sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Todo rio chegará ao mar

''É preciso deixar o rio fluir. Segurar águas nas mãos?
O movimento da vida é permanente. Não há consolo maior que o abraçar do vento em nosso corpo. Mas também se vai. O sentimento de fluxo é a certeza de que nem um minuto permanece. Um após o outro, trazendo a energia da vida.
Muitas vezes ouvimos a mesma frase: viver o agora! O agora já se foi também. O agora é aquela fração de segundo que já se foi. Antes mesmo de sua mente conseguir fixá-lo. A vida é mais que o momento: é o fluxo. O correr de sentimentos, de sensações... sem controle. É estar presente na fração. Isto nos leva a transpor o tempo, ilusão que nos prende a ansiedade de achar que podemos controlar o incontrolável. O que nos resta? Nos conectar com a beleza da vida em seu interminável fluir. A não-ação, a calmaria só é encontrada na profunda respiração. Ali não há mais o momento.
Esta entrega não é passividade, ao contrário, é consciência. Consciência de fazer o que é preciso sem estar preso ao medo, à angústia, ao tempo. Deixar o passado no passado; o que virá, virá!
O rio sempre chegará ao mar, se assim não for, ele deixará de ser rio. Viver é simplesmente sorrir da nossa incapacidade de viver.''

(Danilo Rosas)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Liberdade x Respeito

Há tempos entendo que há uma linha muito tênue entre liberdade e respeito. Isso vem ficando mais claro e fazendo mais sentido ao longo de cada interação, seja com pessoas, animais, natureza e coisas em geral.

Minha busca pela liberdade sempre acaba entrando em conflito com o limite da liberdade que o outro me dá. Até onde fazer o que quero, não agride ao outro?!
Ter a sensibilidade de perceber isso é fundamental para a manutenção da paz e da harmonia em um ambiente. Quase nunca é comunicado até onde você pode ir, até onde você está exagerando. É um exercício de percepção. Dificilmente alguém diz ''até aqui você pode ir comigo, a partir disso já me sinto incomodado.''

Uma atitude que eu considero livre, pode soar agressiva, invasiva ao outro. O ideal, então, seria exercer sua liberdade com consciência, atento a cada interação, cuidando dela, para que a liberdade possa perdurar e para que todos exerçam, cada um a sua.
As pessoas se encontram em níveis diferentes de conhecimento, evolução, julgamentos. Respeito e cuidado se fazem essenciais para a vida em comunidade.

Existem ambientes que lhe permitem mais ser você mesmo e outros que lhe exigem uma disciplina, um padrão de comportamento maior. É de lugares exigentes assim que tento fugir. Normalmente as tradições estão cheias deles. Casamentos, batizados, natal e até mesmo carnaval (quem não está pulando fantasiado pode facilmente ser vítima de preconceito). São lugares críticos, não livres, engessados com um forte potencial de comparação e julgamento.

Outro dia o Dado Sutter, se manifestou contra o desmatamento numa área de preservação ao lado da casa dele. Se existe a dificuldade de chegar pro cara que ta ceifando as árvores e falar: ''meu camarada, não concordo com isso, vamo pensar a respeito'' nem entro na questão. Falar com terceiros, com instituições, com peças de uma máquina é o mesmo que falar com paredes, na minha opinião. Enquanto a galera de lá mete a faca na floresta eu to cultivando agroflorestas do lado de cá. Meu trabalho é de formiguinha, mas é isso que eu sou. Se trabalhássemos todos como uma colônia de formigas as formiguinhas solitárias seriam essas engrenagens desumanas e tenderiam a desaparecer.

A ideia de ter um lugar livre, compartilhado, cooperativo, é fugir desses paradigmas e alcançar uma maior qualidade de vida, emocional principalmente. Onde as coisas podem ser fluidas, sem tempo pra acontecer, na medida da vontade de cada um. Onde há a preocupação com o outro. Com a origem dos desejos e vontades. Onde todos buscam se entender e não convencer ou impor uma opinião.

Por experiência própria já vi resultados muito positivos como na Moleque de Ideias em Niterói e na Kaverna Mountain em Visconde de Mauá. Existem outros lugares testando isso, mas esses foram os lugares por que passei que mais me senti a vontade para exprimir quem eu sou e fazer o que eu quisesse.
Talvez o problema seja testar. A palavra testar já vem com a idéia de um resultado, um objetivo final. Não há o que ser testado, apenas vivido, organicamente, cada momento e dai se tira as conclusões, as experiencias.

