terça-feira, 22 de agosto de 2017

Meu Relato de Parto e Vida-Morte-Vida

Sábado dia 12 de agosto.
Estávamos Marina e eu no Sitio das Paineiras, no Vale das Videiras, local onde moramos durante todo o ano de 2016 e onde nossa bebê foi concebida. Marina trabalhando em seus textos e já percebendo alterações malucas no seu corpo e sua barriga deformada. Aquela antiga bola de basquete estava ovalada, dura e com duas pontas estranhas. Michael Jordan diria que seria impossível jogar uma partida completa. Eu, trabalhando na terra depois de meses sem pegar no facão me sentia vivo a cada dia.
Passamos dias relaxados com banho de rio, musicas, mantras, conversas e planejamentos de vida acarinhando nossa barriga de 35 semanas.

Por uma vontade genuína a Marina pediu pra voltar pro Rio de Janeiro na quarta de manhã e assim o fizemos. Descobrimos com 31 semanas, através de uma ultra, que nossa bebê tinha uma má formação, possivelmente um hemangioma em toda a extensão do braço esquerdo e um pouco do abdômen, por isso estar perto do hospital especializado (Instituto Fernandes Figueira), ao qual havíamos sido encaminhados trazia uma maior segurança nessa hora de sensações estranhas no ventre.

Quarta dia 17 de agosto
Em "casa", agradecendo o tempo no campo e se preparando para mais agitação urbana com nossa barriga dura, recomeçaram os planos e as investigações sobre o que podia estar acontecendo. Marina mandava mensagens para amigas doulas, nosso médico lindo de plantão 24h e ainda contava o tempo entre possíveis contrações duvidosas, mais frequentes, de 5 em 5 minutos. Eu arrumava a mala da gestante de emergência.
22:50h da noite uma ida ao banheiro, um xixi saudável e uma cachoeira lambendo as pernas da Marina nos surpreendeu: "Amor, a bolsa estourou!", disse ela com tranquilidade em tom de "se prepare!". Uma mistura de nervosismo e felicidade tomou conta do meu corpo. Ligamos imediatamente para o Eberhart (nosso médico lindo) que veio a nosso encontro com sua companheira Dani em 20 minutos. Marina se preparava para a experiencia mais intensa de sua vida enquanto contava as contrações e tentava sem muito sucesso conter sua cachoeira com toalhinhas de papel. Eu cortava frutas, arrumava malas, limpava o chão e ria nervoso de tudo. Eberhart fez o toque e estávamos com 3cm antes de sair de casa.

O PARTO
Tudo pronto no carro, chegamos os quatro no IFF por volta de 23:40 com as malas e a barriga. A bolsa já não estava liberando tanta água. A Dani virou a guardiã das comidas na recepção enquanto eu, Marina e Eberhart subimos para o andar das gestantes. Dra. Isadora nos recebeu com tanta doçura que parecíamos estar entre amigos vivendo aquele processo. Prontuario cadastrado, fomos para um leito na enfermaria de gestantes, pois, má notícia: já haviam 2 guerreiras em trabalho de parto ocupando as salas de parto, contudo a boa notícia era que a médica de plantão Dra. Ana Elisa Baião era a mesma que fez nossa ultrassonografia e já conhecia nosso caso, além de ter nos transmitido uma enorme confiança por estar em suas mãos. Mais uma boa e surpreendente noticia chegou com Eberhart que havia ido se encontrar com Dra. Ana Elisa: "e o parto vai ser normal".
Já estávamos conformados com uma cesariana, ainda mais por termos entrado em trabalho de parto pré-maturo. Em mim mais forte ainda o sentimento de felicidade e nervosismo. Agora com um certo medo.

E as contrações começaram a ficar cada vez mais fortes. No pequeno leito ficamos conversando e estudando possíveis cenários da bebê. Eberhart tentando saciar todas as nossas duvidas. 02:30 a Dra. Isa chegou para acompanhar o coração da bebê e fazer mais um toque. 4cm dessa vez e contrações de 4 em 4 minutos. As dores que na recepção estavam incomodando um pouco nessa hora já estavam bem fortes. Foi quando eu e Eberhart nos tornamos os doulos possíveis naquele momento. Os recursos disponíveis eram carinhos, massagens, palavras de força, e os mantras vigorosos e relaxantes que eu puxava da memória na hora.

Por volta das 3:40h da manhã, toda a enfermaria provavelmente já havia sido acordada pelos gritos da Marina. As contrações estavam bem fortes, de 3 em 3 minutos e ela começava a pensar em desistir e sentir medo do que estava por vir. Chegou a pedir remédio, vejam só! Ela que nunca foi disso.
As dores começaram a aumentar extraordinariamente. Seus gritos já não vinham da garganta, mas de um lugar de profundo desespero e aparente desamparo.
Nossa pequena Marina voltou a ser uma criança e a cada nova contração uma frase aterrorizada. Um nítido resgate dos traumas de sua infância se manifestavam através de pedidos muito pouco racionais com uma voz infantil e temerosa: "faz isso parar, pelo amor de Deus" "é sério, eu quero desistir", "chega, eu não aguento mais!"
Nesse momento senti medo, muito medo. Uma impotência como ser, sem saber o que fazer, o que esperar ou como acolher todo aquele aparente sofrimento.
Minhas mãos repousavam de leve seu corpo super sensível em movimentos de alivio na região lombar e reiki. Marina questionava porque eu e Eberhart não falávamos nada. Sabiamos que qualquer coisa que falássemos não seria bem vindo. Era claro que aquele momento era dela, tão somente dela.
Eberhart disse que era chegada a hora do banho quente para alivio das dores das contrações. Tiro e queda. Água quente alívio imediato. Passamos 30 minutos no banheiro pois a dores eram bem menores debaixo d'água. Cantávamos mantras e nos deixávamos a disposição de ser o que quer que a Marina quisesse que fossemos. Nossa pequena Marina que sem se dar conta, estava prestes a se tornar gigante.

Voltamos para o leito e as dores começaram a voltar com força quando a Isa (nesse momento não havia mais sentido usar pronomes de tratamento formais) chegou para mais um toque. 4:50h, 8cm pra 9cm de dilatação e uma surpresa aliviante para Marina que achava ainda estar com 5cm ou 6cm. Nos encaminhamos para a sala de parto. Marina se posicionou na bola, na cama, com toda a liberdade entre uma contração e outra. Voltamos para o banho quente quando as dores voltaram a ficar desesperadoras. Nesse momento a água quente já não aliviava tanto assim suas dores. Os gritos desesperados voltavam a cada 3 minutos, e junto com eles alguns raros palavrões bem imponentes. Quando a vontade de fazer coco e força chegou voltamos para a sala, para a bola e para a cama. Foi esse o momento em que aparentemente as dores estavam mais fortes do que nunca. Mas aquela menina já não era a mesma Marina frágil e aterrorizada da enfermaria. Parecia estar ficando resistente a dor ou pelo menos a encarando de outra forma, mais resiliente, aceitando aquele caminho sem volta e a urgência de sua presença naquele momento.

Deitou na cama, totalmente nua, se largou na posição que mais lhe confortava. Fiquei em pé ao seu lado. Eberhart sentado na cadeira acompanhando cem silencio a fase expulsiva da bebê. As Dras. Isa e Gabriela entravam a cada 20 minutos para mais uma olhadinha e acompanhamento do coração com sonar. Parte dos gritos da Marina começavam a ser calados pela força que ela fazia. E parece ter sido uma benção descobrir que fazer força durante as contrações diminuíam suas dores. 6:00h e a cabecinha da neném começava a aparecer. "que ótimo!", pensei "o sofrimento esta acabando". Nossos 3 médicos a postos na sala esperando o momento de intervir e observando os batimentos da neném a cada 10 minutos. 
Eu já não tinha mais o medo e a Marina me passava uma enorme confiança. Estava ali, inteiro, sendo sua parede, seu pilar, seu travesseiro, tudo. A cada contração ela aprendia como seu corpo preferia respirar, gritar, fazer força e expulsar a neném. Me lembro da sua penúltima frase mais desesperada ter sido: "TIRA ESSA CRIANÇA DE MIM!!!" 

6:30h meu braço direito sobre suas costas e ombros, minha mão esquerda segurava, a seu pedido, uma de suas pernas suspensas no ar, eu já não conseguia olhar a bebê saindo. Precisava estar naquela posição firme, preparado para a próxima contração. Comecei a sentir toda a força da Marina em meu corpo. Aquela menina que não conseguia abrir os potes de geleia em casa estava deixando meu braço dormente cada vez que me pedia para puxar sua perna na direção contrária ao seu empurrão. Minha mão esquerda se tornou uma parede rídida e sólida na sola de seu pé. Por mais de 10 contrações eu ia me cansando e me tornando forte como a Marina. Não cabia desistir ali, nem o pensamento cabia. No intervalo das contrações agora minuto a minuto o pensamento de soltar aquela perna de 30kg surgia e eu o mandava embora me dizendo que não era hora de ser egoísta. Estava disposto a perder o braço se preciso. Olhava Marina nos olhos e não mais a reconhecia. Havia virado uma leoa. Fazia uma força extraordinária e no minuto seguinte relaxava de olhos fechados num estado sonolento. Nova contração se aproximando e ela se preparava cada vez mais inteira para fazer a força que fosse necessária para dar vida àquela criança. Olhava seu rosto suado, tirava seus cabelos do rosto e a estimulava com palavras de força. Não haviam mais gritos, apenas expressões de muita confiança de que aquilo iria acontecer a qualquer custo. Acho que nunca admirei tanto alguém em toda a minha vida. Seguimos nessa intensidade até as 7:00h quando a cabecinha começou a sair por completo. E foi quando ouvi sua ultima frase mais desesperada de todas "CARALHO! TA ARDENDO MUITO!". Seu circulo de fogo durou 3 eternos minutos até que toda a cabeça fosse expulsa. Quase lhe faltava ar e ela conseguia respirar quantidade suficiente para enfiar a cara no meu peito e fazer força novamente. 7:05h o corpinho da nossa pequena finalmente saiu por completo. A placenta, vermelho fogo, viva, forte, saiu em seguida sem qualquer esforço. Eu chorava copiosamente parabenizando a Marina e dizendo o quanto ela foi fantástica. Ela, com um olhar vago, sem saber o que sentir ou pensar, ou fazer.  Nossa Marina musa mulher maravilhosa havia dado a luz a 3 novos seres. Marina, Ronny e Anahí.

VIDA-MORTE-VIDA
Na hora do nascimento haviam quase 10 médicos na sala, dentre eles a Dra. Ana Elisa Baião que graças ao sucesso do parto não precisou intervir, 3 pediatras, Eberhart e as 2 medicas que acompanharam todo o parto, alguns enfermeiros e outras pessoas que pareciam estar muito curiosas.
Marina só teve a oportunidade de dizer aos pediatras "Eu confio em vocês." e dar um beijo na pequena Anahí que logo foi levada para a UTI neonatal. Marina terminou de ser limpa e costurada com grau 2 de laceração vaginal.

Voltamos para a enfermaria as 7:40h. Eberhart se despediu de nós com breves noticias sobre os procedimentos que Anahí iria passar. Marina dormia enquanto eu ansiava por noticias da nossa filha. As 9:00h pude ve-la na incubadora. Disseram que ela teria que ficar em observação. Haviam colhido exames que só teriam seus resultados no fim da tarde. Passei algum tempo admirando minha mais nova pequena tão linda, tão frágil e com o bracinho que mais parecia uma batata doce de tão roxo e gordo. Achei tudo lindo. Nem dei bola para os tantos fios e tubos que entravam pelo seu corpinho. Estava feliz. O sentimento do que é ser pai se manifestava pouco a pouco.
Voltei para encontrar a Marina feliz da vida por ter visto nossa filha. Desejava que a Marina fosse visita-la em breve e sentir um pouco daquilo que senti. Minha linda Marina se orgulhava emocionada ao dizer "eu dei um beijinho nela".

Minha mãe foi a primeira a chegar as 14:00h e pode visitar a netinha pois chegou exatamente no horário aberto para os avós. Abriu as janelinhas da encubadora e pegou em todo o corpinho da pequena Anahí. Começamos a avisar a alguns amigos que nossa bebê tinha nascido e do horário de visita. Mais familiares chegaram com mensagens de fé e esperança de que o problema dela não havia de ser nada demais e em breve ela estaria boa. Acreditávamos nisso também, mas estávamos bem apreensivos, desejando boas noticias no fim da tarde. Os pais da Marina chegaram e Eberhart também voltou para saber mais sobre o diagnostico da Anahí. Eu passei o crachá de acompanhante para mãe da Marina para que elas duas pudessem visitar a UTI juntas, fui pra casa banhar e descansar prometendo voltar à noite para dormir no hospital.

Ao voltar soube das noticias. O quadro da nossa pequena filhota não era simples. Já haviam aplicado alguns medicamentos como corticoide, sedativos para dor e ela respirava com ajuda de máquinas.
Eu e Marina começamos a pensar no pior. Ainda sem nos deixar fraquejar. Informando amigos e familiares momento a momento, a cada nova informação. Passamos uma noite com muito pouco sono e fomos visitá-la juntos pela manhã. Tocamos todo seu corpinho, cantamos, fizemos reiki, desejamos sua melhora e nos emocionamos um pouco. Minha maior frustração de todas era ver a Marina sem poder pegar a filha no colo. Vê-la segurando a mãozinha da filha por uma janelinha me cortava o coração, mas resistia com a ideia de estarmos com ela em breve em nossos braços.

Sexta-feira dia 18. Passamos um dia difícil dando a noticia de que a situação da nossa filha era rara e delicada para as pessoas. Ao mesmo tempo recebendo mensagens de carinho, força e apoio. Rodas de orações, de reiki e até umas macumbas boas se espalhavam junto com a noticia do nascimento. Nossas famílias estavam integradas juntas pedindo em oração. Haviam 5 equipes medicas cuidando do caso entre outros especialistas de fora do hospital que davam suas opiniões. Como uma boa leonina Anahí queria atenção de todos. Logo mais tivemos mais noticias, nada empolgáveis. A situação era realmente grave. Haviam descoberto uma síndrome (kasabach merritt) raríssima com poucos casos no mundo e era apenas um entre tantos outros problemas que o corpinho de Anahí apresentava. A dosagem de medicamentos foi aumentada e já se falava em transferência para um hospital mais especializado. Nesse dia eu fiz uma visita a Anahí sem a Marina, que precisava descansar, e ela abriu os olhinhos enquanto eu cantava a linda musica enviada por uma amiga querida, uma outra Marina, do outro lado do mundo. Senti um estado graça. Uma felicidade em paz nesse momento.
Disse a Marina que havia liberado nossa filha para seguir seu destino. Que confiava nela para escolher o que fosse melhor. Que seu corpinho frágil não precisava resistir a tantas intervenções, drogas e picadas.

Sábado dia 19, conhecemos o lado cinza da medicina. A situação permanecia a mesma, e já se falava em quimioterapia. Foi quando começamos a nos preparar para o descanso da nossa filha. Marina ainda como uma guerreira conseguiu preparar emocionalmente nossas mães em um bela conversa no horário de visitas para essa possibilidade que já não era nada remota.
Após o horário de visitas, tiramos um tarot, cantamos, meditamos na intenção de trazer paz aos nossos corações tão angustiados. Eberhart havia me perguntado em uma consulta médica, logo quando descobrimos a suspeita de hemangioma, qual seria o pior cenário pra mim e eu havia descrito perfeitamente esse momento. Minha filha toda entubada, tentando resistir à morte e eu sem ingerência sobre nenhuma etapa do processo, sem poder pegá-la nos braços ou decidir por ela.
Eu e Marina chorávamos muito no momento em que fomos convidados, pela médica de plantão, a ver Anahí pois o interferon não havia dado resultados, ela teve que ser reanimada e seu corpinho estava muito debilitado. Chegamos a UTI e ao ve-la, marcada, inchada, bem roxinha e completamente sedada Marina me disse "Ela não está mais aqui, amor." e choramos ali, em pé, sem saber se podíamos toca-la enquanto médicos e enfermeiros continuavam seu trabalho com outros bebês. Eu e Marina nos recompomos e eu chamei a médica de plantão que parecia bastante constrangida com a possibilidade de uma conversa.
Perguntei até que ponto tinhamos controle sobre a situação de Anahí, se tinhamos escolha para deixa-la descansar ou continuar intervindo e então descobrimos que o coração de nossa filha era sustentado pela cruel legislação que diz ser necessário tentar tudo até o fim. A médica ficou sem palavras e tudo que conseguiu foi permitir que Marina a pegasse no colo.
Nos despedimos da nossa filha. Pedimos que ela descansasse em paz, que seguisse na luz e que nos sentíamos muito gratos pela oportunidade de ter vivido esses pouco dias que pareceram meses, anos, vidas, de aprendizado e amor incondicional.

