sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O futuro, se houver, está no passado

texto de Claudio Oliver*

''No passado, vivemos muito tempo. Isso gerou um valor, comum a várias culturas: a sabedoria. Tínhamos a sociedade da sabedoria, acumulada e enraizada em uma diversidade cultural e uma paleta de cores incrível... e usualmente bem equilibrada ao seu entorno. No paralelo, impérios e sistemas subiram, e caíram, tentaram crescer, e morreram.

Até que nos últimos quinhentos anos achamos o caminho para abandonar a uma só vez a sabedoria e a espiritualidade. Ficamos espertos e subimos na árvore do conhecimento. A sociedade do conhecimento cresceu e hegemonizou o império. Fizemos o que Francis Bacon sugeriu: torturamos a mãe natureza até que ela entregasse seus segredos. Criamos a sociedade do conhecimento.

Lá pelo meio do século XX, o conhecimento nos tonteou e passamos a simplesmente querer saber fazer, e criamos a sociedade do Know How (se falava tanto nisso nos anos 70...). Depois, descemos mais um degrau, e nos inundamos de internet, mídias e meios.... criamos uma sociedade de informações, que nem se quer se articulam, mas que ocupam toda nossa mente.

E nesse século XXI, de tanta informação, emburrecemos, adoramos gladiadores em seus ringues de galo de briga, ouvimos coisas horrendas a que chamamos música, vemos TV, e sabemos mais sobre produtos que sobre a vida. Esvaziamos nossa casa, para ficar 12 horas por dia trabalhando, para ter dinheiro, para consumir, e cansados, nos distraímos em uma estupidificada sociedade do entretenimento. E achamos, que entretendo crianças, informando jovens, inflando nosso conhecimento teremos a alegria, que só os sábios serenamente sabiam ter... o futuro, se houver, está no passado.''

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Deseduque seu filho

O mundo está de pernas pro ar. Toda a estrutura projetada pelos grandes gênios já vingou e já chegou o ao fracasso. Acredito, hoje, que nossa liberdade está vinculada com a percepção do momento que estamos vivendo e a capacidade de fazer diferente, de buscar o prazer, independente de dogmas e tradições, de viver de uma certa forma, subversivamente. Quem sabe uma das portas para felicidade esteja na percepção do quanto fomos manipulados através da linguagem, do comportamento, da educação.

Educar que é um palavra tão autoritária se analisada etimologicamente: induzir, conduzir.. e nesse sentido transformar alguém em algo que possa servir aos interesses de outrem. E assim fomos educados durante toda a vida. Sem passar lentamente por cada umas das fases, sem dar atenção ao corpo, aos sentimentos, à imaginação. Pulando etapas, como coisas sendo moldadas para um objetivo final. Aprendendo a obedecer e nunca a respeitar o outro. O bom comportamento ditado por uma instituição.

Cansei de correr, de objetivos, metas, resultados. Quero gozar dos prazeres mais simplórios, degustar tranquilamente uma doce fruta do pé, desfrutar de uma alimentação saudável, sentir a briza da tarde se esvaindo pelas encostas das montanhas, reparar o sol se por, acordar com ele nascendo, comer quando der fome, dormir quando der sono, que as responsabilidades sejam naturalmente impostas por mim mesmo, na medida do meu bem querer, do meu bel prazer.

Se eu pudesse dar um conselho, deseduque seu filho, seria ele. Deixe-o experimentar a liberdade de descobrir por si mesmo, de achar as próprias limitações, de entender a vida do próprio ponto de vista, de viver aprendendo e aprender vivendo, ter direito a dúvidas, ter acesso a perguntas, e não somente à respostas, que em sua maioria já estão prontas, comprovadas e cheias de certeza. Crie seu filho, isso sim, com atenção, com respeito, com amor, como um ser humano, como igual.

A sujeição a certos paradigmas nos faz acreditar que temos problemas, que somos tristes, feios, incapazes. Somos o que somos. A grande sacada é buscar o autoconhecimento, e isso é uma coisa bastante difícil quando estamos atrelados a tantos modelos e rótulos.

‎"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É tempo de travessia, e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos"Fernando Pessoa

continua... eu acho


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Relato de uma vida kavernosa

Mais uma novidade. Agora Kaverna Mountain (lugar onde moro atualmente) é uma escola. Eita palavrinha pesada! Parando pra pensar um pouquinho, percebi o quanto estou aprendendo aqui. Isso se deve pelo fato de que estou aprendendo porque gosto de fazer. Só nos esforçamos pra aprender aquilo que não gostamos.

Aqui se aprende ecologia, botânica, engenharia, elétrica, arquitetura, filosofia, religião, economia e o que mais quiser aprender.
Realizando as atividades do dia-a-dia, que me propus a realizar, me dei conta de que se tivesse sido criado com essa liberdade de escolhas, podendo vivenciar e pôr em prática o que estão nos livros, não teria demorado 20 anos pra entender quem eu sou e quais são minhas habilidades.

Ficou fácil enxergar que se uma criança estivesse me acompanhando em cada atividade que realizo, com toda sua curiosidade pelo desconhecido, o aprendizado seria absorvido suavemente. Sem decoreba. Essa coisa só teórica é muito doida. A vida é pura prática.

Neruda já dizia ''Largue o livro e vá viver''. E ainda cito Thoreaut ''Digo que os estudantes não deveriam encenar a vida, ou simplesmente estuda-la, enquanto a sociedade os sustenta nessa dispendiosa brincadeira, mas seriamente vive-la do começo ao fim.''

Por isso revelo aos papais de plantão que confiam no doidão aqui: me proponho a dedicar parte do dia às crianças que quiserem passar um tempo estudando e vivenciando a vida no campo. Com total atenção, amor e paciência, tentando sempre estimula-las a desenvolver o discernimento pessoal de certo e errado, inofensivo e perigoso, bonito e feio.

Já teve amigo dizendo que não poderia vir por não ter com quem deixar o filho. Quanta besteira! É só chegar, se permitir e experimentar. Abraaaaaço.

    Obs.: Nina Costa Venuto já teve sua primeira aula de musica.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Varrendo o quintal de casa

Existe algo intrigante em algumas pessoas que querem fazer revolução.
Fazemos um pré julgamento do que seria um mundo melhor. Perfeito! Da pra imaginar um mundo bem mais saudável e socialmente igual. Alguns problemas estão bem visíveis, bem definidos. Fome, miséria, morticínio, lixo, poluição, corrupção... Sentimos perfeitamente o incomodo e a infelicidade que tais incovenientes geram no ser humano.

Então, como acabar com eles?! Ou melhor, como estamos tentando acabar com eles? É comum identificarmos um problema de escala mundial e em nossa pequeneza humana querer soluciona-lo. Esquecemos que anos e mais anos foram necessários pra se criar aquilo que hoje se tornou um problema grave. Diria que é mais fácil criarmos grandes expectativas e acabarmos frustrados do que de fato chegar a solução que agrade a todos. Será que vale a pena gastar tanta energia em causas grandes?! Que mechem com empresas, órgãos governamentais ou não, ou qualquer outra instituição?! Estamos atentos às pessoas por trás disso tudo?!

Muitos estão cientes de que não é tarefa facil encontrar solucões para problemas desse nível do dia pra noite. A maioria de nós está convencida de que precisamos dar o primeiro passo começando a fazer a nossa parte. Economizar água, buscar alimentos saudáveis, respeitar uns aos outros, reciclar o próprio lixo, etc. Mas estamos realmente fazendo a nossa parte? Damos atenção suficiente aos pequenos detalhes? Estamos de fato fazendo revolução? Ai identifico o que ouso chamar de contraditório.

Embora seja tudo uma questão de consciência, paz de espirito, é difícil olhar para o comportamento dos ''heróis da sociedade'' e ver o quão contraditório parece a forma com que fazem revolução. Vejo gente fazendo programas de reciclagem e não conseguem reciclar o próprio lixo, falam do plastico jogado em rios e mares, mas continuam levando suas sacolinhas do super mercado. Se fazem projetos super estruturais para favelas sem nem ao menos perguntar aos moradores locais a verdadeira necessidade deles (que muitas vezes é um remédio pra tratar o câncer da mãe ou o material escolar das crianças).