Por diversas vezes já me vi tentando implementar o conceito de livre interação em espaços que não estavam dispostos a viver assim. Já me vi tentando convencer alguém do que era melhor a se fazer, e o que é pior, julgando que estava certo de alguma coisa. Isso, em minha opinião caracteriza a falta de respeito, a falta de cuidado, a não sensibilidade pra perceber o desconforto do outro. Querer que o outro queira me parece muito equivocado. Se há incomodo, há desequilíbrio e a melhor ferramenta que conheço para restaurar a harmonia é a comunicação. Quanto mais sutil e doce for a fala, quanto menos violenta, mais chances de sucesso haverá.

Gentileza gera gentileza, não é?!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

É tudo nosso!

texto de Fernando Furtado e Ronny Ferreira*

''Sentimos uma grande vontade de expor o que significa ''é tudo nosso'' pra nós. Por ser uma ideia compartilhada do pessoal que concebeu as Kavernas - já existiram outras e certamente novas ''Kavernas'' virão a "pipocar" por aí - e que mais as frequentaram, essa ideia de que "é tudo nosso" acaba se aplicando muito à filosofia da casa.

Vimos buscando fomentar a compreensão de que a casa é literalmente de todas as pessoas que partilham da ideia de uma sociedade livre e sustentável. Entrando no site ZatParaty dá pra compreender um pouco melhor sobre o que de fato se faz aqui. A única regra existente é o equilíbrio que nos mantém em harmonia uns com os outros... E de fato isso é construído dinamicamente, não há como ser estático, uma vez que a cada momento pessoas diferentes estão interagindo entre si, cada qual com sua individualidade, seus diferentes momentos e necessidades pessoais etc. "

É também uma casa onde não mora ninguém. Há pessoas que habitam a Kaverna durante um período maior de tempo para que os projetos aqui iniciados (que são livres e abertos a todos) possam ser continuados na medida do necessário, ou seja, até onde exista uma demanda por coisas livres e abertas (o que inclui a existência e manutenção da casa em si). De fato, temos percebido um crescimento desta demanda dentro de nós mesmos e isso já consiste para nós em suficiente motivação (motivo que justifica a ação) para caminharmos ao encontro deste ambiente, deste estado de coisas, que poderia ser encarado por alguns como simples utopia. Para nós, uma utopia realizável, simplesmente, uma vez que já a estamos vivenciando, caminhando dentro dela, cada um de nós em sua própria medida, dentro de sua própria capacidade de entrega. Não buscamos o resultado fim, o simples meio, o estar fazendo, já nos satisfaz.

Quando se fala em tudo nosso, se pensa em recursos. Não se trata do meu computador que eu empresto pra você usar em dado momento. Se trata de um computador disponível para que todos façam o melhor uso dele quando haja a necessidade. Se trata de um recurso existente no mundo e está disponível para que todos usem e cuidem do mesmo. A casa, o carro, a bicicleta, o alimento, a água, o dinheiro, são todos recursos que buscamos usar de forma sustentável e equilibrada para que não falte a ninguém.

A lógica de fazer isso é ter acesso a ferramentas e recursos em abundancia. Não deixar que sejam subutilizados, que fiquem parados em garagens e oficinas e que cada ser humano precise ter o seu. Assim deixamos de financiar produções industriais em larga escala, se diminui rigorosamente o hábito consumista a que fomos condicionados e aprendemos a interagir de forma livre. O senso de responsabilidade passa a surgir naturalmente, de forma a contribuir para a manutenção dos recursos, fazendo-os disponíveis para quem quiser usar.

Toda esta compreensão aqui fomentada independe do nome "Kaverna" e inclusive já ocorre desde tempos imemoriáveis em ambientes, comunidades ou zonas autônomas temporárias (TAZ) que optam por premissas como a auto-gestão, a livre-interação, a co-criação etc. Diversos pensadores como Thoreau, Hackin Bay, entre outros, já escreveram sobre o tema ou temas afins, e todo este estudo nos ajuda a discernir melhor o que estamos buscando. Mas para nós, ainda mais legal do que ler o que escreveram estes pensadores, é procurar vivenciar na prática o que eles tentaram expressar em palavras. Se você anseia por experiências semelhantes, venha conhecer a Kaverna Moutain, que desde já você pode entender como sua TAZ em Visconde de Mauá - RJ.''

Para finalizar, deixamos uma música do querido Agepê, que junto com a "O Homem Falou" do Gonzaguinha pode entrar facilmente para o hall das músicas-tema da Kaverna Mountain: