para a vida, nossa vida, suas vidas. Esta palavra representa daquelas situações onde o simples se apresenta como o mais eficiente e óbvio caminho, porém , por ser simples e direto e implicar em coragem para se olhar no espelho e dar a largada para a resolução de problemas de frente, é deixado de lado e simplesmente não querido, trocado pelas aparentes soluções complicadas, intrincadas, administradas, que ao invés de resolver, postergam e adiam a tragédia que criamos.

A palavra é ARREPENDIMENTO! E espere.... você pensou em pesar, em tristeza... não eu disse ARREPENDIMENTO!
Esta palavra foi dita em dois idiomas originais em minha tradição: o hebráico e o Grego. Em Hebráico é Beshuvah, e quer dizer VOLTAR, RETORNAR, converter a direção em que se vai e caminhar de volta, fazer a CONVERSÃO no sentido em que se leva a vida. Em grego é METANOIA, (meta - mudança e noia mente) literalmente MUDAR A MANEIRA COMO SE PENSA, ou para os mais atuais: mudar o sistema operacional da mente e não somente os softwares que nela se usam.

O mundo está colapsando, falta água, mas falta muito mais humildade, sobra violência, rancor, ódio, arrogância e prepotência. Basta um falar, o outro quer mostrar que sabe mais ou que pode meter o dedo na ferida. Falta sentido e sobra vida vazia. Nossa arrogância há muito esgotou o volume seco de nossa alma. Vive-se o inferno, e ainda se insiste que se pode dar um jeito. Jovens tolos, adultos egoístas, crianças apáticas, consumo exacerbado, nenhuma disposição para o amor.... A ÁGUA QUE FALTA EM SÃO PAULO, RIO, PARANÁ E EM BREVE NA SUA TORNEIRA é só um sintoma de falta geral de arrependimento. De não decidir descansar, sossegar a alma, refletir, voltar atrás, olhar mais para o próprio erro que para o erro do outro. É falta de coragem de sair de casa e cuidar de seu lixo, de suas plantas e das suas pessoas. É preguiça de pensar, trocada pela audiência apática na frente da TV ou no computador.

A crise hídrica, e todas as demais crises que a causam: moral, ética, consumista, relacional e financeira, infelizmente só será resolvida se se der ouvido ao velho grito de todos os profetas, se após isso se decidir por mudar o modo de pensar e tomar o caminho de volta.
Eu adoraria que houvesse uma bela solução tecnológica ou administrativa para tudo isso que nem eu nem você tivessemos de mudar de vida. MAS NÃO HÁ!
ARREPENDA-SE, PEÇA PERDÃO, MUDE O MODO COMO FUNCIONA A MENTE E VOLTE PARA CASA, PARA SUA VIDA E PARA QUEM TE DEU ORIGEM.
Ou espere pelas consequências.
(depois dessa se quiser me manter na lista de malucos de plantão... fique a vontade)"

Sobre a Feliz-cidade

Texto de André Kaires*

"Eu podia chorar a vida inteira pelas verdades doídas. Pelas frustrações corriqueiras. Pelas Desilusões. Incompreensões. Pela fome e sede e doenças... mas, acontece que sou ridículo o bastante, para transbordar de alegria!
Vou seguindo pela estrada, os pés descalços. A pele quente e bronzeada. Os músculos endurecidos de aves de rapina. Em cima: a imensidão de um céu azul e branco e infinito...
Eu podia chorar!
A caminhada é longa... o cansaço me consome. No meio do caminho, deparo-me com uma pousada: Feliz-Cidade... Sigo ao encontro dela.
O céu ainda mais azul. A estrada cinza. As paredes da pousada carregadas de verde e rosa. Flores charmosas em tons de amarelo-manga, azul-anil, verde-bandeira. O gramado verde. Ao fundo, um lindo e majestoso cavalo branco e por fim, uma ninfa de pés descalços e vestido floral... A transparência do tecido, revelando seus belos e firmes seios...
Eu podia chorar... Grillet. Tarkovski. Copolla. Almodovar...
Pago pelo quarto com frigobar e TV a cabo. Pago por duas cervejas nacional e por uma refeição à moda da casa.
A noite cai. Encaro-me no grande espelho do quarto: um homem com um corpo de homem, e músculos de homem. A barba (ainda), de pelos pretos invadindo cada vez mais a face... E a Alma?
Eu podia chorar! -Pensei.
A Alma é feminina! Daquelas que acreditam no amor e nas crianças. Na arte, na doçura do preparo de um café e na entrega total ao escrever...
Eu podia chorar a vida inteira... Mas, aí vem a vida, e me permite ser ridículo e sonhador e idealista.

O dia amanhece... Aos poucos, vou deixando para trás: Feliz-Cidade."

André Kaires


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Uma carapaça egoista

O ser humano é tão egoísta! Reparo como assumimos uma postura defensiva quando fazem criticas ou poẽm em cheque aquilo que acreditamos. Ouvir "eu não acho o seu sonho legal" ou "ao meu ver, seu projeto não vai dar certo", pode ser o despertar de uma revolta guardada nas profundezas do nosso eu. Fica fácil adotar uma posição defensiva.

Se sua opinião vai contra aquilo que acredito eu à desmereço. Não te escuto honestamente. Muito menos me permito à reflexão. Deixo de contemplar o diálogo.

É como se tivesse dado um grande trabalho me descobrir amante da coisa. E ai rola um apego. Apego à uma ideia, uma crença, uma defesa do caminho que construí. Achamos que descobrimos a razão de existir pela empatia com um tema. Não queremos perder essa empatia. Não acreditamos que ela pode existir no novo, em outras tematicas.

Se eu pudesse dar um conselho, seria: Libertem-se de vcs mesmos. Saibam receber criticas ao que mais amam. Questionem o que configuraram como sendo a razão da sua existência. Não seja único. Seja múltiplos. Mude de opinião. Viva momentos!!!

Citando Carla Ferro: "É desonesto reduzir-se a uma identidade. Quero falar com a sua diferença."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Falta água e a culpa é nossa

Critica-se o desmatamento, a agropecuária, a falta de planejamento e corrupção pública, mas não vejo ninguém falando do problema mais latente. Não convém criticar a urbanização, nossas gigantescas ilhas de cimento. Assumir que moramos em ambientes inóspitos e colaboramos, dia após dia, para a previsível escassez de recursos naturais na medida do nosso "desenvolvimento". Plantem árvores!


domingo, 25 de janeiro de 2015

Vida em comunidade

Vida em comunidade é uma coisa tão simples...
Regras são desnecessárias. Atrapalham, dificultam. Faz acreditar que a vida em comunidade é complexa. Faz-nos acreditar que temos que ter uma solução pra cada problema. Ou que devemos evitar problemas. Inibem a ação criativa, a percepção do momento. Regras moldam ambientes, enquadram cabeças.
Quando estamos atentos, percebemos os limites da interação. E isso já é suficiente. Nós só precisamos de confiança. E eu confio que consigo conviver com vc sem que nós precisemos estabelecer regras na nossa relação. Confio que somos capazes de perceber nossos limites e respeita-los. Temos liberdade para nos expressar, manifestar nossos incômodos, definir nossos limites e assim aprender a viver o bem e o mal estar. Sabendo viver o mal estar, percebe-lo e analisa-lo, ele se desfaz, pois não existe na prática. Nós o criamos. Se vc reconhece o ser humano que há em mim e eu o que há em vc, a nossa relação não precisa de nada mais. Ela flui de acordo com nossa vontade de conviver juntos num mesmo ambiente.
E o grande segredo é trabalhar com prazer. Fazer brincando e brincar fazendo. Não leve a vida tão à sério.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Antes Arrogante à Mentiroso

Tenho pensado sobre o emprego da palavra "arrogante". O que faz alguém ser arrogante?!
O questionamento começou numa observação de mim mesmo. Percebi o quanto a arrogância das pessoas me incomodava. A partir dai pude analisar a palavra. O que de fato eu queria dizer com "arrogância"?! Qual o valor que atribuo à palavra para definir a atitude de alguém?! Etimologicamente significa: aquele que exige uma atenção mais do que merecida.
Fui buscar essa tal arrogância dentro de mim. Me descobri arrogante. Sim, havia uma certa prepotência habitando meu ser.