Quem constrói a sociedade não é o academicista. É, sim, aquele que planta, que levanta uma casa, que carrega saco nas costas. Muitas vezes que cozinha pra que os outros comam. Quem provê as necessidades básicas são aqueles que estão o tempo todo fazendo revolução. Estão contribuindo diretamente pra evolução da comunidade da vida. Em um momento da vida percebi que o cara que eu tentava ajudar lá na favela fazia muito mais pelo coletivo do que eu, com todo meu inútil conhecimento acadêmico.

Me soa estranho quando querem fazer algo grande e belo, mas não discernem o cabível a si próprio. Não sou contra uma atitude dessas, mas posso ver muita coisa a se fazer antes de partir para esse caminho. Não consigo enxergar uma busca sã pela felicidade quando se estabelece regras, compromissos ou vínculos que geram dependência. A relação deixa de ser humana, deixa de ser pessoa à pessoa, há interesses egoístas por trás e não mais uma preocupação de todos estarem sentindo prazer, satisfeitos emocionalmente com o trabalho a ser realizado.

Falar em mudar o mundo pode parecer meio arrogante e pretensioso. Não sabemos nem o que é melhor pra nós. Mal nos conhecemos, não entendemos o que sentimos, somos apegados, consumistas, impregnados de paradigmas. Por que quereremos mudar as coisas la fora? Não tem coisa pra se fazer internamente ainda? Ali pertinho, onde a gente mora. Vamos esquecer o mundo, a cidade, a vizinhança. Vamos olhar pra nossa casa, cheia de contrariedades. Nossa relação com pais, filhos e irmãos raramente está em pé de igualdade. Comummente está sendo competitiva, cheia de interesses e recompensas.

Pagamos impostos pra um governo corrupto, compramos alimentos intoxicados, desperdiçamos água, não sabemos o próprio consumo de luz, não usamos transportes alternativos, não cumprimentamos o porteiro, não conhecemos nosso vizinho, misturamos todo o lixo em uma unica sacola plastica, fazemos dinheiro em cima do trabalho dos outros, criamos expectativas em cima dos amigos, vivemos de fins de semana e feriados, não sabemos de onde vem grande parte de nossos aparelhos eletrônicos, usamos roupas confeccionadas por crianças em condições sub-humanas de trabalho, fora as coisas que ainda nem descobrimos.

É notável que se focarmos em alguma atividade sustentável especifica, e dizermos que ali esta nossa contribuição pro planeta, alguém esta fazendo todo o resto que estamos deixando de lado. É algo genuíno de se fazer, mas esquecer que há mais do que isso, é um tanto paradoxal. Aprendi a chegar em um lugar e deixa-lo no minimo no estado em que encontrei, se não, melhor. Dado que nossa ação sobre as coisas são passiveis de depreciação, acho legal buscar formas de renova-la ou deprecia-la o menos possível.

O mundo é apenas um reflexo dos seres que nele habitam, se ele não está equilibrado é provável que o homem esteja em desequilíbrio. Assim fica mais claro enxergar que nos cabe identificar onde estamos afetando negativamente o mundo e mudar nosso comportamento, nossa forma de se relacionar com ele e com quem nele habita.
Antes de identificar problemas e soluções sugiro que comecemos a cuidar da comunidade da vida. Re-estabelecer a harmonia entre os seres e se manter em equilíbrio com o privilegiado planeta que habitamos.

Todo mundo quer salvar o mundo, mas ninguém quer ajudar a mãe a lavar louça.

É dessa forma que interpreto a frase de Gandhi ''Seja a mudança que você quer para o mundo''. O bom exemplo é a melhor forma de mudar as coisas.

''Se fossemos restaurar o genero humano por meios genuinamente naturais, caberia, em primeiro lugar, sermos nós mesmos, simples e bons como a natureza. Não nos limitemos a ser provedores de pobres, mas tentar nos tornar a própria riqueza do mundo.''

Resposta do Claudio Oliver à pergunta da Juliana Chavantes

Juliana:
"A cada momento que tento trilhar meu caminho profissional, constato o quanto não devemos mais colocar os filhos na escola que temos hoje. Cláudio, tenho uma dúvida, quais são atividades cotidianas da Giovana? E como ficou a convivência com as outras crianças? Alguma já a destratou por estudar em casa?"

Claudio:
"atividades cotidianas: as que deveriam ser comuns a todos os seres humanos: ela aprende o tempo todo, vive a vida e se expõe à aventura de viver. Come com os pais todos os dias, estuda o que lhe causa curiosidade, investiga livros e faz perguntas, cozinha, brinca, via à piscina, ajuda nas tarefas (com as vassouras e ferramentas aprende fisica, com a cozinha quimica, cuidando dos animais e vendo-os passar pelos ciclos de nascimento, vida, reprodução e morte, e curtindo as plantas, plantando e colhendo , ela aprende biologia) tais coisas a leva aos livros disponíveis. Ouve os clássicos do samba e da musica clássica, conhece Brahms e conhece Pixinguinha, é fã da Marisa monte, do MAuricio de SOuza e do Saci. L„e C.S.Lewis e lê estórias de meninos indios, não mexe em computador, mas vê vídeos, não tem video game nem telas distrativas, mas vai ao Shopping com a mãe, brinca com as crianças da vizinhança, e com a Dona Maria de 81 anos, é amiga do Eduardo e da Débora de 30 anos. Pede licença, dá bom dia, solicita permissão para interromper a conversa, e entra em casa com os pés molhados e com o cabelo emaranhado. Vai ao balet classico e ao Kumon, mas vai na igreja e na feira também. Come Boeuf Bourguignon au chocolat (feito em casa) e feijão com arroz , farofa e ovo, come tortilhas e come batata doce. Fala inglês e fala caipirês. abre a poirrrta , mas adora cantar Samba da MArisa monte com sotaque carioca. Viaja, estuda brasil colônia quando viaja com os pais para o Rio de Janeiro para ver a família, visitando as igrejas do centro da cidade e aprende sobre os indigenas quando vai ao Mato Grosso ver o outro avô e a tia, indo a museus. Enquanto a mãe tá no congresso... vai com o pai fazer uma semana de circuito de todos os museus de São Paulo. Ninguém fica com ela, mas ela fica sempre com a gente. come na mesa, pisa na poça e toma banho de chuva. Estuda geografia indo aos lugares. E descobre relações humanas , experimentando comunidade. Estuda matemática, e estuda o livro secreto das meninas. Escreve bilhetes, e escreve o diário pessoal. Ri, ri muito. dança, pula , brinca e vai nas festas. E de noite, em casa, não tem TV a cabo, nem Tv ligada. Tem conversa com os pais, jogar um joguinho, contar o dia....e acima de TUDO: NÃO TEM CURRÍCULO. Mais ou menos isso.... espero ter respondido em parte. ufff... ficou longo. Destratar não destratou... mas que já morreu de inveja... isso já."

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Hackeando o Sistema de Ensino

Acredito que se deixarmos que indivíduos aprendam por meio da vida em vez de fechá-los em instituições acadêmicas, podemos despertar e libertar neles potencial humano, encorajando as pessoas a mudar o mundo.

Existe uma razão por trás de cada decisão, mesmo que não estejamos cientes dela. Isto é verdade para tudo, desde a escolha da faculdade até a escolha do leite que compramos no supermercado.

Dê um passo atrás e considere a pergunta num nível macro. Pergunte por que está tomando essa decisão.

Não questione por que está frequentando uma faculdade específica. Pergunte por que está frequentando a faculdade. Não pergunte por que está comprando o leite “x” em vez de desnatado; pergunte por que está comprando leite.

Você poderia estar fazendo algo diferente. Pensar num nível macro te permite encontrar respostas inovadoras a perguntas aparentemente normais. Não tenha medo de se perguntar “Por que estou fazendo o que estou fazendo?”

Enquanto a maioria aponta a necessidade de levar mais estudantes para dentro das salas de aula, acho que precisamos ajudar os jovens a sair das salas de aula. Os jovens têm criatividade, inovação e uma curiosidade natural sistematicamente aniquilada pelo sistema escolar. Ensino formal, incluindo a faculdade, ensina conformidade em vez de inovação, competição em vez de colaboração, regurgitação em vez de aprendizagem, e teoria em vez de aplicação. Ensina nossos jovens a temer o fracasso e tomar riscos, mesmo que a coragem de tentar, fracassar, e tentar novamente seja essencial para a inovação. Se deixamos as pessoas aprender fora das instituições acadêmicas, podemos liberar potencial humano, empoderar a todos para mudar o mundo.

A parte mais difícil desta visão pós-ensino é a mudança de modelo mental da sociedade – e mesmo dos jovens – sobre o poder e a habilidade dos jovens. Os jovens são sistematicamente desencorajados no colégio. Falam que não podemos aprender sozinhos, e que não podemos participar da sociedade até cumprirmos certos requerimentos sociais – como obter um diploma universitário. Essa discriminação nos previne de atingirmos o nosso potencial total. Em vez de confinar os jovens numa sala de aula e obrigá-los a se adaptar dentro dos paradigmas educacionais padrões, devíamos encorajar aprendizagem de experiências, baseada na vida.

Um melhor futuro não virá da estagnação; um melhor futuro vira da inovação. Frequentar a faculdade é considerado o único caminho ao sucesso, mas existem alternativas válidas. É só olhar para o exemplo de Richard Branson, Walt Disney, Steve Jobs, Steven Spielberg, Mark Zuckerberg e Ingvar Kamprad – todos largaram a faculdade -, para entender que o sucesso não depende de um colégio. Estes indivíduos chegaram ao topo porque optaram sair da faculdade e conseguiram perseguir a sua paixão e mudar o mundo.

Aprender fazendo – no mundo, não numa sala de aula- é a melhor forma de desenvolver seu talento, transformando sua inteligência teórica em prática. Imagine se, em vez de ir para faculdade, os milhões de jovens de dezoito a vinte e dois anos – que atualmente estão copiando palavra a palavra dos professores, enquanto veem o jeito mais fácil de atingir os créditos necessários para obter um emprego -, estivessem lá fora, no mundo, trabalhando, criando e resolvendo problemas. Imagine se começassem suas próprias empresas, escolas e iniciativas. Imagine se voltássemos a aprender como era praticado nos Salões Franceses, onde as pessoas se reuniam para debater, questionar e se apoiar uns nos outros na construção de um mundo melhor. Imagine o capital humano que poderíamos coletar deixando as pessoas aprender da vida, em vez de confinadas em instituições acadêmicas.

sábado, 5 de maio de 2012

Pega Ladrão - o chamado para se fazer "justiça"

Hoje presenciei uma cena, infelizmente não muito incomum, no centro da cidade.
Ouvi gritos de "pega ladrão" seguido de pessoas correndo em direção a alguém. Até que o tal alguém foi arremessado no chão com uma certa violência.
A partir daí já não consegui assistir mais nada. Ao contrário da maioria das pessoas, me mantive, corporalmente, indiferente a toda aquela cena e não fiquei para ver o linchamento do sujeito.

Durante o caminho vim refletindo, o quão primitivo foi esse comportamento.
O "pega ladrão" poderia ter sido dito por qualquer um. Rapidamente já se faz justiça com as próprias mãos, sem saber a razão de nada. Se agride fisicamente uma pessoa desconhecida, sem questionamento, por valores totalmente deturpados. Impressionante a facilidade de separar mocinho e bandido em questão de segundos. Não quero nem falar dos expectadores. Para muitos foi o momento alto do dia.

Mais adiante havia um homem mais idoso, sentado no meio fio tentando controlar a ansiedade de 3 meninas pequenas e mal vestidas (aparentemente suas filhas) sem muito resultado. Isso ninguém repara. Não querem assistir. Ninguém se propõe a ajudar. Inclusive eu. E é triste pensar assim. Mas que inversão de valores é essa? Onde é que eu to vivendo? Eu não posso ser daqui!

Lembrei de como os Nova Iorquinos festejaram a morte de Osama Bin Laden (independente da veridicidade do caso). Pessoas celebrando a morte de um semelhante. De um ser da mesma espécie. Isso é muito desumano. Na minha visão, a maior necessidade era de ajuda e compreensão. Matar é a melhor solução? Mas que desperdício. Tirar uma vida, podendo aproveitar tudo de melhor que ela tem pra oferecer?! No mínimo, é estranhamente impensado.

Existe um linha muito tênue entre nós e as pessoas que estão encarceradas. Somos todos iguais. Todos já sentimos desejo por uma coisa que não nos pertencia. Todos já tivemos vontade de ferir alguém que nos fez mal. A única coisa que nos difere daqueles que estão nas cadeias, é a ação. Alguns ultrapassaram essa linha tênue e não aprisionaram as vontades no pensamento. Por este motivo são punidos severamente por uma sociedade estupidamente egoísta pelo resto de suas vidas.