As 23h do dia 19 de agosto deste ano nossa pequena Anahí veio oficialmente a óbito. Já haviamos chorado o suficiente e se apoiado mutuamente. Agora estávamos nos preparando para dar a noticia aos avós e cuidar com o restante de força que ainda tínhamos das pessoas próximas que não esperavam por um desfecho tão transmutador. Mensagens encaminhadas e um pedido para que nos deixassem descansar sozinhos e assentar todos os acontecimentos.

As 09:00h da manhã Marina teve alta. Era o plantão da Dra. Isa e ficamos muito felizes por ser ela a nos liberar. Suas palavras doces nos animaram a sair do hospital confiantes para viver nossa nova vida sustentado pelos recentes aprendizados sobre amor, respeito, liberdade, cuidado com o outro e deixar morrer para que o novo possa renascer.
Fizemos uma carta de agradecimento a todos os médicos e enfermeiros que se mostraram tão humanos ao tentar cuidar de Anahí e da Marina e não somente da doença em questão.

A cada experiência unica e intensa que vivo acredito que não pode haver outra tão forte ou semelhante e aí a vida vem e me presenteia com mais uma. Essa foi de longe a experiência mais intensa que vivi e acredito de verdade que meu momento era perfeito para vivê-la. Estou no começo de uma nova vida, começando tudo do zero, me preparando para colocar a mochila de aprendizados nas costas, me livrar das amarras do passado e desenhar os próximos passos rumo ao infinito colorido e imprevisível. Se eu pudesse pedir por sentimentos, peço que não sintam pena. Eu e Marina estamos bem, fortes e confiantes que nossa vida será incrivelmente bela. Ela já o é. Precisamos apenas de um tempo para nós, pois por trás da nossa casca dura capaz de aguentar fortes emoções existe um coração gigante e igualmente frágil que teima em sentir saudade de um futuro que nunca existiu. Obrigado a todos por todas as palavras de carinho e de força. Duvido que estaríamos aqui escrevendo esse texto não fosse pelas amizades que cultivamos. Vocês, amigos e família, são nosso bem mais precioso e por isso esse texto visa terem vocês aqui mais pertinho.
Na tristeza ou na dor nossa força é o amor. Somos mais do que mil, somos um.

[Segue aqui o relato da Marina:https://www.facebook.com/marina.nicolaiewsky/videos/vb.1444603980/10214696879642685/?type=2&theater ]

A LENDA DE ANAHÍ
O nome Anahí foi escolhido no dia em que eu e Marina a visitamos na UTI no primeiro dia e transmitimos a nossa filha todo o amor de nossos corações.
O nome Anahí é tupi-guarani. Segundo a lenda, esse era o nome de uma india que amava sua terra natal e gostava de correr livre pelos bosques, conversava com as arvores e os animais. Era conhecida por sua voz doce. Quando cantava até o Rio parecia parar para escuta-la. Lutou bravamente por sua tribo e seu território em uma guerra sangrenta contra colonizadores espanhóis. Foi tida como bruxa pelo tamanho da sua força e encanto. Ao ser feita prisioneira foi amarrada a uma fogueira. Diziam que cantava uma bela canção enquanto queimava e irradiava luzes em direção ao céu. No dia seguinte não haviam cinzas no lugar onde foi queimada, mas sim uma bela árvore de ceibo, vigorosa e florida.