terça-feira, 29 de julho de 2014

Os Grandes Mestres da Minha Vida

Acredito que na vida temos grandes mestres. E quando digo “mestres”, me refiro àquelas curiosas pessoas que estimulam nossas verdades e nos fazem refletir sobre a vida.

Sou enormemente grato a todas essas pessoas. Primeiramente Digo Assis. Ainda na época de “muleque” filosofávamos sobre a vida sem nem ter ideia do que era isso e já começávamos tímida e inseguramente a buscar nosso lado espiritual. Parte do que sou hoje foi lapidado em momentos de convivência com Rodrigo durante minha infância. Impressiona como estamos tão distantes e ainda assim existe uma grande sintonia quando nos reencontramos.

Matheuzinho veio depois. Com Matheus Almeida aprendi na marra a lidar com o leão presente no outro. Com uma presença forte que não se deixa influenciar facilmente e adora deixar sua marca por onde passa, me fez aprender a competir, a lutar por um espaço. Hora eu o odiava, hora o adorava. As primeiras percepções do ser egoico que existia em mim se deu neste momento. Nele consegui enxergar o amor mascarado. Aquele amor enrustido, doido para desabrochar. Matheus, na época de escola, contribuiu para que eu desse boas gargalhadas e fizesse as grandes merdas que adubaram minha vida.

O terceiro grande mestre foi a mãe Marcia. Quem me apresentou à Umbanda, me permitindo explorar toda minha sensibilidade e acessar pensamentos que só se consegue em um estado alterado de consciência. Muito paciente tentou responder à todas as minhas questões, acolhendo em seu lar e seus braços, sempre com muito amor, um garoto assustado e curioso com todas as novidades de um novo mundo. Consegui resumir alguma coisa do que vivi nesse tempo aqui: Minha Experiencia na Umbanda.

Um pouco depois conheci mais 2 grandes mestres. Sergio Venuto e Sergio Kienteca. Esses vieram com tudo. Me fazendo questionar fortemente aspectos da minha realidade. Temas do cotidiano como emprego, faculdade, moradia eram pauta de nossas conversas e a desconstrução de antigos paradigmas se deu de forma bem intensa…
Kienteca, compartilhando seus dias tardes e noites, descobrimos um novo mundo através da verdade presente em nossos corações. “Entrando em parafuso”, tentando achar a resposta para nossas perguntas, caminhávamos juntos tropeçando e aprendendo com nossa afirmações fundamentadas no nosso mais sensato achismo.
Venuto explorando a livre aprendizagem, o bem viver, o custo zero, o realizar, trabalhando as questões mais densas da vida. O aspecto material, as teorias concretas e a razão sempre foram e ainda é são muito bem desenvolvidos quando estou com Sergio Venuto. Uma das pessoas que mais admiro. Em minha opinião sua generosidade e humildade são imensuráveis.

Tempos mais tarde redescobri o amor na querida Mari Quinteiro. Me fascinou com sua filosofia de vida tão semelhante à minha, mesmo sem saber de todas as teorias que eu havia estudado. Me fez aprender muito compartilhando sua experiencia de vida e sua casinha. Mari foi a pessoa que mais me fez entender que as coisas tem suas razões para acontecerem e as pessoas tem seus motivos para agirem da forma como agem. Quem me ajudou à enxergar além das fronteiras entre certo e errado. Carrego-a no coração eternamente. Nessa meiga menina consigo ver a manifestação mais pura do amor.

Eis que, do nada, surge Marina. Transbordando alegria, com um sorriso maior que o próprio rosto e a gargalhada mais gostosa que já tive o prazer de apreciar. Um jeitinho de mulher, de criança, fascinante. Uma agradabilíssima companhia para qualquer hora. Se alguém detém o segredo de como viver feliz e de bem com a vida, ela se chama Marina Nicolaiewsky. Um mundo de Marinas seria uma explosão de cores. A admiração não é pouca por essa artista da vida.

Zezito foi quem veio em seguida. E muitos são os que o vêem e o respeitam como mestre. Dono de um vasto conhecimento sobre o corpo humano e sua relação com as emoções. Uma sensibilidade espiritual altamente desenvolvida e uma capacidade de acolher o mundo em seus braços. “Caridade” e “prazer em servir” deveriam ser seus segundos nomes.

Apesar do pouco tempo de convívio, Zé Vivo foi aquele que me fez alcançar os pensamentos mais profundos do meu eu. Paradoxos que tive dificuldade em compreender. Dono de uma forte personalidade, me introduziu aos grandes saberes ocultos na alimentação viva e surgiu do dia pra noite. Apenas para me mostrar um caminho escondido dentro de mim.

Agora, mais uma vez, o simples ato de fluir e se permitir me levou à um lugar mágico para conhecer uma pessoa linda e somar forças para desenvolver um belo trabalho. A sintonia foi forte. Acompanhado da amável e sensível Glória, Aiuruoca é o lugar do meu mais novo pouso.

"Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos."

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O cuidado com o outro

Após morar por mais de 2 anos em casas abertas e colaborativas (co-housing para os alternativos que gostam de dar nomes), o que mais chamou minha atenção, observando as diversas dinâmicas naturais e espontâneas da casa, foi o cuidado com o outro, ou a falta de.

Nossas ações sobre as coisas são passiveis de depreciação, sempre. O que me deixa triste, é ver isso acontecendo de forma desproporcional, seja qual for o lugar que eu frequente.
Normalmente quem se preocupa com a manutenção do espaço é o "dono" dele. Raramente há essa preocupação por parte daqueles que estão ali apenas fazendo uso do mesmo.
Nos movimentos de casa compartilhada que comecei com amigos, esse cuidado era mais observado pelos visitantes, mas ainda assim estava longe de ser algo sustentável para a integridade do lugar.