Não é difícil perceber que todos esses comportamentos nos levam a mesma causa de um mesmo problema. Tanto bandidos quanto mocinhos e expectadores estão sendo vítimas da mesma obsolescência programada, e parece tão difícil parar um pouquinho pra pensar sobre isso e o que pode acabar gerando.


"A morte de qualquer ser humano é de uma conseqüência imensurável na sociedade. Nunca é apenas a morte do indivíduo. É a morte de relacionamentos, companheirismo, apoio e da integridade dos ambientes familiar e comunitário. Além das distorções emocionais e do padrão trágico e vingativo de recompensar a continuação da divisão humana e da violência, há uma reflexão mais prática em relação ao real problema e a importância desse problema quanto à sua prioridade."   Peter Joseph

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O bom da vida é ser feliz

texto de Martha Medeiros*

''Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,
faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir
desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!''

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mundo Moderno Melhore


''Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras,
modificando maneiras, mascarando maracutáias, majestoso
manicômio. Meu monólogo, mostra mentiras, mazelas, misérias,
massacres, miscigenação, morticínio (maior maldade mundial).
Madrugada... matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna,
monta matumbo malhado munindo machado (martelo)... mochila murcha,
margeia mata maior. Manhãzinha move moinho moendo macaxeira
(mandioca). Meio dia mata marreco, manjar melhorzinho.
Meia noite mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento
maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos
migram mascilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente. Malocas
metropolitanas; mocambos miseráveis, menos moral, menos
mantimentos, mais menosprezo. Metade morre. Mundo maligno.
Misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões,
meretrizes marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas,
mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas,
mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre.
Milionários montam mansões magníficas, melhor mármore, mobília
mirabolante, máxima megalomania, mordomo, mercedes, motorista,
mãos magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando.
Moradia?! Meia-água. Menos. Marquise. Mundo maluco, máquina mortífera.
Mundo moderno melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo.
Merecemos. Maldito mundo moderno. Mundinho merda.''
Chico Anisio

Os comerciais fazem você se sentir mal por não ter carro

Texto de Leonardo Sakamoto*
Jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.


"Carregado de uma certa insônia bissexta, acabei vendo mais TV do que o nível recomendável pela Organização Mundial de Saúde nas últimas semanas. Da próxima vez, vou andar de bicicleta de madrugada (as ruas de São Paulo são mais seguras para ciclistas do que a programação da TV para os insones). Enquanto o cérebro se recupera, relato que tive a oportunidade de ver e rever alguns comerciais sensacionalmente perturbadores.

Não tenho mais carro há um bom tempo. Então me senti uma titica amorfa e pedestre quando percebi, através de uns anúncios lindos de morrer, que se eu não tiver um possante ultrajantemente rápido, não conseguirei correr o suficiente para fugir da lembrança de um dia ruim de trabalho. E como dias ruins de trabalho são constantes, estou fadado à danação eterna das sardinhas enlatadas do busão.

Como alguém vai poder compensar uma vida infeliz, um casamento de fachada e um emprego que só traz gastrite se não tiver um carro rápido? Pois, ao adquiri-lo estou comprando um estilo de vida, um estilo sem preocupações. Só velocidade. Ah, e sustentável, é claro, porque a empresa mostra no comercial que planta meia dúzia de margaridas para compensar toneladas de emissão de carbono emitidas, protege uma família de esquilos-anões-do-moicano-peludo e doa 10 estojos de giz de cera para uma comunidade onde são jogados os efluentes tóxicos de sua fábrica a cada carro comprado – mas sem o giz branco, que é mais caro. Ou seja, prova-se veloz em não resolver todo o impacto causado pela produção em série dessa fuga sobre rodas.

Já comentei aqui antes que a busca pela felicidade passa cada vez mais pelo ato de comprar. E a satisfação está disponível nas gôndolas, prateleiras e concessionárias a uma passada de cartão de distância. Muitos de nós ficam tanto tempo trabalhando que tornam-se compradores compulsivos, adquirindo estilos de vida em forma de símbolos daquilo que não conseguirão obter por vivência direta. Através desses objetos, enlatamos a felicidade – pronta para consumo, mas que dura pouco. Porque, como os produtos que a representam, possui sua obsolescência programada para dar dinheiro a alguém.