Depois de um bom tempo pensando e analisando comportamentos, entendi que o valor que eu atribuía à palavra "arrogante" vinha, simplesmente, do fato de alguém ter vivido ou aprendido algo e sentir um grande entusiasmo em compartilhar com mais pessoas. Eu faço isso o tempo inteiro. Vivi momentos que me trouxeram bem estar, aprendi técnicas que me deram mais independência, e sinto um grande desejo de compartilhar com os outros. É isso que me faz arrogante?! Ser verdadeiro, mostrar quem eu sou, o que me faz suspirar?! Então eu sou arrogante pra caramba! Qual é o problema?!

O que faz o outro parecer arrogante, pra mim, é o meu complexo de inferioridade. É dar mais valor ao que eu tenho para compartilhar. Até ai ta tudo certo. Vivemos coisas diferentes, logo, diferentes aprendizados tivemos.
O real problema é quando a gente não ouve o outro. Quando há um bloqueio pelo juízo de valor que fizemos abrindo espaço para uma competição sem sentido. Nesse momento a gente para de aprender. A gente deixa de reconhecer o ser humano que há no outro. Estamos agindo desonestamente. Não é ruim fazer juízo de valor, ruim é não perceber isso. E pior ainda, é não deixar que o outro saiba do juízo que fizemos por temermos uma possível desarmonia na relação.

"Ele se acha!!" é o que alguns dizem. Sim, e dai?! O cara acredita naquilo, uai! Até o momento em que ele diz o que pensa não está desrespeitando ninguém. Se você se sente desrespeitado, o problema é seu. Queremos evitar o conflito ao fantasiar o que a expressão dos nossos sentimentos pode causar no outro. Isso é uma grande desonestidade. A falta de verdade é terrível. Você não da a chance do outro saber o que você está sentindo, o que está pensando a respeito dele.

Quando estamos interagindo livremente, não há que medir palavras. Se incomodou, sabemos. Se não entendemos, procuramos entender. Se ofendeu, comunicamos. A verdade prevalece. Falamos com o coração. Seja arrogante! Por amor, deixe-me saber o que você pensa e onde divergimos em nossas opiniões. Se houver alguma mágoa tenhamos a maturidade de assumi-la e não esconde-la.

Conversando com Felipe Duarte percebi que existem pessoas que são evidentemente arrogantes (que se expõem, falam o que pensam, se orgulham do que fazem. demandam atenção) e outras enrustidamente arrogantes (preferem não causar desarmonias, mas suas ações são incoerentes com o que dizem). Sempre tive boas relações com as primeiras, mas essas segundas sempre foram uma incógnita. São as desonestas, e eu já fui assim. Ainda sou. Mais do que gostaria. Mas agora estou mais atento. Estamos mais preocupados em passar uma imagem do ser iluminado, sem defeitos, que queremos ser, do que o que somos de fato naquele momento. Em outras palavras estamos querendo mais agradar e não causar mal estar do que agir naturalmente. Não quero ser "bonzinho", evitar conflitos. Quero explorar minha arrogância, me encontrar no conflito. Quero relações livres. E se livre, não possível for, que eu tenha pelo menos a consciência de que escolhi ser desonesto com o outro naquele momento.

"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas, satisfazê-los. Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro."
Dalai Lama


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

As Viradas São Novas Ondas

Texto de Augusto de Franco*

"Aquela onda inovadora que irrompeu na última década, sobretudo nos últimos cinco anos - startups, crowdfunding, crowdsourcing (e todos os crowds sem muito crowdweaving), festivais de ideias (interactive co-creation), casas colaborativas e laboratórios sociais, ocupação de espaços públicos para instaurar novas dinâmicas de commons - parece que está refluindo, consumida nos seus próprios problemas de organização e sobrevivência. Mas quando a organização e a sobrevivência viram problemas centrais então é sinal de que as aves do céu que não tecem nem fiam não estão mais podendo voar. Ou que os lírios dos campos não estão mais podendo florescer.

Alguma coisa no fluxo interativo da convivência social não está mais enfunando aquelas iniciativas, não pelo menos como estava. Talvez isso esteja ocorrendo porque a interatividade continuou aumentando, cada vez mais avassaladoramente, mas nossas narrativas sobre os mundos que construímos em nossa convivência continuaram fundeadas em velhas crenças e conceitos. Ou, quem sabe, porque falamos de rede mas continuamos reproduzindo padrões hierárquicos e tendo comportamentos autocráticos. Não obstante, fomos carregados, isso fomos! Mas sem entender realmente o que nos carregava. Ainda tentamos entender o fenômeno, mas se demorarmos muito é possível que acabemos devorados pelo enigma indecifrado.

Quando a interatividade aumenta as migrações também aumentam. As pessoas com as quais nos emaranhávamos vão se ligando a outros emaranhados. Sinergias antigas se desfazem. As constelações mudam rapidamente. Resistir à precariedade, reforçando nossas iniciativas ou reafirmando nossos valores, talvez seja bem pior do que nos deixarmos levar pela correnteza. "Ah! Mas eu esquematizei minha vida para ela ser assim e assado e não vou jogar tudo fora para pular no abismo da incerteza e da imprevisibilidade". Qual nada! Mundos planejados vão perecer.

No pico daquela onda de inovações, chegamos a achar que estávamos nos aproximando de uma hora da virada. Mas não há uma virada. São muitas viradas. Tantas quantos somos em nossas circunstâncias. Quem tem que virar somos nós, para perceber que as viradas são outras ondas. E quais são as novas ondas?"


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Caminho para a Verdade (Jiddu Krishnamurti)

"Quando falam de um caminho para a verdade, isso implica que a verdade, essa realidade viva, não esteja no presente, mas algures na distância, algures no futuro. Ora para mim, verdade é realização, e para a realização não pode haver qualquer caminho.

Portanto parece, pelos menos a mim, que a primeira ilusão em que são apanhados é este desejo de garantia, este desejo de certeza, esta interrogação sobre um caminho, uma maneira, um modo de viver pelo qual possam alcançar a meta desejada, que é a verdade. A vossa convicção de que a verdade só existe no futuro distante implica imitação.

Quando perguntam o que é a verdade, estão na realidade a pedir que lhes digam o caminho que leva à verdade. Então querem saber qual o sistema a seguir, qual o modo, qual a disciplina, para os ajudar no caminho para a verdade.

Mas para mim não há caminho para a verdade; a verdade não é para se compreender através de nenhum sistema, através de nenhum caminho.

Um caminho implica uma meta, um fim estático, e por isso um condicionamento da mente e do coração por esse fim, o qual necessariamente requer disciplina, controlo, aquisitividade.

Esta disciplina, este controle, torna-se um fardo; rouba-lhes a liberdade e condiciona a vossa ação na vida diária. "

- J. ‪Krishnamurti‬ || A Arte de Escutar, Adyar - 5ª palestra 2 de janeiro, 1934 -


Argumento Maldito (por Nilton Lessa)

Um diálogo entre Nilton Lessa e uma pessoa que fez um comentário em um post que ele compartilhou sobre o rapaz sentenciado à pena de morte na Indonésia por trafico de drogas:

Fulana:
"Deixa um traficante "adotar" um irmão seu, como fizeram com o meu, e você muda de opinião na hora. Eles acabam com cada um da sua casa".

Nilton Lessa:
"Pois é... vou ser sincero e franco, como sincera e franca vc foi: este é o tipo de argumento "maldito". Maldito porque espera que a desgraça e a desventura moldem as opiniões e as emoções da sociedade em geral. É maldito também porque sua força vem da força da "maldição", do destino trágico que a todos deve atingir para que todos compartilhem de uma emoção trágica vivida.

Respeito imensamente sua dor. Dores e tristezas não se entendem, seria mentiroso eu dizer: "eu te entendo". O máximo que consigo é dizer que ao pensar no que vc escreveu fico triste e tenho vontade de te abraçar por vc ter passado por isto.

E digo tb que também tenho raiva de vc usar como argumento que uma desgraça mudaria minha opinião. (Porque sei tb que neste momento, num átimo que seja, vc desejou que eu tivesse passado por algo trágico para que assim pudesse concordar com seu ponto de vista).

Sim, Fulana, é possível que minha opinião mudasse. E é justamente por saber que é possível que tristezas moldem minha opinião de modo que passaria a fortalecer a desumanidade sistêmica é que, hoje, jogando para o alto maldições e o futuro, eu afirmo: sou contra a pena de morte e sou contra qualquer ação do Estado que aniquile a pessoa humana.

Um forte abraço, de coração".

domingo, 18 de janeiro de 2015

Sou o que somos

Nós somos resultado das nossas interações. Me construo a cada momento na minha interação com o outro. É um equivoco acreditar que temos controle sobre nossa vida. Que escolhemos fazer o que quiser a qualquer momento. Fazemos isso sim, mas dentro do nosso núcleo de atividade social. O tempo todo replicamos padrões e por isso, reconheço a necessidade de encontrar novos mundos. Quanto mais eu experimento ações e interações que me desenvolvem, mais eu transmuto, autopoieticamente, em ressonância com esses novos mundos. Mais estou replicando não-padrões, coisas diferentes, e portanto mais informação para me perceber no meio.

Digo isso ao perceber os amigos que antes estavam sempre discutindo assuntos importantes da humanidade, os dramas cotidianos, e hoje já não se interessando mais. Estão mais preocupados em construir suas vidas dentro dos paradigmas que estão inseridos. É difícil perceber que ainda questionamos o modelo social no qual estamos inseridos se não temos contato com esses acontecimentos. O nosso desenvolvimento é dado na medida da absorção de novos aprendizados e novas experiencias. A estagnação existe, assim como o retrocesso. Não estou avaliando quantitativamente, mas eles existem. Continuar fazendo mais do mesmo é replicar padrões do velho paradigma. Não digo que é ruim querer continuar vivendo os mesmo padrões tradicionais se assim desejar, mas é um grande engano acreditar que se pode mudar a qualquer hora. Que por ter experimentado algo que sentiu empatia um dia, podemos voltar a vive-lo quando "der na telha". Não mudamos para um meio desconhecido, inserido em um meio que não explora o imprevisível. A não ser que a gente consiga abandonar tudo de lado. Mas é muito mais difícil dizer um "que se foda a porra toda" de uma hora pra outra. É mais facil e mais prazeroso ir se construindo no caminhar.

Hoje tenho novos amigos que discutem os mesmos novos temas e se interessam pelas mesmas novas coisas. O antigos estão mais afastados pela falta de interesse. Nossa rede social vai crescendo na medida em que buscamos mais informação, mais conteúdo, mais novidades. Aqueles que se mantém debatendo, questionando os temas cotidianos se aproximam mais uns dos outros. Assim se desenvolve um maior entendimento sobre viver e conviver alternativamente ao padrões implementados.

"Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade."


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Metodologias, Livre Interação e a CNV (comunicação não violenta)

Em conversa com Sergio Venuto e Jaqueline Caliman pude refletir melhor sobre a metodologia da Comunicação não Violenta (CNV). Fica claro que ela foi criada para atender à um interesse. O que se entende de forma mais ampla por comunicação não violenta nada mais é do que se comunicar, interagir livremente, tentar não demandar um comportamento ou atitude do outro, aceita-lo como ele é. De forma pré configurada o título de não violência, a técnica, só é necessária para criar a figura de um vendedor, um facilitador, um "como fazer" e assim conseguir extrair algo dali. É preciso que se configure um formato, um produto, para que se venda.

Dentro da manifestação não violenta, o trabalho de um "facilitador" seria algo como:
- Eu preciso de dinheiro para pagar as dividas que eu fiz esse mês, alguém pode me ajudar com isso?
e ainda:
- Eu gosto de observar e falar sobre comunicação e interação com o outro. Quem mais gostaria de falar sobre isso?
Percebe que são 2 coisas distintas?!

Entretanto, em palestras e workshops não se separa essas duas coisas e fica algo como:
- Existe uma técnica para mediação de conflitos e eu me proponho a estuda-la e compartilhar com quiser. Fiquem a vontade para contribuir com meu trabalho.
Separar as duas coisas põe fim ao papel do facilitador, permitindo que as pessoas percebam seus próprios caminhos de interagir e fluir livremente. Conversando sobre o tema. E não ouvindo o que alguém com "mais experiência" tem para falar sobre o tema. Existem infinitas técnicas. Tantas quanto pessoas. Acreditar em uma é desfavorecer a descoberta das demais. O facilitador, acredito que as vezes sem perceber, cria uma necessidade para deter o poder da atenção, passar a informação para enfim se vender como algo necessário. Grosso modo é um marqueteiro criando necessidades desnecessárias.

A criação do método só é aceita porque é comum vivermos em ambientes centralizados, não livres, onde alguém quer vencer, ter a razão, defender seu ponto de vista. Quando há a manifestação da cooperação, do ganha-ganha, em um ambiente, não é necessário um método pré-definido. O ambiente livre trás o estimulo, permite que as pessoas busquem a compreensão do conflito. As pessoas ali, estão interessadas em explorar sua forma de se comunicar com o outro, estão atentas à interação. Se isso não existe por uma das partes envolvidas na interação ela já não está sendo livre e a tentativa de "torna-la" livre é uma tentativa de instrumentalização do outro. Na minha opinião um ato violento, desrespeitoso.
Sem a experiencia de conviver em um ambiente livre, ou pelo menos mais livre, fica dificil entender o que quero dizer. Nesse ponto a prática de vida em comunidade ajuda.
Desaprendemos a viver em comunidade. A escola desempenha bem essa função. Desumanizar o ser humano.

Falar sobre comunicação não violenta é lindo, o problema, a violência, surge quando há uma formatação de como se comunicar. Quando se configura um produto exclusivamente com a intenção de vender. Quando não estamos mais apenas debatendo sobre o tema. Se há apenas conversa e a partir dai as infinitas formas de co-desenvolvimento, não há um terceiro que se beneficia disso. Apenas as partes interagentes se beneficiando, ou não, da interação.

É mais tentador adotar um método de como interagir "melhor", "mais verdadeiramente" com o outro, em ambientes centralizados como: família, escola, empresa, porém não é legítimo. Com um método, não aprendemos a lidar com conflitos e sim com o conflito específico. Para aprender a lidar com conflitos é preciso esperar que ele se manifeste e observa-lo atentamente para uma possível solução a partir dali. O próprio embate gera a solução. É preciso estar atento. Observar a interação. Podemos trabalhar internamente, entendendo as razões do nosso desconforto, e isso dá trabalho, ou podemos continuar interagindo com o outro e juntos buscarmos a melhor compreensão da nossa interação naquele momento. Com a ajuda do outro, entender o conflito que surgiu da interação, da menos trabalho. Mas o outro precisa estar aberto à isso. Precisa desejar. E nós não temos poder sobre o outro. Querer que alguém queira é ultrapassar o limite do respeito. É violência.

Assim como se calar diante de uma circunstancia conflituosa. Você não quer a resolução do conflito. Você está se esquivando da responsabilidade pelo que sentiu. O que você quer é uma garantia da manutenção da harmonia na interação, nem que isso te custe a frustração ou trabalhar as razões de seus incômodos introspectivamente, que é bem legal, mas é desonesto com o outro. Ele não sabe o que você sentiu e você não permite que ele saiba por medo de ter que lidar com o conflito. Isso só existe em uma relação não livre. Em um ambiente livre é natural que a expressão das emoções sejam contempladas e ouvidas na interação.

Se o ambiente é livre não há método, nem regras de convívio pré estabelecidas. O que não significa dizer que não há limites. Os limites vão sendo percebidos a todo momento na relação com o outro, pois há o fenômeno social, a percepção de que há outro ser humano ali. Existe mais limites em um ambiente livre do que em um ambiente centralizado.



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O que é mesmo autoconhecimento?

Observar... há uma certa complexidade, apesar de simples. Observar não está restrito à visão. Esse ato abrange todos os sentidos. Perceber, sentir, estar atento. Não é difícil voltar para si, para o momento, analisa-lo sem julgamentos por 1 ou 2 segundos, mas fazer isso a todo o tempo, é.

A cada segundo a vida nos enche de oportunidades de aprendermos com ela. Nos últimos meses a vida tem me convidado para me assistir nessa dança. Algum tempo afastado da minha rede social mais ativa me deu de presente o re-significado da palavra autoconhecimento. Uma palavra batida, sempre relacionada a questões espirituais e pouco desenvolvida. Se conhecer, fazer o que ama, é pouco pra tudo que autoconhecimento implica na vida.

Entre retiros, imersões, experiencias religiosas, momentos de ócio e algum tempo sozinho, pude notar a vida me chamando. Ela dizia "Hey, presta atenção! O que você procura ta aqui, na sua frente. É agora!". Eu não fazia ideia do que eu procurava, mas estava condicionado a levantar a cabeça e procurar lá na frente. Em busca de autoconhecimento fui me disciplinando a entrar em meditação, me conectar com o presente, voltar minha atenção para cada movimento, mas bastava uma pequena distração para voltar a energia levemente depressiva (preso ao passado) ou ansiosa (expectativa do futuro).

Autoconhecimento não se busca. Não há o que buscar. O momento favorece o autoconhecimento. Ou a gente aproveita ou não. 
Assim, nesses últimos meses aprendi a me observar, me perceber em cada momento. A origem de cada sensação, cada pequeno incomodo ou momento de euforia, felicidade, tristeza, baixo ou alto astral. Cada interação. Seja ela rica ou pobre, vazia ou cheia de vida. A todo momento a vida está lhe dando o presente de presente. É no presente que a gente aprende. Saber recebe-lo e aproveita-lo é a chave para o grande aprendizado de quem você é.

Se auto-conhecer não é saber quem você é, mas sim ser capaz de se perceber como um ser que transmuta a todo instante. Enxergar além das aparências. Enxergar o agora, a verdade, se reconhecer no encontro. Você é você agora. Depois desse parágrafo você já será outra pessoa. E autoconhecimento é ter consciência disso. Não do que se é, mas do que se torna a cada interação, à cada suspiro. 

Aprendi com Eduardo Marinho que o sentido da vida é aprender. É a única coisa que a gente faz o tempo todo e a única coisa que a gente leva quando a vida passa. É um tipo de riqueza que a gente pode distribuir, que não diminui, até aumenta.

Tenho aprendido. Principalmente com o outro. Na ofensa, no sofrimento, é onde está o maior potencial de aprendizado. Se me sinto ofendido, sou grato pela oportunidade de perceber e identificar o incomodo em mim. Toda origem de nossas angustias e sofrimentos está em nós. As vezes o papel do outro é dar o estimulo e nos fazer perceber que aquele sentimento habita nosso coração.

Gandhi dizia que o tamanho do nosso sofrimento é proporcional ao tamanho da nossa ignorância.
Presta bem atenção. Ta tudo em você! Assuma a maturidade! Você é responsável pela sua vida!

"Você se lembra quem você era antes do mundo te dizer quem você deveria ser?"



domingo, 11 de janeiro de 2015

12 Sintomas de um possível despertar

Por Jiddu Krishnamurti*

1. Uma tendência crescente de deixar as coisas acontecerem ao invés de tentar controlá-las;
2. Ataques frequentes de alegria, sorrisos sem explicação e explosões de risos a qualquer momento;
3. Sensações de estar intimamente conectado aos outros e à natureza;
4. Episódios frequentes de apreciação e admiração com coisas simples;
5. Uma tendência de pensar e agir espontaneamente, no lugar do medo baseado na experiência passada;
6. Uma nítida habilidade de curtir cada momento;
7. Uma perda da habilidade de se preocupar;
8. Uma perda do desejo por conflito;
9. Uma perda de interesse por tomar as coisas como pessoais;
10. Uma perda de apetite em julgar o outro;
11. Uma perda de interesse em julgar a si mesmo;
12. Uma inclinação em dar sem esperar nada em troca.