Conversando com o Sergio, fiquei com um olhar ainda mais atento à isso.
Os meus segundos de descuido podem representar horas de trabalho para o outro gerando um trabalho desproporcional que poderia ser evitado, não fosse meu ato preguiçoso. Vou dar alguns exemplos práticos:

Se eu piso com o pé sujo no chão da cozinha, alguém terá que limpa-lo em algum momento e certamente gastará muito mais tempo do que eu, se tivesse deixado o sapato do lado de fora.
Se alguém se acidenta com um prego que eu, despreocupadamente, larguei no chão, além da exposição ao risco, a ferida dessa pessoa vai demorar muito mais para sarar do que se eu tivesse feito o devido descarte.
Se eu tiro uma coisa do lugar e não devolvo, alguém pode perder o dia procurando tal coisa que me tomaria alguns segundos para guardar onde peguei.

O pior é que esses exemplos passam desapercebidos com facilidade no dia a dia. Inacreditavelmente é preciso ter um olhar criterioso pra observar-los.
Estou acostumado, e me causa muito desconforto, ver a louça deixada na pia para a mãe lavar, o banheiro acumulando sujeira para a diarista limpa-lo no fim da semana e ainda a ação machista dos pais de família em dias de celebração que deixam todo o serviço de casa para as mulheres, enquanto passam o dia sentados assistindo TV.

Durante todo o dia estamos depreciando desproporcionalmente os lugares por onde passamos, porque nosso ser egoísta, inconscientemente, já acredita que a manutenção do espaço é responsabilidade do outro. No supermercado quando não devolvemos o produto às gôndulas, nas lanchonetes e restaurantes quando deixamos o prato em cima da mesa, nos shows e festas que jogamos o lixo no chão, nos banheiros públicos... esses não preciso nem comentar, parecem um depósito de excrementos, e só. O que é ainda mais grosseiro é pensar que alguém deve fazer aquilo porque estamos pagando, nos livrando assim de toda a responsabilidade. Justificar nossa cretinice designando um encarregado para a função é o cúmulo do descuidado.

O ato de usar e repor é saudável para o ambiente. Aprendi a passar por um lugar e se não puder deixar melhor, deixa-lo pelo menos igual ao que encontrei.
Se você, meu amigo, chegar na minha casa (que entendo como sendo nossa casa) e usufruir dos recursos de forma descuidada, certamente sua ação será notada e sua atenção será chamada para a forma como você está agindo.

Um lugar onde há celebração e há trabalho, ou todos trabalham e todos celebram de forma integrada, ou as chances de uma convivência harmoniosa tendem a diminuir exponencialmente.

domingo, 20 de julho de 2014

O tempo e as jabuticabas

*Texto de Ruben Alvez

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Manifesto homens libertem-se!!!

- Quero o fim da obrigatoriedade ao Serviço Militar.

- Posso broxar. O tamanho do meu pau também não importa.

- Posso falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho.

- Posso ser frágil, sentir medo, pedir socorro, chorar e gritar quando a situação for difícil.

- Posso me cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência e minha postura, cuidar da minha saúde, do meu bem estar e fazer exame de próstata.

- Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser.

- Posso ser cabeleireiro, decorador, artista, ator, bailarino; posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros.

- Posso recusar me embebedar e me drogar.

- Posso recusar brigar, ser violento, fazer parte de gangues ou de qualquer grupo segregador.

- Posso não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.

- Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo. Quero viver em uma sociedade em que homens se amem sem que isso seja um tabu.

- Posso ser levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se eu me sentir mais confortável.

- Posso trocar fraldas, dar a mamadeira e ficar em casa cuidando das crianças.

- Posso deixar meu filho se vestir e se expressar ludicamente como quiser e farei tudo para incentivá-lo a demonstrar seus sentimentos, permitindo que ele chore quando sentir vontade.

- Posso tratar minha filha com o mesmo grau de respeito, liberdade e incentivo com que apoio meu filho.

- Posso admirar uma mulher que eu ache bela com respeito, sem gritaria na rua e me aproximar dela com gentileza, sem forçá-la a nada.

- Eu sei que uma mulher está de saia – ou qualquer outra roupa – porque ela quer e não porque está me convidando para nada.

- Eu sei que uma mulher que transa com quem quiser ou transa no primeiro encontro não é uma vadia, bem como o homem que o faz não é um garanhão; são só pessoas que sentiram desejo.

- Eu nunca comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos.

- Eu não tenho medo de que tanto homens como mulheres tenham poder e ajo de modo que nenhum poder anule o outro.

- Eu sei que o feminismo é uma luta pela igualdade entre todos os indivíduos.

- Eu nunca vou bater numa mulher, não aceito que nenhuma mulher me bata e me posiciono para que nenhum homem ou mulher ache que tem o direito de fazer isso.

- Eu vou me libertar, não para oprimir mais as mulheres, mas para que todos possamos ser livres juntos.

- Eu fui ensinado pela sociedade a ser machista e preciso de ajuda para enxergar caso eu esteja oprimindo alguém com as minhas atitudes.

- Eu não quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de homem a ser seguido. Não sou um rótulo qualquer.

- Quero poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, tudo e nada disso. E me amarem e aceitarem, não por quem acham que eu deva ser, mas por quem eu sou. E por tudo isso, não sou mais ou menos homem.

- Quero ser mais que um homem, quero ser humano!

- O machismo também me oprime e quero ser um homem livre!