Criticar esse mundo de fantasia é visto como censura por aqui. Onde já se viu colocar caraminhola na cabeça de meus clientes?

Sei que publicidade mexe exatamente com essa fantasia e os sonhos, próprios ou induzidos de cada um. Mas há limites do bom senso que certas indústrias extrapolaram há tempos.

Se as empresas querem ter o direito de se expressarem livremente ao anunciar um produto da mesma forma que os jornalistas têm ao noticiar algo, creio que podemos exigir delas que forneçam os “dois lados” da história e não transmitam apenas uma parte, aquela que lhes interessa. Certamente, com os anunciantes falando a verdade sobre o que oferecem a nós, teremos um país mais consciente na hora de comprar e, portanto, um desenvolvimento mais sustentável.

E como já disse aqui antes, caso a empresa se negue a prestar informações sobre a situação real, esses dados poderiam ser fornecidos pelo próprio governo e divulgados à sociedade através desse espaço publicitário. Afinal, de acordo com o Código de Defesa do Consumir, temos esse direito. Ter informação é fundamental para poder ter liberdade de escolha. E comprar é um ato político, pois ao adquirir um produto você dá seu voto para a forma através da qual uma mercadoria foi fabricada e mesmo o que ela representa. É justo saber o que está se comprando e quem, através disso, estamos nos tornando.

Ou as empresas têm medo de transparência?"

Leonardo Sakamoto, Jornalista e doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Professor de Jornalismo na PUC-SP, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo.

Fonte: UOL Notícias

sexta-feira, 23 de março de 2012

O tempo da vida

Texto de Jandira Moraes*

"Como é bom viver a vida sabendo aproveitá-la da melhor forma possível, sem se ansiar...

A ansiedade denota desrespeito à natureza... Cada coisa tem o tempo certo pra acontecer...

Ao gastar meu tempo preocupado com o que virá, estarei perdendo a oportunidade de viver e sentir o que aqui está e que é um presente da vida, para que eu possa desfrutar...

Atropelar a vida é matar cada minuto sem saber aproveitá-lo recebendo tudo, o que ele tem pra me dar...

Cada coisa que está em nossa vida, tem algo a nos ensinar... Ao não percebermos isso ansiamos pelo que virá...

Não saber entender a vida é da felicidade se afastar...

Cada passo deve ser acompanhado de uma atitude e cada atitude deve acompanhar o sentir do coração... Não adianta ter pressa... Cada dia deve ser vivido com toda atenção...

Deixa tua criança interior vir à tona... É ela que te fará confiante, criativo, solto e inocente... Através dela conseguirá dar e receber o amor mais puro e verdadeiro de tua vida... Ela acredita nas pessoas e se solta para receber o que a vida tem pra lhe dar...

Ouça sempre seu coração mesmo que pareça que ele ficou louco e te pede algo impossível, ou algo que você não teria coragem de fazer... Atenda-o!... Lembre-se que é em seu coração que se acha o Cristo Interior... Quando o coração pede não questione, pois é Creador querendo através de você..."

quinta-feira, 22 de março de 2012

Liberdade animal

Porque temos esse desejo de tornar um animal nosso?! Domestica-lo, fazer com que obedeça, nos ame.  Porque prende-lo em uma casa, uma gaiola, uma caixa? 
"Se abrirmos as portas ele foge." Foge de onde? Foge pra onde? Foge de quem?
Não acredito que ele fuja. Não tem como sair. Assim como nós não temos como sair. Esses animais estarão apenas longe do seu alcance. Como você, eles também tem vontade própria. E se saem correndo ou voando é porque a vontade é explorar o desconhecido, e não ficar ali. 
A mesma coisa é pensar que só sua casa é a sua casa. Sua casa é o mundo inteiro. É legal cuidar do mundo tão bem quanto cuida do quadradinho em que vive. 
O mundo inteiro é a casa dos animais. Eles não precisam ser aprisionados para serem seus, eles já são. E vocês também são os seres humanos deles. Por que não dar a eles a liberdade que já tiraram de você? Que tal criar seus bichos soltos?