terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Por fim
E de repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo as necessidades, vai reduzindo bagagem. As opiniões dos outros, são realmente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós; não tem importância. Vamos abrindo mão das incertezas, pois já não temos certeza de nada. E, isso, não faz a menor falta. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado e sim a vida que cada um escolheu experimentar. Por fim, entendemos que tudo que importa é ter paz e sossego, é viver sem medo, e fazer o que alegra o coração. E só.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Minha experiência na Umbanda
Peço que leiam esse texto de coração aberto, pois é algo muito sensível e acredito que é preciso estar livre de preconceitos pra tentar entender a mensagem, que também não é nada fácil de transmitir. Na época em que eu comecei a descobrir a espiritualidade senti muita falta de um relato desses. Por isso resolvi escrever uma coisa bem sincera. Fiz o melhor que pude.
Comecei uma grande busca por autoconhecimento a pouco mais de 5 anos. A dois anos atrás, mais ou menos, comecei a ter meu primeiro contato com a Umbanda. Já vinha estudando a doutrina de Alan Kardec com alguns questionamentos. Sempre achei estranho a certeza, nos escritos espiritas, afirmando o que haveria após a morte.
Comecei uma grande busca por autoconhecimento a pouco mais de 5 anos. A dois anos atrás, mais ou menos, comecei a ter meu primeiro contato com a Umbanda. Já vinha estudando a doutrina de Alan Kardec com alguns questionamentos. Sempre achei estranho a certeza, nos escritos espiritas, afirmando o que haveria após a morte.
Comecei a me interessar pela religião dos Orixás devido a minha fixação por natureza.
Logo comecei a frequentar um centro bem familiar. Recém inaugurado. Lá fui estudando a religião e observando todo o processo de montagem de um centro de umbanda junto com a mãe da casa. Desde sua fundação até a festa de fim de ano.
Me dediquei a estudar a origem da Umbanda, o fundador, os sincretismos, a legalidade, todo o processo histórico. Aos poucos, durante as giras (embalada apenas por palmas e pontos cantados por quem quisesse cantar), fui sentindo as energias e aprendendo a me concentrar. Comecei com manifestações bem comuns como suar de mãos, corpo vibrando, dores de cabeça e lacrimejar dos olhos.
Lembro o primeiro dia de uma incorporação perfeita. Me concentrando naquilo que meu corpo respondia, no ambiente, deixei fluir, me entreguei e logo percebi que já não tinha mais controle sobre meus movimentos. Sorria. Um riso de felicidade, de satisfação, de enfim ter conseguido algo extraordinário. Os olhos foram abrindo aos poucos, e escorrendo lágrimas, fui cumprimentando todas as pessoas da casa (que já eram como uma família devido ao convívio quase que diário) com um sentimento de fraternidade no coração e um grande sorriso no rosto.
Era um preto-velho. Os grandes seres de luz da Umbanda. Sentia um grande prazer ao me envolver com essa energia. Sentia que não havia julgamento, sentia paz, sentia um amor incondicional por todos. A primeira coisa atípica foi o fato do preto-velho que se manifestava em mim não andar curvado e sim ereto, com uma grande segurança e certeza do que fazia, ainda sem falar nada, mas se comunicando comigo em pensamento.
Me ensinaram a fazer perguntas para a entidade (o preto-velho) e ouvir o que ele queria. Me disseram que é bom saber o nome da entidade com que trabalha, pois assim sabe-se que não é um ser de pouca luz (egum, como se conhece estes), mas esse preto-velho nunca havia dito seu nome. Uma grande yalorixá disse que ele conversou com ela e que se chamava pai Jacó do Oriente. Ele dizia que era meu guia de frente. Que está sempre comigo, me acompanhando. Tempos depois se revelou como meu falecido pai e por isso me acompanha em toda minha vida. Tudo fez sentido na época. Hoje não faz diferença quem ou o que ele é. É simplesmente o que sinto.
O tempo foi passando, eu ficando mais sensível as energias. Comecei a incorporar outros velhos. Pai João, que eu reconhecia como aquele que cuida da minha saúde e equilíbrio espiritual. Dona Maria Conga, que falava coisas surpreendentes na minha cabeça e sempre me emocionava. Conselhos e frases que tocavam no fundo do coração. Verdadeiras reflexões de vida. E ainda, de forma mais tímida, os chamados exus e caboclos.
Não lembro quando, mas de forma muito intensa que recebi um erê (as crianças da Umbanda). Imediatamente se apresentou como Thiaguinho e era pura alegria. Explodia energia. Feliz, ágil, comunicativo, puro, sincero. Fazia o que queria com o meu corpo, falava o que viesse na cabeça. Mas sempre respeitava quando eu pensava ''não, isso eu não quero fazer''.
Passado mais ou menos 8 meses do primeiro contato com uma gira, eu já me sentia hiper sensível. Começaram as giras com atabaques frequentes e eu sabia exatamente que tipo de energia, qual entidade, se passava pelo meu corpo. As musicas, que invocam entidades especificas, ajudavam a direcionar o pensamento para ela. Não havia uma musica (pontos cantados) que eu não sentisse vontade de dançar e me entregar. Mas segurava a onda. Haviam momentos determinados para incorporação. Havia alguém dirigindo o trabalho mediunico. Acredito que aprendi a controlar essas energias por causa da forma como tudo era conduzido cronologicamente. Respeitando um nível de hierarquia dos mais experientes (com mais tempo dedicado a religião).
Aprendi a consagrar e defumar uma casa e passei a incorporar minhas entidades no meu quarto (exercicio que me proibiam, ou melhor, não recomendavam que eu fizesse fora do centro por ser muito perigoso). Diziam que eu poderia manifestar os tais eguns e até desencarnar. Bom, eu fazia e não contava a ninguém, pois me sentia muito a vontade para fazer isso. Fui começando a falar através das minhas entidades. Conversava com as pessoas sempre de forma muito consciente. Lembrava de tudo o que dizia e escutava. Cheguei a conversar com 2 amigos por diversas vezes no meu quarto através da minha preta-velha. As conversas sempre geravam muitas reflexões, impulsionando uma forma de vida livre de pensamentos mais densos, racionais e concretos. Sempre com muitas verdades e muitos choros sinceros de desabafo.
Quanto mais aprendia, mais tinha a aprender. As coisas aconteciam de forma tão intensa e rápida que logo os livros de Umbanda não mais respondiam as minha perguntas. Comecei a perguntar e questionar os mais experientes e dificilmente conseguia alcançar uma resposta de experiencia pessoal. Sempre haviam as respostas prontas, as vezes até analisadas, mas indiretamente vinham de um livro, que ditavam a doutrina Umbandista. Eu queria respostas como: ''comigo acontece de tal forma.'' Quase sempre era um efeito de causa e consequencia pré-definido. De como se manifestavam as entidades, seus nomes, de onde vinham, o que queriam. Eu precisava de pessoas, de seres humanos. Saber o que elas sentiam e o que significava aquilo tudo para cada uma delas. A partir dai ver a Umbanda como apenas mais uma religião passou a fazer mais sentido.
Comecei a entender a Umbanda como uma ferramenta maravilhosa de acesso ao desconhecido, porém limitante. Não vai além de um propósito de caridade. A caridade é feita através de conselhos e equilíbrio de energias pelas entidades, cada uma com sua função, mas não há abertura para a auto-exploração, o se conhecer melhor. Acredito que quanto mais nos conhecemos, mais podemos conhecer os outros.
Foi ai que parti sozinho para outra forma de pensar. Continuei me observando e classificando da forma que eu achava mais conveniente o que se manifestava em mim. Aprendi a chamar de erê o meu lado mais infantil, alegre, descontraído, sem vergonha, questionador, inocente e verdadeiro. Que não tinha medo de errar. Entendi que não existia erro e sim o preconceito das pessoas. Assim também de preto-velho, o que revelava meu lado mais sereno, sábio, pacífico, não-preconceituoso. De exu o meu lado mais carnal, boêmio (já com pouca afinidade) e chamando de caboclo o que eu tenho de mais sério e disciplinado. Considerava isso uma boa leitura de mim. Procurava sempre renomear aquilo que me era apresentado com termos umbandistas e que se manifestava naturalmente no meu dia a dia, porém de forma menos intensa.
Lembro o primeiro dia de uma incorporação perfeita. Me concentrando naquilo que meu corpo respondia, no ambiente, deixei fluir, me entreguei e logo percebi que já não tinha mais controle sobre meus movimentos. Sorria. Um riso de felicidade, de satisfação, de enfim ter conseguido algo extraordinário. Os olhos foram abrindo aos poucos, e escorrendo lágrimas, fui cumprimentando todas as pessoas da casa (que já eram como uma família devido ao convívio quase que diário) com um sentimento de fraternidade no coração e um grande sorriso no rosto.
Era um preto-velho. Os grandes seres de luz da Umbanda. Sentia um grande prazer ao me envolver com essa energia. Sentia que não havia julgamento, sentia paz, sentia um amor incondicional por todos. A primeira coisa atípica foi o fato do preto-velho que se manifestava em mim não andar curvado e sim ereto, com uma grande segurança e certeza do que fazia, ainda sem falar nada, mas se comunicando comigo em pensamento.
Me ensinaram a fazer perguntas para a entidade (o preto-velho) e ouvir o que ele queria. Me disseram que é bom saber o nome da entidade com que trabalha, pois assim sabe-se que não é um ser de pouca luz (egum, como se conhece estes), mas esse preto-velho nunca havia dito seu nome. Uma grande yalorixá disse que ele conversou com ela e que se chamava pai Jacó do Oriente. Ele dizia que era meu guia de frente. Que está sempre comigo, me acompanhando. Tempos depois se revelou como meu falecido pai e por isso me acompanha em toda minha vida. Tudo fez sentido na época. Hoje não faz diferença quem ou o que ele é. É simplesmente o que sinto.
O tempo foi passando, eu ficando mais sensível as energias. Comecei a incorporar outros velhos. Pai João, que eu reconhecia como aquele que cuida da minha saúde e equilíbrio espiritual. Dona Maria Conga, que falava coisas surpreendentes na minha cabeça e sempre me emocionava. Conselhos e frases que tocavam no fundo do coração. Verdadeiras reflexões de vida. E ainda, de forma mais tímida, os chamados exus e caboclos.
Não lembro quando, mas de forma muito intensa que recebi um erê (as crianças da Umbanda). Imediatamente se apresentou como Thiaguinho e era pura alegria. Explodia energia. Feliz, ágil, comunicativo, puro, sincero. Fazia o que queria com o meu corpo, falava o que viesse na cabeça. Mas sempre respeitava quando eu pensava ''não, isso eu não quero fazer''.
Passado mais ou menos 8 meses do primeiro contato com uma gira, eu já me sentia hiper sensível. Começaram as giras com atabaques frequentes e eu sabia exatamente que tipo de energia, qual entidade, se passava pelo meu corpo. As musicas, que invocam entidades especificas, ajudavam a direcionar o pensamento para ela. Não havia uma musica (pontos cantados) que eu não sentisse vontade de dançar e me entregar. Mas segurava a onda. Haviam momentos determinados para incorporação. Havia alguém dirigindo o trabalho mediunico. Acredito que aprendi a controlar essas energias por causa da forma como tudo era conduzido cronologicamente. Respeitando um nível de hierarquia dos mais experientes (com mais tempo dedicado a religião).
Aprendi a consagrar e defumar uma casa e passei a incorporar minhas entidades no meu quarto (exercicio que me proibiam, ou melhor, não recomendavam que eu fizesse fora do centro por ser muito perigoso). Diziam que eu poderia manifestar os tais eguns e até desencarnar. Bom, eu fazia e não contava a ninguém, pois me sentia muito a vontade para fazer isso. Fui começando a falar através das minhas entidades. Conversava com as pessoas sempre de forma muito consciente. Lembrava de tudo o que dizia e escutava. Cheguei a conversar com 2 amigos por diversas vezes no meu quarto através da minha preta-velha. As conversas sempre geravam muitas reflexões, impulsionando uma forma de vida livre de pensamentos mais densos, racionais e concretos. Sempre com muitas verdades e muitos choros sinceros de desabafo.
Quanto mais aprendia, mais tinha a aprender. As coisas aconteciam de forma tão intensa e rápida que logo os livros de Umbanda não mais respondiam as minha perguntas. Comecei a perguntar e questionar os mais experientes e dificilmente conseguia alcançar uma resposta de experiencia pessoal. Sempre haviam as respostas prontas, as vezes até analisadas, mas indiretamente vinham de um livro, que ditavam a doutrina Umbandista. Eu queria respostas como: ''comigo acontece de tal forma.'' Quase sempre era um efeito de causa e consequencia pré-definido. De como se manifestavam as entidades, seus nomes, de onde vinham, o que queriam. Eu precisava de pessoas, de seres humanos. Saber o que elas sentiam e o que significava aquilo tudo para cada uma delas. A partir dai ver a Umbanda como apenas mais uma religião passou a fazer mais sentido.
Comecei a entender a Umbanda como uma ferramenta maravilhosa de acesso ao desconhecido, porém limitante. Não vai além de um propósito de caridade. A caridade é feita através de conselhos e equilíbrio de energias pelas entidades, cada uma com sua função, mas não há abertura para a auto-exploração, o se conhecer melhor. Acredito que quanto mais nos conhecemos, mais podemos conhecer os outros.
Foi ai que parti sozinho para outra forma de pensar. Continuei me observando e classificando da forma que eu achava mais conveniente o que se manifestava em mim. Aprendi a chamar de erê o meu lado mais infantil, alegre, descontraído, sem vergonha, questionador, inocente e verdadeiro. Que não tinha medo de errar. Entendi que não existia erro e sim o preconceito das pessoas. Assim também de preto-velho, o que revelava meu lado mais sereno, sábio, pacífico, não-preconceituoso. De exu o meu lado mais carnal, boêmio (já com pouca afinidade) e chamando de caboclo o que eu tenho de mais sério e disciplinado. Considerava isso uma boa leitura de mim. Procurava sempre renomear aquilo que me era apresentado com termos umbandistas e que se manifestava naturalmente no meu dia a dia, porém de forma menos intensa.
O meu ultimo dia no centro calhou de ser no dia em que foi distribuído o estatuto da casa. Agora era pra valer. Ali funcionava uma casa de Umbanda regulamentada. Aprende-se a doutrina e a forma como devem ser conduzidos os trabalhos de caridade. Já havia uma diferença ideológica muito grande pra mim. Foi quando comecei a fazer um curso de formação em instrutores de yoga em Visconde de Mauá e conhecer a cultura Vaishnava e as escrituras sagradas (como Bhagavad Gita). Essas também sendo fortemente questionadas por assumir Deus em uma forma pessoal (Krishna) ao invés daquilo que eu acreditava. De uma forma horizontal presente em todos os seres, no interior de cada um.
Percebi coisas delicadas e profundas sobre mim e na minha relação com o mundo que eu vivia. As pessoas, o ambiente. Tudo passou a ser analisado ainda mais cuidadosamente. Tudo gerava uma grande reflexão. Percebi a incrível semelhança que há entre os ritos sagrados. Estão sempre tratando da mesma coisa. Só mudam os nomes. Temia ter uma incorporação durante uma prática de yoga ou meditação e percebi que eram energias distintas, ou melhor, o foco da energia era outro. Nesse momento eu já conseguia incorporar, ou não, qualquer das entidades que eu já conhecia em qualquer lugar, a qualquer momento. Bastava um pouco de concentração e instantaneamente já estava ali.
Fui morar em Visconde de Mauá e me aproximei ainda mais das energias sutis. A natureza era o que me fazia bem e portanto a cidade me levava para níveis de pensamentos que não me faziam pleno. Ao chegar a uma cachoeira quase virgem, sozinho era instantâneo o acesso àquelas energias da Umbanda. Incorporava, os caboclos e os velhos, conversava com eles ao mesmo tempo que tinha controle sobre o meu corpo.
Houve um dia que me senti mal. Dei uma resposta atravessada ao amigo que morava comigo e ele me questionou pelo fato de estar falando mais energicamente. Tentei entender o motivo e fui pra baixo de uma bela jabuticabeira que eu costumava me conectar com as energias sutis (minha entidades). Se manifestou em mim algo que considerei ruim, um peso no coração. Ao tentar conversar com aquilo que já imaginei ser um egum, pelo que aprendi na Umbanda, ele me disse ''eu não vou lhe matar, mas é isso que acontece quando você não se cuida.'' Em seguida comecei a limpar minha aura, pentear meu corpo com as mãos (o passe mediúnico na Umbanda e Kardecismo). Então voltei a sentir bem devagar aquela energia de pretos-velhos. Até mandei uma mensagem preocupada para minha ''mãe de santo''.
Fiquei pensando onde foi que eu havia me descuidado. E realmente estava distante das coisas que me agradavam. Estava confuso, ansioso, gerando expectativas sobre o que poderia acontecer na minha vida. Não estava fazendo exercícios físicos, nem me observando e até a alimentação era um tanto descuidada. Não estava fluindo. Tomei um banho de cachoeira (recomendado pela minha ''mãe de santo''), voltei a me exercitar e seguir o que minha intuição (entidades) dizia, ou seja, seguir meu coração junto com o que era mais sensato pra mim. Aquilo que acredito ser necessário pra ser feliz.
Tempos depois, após muitas experiencia de vida e relações verdadeiras e livres com amigos que fiz pelo caminho, já me conhecia muito mais. Tendo a certeza de que ainda há um infinito a se conhecer, fui morar em paraty. Lá conheci um trabalho de massoterapia, no qual me envolvi com muito amor.
Percebi coisas delicadas e profundas sobre mim e na minha relação com o mundo que eu vivia. As pessoas, o ambiente. Tudo passou a ser analisado ainda mais cuidadosamente. Tudo gerava uma grande reflexão. Percebi a incrível semelhança que há entre os ritos sagrados. Estão sempre tratando da mesma coisa. Só mudam os nomes. Temia ter uma incorporação durante uma prática de yoga ou meditação e percebi que eram energias distintas, ou melhor, o foco da energia era outro. Nesse momento eu já conseguia incorporar, ou não, qualquer das entidades que eu já conhecia em qualquer lugar, a qualquer momento. Bastava um pouco de concentração e instantaneamente já estava ali.
Fui morar em Visconde de Mauá e me aproximei ainda mais das energias sutis. A natureza era o que me fazia bem e portanto a cidade me levava para níveis de pensamentos que não me faziam pleno. Ao chegar a uma cachoeira quase virgem, sozinho era instantâneo o acesso àquelas energias da Umbanda. Incorporava, os caboclos e os velhos, conversava com eles ao mesmo tempo que tinha controle sobre o meu corpo.
Houve um dia que me senti mal. Dei uma resposta atravessada ao amigo que morava comigo e ele me questionou pelo fato de estar falando mais energicamente. Tentei entender o motivo e fui pra baixo de uma bela jabuticabeira que eu costumava me conectar com as energias sutis (minha entidades). Se manifestou em mim algo que considerei ruim, um peso no coração. Ao tentar conversar com aquilo que já imaginei ser um egum, pelo que aprendi na Umbanda, ele me disse ''eu não vou lhe matar, mas é isso que acontece quando você não se cuida.'' Em seguida comecei a limpar minha aura, pentear meu corpo com as mãos (o passe mediúnico na Umbanda e Kardecismo). Então voltei a sentir bem devagar aquela energia de pretos-velhos. Até mandei uma mensagem preocupada para minha ''mãe de santo''.
Fiquei pensando onde foi que eu havia me descuidado. E realmente estava distante das coisas que me agradavam. Estava confuso, ansioso, gerando expectativas sobre o que poderia acontecer na minha vida. Não estava fazendo exercícios físicos, nem me observando e até a alimentação era um tanto descuidada. Não estava fluindo. Tomei um banho de cachoeira (recomendado pela minha ''mãe de santo''), voltei a me exercitar e seguir o que minha intuição (entidades) dizia, ou seja, seguir meu coração junto com o que era mais sensato pra mim. Aquilo que acredito ser necessário pra ser feliz.
Tempos depois, após muitas experiencia de vida e relações verdadeiras e livres com amigos que fiz pelo caminho, já me conhecia muito mais. Tendo a certeza de que ainda há um infinito a se conhecer, fui morar em paraty. Lá conheci um trabalho de massoterapia, no qual me envolvi com muito amor.
Ali se seguiam ensinamentos espiritas e ao frequentar algumas reuniões tive a certeza de que a certeza com que falavam de como seria a vida após a morte era absurda pra mim. Dentre outras tantas coisas que julguei serem contraditórias. Preferi continuar só na massagem.
Ainda tinha algumas dúvidas se eu estaria perdendo a faculdade de um dom, uma sensibilidade que me foi entregue ao nascer e que desenvolvi durante a vida. Isso volta e meia passava pela minha cabeça. Por isso recentemente, numa passagem de volta ao Rio de Janeiro fui procurar a antiga casa de umbanda que trabalhei.
Acompanhei a grande familia, hoje muito maior, que lá trabalhava, em uma cerimonia de batizado.
Não consegui fazer parte daquele grupo. Fiquei bastante introspectivo e observador.
Ao chegar no terreiro me sentia bem. Estava imerso na natureza. Envolto de muita água e muito mato.
A primeira coisa que fiz foi dar um mergulho na cachoeira. Sem saber se era permitido, respeitei aquilo que meu corpo pedia.
Durante a gira senti as vibrações. Sentia os tambores tocarem dentro de mim. Me segurei, mas sem desconforto, para não manifestar o que pedia para ser manifestado, em respeito ao ritual sagrado para todos ali. Ao ser chamado por um dos mediuns incorporados, recebi um abraço e deixei vir o que viesse. Mentalizei os antigos exus que trabalhava, pois era a energia invocada no dia. Dei aquela gargalhada, mais para mostrar que tipo de energia se manifestava ali, porém sem controlar isso. Algo muito instintivo.
Em seguida recebi o meu preto-velho. Era como se não tivesse recebido. Tinha total controle sobre o corpo e ouvia tudo o que ele dizia, perfeitamente, sem ruidos. Por fim uma cigana, apenas para liberar aquela vontade interna que eu tinha de dançar conforme o som que meu peito escutava.
Aproveitei para escrever o que o preto-velho dizia. E assim eu escrevi:
''Siga o seu coração. Você já sabe o que te faz bem.
Você se conhece o suficiente pra não ter pensamentos egoístas.
Continue vivendo em prol do coletivo, da comunidade.
Siga sua intuição. Não importam os nomes, nem os rituais.
Cada um faz da forma como se sente melhor. Você descobriu
a melhor forma pra você. Isso é espiritualidade. Você não
deixou de exercitar o seu Dom. Você correu atrás dos seus sonhos
e está se tornando cada vez mais sensível. Isso é amor!''
Em seguida abandonei o terreiro no meio da gira, impulsionado por uma força que me motivava a entrar nas matas e mergulhei na cachoeira, sem ninguém por perto. Fui movido a um riacho próximo, com algumas oferendas em volta. Pedi licença por não saber das intenções ali presentes e ao encontrar uma linda imagem de Oxum, senti que era pra eu deixar a guia branca que sempre me acompanhou.
Hoje entendo assim. A guia branca, os pretos-velhos, eres, exus, caboclos, a roupa branca, os livros sagrados, Oxalá, Omulu, Krishna, Jesus, Buda, Mikao Usui, Krishnamurti, Henry Thoreaut, está tudo dentro de mim. Isso é o que sou nesse momento da vida.
''Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.''
Simone de Beauvoir
Ainda tinha algumas dúvidas se eu estaria perdendo a faculdade de um dom, uma sensibilidade que me foi entregue ao nascer e que desenvolvi durante a vida. Isso volta e meia passava pela minha cabeça. Por isso recentemente, numa passagem de volta ao Rio de Janeiro fui procurar a antiga casa de umbanda que trabalhei.
Acompanhei a grande familia, hoje muito maior, que lá trabalhava, em uma cerimonia de batizado.
Não consegui fazer parte daquele grupo. Fiquei bastante introspectivo e observador.
Ao chegar no terreiro me sentia bem. Estava imerso na natureza. Envolto de muita água e muito mato.
A primeira coisa que fiz foi dar um mergulho na cachoeira. Sem saber se era permitido, respeitei aquilo que meu corpo pedia.
Durante a gira senti as vibrações. Sentia os tambores tocarem dentro de mim. Me segurei, mas sem desconforto, para não manifestar o que pedia para ser manifestado, em respeito ao ritual sagrado para todos ali. Ao ser chamado por um dos mediuns incorporados, recebi um abraço e deixei vir o que viesse. Mentalizei os antigos exus que trabalhava, pois era a energia invocada no dia. Dei aquela gargalhada, mais para mostrar que tipo de energia se manifestava ali, porém sem controlar isso. Algo muito instintivo.
Em seguida recebi o meu preto-velho. Era como se não tivesse recebido. Tinha total controle sobre o corpo e ouvia tudo o que ele dizia, perfeitamente, sem ruidos. Por fim uma cigana, apenas para liberar aquela vontade interna que eu tinha de dançar conforme o som que meu peito escutava.
Aproveitei para escrever o que o preto-velho dizia. E assim eu escrevi:
''Siga o seu coração. Você já sabe o que te faz bem.
Você se conhece o suficiente pra não ter pensamentos egoístas.
Continue vivendo em prol do coletivo, da comunidade.
Siga sua intuição. Não importam os nomes, nem os rituais.
Cada um faz da forma como se sente melhor. Você descobriu
a melhor forma pra você. Isso é espiritualidade. Você não
deixou de exercitar o seu Dom. Você correu atrás dos seus sonhos
e está se tornando cada vez mais sensível. Isso é amor!''
Em seguida abandonei o terreiro no meio da gira, impulsionado por uma força que me motivava a entrar nas matas e mergulhei na cachoeira, sem ninguém por perto. Fui movido a um riacho próximo, com algumas oferendas em volta. Pedi licença por não saber das intenções ali presentes e ao encontrar uma linda imagem de Oxum, senti que era pra eu deixar a guia branca que sempre me acompanhou.
Hoje entendo assim. A guia branca, os pretos-velhos, eres, exus, caboclos, a roupa branca, os livros sagrados, Oxalá, Omulu, Krishna, Jesus, Buda, Mikao Usui, Krishnamurti, Henry Thoreaut, está tudo dentro de mim. Isso é o que sou nesse momento da vida.
''Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.''
terça-feira, 26 de novembro de 2013
E tudo o que resta é todo o resto da vida
Mais um ciclo se fechando e novamente repleto de riqueza e aprendizado. Conversando com Maiko, hoje a tarde, pude observar com cuidado toda essa experiencia desde sair do Rio de biciclea até o fim de uma experiencia em Paraty tendo o custo zero de vida como objetivo.
No que diz respeito a viver sem dinheiro o passo foi grande, passei por meses que não cheguei a gastar 15 reias, mas quanto a qualidade de vida, e com isso quero dizer necessidades básicas, ficou um tanto aquém das minhas expectativas. Ar, Água, Agasalho e Abrigo (este ainda pago, mas por opção) tivemos em abundância na Toca, mas questão do Alimento, puro, sadio, orgânico, para mim, ainda ficou um pouco a desejar. Fato que tem me motivado a buscar novas fontes. Pouco plantamos e pouco colhemos. Apesar de termos explorado a agricultura regional, muitas vezes compramos, contribuindo com a escala industrial de processamentos e nossas ''queridas'' monoculturas tóxicas.
O fato de termos achado uma gruta, uma kaverna de verdade, nos inspirou a iniciar um movimento de casa compartilhada e colaborativa. Até ai tudo bem. A casa de todos nós (eu, Sergio, Maiko, Fernando), acredito, sempre será compartilhada. O incomum surgiu depois que colocamos energia em uma ideia que já vinha crescendo. A de uma casa pré-definida, caracterizada pelo que acreditamos. Tornando-a assim não livre, não fluida. O nome kaverna voltou a pegar deixando a pessoa em segundo plano, tornando eu, Maiko e Nando, pessoas incomuns.
Aconteceu de criarmos, sem querer querendo, um projeto, uma instituição, e a Toca Encantada passou a funcionar de uma forma determinada. ''Aqui na Toca se faz assim''. ''Aqui somos livres.'' ''Aqui somos um.'' Enfim ganhamos novos moradores Luna, Sofie, Cristian,Alejandra) e eles tiveram que se adaptar a forma como a Toca funciona e não o contrário. É uma coisa muito sutil, mas acaba fazendo da pessoa menos importante do que a ideia, o que acaba por alimentar um ego que prevalece sobre a interação.
Observado isso, volto ao meu processo de ''desconstrução'' e ''desintoxicação''. Vou em busca de ser uma pessoa comum. Interagindo com igualdade.
No fim das contas estamos todos ''coincidentemente'' dando inicio a novas grandes mundanças. Nando e Sofie prestes a serem papais indo passar um tempo na Belgica. Eu e Alê de malas prontas para uma imersão em alimentação viva em Nova Friburgo depois Bolivia. Maikito se preparando pra fechar este ciclo da casa com uma bela celebração de fim de ano, que infelizmente não estarei de corpo presente. Já posso adiantar que estão todos convidados né?! Só chegar chegando e aqui a gente vê o que acontece.
O sentimento que fica pode ser traduzido em uma palavra que todos já conhecemos bem. Gratidão! Não há sensação de perda, de mudança, de despedida ou de saudade. É mais uma vez a vida fluindo, como deve ser. E a gente pronto pra mergulhar de cabeça nesse rio de imprevisibilidade.
No que diz respeito a viver sem dinheiro o passo foi grande, passei por meses que não cheguei a gastar 15 reias, mas quanto a qualidade de vida, e com isso quero dizer necessidades básicas, ficou um tanto aquém das minhas expectativas. Ar, Água, Agasalho e Abrigo (este ainda pago, mas por opção) tivemos em abundância na Toca, mas questão do Alimento, puro, sadio, orgânico, para mim, ainda ficou um pouco a desejar. Fato que tem me motivado a buscar novas fontes. Pouco plantamos e pouco colhemos. Apesar de termos explorado a agricultura regional, muitas vezes compramos, contribuindo com a escala industrial de processamentos e nossas ''queridas'' monoculturas tóxicas.
O fato de termos achado uma gruta, uma kaverna de verdade, nos inspirou a iniciar um movimento de casa compartilhada e colaborativa. Até ai tudo bem. A casa de todos nós (eu, Sergio, Maiko, Fernando), acredito, sempre será compartilhada. O incomum surgiu depois que colocamos energia em uma ideia que já vinha crescendo. A de uma casa pré-definida, caracterizada pelo que acreditamos. Tornando-a assim não livre, não fluida. O nome kaverna voltou a pegar deixando a pessoa em segundo plano, tornando eu, Maiko e Nando, pessoas incomuns.
Aconteceu de criarmos, sem querer querendo, um projeto, uma instituição, e a Toca Encantada passou a funcionar de uma forma determinada. ''Aqui na Toca se faz assim''. ''Aqui somos livres.'' ''Aqui somos um.'' Enfim ganhamos novos moradores Luna, Sofie, Cristian,Alejandra) e eles tiveram que se adaptar a forma como a Toca funciona e não o contrário. É uma coisa muito sutil, mas acaba fazendo da pessoa menos importante do que a ideia, o que acaba por alimentar um ego que prevalece sobre a interação.
Observado isso, volto ao meu processo de ''desconstrução'' e ''desintoxicação''. Vou em busca de ser uma pessoa comum. Interagindo com igualdade.
No fim das contas estamos todos ''coincidentemente'' dando inicio a novas grandes mundanças. Nando e Sofie prestes a serem papais indo passar um tempo na Belgica. Eu e Alê de malas prontas para uma imersão em alimentação viva em Nova Friburgo depois Bolivia. Maikito se preparando pra fechar este ciclo da casa com uma bela celebração de fim de ano, que infelizmente não estarei de corpo presente. Já posso adiantar que estão todos convidados né?! Só chegar chegando e aqui a gente vê o que acontece.
O sentimento que fica pode ser traduzido em uma palavra que todos já conhecemos bem. Gratidão! Não há sensação de perda, de mudança, de despedida ou de saudade. É mais uma vez a vida fluindo, como deve ser. E a gente pronto pra mergulhar de cabeça nesse rio de imprevisibilidade.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Viajar sem dinheiro
Desde que optei por buscar um custo zero de vida tenho conhecido muita gente na mesma pegada, optando por uma vida mais simples devido a escassez que o sistema monetário gera. Sair da cidade, buscar transportes alternativos, comer do que se planta, etc.
Entretanto percebi uma coisa que acho legal ser compartilhada. Dentre essa ''muita gente'' que conheci, se destacam uns malucos que não estão ''querendo'' viajar sem dinheiro. Eles simplesmente viajam, a anos. E quando abordo esses assuntos com eles me sinto um 0 a esquerda. Que nada tenho de experiência nesse assunto.
Recentemente conheci o Alexandre que viaja na base das trocas a muito tempo. São pessoas que não se privam de suas vontades colocando a culpa na falta de dinheiro. Desde sempre aprenderam a se comunicar, a interagir, falar com estranhos e resolver problemas. Nunca tiveram mais do que o necessário e não viam no capital a solução dos seus conflitos. Simplesmente entenderam que é uma necessidade criada, sem precisar ler grandes pensadores.
Quando vejo videos e relatos de pessoas que experimentam viver 1 ano sem dinheiro, que viajam sem grana, acho um máximo, mas não creio que devemos ter a visão de algo inusitado e que se precisa de muita coragem e força de vontade para fazer. É igual ao movimento de permacultura. Permacultura sempre se fez de uma forma linda desde que mundo é mundo, até o dia que alguém deu o nome, institucionalizou a técnica e começou a comercializar na forma de cursos.
Viajar sem dinheiro, e fazer qualquer coisa sem ele, é muito fácil. O problema é que nós nos deixamos convencer durante anos que não podemos fazer nada sem ele. E ai mergulhamos nesse mundo capitalista e criamos necessidades desnecessárias.
Comida, tem na terra. Remédio, tem no mato. Abrigo se faz em questao de dias. Transporte?! Suas pernas servem de que?! Água e ar abundantes...
Acho que o grande lance é resgatar o saber primário, necessário a subsistencia do homem e não deixar que nos idiotizem ainda mais.
Entretanto percebi uma coisa que acho legal ser compartilhada. Dentre essa ''muita gente'' que conheci, se destacam uns malucos que não estão ''querendo'' viajar sem dinheiro. Eles simplesmente viajam, a anos. E quando abordo esses assuntos com eles me sinto um 0 a esquerda. Que nada tenho de experiência nesse assunto.
Recentemente conheci o Alexandre que viaja na base das trocas a muito tempo. São pessoas que não se privam de suas vontades colocando a culpa na falta de dinheiro. Desde sempre aprenderam a se comunicar, a interagir, falar com estranhos e resolver problemas. Nunca tiveram mais do que o necessário e não viam no capital a solução dos seus conflitos. Simplesmente entenderam que é uma necessidade criada, sem precisar ler grandes pensadores.
Quando vejo videos e relatos de pessoas que experimentam viver 1 ano sem dinheiro, que viajam sem grana, acho um máximo, mas não creio que devemos ter a visão de algo inusitado e que se precisa de muita coragem e força de vontade para fazer. É igual ao movimento de permacultura. Permacultura sempre se fez de uma forma linda desde que mundo é mundo, até o dia que alguém deu o nome, institucionalizou a técnica e começou a comercializar na forma de cursos.
Viajar sem dinheiro, e fazer qualquer coisa sem ele, é muito fácil. O problema é que nós nos deixamos convencer durante anos que não podemos fazer nada sem ele. E ai mergulhamos nesse mundo capitalista e criamos necessidades desnecessárias.
Comida, tem na terra. Remédio, tem no mato. Abrigo se faz em questao de dias. Transporte?! Suas pernas servem de que?! Água e ar abundantes...
Acho que o grande lance é resgatar o saber primário, necessário a subsistencia do homem e não deixar que nos idiotizem ainda mais.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
O machismo nosso de cada dia
Frequentemente, muito mais do que consigo tolerar, me deparo com cenas machistas no meu dia a dia. Atitudes que são tão desconfortáveis quanto a não gentileza com um idoso ou um ato agressivo contra uma criança. Uma atitude machista não deixa de ser um ato agressivo, em verdade. Mas o que seria machismo e o que classificaria tal atitude?!
Lembro-me logo da amiga Fernanda Tellez e seus textos que trazem uma dose unica de simancol. Entendo por machismo aquilo que chamamos de desigualdade social, mas dessa vez, o gênero como objeto de comparação. Homens e mulheres não são iguais. Fisiologicamente, sensitivamente, na forma de se relacionar, etc. Perfeito, há muita diferença. O machismo aparece quando mulheres deixam de ser pessoas e passam a ser objeto de submissão. Da mesma forma, homens passam a ser colonizadores, exploradores, pesquisadores desse, desprezivelmente, cobiçado ‘’objeto’’.
Nas noites de entretenimento, comummente sextas e sábados, a estupidificada sociedade sai às ruas para competir. A relação mais íntima, pura e profunda que o ser humano pode ter com seu semelhante passa a ser um troféu em disputa. A diversão é acumular troféus. Mostrar para o máximo de pessoas que compete melhor. Que leva jeito pra esse tal jogo de sedução . E assim vamos negligenciando cada vez mais nossa sensibilidade, descartando o pedaço de alma que existe no outro, acabando com a percepção do sentimento alheio e destruindo qualquer forma de relação humana. Quando, enfim, percebemos que somos humanos, inventamos um bando de nomes para o comportamento daquele com quem nos relacionamos mais intimamente, o culpamos por todo nosso sofrimento e desabamos num choro de profunda confusão emocional.
Meninas tendem a sofrer mais nesse jogo de enganação. Acredito que por terem uma sensibilidade maior, devido ao instinto maternal que lhes é mais caracteristico. Meninos podem levar a vida inteira assim até o dia que não conseguirem mais uma companheira para sugar toda a energia e perceberem o grande vazio de pessoas que acumulou na vida. Conheço amigos que perceberam isso um pouco tarde e gostariam de ter melhor explorado (na intenção de enriquecimento de aprendizado) a relação com as pessoas que passaram por suas vidas.
Não é só o desprezo do momento, a desatenção à pessoa, a despreocupação com o sentimento, mas sim a morte das realações humanas que vão ficando de pouco em pouco cada vez mais coisificadas, caracterizáveis, cheias de culpa e culpados, intolerancia e impaciência, não aceitação. Se perde a capacidade de entendimento e vamos, desumanizados, diferenciando homens, mulheres, gays, homosexuais, bis, tris, tetras, etc. esquecendo-se que todos são pessoas, cheias de necessidades afetivas.
Entendo esse comportamento irracional como sintomas de uma sociedade doente. Pessoas que necessitam ser percebidas, que imploram por carinho e atenção e conseguem através do sexo (a forma mais intensa de prazer) saciar essa necessidade por alguns instantes. Institucionalizamos o sexo. O tornamos objeto de triunfo e o desqualificamos simultanemmente. Ainda existem outras formas menos intensas de saciar desejos. Aquilo que um dia chamaram de pecados capitais e suas diferentes formas de consumo desenfreado. Mas o maior fator estimulante do machismo, acredito, ser a falta de cuidado com o outro e a consequente banalização do ato sexual.
''Vamos brincar de imaginar um mundo diferente? As pessoas deixam de ser coisa e passam a ser gente!''
Roberto Freire
Lembro-me logo da amiga Fernanda Tellez e seus textos que trazem uma dose unica de simancol. Entendo por machismo aquilo que chamamos de desigualdade social, mas dessa vez, o gênero como objeto de comparação. Homens e mulheres não são iguais. Fisiologicamente, sensitivamente, na forma de se relacionar, etc. Perfeito, há muita diferença. O machismo aparece quando mulheres deixam de ser pessoas e passam a ser objeto de submissão. Da mesma forma, homens passam a ser colonizadores, exploradores, pesquisadores desse, desprezivelmente, cobiçado ‘’objeto’’.
Nas noites de entretenimento, comummente sextas e sábados, a estupidificada sociedade sai às ruas para competir. A relação mais íntima, pura e profunda que o ser humano pode ter com seu semelhante passa a ser um troféu em disputa. A diversão é acumular troféus. Mostrar para o máximo de pessoas que compete melhor. Que leva jeito pra esse tal jogo de sedução . E assim vamos negligenciando cada vez mais nossa sensibilidade, descartando o pedaço de alma que existe no outro, acabando com a percepção do sentimento alheio e destruindo qualquer forma de relação humana. Quando, enfim, percebemos que somos humanos, inventamos um bando de nomes para o comportamento daquele com quem nos relacionamos mais intimamente, o culpamos por todo nosso sofrimento e desabamos num choro de profunda confusão emocional.
Meninas tendem a sofrer mais nesse jogo de enganação. Acredito que por terem uma sensibilidade maior, devido ao instinto maternal que lhes é mais caracteristico. Meninos podem levar a vida inteira assim até o dia que não conseguirem mais uma companheira para sugar toda a energia e perceberem o grande vazio de pessoas que acumulou na vida. Conheço amigos que perceberam isso um pouco tarde e gostariam de ter melhor explorado (na intenção de enriquecimento de aprendizado) a relação com as pessoas que passaram por suas vidas.
Não é só o desprezo do momento, a desatenção à pessoa, a despreocupação com o sentimento, mas sim a morte das realações humanas que vão ficando de pouco em pouco cada vez mais coisificadas, caracterizáveis, cheias de culpa e culpados, intolerancia e impaciência, não aceitação. Se perde a capacidade de entendimento e vamos, desumanizados, diferenciando homens, mulheres, gays, homosexuais, bis, tris, tetras, etc. esquecendo-se que todos são pessoas, cheias de necessidades afetivas.
Entendo esse comportamento irracional como sintomas de uma sociedade doente. Pessoas que necessitam ser percebidas, que imploram por carinho e atenção e conseguem através do sexo (a forma mais intensa de prazer) saciar essa necessidade por alguns instantes. Institucionalizamos o sexo. O tornamos objeto de triunfo e o desqualificamos simultanemmente. Ainda existem outras formas menos intensas de saciar desejos. Aquilo que um dia chamaram de pecados capitais e suas diferentes formas de consumo desenfreado. Mas o maior fator estimulante do machismo, acredito, ser a falta de cuidado com o outro e a consequente banalização do ato sexual.
''Vamos brincar de imaginar um mundo diferente? As pessoas deixam de ser coisa e passam a ser gente!''
Roberto Freire
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Ah!! Essa tal expectativa...
Lembro de uma conversa com Emerson Venuto, numa mesa de cozinha em Niterói, em que fiquei um tempo admirando a sabedoria de suas palavras ''ninguém tem a capacidade de me magoar, só eu tenho.''
Numa discussão com a Alejandra Mendoza, recentemente, essa questão foi abordada novamente. É sempre mais difícil quando a relação contém laços de família (no comum entendimento social).
É muito comum depositarmos no outro toda a razão do nosso sofrimento. Sofremos por causa do que acreditamos, do que criamos ou inventamos, da expectativa que criamos em cima dos outros e não pela ação deles. As pessoas são livres. De pensamentos e ações. Se elas me provocam sentimentos angustiantes e dolorosos, o problema sou eu. Certamente estou desestruturado emocionalmente. Não compreendo, não entendo a liberdade do outro.
Me torno o prisioneiro. Estou preso às minhas expectativas, ao que espero que o outro faça, pense ou acredite. Deposito tudo, ou parte do que quero naquela pessoa. O pior de tudo é culpar ela por tudo isso. Justificar a minha não compreensão dos fatos alegando ingratidão, falta de carinho, desamor, desrespeito. Normalmente o ''filho desnaturado'' é aquele que está tentando ser feliz num ambiente onde stress e angustia predominam abundantemente.
Esse entendimento só me veio quando decidi ser feliz. Independente do que os outros façam, vou em busca do que acredito, fazer do meu jeitinho. Sempre lembro uma frase do Renato Russo que pode parecer um tanto egoista, mas é justamente exercer a essência do que se é ''Poderia ser a pessoa mais agradável do mundo, mas preferi ser eu mesmo''.
Viver uma vida para que o outro não se frustre com suas escolhas, é o mesmo que não viver. Exercer a própria individualidade é um grande passo para o autoconhecimento, para se libertar das amarras impostas pelos que nos ditam o que fazer desde o berço sem nos estimular questionamentos genuinamente necessários à sobrevivencia na cultura do ''salve-se quem puder''.
Numa discussão com a Alejandra Mendoza, recentemente, essa questão foi abordada novamente. É sempre mais difícil quando a relação contém laços de família (no comum entendimento social).
É muito comum depositarmos no outro toda a razão do nosso sofrimento. Sofremos por causa do que acreditamos, do que criamos ou inventamos, da expectativa que criamos em cima dos outros e não pela ação deles. As pessoas são livres. De pensamentos e ações. Se elas me provocam sentimentos angustiantes e dolorosos, o problema sou eu. Certamente estou desestruturado emocionalmente. Não compreendo, não entendo a liberdade do outro.
Me torno o prisioneiro. Estou preso às minhas expectativas, ao que espero que o outro faça, pense ou acredite. Deposito tudo, ou parte do que quero naquela pessoa. O pior de tudo é culpar ela por tudo isso. Justificar a minha não compreensão dos fatos alegando ingratidão, falta de carinho, desamor, desrespeito. Normalmente o ''filho desnaturado'' é aquele que está tentando ser feliz num ambiente onde stress e angustia predominam abundantemente.
Esse entendimento só me veio quando decidi ser feliz. Independente do que os outros façam, vou em busca do que acredito, fazer do meu jeitinho. Sempre lembro uma frase do Renato Russo que pode parecer um tanto egoista, mas é justamente exercer a essência do que se é ''Poderia ser a pessoa mais agradável do mundo, mas preferi ser eu mesmo''.
Viver uma vida para que o outro não se frustre com suas escolhas, é o mesmo que não viver. Exercer a própria individualidade é um grande passo para o autoconhecimento, para se libertar das amarras impostas pelos que nos ditam o que fazer desde o berço sem nos estimular questionamentos genuinamente necessários à sobrevivencia na cultura do ''salve-se quem puder''.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Relato da Muri sobre o RiR
Texto de Muriel Duarte*
Gratidão aos nossos amigos maravilhosos que nos anfitriaram esse fim de semana no Rio, gratidão aos amigos que não encontramos, mas que sabemos que estão presentes. O Rio de Janeiro continua cada vez mais lindo!''
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Pra hoje, o presente. O amanhã a gente deixa pra depois.
Texto de Nataly Lima*
Somos assim, sedentos por uma segurança utópica. A promessa de uma trajetória juntos nos move em direção ao tão esperado “eu te amo”, que hoje é visto como mais do que uma expressão de sentimento – ele é quase um sinal verde, um aviso de “agora é seguro prosseguir”. Só que como humanos, também somos instáveis. Somos um paradoxo ambulante. Queremos algo que não mude, mas queremos mudar. Queremos usar o “para sempre”, sem perder as alternativas que a vida pode oferecer. Afinal de contas, você pode sim conhecer alguém amanhã e deixar de lado essa pessoa que está há tanto tempo ao seu lado. Seu amado pode começar a gostar de outra pessoa e você tem que saber conviver com isso. Ao longo do relacionamento, vocês podem se sentir atraídos por outras pessoas. Pode ser que passe, pode ser que não, mas invariavelmente isso acontecerá e, sim, você vai sobreviver.
Eu seria hipócrita se dissesse que não penso em um futuro ao lado de alguém. Mas o que deixo para outros que, assim como eu, têm a dificuldade de se prender ao presente, é a lição mais importante: paciência e flexibilidade. Todos os dias, tente pensar que você já é sortudo só por estar vivo. E o que vier para agregar é consequência, é aditivo. A pessoa que está ao seu lado está longe de ser sua, e a melhor maneira de mantê-la por perto é acrescentando algo de bom à vida dela todos os dias. O caminho é cultivar o que você tem de melhor e abolir o “para sempre” da sua vida, porque mesmo que dure para sempre, você nunca saberá. E de promessas vazias o mundo está cheio. Aceite as promessas que você pode cumprir e que podem ser cumpridas para a sua vida. Em vez de planejar o casamento daqui a cinco anos, pense em uma viagem gostosa para o fim de semana. Em vez de escolher o nome dos seus filhos, sem ao menos saber se eles existirão, escolha o cardápio daquele jantar romântico.
E por mais que “carpe diem” não seja a filosofia mais romântica, ela é a mais real. E temos que saber viver com a realidade. Sonhar é bom, é lindo, mas realizar sempre será melhor. E realizar é uma ação do hoje. O amanhã é uma incógnita. No futuro, você não sabe nem se terá dentadura, imagina então saber se vai dividir o copo para guardá-la com alguém. Viva o hoje, ele é o que importa, é o que há de mais precioso. E é por isso que o hoje também é chamado de presente.''
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Cidade grande
Me permiti passar um tempo na cidade grande pra me recuperar de uma lesão no pé. Em poucos dias veio à memória os motivos que fizeram eu optar por me afastar de ambientes como este. As diferenças de qualidade de vida e equilíbrio emocional entre cidade e campo são gritantes. Um ''não meche ai, não pode'' dito com tom autoritário para uma criança de 1 ano já me geram um grande desconforto. O pior é que não é um comportamento simples de indagar ou questionar. Parece algo natural, frequente. A criança está sendo ''educada''. Não há abertura para o questionamento e no momento em que não falo o que penso, algo dentro de mim morre. Me sinto menos eu e cada vez mais pertencente ao meio. Onde não há abertura ou tempo para analises de comportamentos e sentimentos, acredito que seja um ambiente não livre. Acabou a liberdade, amigo, acabou a magia! Lá se vai a poesia, a sensibilidade, o amor, o senso de humanidade, igualdade.
Encontro amigos em bares e os assuntos são quase sempre em torno das mesmas superficialidades que claramente escondem o que sentem. Futebol, pegação... Dentre piadas preconceituosas e deboches, inflam seus egos para serem percebidos e adorados. Uma cerveja aqui, mais um petisco ali e não se importa mais com a qualidade do que se consome e muito menos em pagar caro por isso. Luto contra mim pra que aquele lugar se torne agradável, mas não consigo mais ficar por muito tempo. Em teoria é um lugar democrático de alto valor social. Na prática se vê a segregação escancarada em mesas numeradas, com ''cada um paga o seu'' de despedida, o agente desinibidor sendo o álcool e para aqueles que não interagem muito tem sempre uma TV ligada no jogo. Garçons anônimos, quase sempre de mal humor, requisitados com urgência imediata, por dezenas, sentados, ocupados apenas em ir ao banheiro de hora em hora.
Conversando com uma amiga, linda (Alejandra), me foi perguntado se eu acreditava que tinha que passar por isso. Comecei a pensar a respeito e intuitivamente a resposta era muito clara. Eu não tenho que passar por isso! Entendo os motivos das pessoas fazerem o que fazem, quando não, peço explicações, busco compreender. Me sinto bem seguro e motivado pra fazer as coisas que eu faço. Tenho certeza das coisas que não quero pra mim. Sinto que cada dia que passa me aproximo mais da minha essência, do meu natural, e me reconheço como ser humano.
Quando chego num ambiente que as pessoas parecem confusas e perdidas, inseguras e carentes, com vazios enormes, tentando preencher com competições e atitudes forçadas de autoafirmação, acho que quem tem que passar por isso são elas.
Encontro amigos em bares e os assuntos são quase sempre em torno das mesmas superficialidades que claramente escondem o que sentem. Futebol, pegação... Dentre piadas preconceituosas e deboches, inflam seus egos para serem percebidos e adorados. Uma cerveja aqui, mais um petisco ali e não se importa mais com a qualidade do que se consome e muito menos em pagar caro por isso. Luto contra mim pra que aquele lugar se torne agradável, mas não consigo mais ficar por muito tempo. Em teoria é um lugar democrático de alto valor social. Na prática se vê a segregação escancarada em mesas numeradas, com ''cada um paga o seu'' de despedida, o agente desinibidor sendo o álcool e para aqueles que não interagem muito tem sempre uma TV ligada no jogo. Garçons anônimos, quase sempre de mal humor, requisitados com urgência imediata, por dezenas, sentados, ocupados apenas em ir ao banheiro de hora em hora.
Conversando com uma amiga, linda (Alejandra), me foi perguntado se eu acreditava que tinha que passar por isso. Comecei a pensar a respeito e intuitivamente a resposta era muito clara. Eu não tenho que passar por isso! Entendo os motivos das pessoas fazerem o que fazem, quando não, peço explicações, busco compreender. Me sinto bem seguro e motivado pra fazer as coisas que eu faço. Tenho certeza das coisas que não quero pra mim. Sinto que cada dia que passa me aproximo mais da minha essência, do meu natural, e me reconheço como ser humano.
Quando chego num ambiente que as pessoas parecem confusas e perdidas, inseguras e carentes, com vazios enormes, tentando preencher com competições e atitudes forçadas de autoafirmação, acho que quem tem que passar por isso são elas.
Eu escolhi estar aqui, agora. Pra mim tanto faz. Inegavelmente a minha presença é desconfortante pra muita gente devido a diferença ideológica. É notável a curiosidade das pessoas em relação a forma de vida que eu levo. Se alguém tem que ''passar por isso'' acho que é essa galera que não se questiona, que aceita um mundo que dita como a vida deve ser, padronizado, cheio de métodos e rotinas autodestrutivas. Que vive o que é imposto e nada faz contra o que não concorda. Se algo em mim é capaz de morrer com a violencia no tom de voz, me pergunto se ainda existe vida humana dentro desse sistema opressor.
Observando o comportamento da doce Nina (amiga de 1 ano e meio de idade) acredito que a tendência seja ambientes autoritários me causarem cada vez mais estranhezas. A Nina, que vive desde o inicio da sua vida envolta de carinho e atenção, onde faz o que deseja e seu ''não'' tem a importância que ela mesma dá, se assusta com movimentos bruscos e tons de voz exaltados. Dificilmente ela se adaptaria a um grande centro urbano.
Não desejo que as pessoas mudem. Mas desejo, profundamente, que sejam felizes, seja lá o meio que escolherem para viver. Mas quando vejo grande parte delas reclamando e, ainda assim, se autossabotando dia após dia, não consigo esconder minha tristeza. Isso é algo que ainda tenho que trabalhar em mim.
''A vida é curta demais pra remover o pendrive com segurança'' (Alejandra Mendozza)
Observando o comportamento da doce Nina (amiga de 1 ano e meio de idade) acredito que a tendência seja ambientes autoritários me causarem cada vez mais estranhezas. A Nina, que vive desde o inicio da sua vida envolta de carinho e atenção, onde faz o que deseja e seu ''não'' tem a importância que ela mesma dá, se assusta com movimentos bruscos e tons de voz exaltados. Dificilmente ela se adaptaria a um grande centro urbano.
Não desejo que as pessoas mudem. Mas desejo, profundamente, que sejam felizes, seja lá o meio que escolherem para viver. Mas quando vejo grande parte delas reclamando e, ainda assim, se autossabotando dia após dia, não consigo esconder minha tristeza. Isso é algo que ainda tenho que trabalhar em mim.
''A vida é curta demais pra remover o pendrive com segurança'' (Alejandra Mendozza)
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
O que vem agora?
Escritor, palestrante e consultor. É o criador e um dos netweavers da Escola-de-Redes - uma rede de pessoas dedicadas à investigação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving. É autor de várias dezenas de livros e textos sobre desenvolvimento local, capital social, democracia e redes sociais.
''Muita gente pergunta o que vem agora, depois dos 7 dias que abalaram o Brasil e continuam abalando... Alguns imaginaram que - como no filme "V de Vingança" - as pessoas sairiam nas ruas e pronto: KABUUUM! Todo sistema viria abaixo.
Mas não é bem assim que as coisas acontecem na rede, no multiverso de conexões ocultas que chamamos de social.
Não há uma revolução épica, como uma grande explosão, um magnífico episódio a partir do qual os podres poderes se desmancham e surge um novo céu e uma nova terra. É um processo molecular de mudança. O que foi iniciado no grande swarming brasileiro de 17 e 18 de junho de 2013, já está em curso. As consequências culturais - como mudanças de comportamento - estão sendo gestadas neste momento.
Outro dia conversando com uma amiga, a Vivianne Amaral, ouvi dela o seguinte (a propósito deste assunto). O que aconteceu depois de Woodstock (15 a 18 de agosto de 1969)? Ora, olhando assim objetivamente, parece que nada mudou. No entanto, mudanças culturais profundas tiveram origem ali. Meio milhão de pessoas, sob chuva, passaram por uma experiência fantástica, fundante de novos comportamentos. E se hoje - dizia Vivianne - o homem lava pratos e divide tarefas domésticas com a mulher, há uma sementinha de Woodstock nisso tudo.
A era hippie e a contracultura abriram caminho para a transmissão de comportamentos libertários e inspiraram, para citar apenas um exemplo eloquente, os pioneiros da Internet. Sem Woodstock, talvez, isso não teria acontecido do jeito que aconteceu.
As grandes transformações moleculares são comportamentais. Elas crescem escondidas. Elas não são materializações de ideias de um novo mundo de algum visionário ou de algum grupo organizado e determinado a conduzir os outros para um porvir radiante. Ideias não mudam comportamentos. Só comportamentos mudam comportamentos. Então é preciso experimentar, criando novos mundos em nossa convivência.''
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Todas as relações são abertas
Texto de Alessandra Marcuzzi*Formada em Comunição pela Faap e em Decoração na EPA. Já trabalhou com TV e fotografia. Hoje é florista de coração. Escreve no blog Transmutando. Pratica trekking e trampolim acrobático. Pode ser encontrada imersa em algum lugar com natureza e silêncio, ou em alguma pista de dança do circuito indie rock de SP.
''Há tempos ouço debates sobre qual será o modelo de relação mais comum no futuro. Entre defensores da monogamia e da poligamia, costumo brincar que fechada, aberta e de carne são esfihas; relação é outra coisa. Já que o que realmente nos une ou separa de uma pessoa não é um acordo pré-fixado, nem uma instituição, nem um papel, nem um título, na prática todas a relações são abertas.
A abertura, mesmo em uma relação monogâmica convencional, é uma qualidade inalienável, irrevogável. Não há tranca que segure os deslocamentos da vida.
O que nos mantém ligados uns aos outros é a conexão estabelecida, que independe, inclusive, de estar ou não fisicamente com a pessoa. Podemos estar disponíveis para outros estando com um parceiro, como podemos estar menos disponíveis a outros apenas pela ligação com alguém com quem sequer namoramos. Podemos estar disponíveis mas não chegarmos às vias de fato, como podemos chegar às vias de fato estando com outro parceiro sem que isso afete essa conexão afetiva. As variações são tantas que podemos dizer que vivemos em constante suruba e monogamia ao mesmo tempo, por liberdade original, e mudar o rumo e a forma de se relacionar a qualquer momento, mesmo que tenhamos feitos acordos, contratos, promessas.
Alain de Botton, no brilhante livro Religião para ateus, diz que os ateus perdem muito tempo querendo provar a não-existência de Deus e se esquecem do que fazer diante da não-existência de Deus. Então investem muita energia contra aqueles que praticam seus rituais religiosos perdendo a grande oportunidade de ter algumas experiências para além dos dogmas. Botton mostra como as religiões se apropriam de rituais pagãos. O Natal, por exemplo: o que realmente faz as pessoas aderirem não é o significado religioso em si, mas a experiência de distribuir presentes, compartilhar uma ceia, se reunir para celebrar. O verdadeiro sentido do Natal é a prática do seu significado, não o contrário. O mesmo acontece a qualquer tipo de relação.
O valor de um relacionamento é dado pelo que ela efetivamente é em experiência, sendo inútil achar que um rótulo vai salvaguardar ou dar origem a alguma coisa. Na hora H, tudo isso é absolutamente ineficiente, exatamente como pensar em fazer dieta e colocar um aviso na porta da geladeira pra lembrar, mas assaltar a geladeira um pouco a cada dia. Fazemos efetivamente dieta quando não precisamos mais lembrar que estamos em dieta, paramos de fumar quando já não lembramos bem porque fumávamos.
O rótulo só faz sentido quando a relação vivida o dispensa – interessante paradoxo.
O que ocorre a maior parte do tempo é uma burocratização dos relacionamentos, não apenas em formato mas principalmente em conduta. Precisamos de uma definição para nos certificarmos de que tudo vai dar certo, não podemos deixar margem para erro e reclamações posteriores. Montamos um projeto e tratamos o outro como um de seus objetos. Em vez desfrutar a relação, apenas mantemos uma relação e posicionamos o outro como uma meta de um projeto.

(A realidade é bem mais caricata)
Fazemos esforços para evitar o que possa ser desagradável, nos preocupamos demais em acertar e muito pouco em vivenciar com nossos próprios olhos, tato, escuta, paladar e corpo, desperdiçando a parte mais saborosa das relações, que é explorá-las, desbravá-las. E é justamente essa conduta que atinge o ponto vital das relações, fazendo com que fiquem apáticas, anêmicas, sem fluidez.
Não percebemos que o comprometimento vem antes da promessa, que o amor vem antes do pedido de casamento, que a conexão vem antes da razão. Na ânsia de controlar, colocamos o carro na frente dos bois e definimos formatos de relações para garantir segurança, enquanto ironicamente evitamos nos expor ao contato pra valer, sem garantias. Abertos.
Em minha própria experiência constato cada vez mais que os verdadeiros vínculos são mantidos por pura naturalidade e relaxamento, quando a promessa já está acontecendo e não precisamos oficializá-la, quando o sexo é praticado e não investigado, quando a disposição existe mesmo diante de condições externas desfavoráveis.
Então a “fidelidade” pode ser estar na relação 100% com tudo que faz parte dela, independentemente de exclusividade, pois a conexão estabelecida tem um sentido mais amplo e profundo. A “infidelidade” é justamente o oposto: não é um caso extraconjugal ou não, é uma manobra do desejo, uma artificialidade, é oferecer seus pedaços, é mentir descaradamente, para você mesmo.
Os enganos que mascaramos são como fingir um orgasmo: nós mesmos recebemos de volta aquilo que nos insatisfaz enquanto tentamos fazer o outro acreditar que nos contenta.
Se olharmos as relações como parcerias, em que estamos compartilhando com o outro nosso caminho, espaço, ideias, sentimentos e momentos, não como burocracia, onde temos de cumprir um roteiro pré-estabelecido, podemos vivê-las com mais leveza. Precisamos entender que o outro anda pelo mesmo espaço de liberdade que temos sozinhos, e que juntos esses espaços deveriam se ampliar ainda mais e não se restringir para que haja uma manutenção e durabilidade que atenda nossas pequenas expectativas de controle. Quanto mais relaxados estivermos diante das surpresas e aventuras do terreno de se relacionar com alguém, mais abertos estaremos ao que vier pela frente.
Da próxima vez em que tiver dúvidas sobre qual tipo de relação está vivendo, parta do seguinte ponto: todas.''
A abertura, mesmo em uma relação monogâmica convencional, é uma qualidade inalienável, irrevogável. Não há tranca que segure os deslocamentos da vida.
O que nos mantém ligados uns aos outros é a conexão estabelecida, que independe, inclusive, de estar ou não fisicamente com a pessoa. Podemos estar disponíveis para outros estando com um parceiro, como podemos estar menos disponíveis a outros apenas pela ligação com alguém com quem sequer namoramos. Podemos estar disponíveis mas não chegarmos às vias de fato, como podemos chegar às vias de fato estando com outro parceiro sem que isso afete essa conexão afetiva. As variações são tantas que podemos dizer que vivemos em constante suruba e monogamia ao mesmo tempo, por liberdade original, e mudar o rumo e a forma de se relacionar a qualquer momento, mesmo que tenhamos feitos acordos, contratos, promessas.
Alain de Botton, no brilhante livro Religião para ateus, diz que os ateus perdem muito tempo querendo provar a não-existência de Deus e se esquecem do que fazer diante da não-existência de Deus. Então investem muita energia contra aqueles que praticam seus rituais religiosos perdendo a grande oportunidade de ter algumas experiências para além dos dogmas. Botton mostra como as religiões se apropriam de rituais pagãos. O Natal, por exemplo: o que realmente faz as pessoas aderirem não é o significado religioso em si, mas a experiência de distribuir presentes, compartilhar uma ceia, se reunir para celebrar. O verdadeiro sentido do Natal é a prática do seu significado, não o contrário. O mesmo acontece a qualquer tipo de relação.
O valor de um relacionamento é dado pelo que ela efetivamente é em experiência, sendo inútil achar que um rótulo vai salvaguardar ou dar origem a alguma coisa. Na hora H, tudo isso é absolutamente ineficiente, exatamente como pensar em fazer dieta e colocar um aviso na porta da geladeira pra lembrar, mas assaltar a geladeira um pouco a cada dia. Fazemos efetivamente dieta quando não precisamos mais lembrar que estamos em dieta, paramos de fumar quando já não lembramos bem porque fumávamos.
O rótulo só faz sentido quando a relação vivida o dispensa – interessante paradoxo.
O que ocorre a maior parte do tempo é uma burocratização dos relacionamentos, não apenas em formato mas principalmente em conduta. Precisamos de uma definição para nos certificarmos de que tudo vai dar certo, não podemos deixar margem para erro e reclamações posteriores. Montamos um projeto e tratamos o outro como um de seus objetos. Em vez desfrutar a relação, apenas mantemos uma relação e posicionamos o outro como uma meta de um projeto.
(A realidade é bem mais caricata)
Fazemos esforços para evitar o que possa ser desagradável, nos preocupamos demais em acertar e muito pouco em vivenciar com nossos próprios olhos, tato, escuta, paladar e corpo, desperdiçando a parte mais saborosa das relações, que é explorá-las, desbravá-las. E é justamente essa conduta que atinge o ponto vital das relações, fazendo com que fiquem apáticas, anêmicas, sem fluidez.
Não percebemos que o comprometimento vem antes da promessa, que o amor vem antes do pedido de casamento, que a conexão vem antes da razão. Na ânsia de controlar, colocamos o carro na frente dos bois e definimos formatos de relações para garantir segurança, enquanto ironicamente evitamos nos expor ao contato pra valer, sem garantias. Abertos.
Em minha própria experiência constato cada vez mais que os verdadeiros vínculos são mantidos por pura naturalidade e relaxamento, quando a promessa já está acontecendo e não precisamos oficializá-la, quando o sexo é praticado e não investigado, quando a disposição existe mesmo diante de condições externas desfavoráveis.
Então a “fidelidade” pode ser estar na relação 100% com tudo que faz parte dela, independentemente de exclusividade, pois a conexão estabelecida tem um sentido mais amplo e profundo. A “infidelidade” é justamente o oposto: não é um caso extraconjugal ou não, é uma manobra do desejo, uma artificialidade, é oferecer seus pedaços, é mentir descaradamente, para você mesmo.
Os enganos que mascaramos são como fingir um orgasmo: nós mesmos recebemos de volta aquilo que nos insatisfaz enquanto tentamos fazer o outro acreditar que nos contenta.
Se olharmos as relações como parcerias, em que estamos compartilhando com o outro nosso caminho, espaço, ideias, sentimentos e momentos, não como burocracia, onde temos de cumprir um roteiro pré-estabelecido, podemos vivê-las com mais leveza. Precisamos entender que o outro anda pelo mesmo espaço de liberdade que temos sozinhos, e que juntos esses espaços deveriam se ampliar ainda mais e não se restringir para que haja uma manutenção e durabilidade que atenda nossas pequenas expectativas de controle. Quanto mais relaxados estivermos diante das surpresas e aventuras do terreno de se relacionar com alguém, mais abertos estaremos ao que vier pela frente.
Da próxima vez em que tiver dúvidas sobre qual tipo de relação está vivendo, parta do seguinte ponto: todas.''
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Autonomia demais não agrada classe dominante
Texto de Eduardo Marinho*Arteiro e escrevinhador. Blog: Observar e Absorver
''A união dos mais pobres cria autonomia e isso é intolerável para os poderosos latifundiários, que precisam da sujeição pra viver na sua fartura ofensiva e arrogante. Degradam o sertanejo pobre pra justificar sua própria desumanidade. Esses grupos que se unem na miséria e a resolvem com o que há de melhor no ser humano - solidariedade, trabalho cooperativo, igualdade de direitos, divisão igualitária dos produtos, ausência de ganância e de egoísmo - são o terror dos exploradores, dos latifundiários, que vêem nessas iniciativas um "mau exemplo" e uma ameaça ao seu predomínio. Assim como em Canudos, como na Colônia Cecília, nos Sete Povos das Missões, os vampiros sociais juntaram forças e pressões pra manter a perversidade e destruir exemplos que resolveriam a miséria e o abandono. Por conta própria, sem atacar ninguém, usando terras abandonadas ou cedidas, sem dinheiros públicos - que seriam de direito. Mas há sempre a necessidade de sujeitar o povo e eliminar qualquer possibilidade de autonomia. Os vampiros vivem é de sangue. Do sangue do povo.''
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Livre Aprendizagem
Depois de assistir um video do amigo Eduardo Marinho relatando como descobriu a sabotagem que é o ensino público, comecei a refletir e pesquisar sobre a educação nas escolas.
Texto - Augusto de Franco e Nilton LessaNão-Escolas - A livre-aprendizagem na sociedade em rede
Documentário - A Educação Proibida
http://www.youtube.com/watch?v=AeubY7iqQ2U
TED - John Hunter: O jogo da paz mundial
http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/john_hunter_on_the_world_peace_game.html#.TjmSI-DvjGw.facebook
Claudio Oliver fala sobre exploração infantil
http://www.youtube.com/watch?v=F57rnVnFPyI&feature=share
Ivan Ilitch - Sociedade sem escolas (video 2 minutos)
http://www.youtube.com/watch?v=L4da3qZhegU&feature=youtu.be
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Se eu fundasse uma Religião
Texto de Augusto de Franco*
Escritor, palestrante e consultor. É o criador e um dos netweavers da Escola-de-Redes - uma rede de pessoas dedicadas à investigação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving. É autor de várias dezenas de livros e textos sobre desenvolvimento local, capital social, democracia e redes sociais.
''Se eu fundasse uma religião ela não exigiria a inclusão das pessoas em clusters (grupos) fechados dos que professam a mesma fé. E nem invalidaria todas as conversações místicas diferentes das suas. Não se declararia como único caminho verdadeiro, apavorando os outros com a sentença de que fora dela não há salvação.
Se eu fundasse uma religião ela não teria doutrina oficial, dogma ou símbolo. Não erigiria igrejas e, assim, não separaria uma igreja docente (um corpo sacerdotal) de uma igreja discente (composta pelo rebanho de fiéis, os leigos). Porque ela não teria sacerdotes, nem qualquer burocracia de intermediários.
Se eu fundasse uma religião, ela não pavimentaria com a crença um caminho para o futuro alheio. Nem se constituiria como um artifício para proteger as pessoas da experiência de Deus.
Sim, se eu fundasse uma religião haveria deuses, claro, qual o problema? Mas seriam mais ou menos assim, mal comparando, como aqueles deuses da democracia grega, deuses da conversação, quer dizer, deuses-fluzz, deuses da interação, como talvez tenha sido prefigurado pelo Zeus Agoraios (divindade tutelar que protegia as conversações na praça do mercado de Atenas) e a deusa Peitho (a persuasão deificada).
Que fique bem claro! Minha religião inventada não teria deuses pré-patriarcais (naturais) e muitos menos deuses patriarcais (sobrenaturais) mas, quem sabe, poderia ter deuses pós-patriarcais (sociais), desde que incapazes de exigir culto dos humanos e, sobretudo de escravizá-los ou submetê-los à servidão. Seriam deuses humanizados, mais-humanos porque sociais e não mais-que-humanos, super-humanos, extra-humanos, antissociais. Não seriam tais deuses potestades unitárias criadoras de qualquer ordem pré-existente e sim entidades compostas pela interação, simbiontes constelados fractalmente por nós.
Se eu fundasse uma religião um cara como Paulo de Tarso estaria fora. Nada de codificadores de doutrina. E um cara como Inácio de Antioquia estaria fora: nada de supervisores (ou episcopos). E nada de padres: todos seriam diáconos. Seria uma religião de garçons: uns servindo aos outros animados pelo espírito santo (que seria santo a não ser enquanto estivesse expressando essa emoção amorosa).
Se eu fundasse uma religião ela não teria templos, nem ritos, rituais, liturgias... e também nada de muros, escadas, portas, colunas, altares, lugares mais sagrados e outros símbolos templários. Não teria cerimônias de iniciação, ordenação, sagração, consagração ou qualquer outro script maligno que pudesse programar as pessoas lesionando suas almas.
Mas uma coisa exigiria minha religião: que as pessoas que a ela se conectassem apostassem na democracia como movimento de desconstituição de autocracia. Sim, seria uma religião para quem não aceita a autocracia, para quem está disposto a desobedecer e, portanto, para quem não acata nem reproduz hierarquia de nenhum tipo, sobretudo espiritual. Uma religião para quem não segue líderes, não se deixa arrebanhar em massas de filiados, nem compõe quadros de sequazes ou militantes de uma causa. Sim, é isto mesmo: uma religião para quem não quer ser cavalgado.
É claro que você já percebeu que minha religião inventada seria uma não-religião. Seria uma simples rede aberta de pessoas dispostas a polinizar mutuamente os modos pelos quais experimentam sua mística ou sua espiritualidade, compartilhando as formas semelhantes como vivem um domínio mais amplo de relações de existência e celebrando suas afinidades e amorosidades mutuas.
Se eu fundasse uma religião... 'Se' é uma hipótese especulativa, não um projeto. Como não vou mesmo fundar uma religião e nem uma não-religião, não serei fundador de nada.
Mas ninguém me impeça de provocar.''
Escritor, palestrante e consultor. É o criador e um dos netweavers da Escola-de-Redes - uma rede de pessoas dedicadas à investigação sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving. É autor de várias dezenas de livros e textos sobre desenvolvimento local, capital social, democracia e redes sociais.
''Se eu fundasse uma religião ela não exigiria a inclusão das pessoas em clusters (grupos) fechados dos que professam a mesma fé. E nem invalidaria todas as conversações místicas diferentes das suas. Não se declararia como único caminho verdadeiro, apavorando os outros com a sentença de que fora dela não há salvação.
Se eu fundasse uma religião ela não teria doutrina oficial, dogma ou símbolo. Não erigiria igrejas e, assim, não separaria uma igreja docente (um corpo sacerdotal) de uma igreja discente (composta pelo rebanho de fiéis, os leigos). Porque ela não teria sacerdotes, nem qualquer burocracia de intermediários.
Se eu fundasse uma religião, ela não pavimentaria com a crença um caminho para o futuro alheio. Nem se constituiria como um artifício para proteger as pessoas da experiência de Deus.
Sim, se eu fundasse uma religião haveria deuses, claro, qual o problema? Mas seriam mais ou menos assim, mal comparando, como aqueles deuses da democracia grega, deuses da conversação, quer dizer, deuses-fluzz, deuses da interação, como talvez tenha sido prefigurado pelo Zeus Agoraios (divindade tutelar que protegia as conversações na praça do mercado de Atenas) e a deusa Peitho (a persuasão deificada).
Que fique bem claro! Minha religião inventada não teria deuses pré-patriarcais (naturais) e muitos menos deuses patriarcais (sobrenaturais) mas, quem sabe, poderia ter deuses pós-patriarcais (sociais), desde que incapazes de exigir culto dos humanos e, sobretudo de escravizá-los ou submetê-los à servidão. Seriam deuses humanizados, mais-humanos porque sociais e não mais-que-humanos, super-humanos, extra-humanos, antissociais. Não seriam tais deuses potestades unitárias criadoras de qualquer ordem pré-existente e sim entidades compostas pela interação, simbiontes constelados fractalmente por nós.
Se eu fundasse uma religião um cara como Paulo de Tarso estaria fora. Nada de codificadores de doutrina. E um cara como Inácio de Antioquia estaria fora: nada de supervisores (ou episcopos). E nada de padres: todos seriam diáconos. Seria uma religião de garçons: uns servindo aos outros animados pelo espírito santo (que seria santo a não ser enquanto estivesse expressando essa emoção amorosa).
Se eu fundasse uma religião ela não teria templos, nem ritos, rituais, liturgias... e também nada de muros, escadas, portas, colunas, altares, lugares mais sagrados e outros símbolos templários. Não teria cerimônias de iniciação, ordenação, sagração, consagração ou qualquer outro script maligno que pudesse programar as pessoas lesionando suas almas.
Mas uma coisa exigiria minha religião: que as pessoas que a ela se conectassem apostassem na democracia como movimento de desconstituição de autocracia. Sim, seria uma religião para quem não aceita a autocracia, para quem está disposto a desobedecer e, portanto, para quem não acata nem reproduz hierarquia de nenhum tipo, sobretudo espiritual. Uma religião para quem não segue líderes, não se deixa arrebanhar em massas de filiados, nem compõe quadros de sequazes ou militantes de uma causa. Sim, é isto mesmo: uma religião para quem não quer ser cavalgado.
É claro que você já percebeu que minha religião inventada seria uma não-religião. Seria uma simples rede aberta de pessoas dispostas a polinizar mutuamente os modos pelos quais experimentam sua mística ou sua espiritualidade, compartilhando as formas semelhantes como vivem um domínio mais amplo de relações de existência e celebrando suas afinidades e amorosidades mutuas.
Se eu fundasse uma religião... 'Se' é uma hipótese especulativa, não um projeto. Como não vou mesmo fundar uma religião e nem uma não-religião, não serei fundador de nada.
Mas ninguém me impeça de provocar.''
segunda-feira, 29 de julho de 2013
''Fazendo Junto'' de bioconstrução
A algum tempo começou a ser comum pessoas lindas aparecerem na minha vida. Atualmente me pergunto onde estão aquelas pessoas feias.
Estou cercado de pessoas lindas ou foi eu quem tirou os óculos escuros pra apreciar a naturalidade nas relações humanas?!
Desta vez os lindos da vez são Fabian, Johnny e Marley que estão nos proporcionando grandes momentos de aprendizagem com as oficinas de bioconstrução no espaço cultural Elipse, onde nosso querido Astronauta deseja construir um ambiente agradável para convivência e ensinamentos da sua amada capoeira.
Além de uma preocupação em usar recursos naturais ou permaculturando com o que já temos disponível, a bioconstrução traz como base fundamental o cuidado. Um sempre observando o outro, manejar e guardar as ferramentas da forma recomendada, perceber quem se sente mais seguro para determinadas tarefas, dedicar tempo a explicações e entendimentos. A sensação é de estar, mais uma vez, em família.
Não há mestres de obra. Sem essa de peão. Fora hierarquia. Cada um faz o que se sente mais a vontade. Os que tem mais experiencia são os mais pacientes. Todos aprendendo de tudo um pouco uns com os outros. Técnicas nativas bem antigas sendo usadas magistralmente com eficiência em cada detalhe e com a colaboração como pilar fundamental.
Aqueles que doam seu tempo e sua grande experiencia na obra deixando claro quanto tempo tem disponível para dedicar. A necessidade financeira pro sustento familiar abertos pra que pensemos juntos em como captar os recursos. Tudo fluindo sem pressa e sem perder tempo. Tudo ao embalo de Novos Baianos, Tima Maia e Jorge Ben. Sem falar no rango de primeira. Isso é fazer junto. Gratidão família. Tamo junto!
Quem quiser participar, já sabe né?! Aquele esquema. Só chegar!
Estou cercado de pessoas lindas ou foi eu quem tirou os óculos escuros pra apreciar a naturalidade nas relações humanas?!
Desta vez os lindos da vez são Fabian, Johnny e Marley que estão nos proporcionando grandes momentos de aprendizagem com as oficinas de bioconstrução no espaço cultural Elipse, onde nosso querido Astronauta deseja construir um ambiente agradável para convivência e ensinamentos da sua amada capoeira.
Além de uma preocupação em usar recursos naturais ou permaculturando com o que já temos disponível, a bioconstrução traz como base fundamental o cuidado. Um sempre observando o outro, manejar e guardar as ferramentas da forma recomendada, perceber quem se sente mais seguro para determinadas tarefas, dedicar tempo a explicações e entendimentos. A sensação é de estar, mais uma vez, em família.
Não há mestres de obra. Sem essa de peão. Fora hierarquia. Cada um faz o que se sente mais a vontade. Os que tem mais experiencia são os mais pacientes. Todos aprendendo de tudo um pouco uns com os outros. Técnicas nativas bem antigas sendo usadas magistralmente com eficiência em cada detalhe e com a colaboração como pilar fundamental.
Aqueles que doam seu tempo e sua grande experiencia na obra deixando claro quanto tempo tem disponível para dedicar. A necessidade financeira pro sustento familiar abertos pra que pensemos juntos em como captar os recursos. Tudo fluindo sem pressa e sem perder tempo. Tudo ao embalo de Novos Baianos, Tima Maia e Jorge Ben. Sem falar no rango de primeira. Isso é fazer junto. Gratidão família. Tamo junto!
Quem quiser participar, já sabe né?! Aquele esquema. Só chegar!
quarta-feira, 17 de julho de 2013
O poder do agora
Há uma
dificuldade de manter-se no presente. O pensamento, a todo tempo nos leva ao
passado ou está criando expectativas de um futuro esperado. Aquele que consegue
fluir no rumo dos acontecimentos certamente se manterá mais saudável
emocionalmente. Ansiedade, expectativa, impaciência, são todas palavras de um
mesmo campo e tem a incrível capacidade de desestruturar o ser humano.
A querida
amiga Eva, sabiamente, me disse uma vez, ''Se você quer encontrar o que
procura, pare de procurar.''
Por mais paradoxal
que pareça é exatamente assim que as coisas são. Os momentos mais incríveis que
vivi me vieram sem que eu esperasse, e mais, em circunstâncias inimagináveis e
inusitadas. As pessoas mais agradáveis que conheço, conheci em lugares que me
permiti visitar sem a pretensão de encontrar algo especial. Os lugares mais
lindos por onde passei foi sem nunca ter desejado estar lá algum dia, aliás, aqueles
que idealizo, provavelmente nunca passarei por perto e caso o faça, não há de
ser tão sublime quanto em meus pensamentos.
Construímos algo
que julgamos ser o ideal e passamos a viver parte da vida em função do que
inventamos. Acontece que esse ''algo'' não passa do campo das ideias. A
perfeição vai muito além. A perfeição está no agora, assim como a plenitude, o
equilíbrio. Qualquer hora é a hora perfeita para o quer que seja. Entender o
presente, fazer parte do momento, se entregar, fluir sem amarras, com uma visão
muito pessoal arrisco dizer que é a forma mais pura de sabedoria. Donde se
esvai qualquer vestígio de preconceito e julgamento, e não há certo ou errado,
bem ou mal. Há vida, livre de paradigmas, cheia de amor. O que é o amor se não
a forma mais harmoniosa de viver cada instante.
Dos
acontecimentos da vida, a própria vida se encarrega. Cabe a nós, simplesmente, viver.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Aos manifestantes de todo dia
Essa, na minha opinião, é a imagem que reflete com mais clareza nossa sociedade atualmente.
Difícil pensar numa reforma política como solução para os problemas cotidianos se a estrutura social continua a mesma.
Segue um trecho de um trecho de um texto do Claudio Oliver Publicado hoje pela manhã:
''Aos manifestantes de todo dia, que no dia-a-dia manifestam sua postura anti-sistêmica e não frequentam manifestações, mas que fazem de suas vidas manifestações radicais de outro modo de viver, de mobilidade, de alimentar, de meditar, de criar filhos, de relacionar, de construir, de trocar e escambar, de governar a própria vida sem precisar de governo que lhe ponha ordem, de estudar sem precisar mandar, e de dar as costas para o mercado, emprego e segurança, de ser na prática a teoria que muitos esperam mas não pagam o preço, de detestar religião e amar a Deus, de plantar, colher e cozinhar, e de por fim, tomar a atitude radical de não ter sacola plástica ou mesmo cuidar do próprio dejeto.''
domingo, 23 de junho de 2013
Covardia explicita!!!
RAIVA!! É esse o sentimento que estou sentindo!!!! A muito tempo não sentia isso. Raiva não sei mais do quê... raiva do oficial militar armado, covarde e truculento, raiva da desinformação da mídia privada, raiva da politica pública, das grandes corporações sangue-sugas, exploradoras e escravizadoras de gente humilde, raiva dos bancos que irremediavelmente endividam a população cada dia mais, dos empresários mega poderosos que sustentam toda essa violência em defesa de interesses extremamente egoístas, raiva dessa minoria privilegiada, raiva de toda essa merda dessa estrutura social, DE TODA ESSA COVARDIA, dessa desumanização, desse estado deplorável que chegou o ser humano!!!
Chego a pensar que raiva de mim por não me achar capaz de entender tudo isso, de continuar julgando a posição de uns e de outros inevitavelmente, de não ter a sabedoria necessária pra lidar com cenas de violência explicita.
Agora percebo na pele a linha tênue que existe entre amor e raiva. São o mesmo sentimento... um oposto ao outro. Pensei muito antes de escrever, mas não seria honesto comigo, e menos ainda com quem lê, escrever mensagens belas de amor e solidariedade e não manifestar esses momentos de desequilíbrio emocional... Raiva! E agora é o melhor momento pra expressar e perceber que sou humano e sou fraco, e se um dia pensei que poderia não mais sentir isso, foi pura ingenuidade. A vontade de mandar alguém tomar no meio do cu me veio varias vezes. Já não me arrependo mais de não estar no Rio nesse momento. Não sei o que eu faria se estivesse nas ruas.
Passei mais tempo revisando o texto do que escrevendo... desabafo!!!
Chego a pensar que raiva de mim por não me achar capaz de entender tudo isso, de continuar julgando a posição de uns e de outros inevitavelmente, de não ter a sabedoria necessária pra lidar com cenas de violência explicita.
Agora percebo na pele a linha tênue que existe entre amor e raiva. São o mesmo sentimento... um oposto ao outro. Pensei muito antes de escrever, mas não seria honesto comigo, e menos ainda com quem lê, escrever mensagens belas de amor e solidariedade e não manifestar esses momentos de desequilíbrio emocional... Raiva! E agora é o melhor momento pra expressar e perceber que sou humano e sou fraco, e se um dia pensei que poderia não mais sentir isso, foi pura ingenuidade. A vontade de mandar alguém tomar no meio do cu me veio varias vezes. Já não me arrependo mais de não estar no Rio nesse momento. Não sei o que eu faria se estivesse nas ruas.
Passei mais tempo revisando o texto do que escrevendo... desabafo!!!
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Pra não dizer que não falei das flores
As flores!!! Inegavelmente é um belo ato. Oferecer uma flor àquele que se veste na forma de um inimigo é um incentivo à não violência. Se esta humilde ação não vier intencionada de inibir a agressão, de trabalhar o psicológico e explorar o lado mais humano dos militares armados, ótimo! Num ato poético fica a flor pelo amor!
Entretanto não acredito que seja um movimento vazio de intenções. Pelo menos, quando eu o fazia, em outras manifestações, tinha em mim a convicção de despertar a emoção, o lado mais profundo do ser, receber um olhar de respeito, carinho e aprovação de um outro ser humano. E de fato isso acontece quando presenteio minha mãe. Mas acreditar que a farda brasileira vai se entregar à apelos emocionais é muita ingenuidade.
Nós que assistimos e aplaudimos a retratação da realidade carioca nos filmes Tropa de Elite por 2 vezes, não deveríamos nos surpreender com as ferramentas usadas para intimidação. Infelizmente a polícia sai do quartel com uma doutrina de guerra na cabeça, o outro é sempre o inimigo. A estrutura recompensa o abuso de violência. A ideologia é de guerrilha e se manisfesta com a repressão civil. O Brasil não teve justiça de transição efetiva após o período ditatorial. Hoje temos o mesmo modelo, com nomes diferentes.
Em 18 de setembro de 2012 a ONU sugeriu a desmilitarização da policia no Brasil. Dentre as 170 recomendações, foi a única negada, com a argumentação de que era previsto constitucionalmente o uso da policia armada para contenção da ordem. Os números de homicídios, principalmente à jovens de periferia, só aumentam a cada ano e nós com uma policia civil (investigativa) precária.
Entretanto não acredito que seja um movimento vazio de intenções. Pelo menos, quando eu o fazia, em outras manifestações, tinha em mim a convicção de despertar a emoção, o lado mais profundo do ser, receber um olhar de respeito, carinho e aprovação de um outro ser humano. E de fato isso acontece quando presenteio minha mãe. Mas acreditar que a farda brasileira vai se entregar à apelos emocionais é muita ingenuidade.
Nós que assistimos e aplaudimos a retratação da realidade carioca nos filmes Tropa de Elite por 2 vezes, não deveríamos nos surpreender com as ferramentas usadas para intimidação. Infelizmente a polícia sai do quartel com uma doutrina de guerra na cabeça, o outro é sempre o inimigo. A estrutura recompensa o abuso de violência. A ideologia é de guerrilha e se manisfesta com a repressão civil. O Brasil não teve justiça de transição efetiva após o período ditatorial. Hoje temos o mesmo modelo, com nomes diferentes.
Em 18 de setembro de 2012 a ONU sugeriu a desmilitarização da policia no Brasil. Dentre as 170 recomendações, foi a única negada, com a argumentação de que era previsto constitucionalmente o uso da policia armada para contenção da ordem. Os números de homicídios, principalmente à jovens de periferia, só aumentam a cada ano e nós com uma policia civil (investigativa) precária.
''Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão''
Desculpem, mas, diante dos fatos, deixo de acreditar nas flores vencendo o canhão.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Sem violência?! (não é só por R$ 0,20)
''Vandalismo'' e ''pacífico''. Foram os jargões adotados pela mídia privada pra manter a desinformação, e ignorar as reivindicações feitas pelos manifestantes. ''Uma manifestação bonita é uma manifestação pacífica, sem violência, sem vandalismo''.
Acredito que uma manifestação bonita é a forma legitima, verdadeira, genuína da pessoa se manifestar. Se expressar com liberdade, da forma como achar conveniente. Uma covardia é pensar que um povo ignorantizado, oprimido por governo, policia, mídia, patrão, dia após dia, vai usar a argumentação e o discernimento do razoável em ocasiões que facilitem a sua livre expressão. Não é a atitude mais racional, é de longe o que eu faria, mas dizer que isso é vandalismo, que isso é injustificável, que isso é violência gratuita?! Tenho que discordar! Gratuita é a violência que esse povo vem sofrendo a anos.
Vou dizer o que entendo por vandalismo. Pra mim vandalismo é um jovem morrer no hall de um hospital por precariedade na estrutura hospitalar. Vandalismo é ir e voltar pro trabalho sendo tratado como bicho, amassado num vagão de metrô como numa lata de sardinha. Vandalismo é abafar as vozes de um povo que grita, que implora por justiça a 500 anos e ainda assim não ser ouvido nas situações mais desesperadas. Vandalismo é a estratégia para ignorantizar a população, o boicote da educação para criar cidadãos submissos. Um ato violento é uma criança morrer de fome num país que a produção de alimentos é superior à capacidade de consumo.
Há quem diga que há infiltrados e até ''neguinho querendo se dar bem'' (como saqueamento à lojas da cidade). Estranho seria não ter. Continua o mesmo jogo de poder. De perde x ganha. O que é apregoado é que temos que nos destacar da grande massa. A sociedade do consumo nos convence que produtos inúteis e desnecessários, STATUS, é sinônimo de qualidade de vida. No auge da desinformação fica fácil acreditar nisso. Ai a competição rola solta, amigo com amigo, irmão com irmão, marido e mulher... Quem tem mais passa a ser o inimigo. A delegacia de crimes contra o patrimônio, por exemplo, é incomparavelmente mais bem estruturada do que a delegacia de homicídios. Vivemos numa sociedade em que a propriedade privada vale mais do que a própria vida. Se o gigante acordou foi de um sono de mais de 500 anos, é compreensível que esteja totalmente desorientado.
E a violência da polícia... Como se esses não fossem desumanizados a cada dia. Não querendo tomar partido de um lado, ou defender um posicionamento. Chega a me dar arrepio a truculência dos caras, mas me permito a reflexão. Como um cidadão longe de uma ambiente afetivo, já cheio de conceitos deturpados, passando por treinamentos de guerrilha, baseado em obediência e punição, consegue agir com sensatez? São treinados pra receber ordens. O circo é feito de tal forma que desobediência é algo inadmissível. Vergonhosamente ainda se usam noções de honra e patriotismo como argumento persuasivo.
Vou aqui. Continuando a fazer minha parte. Seguindo os entendimentos de distribuição em rede, troca e compartilhamento de recursos, autogestão, subsistência, produção de alimentos comunitária, fontes de energia alternativas. Pra mim já não há o que reivindicar, não há pra quem reivindicar. Está tudo vendido. Queria eu não existir para o Estado.
Acredito que uma manifestação bonita é a forma legitima, verdadeira, genuína da pessoa se manifestar. Se expressar com liberdade, da forma como achar conveniente. Uma covardia é pensar que um povo ignorantizado, oprimido por governo, policia, mídia, patrão, dia após dia, vai usar a argumentação e o discernimento do razoável em ocasiões que facilitem a sua livre expressão. Não é a atitude mais racional, é de longe o que eu faria, mas dizer que isso é vandalismo, que isso é injustificável, que isso é violência gratuita?! Tenho que discordar! Gratuita é a violência que esse povo vem sofrendo a anos.
Vou dizer o que entendo por vandalismo. Pra mim vandalismo é um jovem morrer no hall de um hospital por precariedade na estrutura hospitalar. Vandalismo é ir e voltar pro trabalho sendo tratado como bicho, amassado num vagão de metrô como numa lata de sardinha. Vandalismo é abafar as vozes de um povo que grita, que implora por justiça a 500 anos e ainda assim não ser ouvido nas situações mais desesperadas. Vandalismo é a estratégia para ignorantizar a população, o boicote da educação para criar cidadãos submissos. Um ato violento é uma criança morrer de fome num país que a produção de alimentos é superior à capacidade de consumo.
Há quem diga que há infiltrados e até ''neguinho querendo se dar bem'' (como saqueamento à lojas da cidade). Estranho seria não ter. Continua o mesmo jogo de poder. De perde x ganha. O que é apregoado é que temos que nos destacar da grande massa. A sociedade do consumo nos convence que produtos inúteis e desnecessários, STATUS, é sinônimo de qualidade de vida. No auge da desinformação fica fácil acreditar nisso. Ai a competição rola solta, amigo com amigo, irmão com irmão, marido e mulher... Quem tem mais passa a ser o inimigo. A delegacia de crimes contra o patrimônio, por exemplo, é incomparavelmente mais bem estruturada do que a delegacia de homicídios. Vivemos numa sociedade em que a propriedade privada vale mais do que a própria vida. Se o gigante acordou foi de um sono de mais de 500 anos, é compreensível que esteja totalmente desorientado.
E a violência da polícia... Como se esses não fossem desumanizados a cada dia. Não querendo tomar partido de um lado, ou defender um posicionamento. Chega a me dar arrepio a truculência dos caras, mas me permito a reflexão. Como um cidadão longe de uma ambiente afetivo, já cheio de conceitos deturpados, passando por treinamentos de guerrilha, baseado em obediência e punição, consegue agir com sensatez? São treinados pra receber ordens. O circo é feito de tal forma que desobediência é algo inadmissível. Vergonhosamente ainda se usam noções de honra e patriotismo como argumento persuasivo.
Vou aqui. Continuando a fazer minha parte. Seguindo os entendimentos de distribuição em rede, troca e compartilhamento de recursos, autogestão, subsistência, produção de alimentos comunitária, fontes de energia alternativas. Pra mim já não há o que reivindicar, não há pra quem reivindicar. Está tudo vendido. Queria eu não existir para o Estado.
Ataques à prefeitura: um relato diferente sobre a “violência” (não é só por R$ 0,20)
Para os manifestantes do Movimento Passe Livre, especialmente após o quebra-quebra da semana passada, quando a polícia ultrapassou todos os limites, foi muito importante se distanciar dos elementos mais radicais que promoveram ataques ao patrimônio público e privado. Assim, não faltaram acusações por parte da esquerda de que a tentativa de invasão da Prefeitura de São Paulo foi promovida por policiais infiltrados querendo desmoralizar o movimento.
Por outro lado, assistir aos telejornais e programas ao vivo é absolutamente irritante, tantas as vezes que a palavra “pacífica” é dita, numa espécie de tentativa de “higienizar” o movimento.
O relato abaixo, do fotógrafo Yan Boechat, faz pensar nos limites dessas duas interpretações, das lideranças das mobilizações e da mídia tradicional. Se há infiltrados, também é verdade que há manifestantes radicalizados ultrapassando as barreiras violentas que o poder coloca dia-a-dia diante de suas vidas.
Relato de Yan Boechat*
“Só não entende o que está acontecendo nas ruas quem não foi para as ruas. Ontem, em São Paulo, os pobres, os miseráveis, os excluídos tomaram as ruas para protestar com as únicas armas de coerção que conhecem, a violência. Não foi uma “minoria” de vândalos que atacou a prefeitura. Nem os punks ou os integrantes do Black Bloc. Eles estavam lá e participaram, é verdade, mas não foram eles que por pouco não colocaram a baixo o símbolo do poder municipal, assim como não foram eles que destruíram o portão do Palácio dos Bandeirantes.

Quem atacou a prefeitura, desde o começo, foi o povo. Foi gente que está ali no centro todo dia trabalhando, gente que mora nas ruas, gente, muita gente, que veio das periferias participar dos protestos. Uma senhora, senhorinha mesmo, foi simbólica nesse ponto, para mim. Ela chegou bem perto da porta da prefeitura, onde o caos imperava após a saída da GCM, e passou a atirar pedras contra o que restava de vidros. Algumas pessoas tentaram contê-la. “Tia, sai daqui, a senhora vai morrer”, diziam. E ela: “Me deixa, eu tô com raiva, eu tô com muita raiva”. Após uma negociação entre ela e seus contentores, chegou-se a uma conclusão: “Eu saio, mas me deixa jogar mais duas, eu to com muita raiva”. E mais duas pedras portuguesas voaram em direção às vidraças.
Toda a sorte de violência que essa parcela da população sofre veio à tona ontem, por mais que os representantes da classe média tenham feito o máximo de esforço para conte-los. No meio do caos, estabeleceu-se, quase, uma luta de classes e raças para definir qual a melhor estratégia de luta. De um lado, jovens brancos e educados, em sua maioria, tentavam argumentar que esse não era o caminho, que isso era o que a “mídia burguesa” queria, que não havia “estofo ideológico” para isso. Do outro, jovens pardos, negros, filhos de nordestinos, apenas ameaçavam. “Eu vou quebrar, sai da minha frente, playboy, senão vai sobrar pra você”.
Foi assim na porta lateral da prefeitura, onde os manifestantes – sim, eles também são manifestantes – tentaram arrombar a porta fazendo dos tubos metálicos de sinalização de trânsito uma aríete. Um rapaz, loirinho, de cabelos cacheados, vestido de super-homem, tentava convencer um bando de rapazes da periferia paulistana a não invadir a prefeitura. “Pessoal, tem gente la dentro, alguém vai se machucar, para com isso”. Um rapaz, moreno, apenas com os olhos a mostra, explicou em detalhes, o que lhe aconteceria: super-homem, sai daqui senão tu vai virar a mulher maravilha”. O super-homem, ciente estar diante da Kriptonita, partiu.
A polícia, que abandonou a cidade, só apareceu quando as lojas começaram a ser saqueadas. Quando eram apenas as agências bancárias, donas de cofres impenetráveis por um bando de “arruaceiros”, não houve problema. Mas quando as lojas Marisa ou as Americanas passaram a ser o alvo, um grupo de policiais surgiu. Prendeu algumas pessoas, mas foi posto para correr pela multidão.
A cidade, como diziam, era deles. Dos pobres, dos miseráveis, dos nóia, dos meninos de rua, dos jovens da periferia. Pela primeira vez, em muito tempo, entraram nas Lojas Americanas sem serem perseguidos pelos olhares dos seguranças. E muita gente só entrou para destruir. E muita gente realizou o sonho de ter uma TV bacana ou um notebook.
Simplesmente criminalizar o que houve ontem no centro de São Paulo é aumentar o fogo sob a panela de pressão da incrível desigualdade social centenária deste país. E principalmente de São Paulo, a verdadeira cidade partida. Não é possível que continue-se a acreditar que os bandidos pardos, negros e periféricos são bandidos porque este é seu DNA, porque não gostam de trabalhar, porque, enfim, são assim. Ontem, no centro de São Paulo, essa massa mostrou que está cansada de ficar à margem. Muito cansada. E não serão R$ 0,20, de fato, que aplacarão a raiva.
O urubu bateu asa e a classe e a jovem média paulistana, que o alimentou pensando em se tratar de um vistoso sabiá, está assustada. Afinal de contas, os clamores de “Sem Vandalismo” que entoaram durante as passeatas não fazem sentido para a massa daqueles que realmente sofrem com o trânsito massacrante da cidade, com a polícia assustadoramente violenta. Por não terem a raiva a lhes alimentar a alma, os jovens que foram às ruas com cartazes dizendo “Saímos do Facebook”, não entenderam o poder da raiva. E com a raiva não se brinca.”
Por outro lado, assistir aos telejornais e programas ao vivo é absolutamente irritante, tantas as vezes que a palavra “pacífica” é dita, numa espécie de tentativa de “higienizar” o movimento.
O relato abaixo, do fotógrafo Yan Boechat, faz pensar nos limites dessas duas interpretações, das lideranças das mobilizações e da mídia tradicional. Se há infiltrados, também é verdade que há manifestantes radicalizados ultrapassando as barreiras violentas que o poder coloca dia-a-dia diante de suas vidas.
Relato de Yan Boechat*
“Só não entende o que está acontecendo nas ruas quem não foi para as ruas. Ontem, em São Paulo, os pobres, os miseráveis, os excluídos tomaram as ruas para protestar com as únicas armas de coerção que conhecem, a violência. Não foi uma “minoria” de vândalos que atacou a prefeitura. Nem os punks ou os integrantes do Black Bloc. Eles estavam lá e participaram, é verdade, mas não foram eles que por pouco não colocaram a baixo o símbolo do poder municipal, assim como não foram eles que destruíram o portão do Palácio dos Bandeirantes.
Quem atacou a prefeitura, desde o começo, foi o povo. Foi gente que está ali no centro todo dia trabalhando, gente que mora nas ruas, gente, muita gente, que veio das periferias participar dos protestos. Uma senhora, senhorinha mesmo, foi simbólica nesse ponto, para mim. Ela chegou bem perto da porta da prefeitura, onde o caos imperava após a saída da GCM, e passou a atirar pedras contra o que restava de vidros. Algumas pessoas tentaram contê-la. “Tia, sai daqui, a senhora vai morrer”, diziam. E ela: “Me deixa, eu tô com raiva, eu tô com muita raiva”. Após uma negociação entre ela e seus contentores, chegou-se a uma conclusão: “Eu saio, mas me deixa jogar mais duas, eu to com muita raiva”. E mais duas pedras portuguesas voaram em direção às vidraças.
Toda a sorte de violência que essa parcela da população sofre veio à tona ontem, por mais que os representantes da classe média tenham feito o máximo de esforço para conte-los. No meio do caos, estabeleceu-se, quase, uma luta de classes e raças para definir qual a melhor estratégia de luta. De um lado, jovens brancos e educados, em sua maioria, tentavam argumentar que esse não era o caminho, que isso era o que a “mídia burguesa” queria, que não havia “estofo ideológico” para isso. Do outro, jovens pardos, negros, filhos de nordestinos, apenas ameaçavam. “Eu vou quebrar, sai da minha frente, playboy, senão vai sobrar pra você”.
Foi assim na porta lateral da prefeitura, onde os manifestantes – sim, eles também são manifestantes – tentaram arrombar a porta fazendo dos tubos metálicos de sinalização de trânsito uma aríete. Um rapaz, loirinho, de cabelos cacheados, vestido de super-homem, tentava convencer um bando de rapazes da periferia paulistana a não invadir a prefeitura. “Pessoal, tem gente la dentro, alguém vai se machucar, para com isso”. Um rapaz, moreno, apenas com os olhos a mostra, explicou em detalhes, o que lhe aconteceria: super-homem, sai daqui senão tu vai virar a mulher maravilha”. O super-homem, ciente estar diante da Kriptonita, partiu.
A polícia, que abandonou a cidade, só apareceu quando as lojas começaram a ser saqueadas. Quando eram apenas as agências bancárias, donas de cofres impenetráveis por um bando de “arruaceiros”, não houve problema. Mas quando as lojas Marisa ou as Americanas passaram a ser o alvo, um grupo de policiais surgiu. Prendeu algumas pessoas, mas foi posto para correr pela multidão.
A cidade, como diziam, era deles. Dos pobres, dos miseráveis, dos nóia, dos meninos de rua, dos jovens da periferia. Pela primeira vez, em muito tempo, entraram nas Lojas Americanas sem serem perseguidos pelos olhares dos seguranças. E muita gente só entrou para destruir. E muita gente realizou o sonho de ter uma TV bacana ou um notebook.
Simplesmente criminalizar o que houve ontem no centro de São Paulo é aumentar o fogo sob a panela de pressão da incrível desigualdade social centenária deste país. E principalmente de São Paulo, a verdadeira cidade partida. Não é possível que continue-se a acreditar que os bandidos pardos, negros e periféricos são bandidos porque este é seu DNA, porque não gostam de trabalhar, porque, enfim, são assim. Ontem, no centro de São Paulo, essa massa mostrou que está cansada de ficar à margem. Muito cansada. E não serão R$ 0,20, de fato, que aplacarão a raiva.
O urubu bateu asa e a classe e a jovem média paulistana, que o alimentou pensando em se tratar de um vistoso sabiá, está assustada. Afinal de contas, os clamores de “Sem Vandalismo” que entoaram durante as passeatas não fazem sentido para a massa daqueles que realmente sofrem com o trânsito massacrante da cidade, com a polícia assustadoramente violenta. Por não terem a raiva a lhes alimentar a alma, os jovens que foram às ruas com cartazes dizendo “Saímos do Facebook”, não entenderam o poder da raiva. E com a raiva não se brinca.”
terça-feira, 18 de junho de 2013
Carta aos manifestantes (não é só por R$ 0,20)
Lindo movimento. Ver essa integração social por qualquer motivo que seja é bonito de se ver.
Quero aproveitar pra dizer porque, mesmo acompanhando e admirando todo esse movimento, estou aqui e não lá ''na rua''.
Escolhi não ter que pagar passagem, não ter que chegar na hora, não ter que trabalhar para alguém. Escolhi ter tempo. Tempo para observar as crianças, para ouvir os idosos, para sorrir pros semelhantes e aprender com todos eles. Escolhi comer alimentos sem veneno, plantar e cuidar da terra, semear e ver crescer. Escolhi interagir com a natureza, acordar com a alvorada, ouvir os pássaros cantando, admirar as estrelas.
Decidi que minha vida não será usada pra manutenção de um estado repugnante da sociedade. Não preciso de um banco que me dê crédito, nem de alguém que me represente politicamente, nem das doenças inventadas pelo conselho de medicina. Não dou importância à feriados, fins de semana ou dias festivos mais do que à dias normais. Não acredito nas instituições, nas organizações ou grupos fechados. Não quero e nem pretendo reunir o meu exército de benfeitores, pois não enxergo os malfeitores. Só vejo pessoas. Todas, umas mais outras menos, mas todas afetadas por uma mesma hipocrisia social. Vítimas de um sistema corrupto, opressor e autoritário que nós mesmo criamos e contribuímos pra que se mantenha. A questão é se queremos continuar financiando um modelo de ordem instituído por uma meia duzia ou fazer diferente.
Regras, modelos, métodos, rótulos, não obrigado! Dispenso atitudes excludentes e segregadoras. Acredito nas pessoas. Todas como iguais. É com elas que me relaciono todos os dias e não há prazer maior do que viver dias diferentes. Um após o outro. Vivo, amo e faço o que acredito. Hoje prefiro preservar e construir do que temer e combater.
Beijos no coração.
Quero aproveitar pra dizer porque, mesmo acompanhando e admirando todo esse movimento, estou aqui e não lá ''na rua''.
Escolhi não ter que pagar passagem, não ter que chegar na hora, não ter que trabalhar para alguém. Escolhi ter tempo. Tempo para observar as crianças, para ouvir os idosos, para sorrir pros semelhantes e aprender com todos eles. Escolhi comer alimentos sem veneno, plantar e cuidar da terra, semear e ver crescer. Escolhi interagir com a natureza, acordar com a alvorada, ouvir os pássaros cantando, admirar as estrelas.
Decidi que minha vida não será usada pra manutenção de um estado repugnante da sociedade. Não preciso de um banco que me dê crédito, nem de alguém que me represente politicamente, nem das doenças inventadas pelo conselho de medicina. Não dou importância à feriados, fins de semana ou dias festivos mais do que à dias normais. Não acredito nas instituições, nas organizações ou grupos fechados. Não quero e nem pretendo reunir o meu exército de benfeitores, pois não enxergo os malfeitores. Só vejo pessoas. Todas, umas mais outras menos, mas todas afetadas por uma mesma hipocrisia social. Vítimas de um sistema corrupto, opressor e autoritário que nós mesmo criamos e contribuímos pra que se mantenha. A questão é se queremos continuar financiando um modelo de ordem instituído por uma meia duzia ou fazer diferente.
Regras, modelos, métodos, rótulos, não obrigado! Dispenso atitudes excludentes e segregadoras. Acredito nas pessoas. Todas como iguais. É com elas que me relaciono todos os dias e não há prazer maior do que viver dias diferentes. Um após o outro. Vivo, amo e faço o que acredito. Hoje prefiro preservar e construir do que temer e combater.
Beijos no coração.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Pensamento da manhã
Texto de Claudio Oliver*
Um caminhante, muitas vezes um pedalante, mas sempre autopropelido, um praticante que pensa, que busca praticar o que pensa e pensar sobre o que pratica. Atualmente vivendo na Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, na parte Sul das Índias Ocidentais
Um caminhante, muitas vezes um pedalante, mas sempre autopropelido, um praticante que pensa, que busca praticar o que pensa e pensar sobre o que pratica. Atualmente vivendo na Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, na parte Sul das Índias Ocidentais
''A gente vive em um país que reconhecidamente tem se mostrado conservador e moralista, mesmo que tenhamos um governo de esquerda ou que votemos por leis consideradas moderninhas sobre abortos, relações interpessoais e direitos. Na verdade somos um país onde o pecado individual é tratado como algo grave (quando é feito pelo outro, mesmo que quando de nosso lado seja até direito ou esperteza): corrupção, violência, roubo, desrespeito.... tudo é ruim quando é o outro que comete. E a gente deseja, deseja muito, e admira, e tem como exemplo, as estruturas que estão na raiz do problema. A gente condena a ganância, mas admira os ricos donos do sistema acumulador de capital. A gente diz que todo mundo é individualista, e ainda assim deseja ter um carrão para colocar um sonzão e mandar 300 cavalos puxarem sozinhos uma ou duas pessoas. A gente condena a prostituta, e cultiva a indústria de vulgaridade, da moda, da pornografia e da exibição do corpo como se fosse carne em açougue. A gente condena crianças abandonadas, enquanto abandona os filhos à mercê de um sistema educacional terceirizado, e que os transforma em consumidores apáticos. A gente reclama da falta de cooperação e insiste com os filhos para se entenderem em um mundo competitivo. A gente diz que as novas gerações são apáticas e sem iniciativa, mas compra telas e tablets para os guris ficarem quietos e não nos perturbarem nos carros bacanas, hipnotizados por desenhos imbecis no banco traseiro dos mesmos.A gente reclama das doenças e se envenena no supermercado.
Nosso conservadorismo se traduz na crença cega de que o negócio é baixar maioridade penal, ampliar as cadeias, enfiar os meninos na escola 12 horas por dia, passar o fim de semana no Shopping e na fila do Burguer King e do Macdonalds, e por considerar que a lei das empregadas é um abuso, e que alguém cuidando de nossa casa, e que não senta na mesa com a gente, é item de série na fábrica social de desigualdade.
O pecado, que está sempre no outro de forma individual, é na verdade um mal identificável nas estruturas que admiramos de poder, de prazer e de dinheiro. OS principados e potestades a que São Paulo se referia, não são demônios pairando no ar, mas as estruturas destruidoras que comandam a vida, que constroem os sistemas, que cativam as mentes. São estas o habitat natural do tal pecado, e se nutrem do convencimento de que elas são neutras ou mesmo positivas (quem não quer ter o filho CEO, ou não se orgulha de ter um amigo que pode dar carteirada?), elas estão na raiz que sustenta a emergência de uma sociedade conservadora no tratamento do outro enquanto indivíduo, ao mesmo tempo em que é liberadora do mal no sentido corporativo e sistemático. E assim, como dizia o apóstolo, urge lembrar que nossa luta "não é contra o sangue e a carne" (ou seja as pessoas), mas contra os "principados e potestades" (estruturas) Contra os "principes e hostes da maldade"(seus comandantes) que vivem na "nuvem", impalpáveis, imperceptíveis, e usualmente... extremamente conservadores. Bom dia.''
Nosso conservadorismo se traduz na crença cega de que o negócio é baixar maioridade penal, ampliar as cadeias, enfiar os meninos na escola 12 horas por dia, passar o fim de semana no Shopping e na fila do Burguer King e do Macdonalds, e por considerar que a lei das empregadas é um abuso, e que alguém cuidando de nossa casa, e que não senta na mesa com a gente, é item de série na fábrica social de desigualdade.
O pecado, que está sempre no outro de forma individual, é na verdade um mal identificável nas estruturas que admiramos de poder, de prazer e de dinheiro. OS principados e potestades a que São Paulo se referia, não são demônios pairando no ar, mas as estruturas destruidoras que comandam a vida, que constroem os sistemas, que cativam as mentes. São estas o habitat natural do tal pecado, e se nutrem do convencimento de que elas são neutras ou mesmo positivas (quem não quer ter o filho CEO, ou não se orgulha de ter um amigo que pode dar carteirada?), elas estão na raiz que sustenta a emergência de uma sociedade conservadora no tratamento do outro enquanto indivíduo, ao mesmo tempo em que é liberadora do mal no sentido corporativo e sistemático. E assim, como dizia o apóstolo, urge lembrar que nossa luta "não é contra o sangue e a carne" (ou seja as pessoas), mas contra os "principados e potestades" (estruturas) Contra os "principes e hostes da maldade"(seus comandantes) que vivem na "nuvem", impalpáveis, imperceptíveis, e usualmente... extremamente conservadores. Bom dia.''
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Sobre o aumento da tarifa do transporte público
Acredito, de verdade, que nos questionar sobre o que estamos fazendo é o primeiro passo pra uma mudança daquilo que não concordamos. Deixo então o meu questionamento lembrando que discordâncias não precisam se tornar discórdias. O debate é sempre muito enriquecedor independente de certo e errado, verdade e mentira.
Recentemente um amigo defendeu o direito ao transporte público assim como temos direito à saúde e à educação. Seu questionamento é interessante, porém seus exemplos não me fazem muito sentido. Notavelmente o direito à escola ou o direito à saúde estão sendo respeitados. Hoje o direito a escola e a saúde são mais uma arma contra nós, do que a favor. A escola, vejo como um ambiente desumano, opressor, autoritário, que extermina a criatividade. Não há aprendizagem ali, só há ensino. Professores, que por esse titulo, nunca estão em pé de igualdade com as crianças, querendo sempre entupir os pequenos com o chamado ''conteúdo programático''. E esse ''direito'' é defendido por uma lei que obriga crianças desde os 4 anos de idade a estarem matriculadas em escolas.
O mesmo se aplica a área da saúde. Sabidamente a industria farmacêutica é a que mais lucra no mundo atualmente. Os médicos estão cada vez mais especializados em doenças (muitas criadas) e menos preocupados com o lado emocional e humano dos pacientes. O enfermo é uma coisa que precisa ser curada. Semelhante ao trabalho de um mecânico (que aliás está ganhando mais que um médico por hora trabalhada, mas isso já é outra discussão). Medicina preventiva hoje se tornou coisa alternativa. Além de tudo vem o estado com uma outra lei que proíbe a automedicação mas garante o seu direito a saúde, claro. ''It's all profits, my friend.'' Nada passa de bons negócios!
Com isso concluo que o direito ao transporte público é só mais uma ferramenta pra nos manter dentro das engrenagens. Vamos engolir o aumento das passagens como já aceitamos com naturalidade que precisamos ter um diploma, ingressar no mercado de trabalho, uma profissão, uma casa e um carro na garagem pra ser uma família realizada, como ter um filho na escola (coisa que antes do século XVI não existia) é normal, como comer alimentos envenenados é habitual. Não há preocupação com a origem da maior fonte de energia do corpo. De onde vem o que nos mantem vivos é pouquíssimo questionado. Tentei beber uma água sem cloro na cidade outro dia e não tinha como. Não vou nem citar o preço de alimentos orgânicos (que aliás além de vir em caixinha de plástico passam por distribuidor e fornecedor antes de chegar até nós, o final da cadeia ainda ta bem longe do produtor).
É só mais um problema que mostra a negligencia do Estado para com a população e reflete claramente o quão estamos repugnantemente dependentes deste Estado. Eu fiz a minha escolha. Eu quero fazer parte cada vez menos desse circo. Minha função não é ser palhaço. Faço aquilo que eu acredito. Planto meu alimento, moro perto de muita água, compartilho todos os meus recursos com as pessoas, pedalo pra qualquer lugar independente de chuva ou sol, tento ser generoso e amável respeitando o outro como igual. Não consigo me desvincular totalmente dessa dependência, mas até onde consigo eu faço.
Estamos pagando uma conta muito maior do que aquela que está nos noticiários. Estamos cuidando da manutenção desse estado da sociedade para que os aumentos da passagem se justifiquem. E o que mais fazemos é dar justificativas para continuar fazendo esse sistema funcionar. Na maioria das vezes por comodismo. Digo por mim, que já fui muito acomodado e ainda me reconheço um pouco assim em algumas circunstancias. Agora, muito mais cauteloso pra não cair nessa armadilha novamente. Cansei! Já deu! Vou fazer diferente!
Recentemente um amigo defendeu o direito ao transporte público assim como temos direito à saúde e à educação. Seu questionamento é interessante, porém seus exemplos não me fazem muito sentido. Notavelmente o direito à escola ou o direito à saúde estão sendo respeitados. Hoje o direito a escola e a saúde são mais uma arma contra nós, do que a favor. A escola, vejo como um ambiente desumano, opressor, autoritário, que extermina a criatividade. Não há aprendizagem ali, só há ensino. Professores, que por esse titulo, nunca estão em pé de igualdade com as crianças, querendo sempre entupir os pequenos com o chamado ''conteúdo programático''. E esse ''direito'' é defendido por uma lei que obriga crianças desde os 4 anos de idade a estarem matriculadas em escolas.
O mesmo se aplica a área da saúde. Sabidamente a industria farmacêutica é a que mais lucra no mundo atualmente. Os médicos estão cada vez mais especializados em doenças (muitas criadas) e menos preocupados com o lado emocional e humano dos pacientes. O enfermo é uma coisa que precisa ser curada. Semelhante ao trabalho de um mecânico (que aliás está ganhando mais que um médico por hora trabalhada, mas isso já é outra discussão). Medicina preventiva hoje se tornou coisa alternativa. Além de tudo vem o estado com uma outra lei que proíbe a automedicação mas garante o seu direito a saúde, claro. ''It's all profits, my friend.'' Nada passa de bons negócios!
Com isso concluo que o direito ao transporte público é só mais uma ferramenta pra nos manter dentro das engrenagens. Vamos engolir o aumento das passagens como já aceitamos com naturalidade que precisamos ter um diploma, ingressar no mercado de trabalho, uma profissão, uma casa e um carro na garagem pra ser uma família realizada, como ter um filho na escola (coisa que antes do século XVI não existia) é normal, como comer alimentos envenenados é habitual. Não há preocupação com a origem da maior fonte de energia do corpo. De onde vem o que nos mantem vivos é pouquíssimo questionado. Tentei beber uma água sem cloro na cidade outro dia e não tinha como. Não vou nem citar o preço de alimentos orgânicos (que aliás além de vir em caixinha de plástico passam por distribuidor e fornecedor antes de chegar até nós, o final da cadeia ainda ta bem longe do produtor).
É só mais um problema que mostra a negligencia do Estado para com a população e reflete claramente o quão estamos repugnantemente dependentes deste Estado. Eu fiz a minha escolha. Eu quero fazer parte cada vez menos desse circo. Minha função não é ser palhaço. Faço aquilo que eu acredito. Planto meu alimento, moro perto de muita água, compartilho todos os meus recursos com as pessoas, pedalo pra qualquer lugar independente de chuva ou sol, tento ser generoso e amável respeitando o outro como igual. Não consigo me desvincular totalmente dessa dependência, mas até onde consigo eu faço.
Estamos pagando uma conta muito maior do que aquela que está nos noticiários. Estamos cuidando da manutenção desse estado da sociedade para que os aumentos da passagem se justifiquem. E o que mais fazemos é dar justificativas para continuar fazendo esse sistema funcionar. Na maioria das vezes por comodismo. Digo por mim, que já fui muito acomodado e ainda me reconheço um pouco assim em algumas circunstancias. Agora, muito mais cauteloso pra não cair nessa armadilha novamente. Cansei! Já deu! Vou fazer diferente!
Dia dos namorados?
Biologa, amante da vida e da natureza.
''Eu como faço dessa rede social percebo, ali no feed de notícias, a grande preocupação que as pessoas tem com o dia de hoje... tanta preocupação que as que não tem um companheiro ou companheira, põe coisas como "viva os encalhados" ou "to acostumada a ficar sozinha todos os dias do ano". Não me resta outra sensação a não ser tristeza... aproveito esse post também não só pra falar dos dia dos namorados, mas também viagens, passeios, programas, que parecem tão mecânicos, artificiais e armados exatamente para apresentar um conteúdo para 400, 500 pessoas que não sabem absolutamente nada sobre sua vida ou seus sentimentos. Que importância real tem esse dia pros verdadeiros casais que se amam, que demonstram, que vivem todos os dias o dia dos namorados? E sinceramente, qual o problema de não ter um? Assim como certas viagens que são feitas, eu tenho a impressão que tem casais que são casais só pra botar no facebook... e é sério!
Numa boa, tem tanta coisa linda nessa vida!! Nossos pais, nossos amigos, o nosso desenvolvimento e aprimoramento como ser. Não faço esse discurso também aqui para me representar virtualmente, quem me conhece (os verdadeiros amigos) sabem que tenho essa filosofia aqui e ali, dentro e fora.
Espero de coração, que vocês, nós, todos tenham uma vida real, pura, vivida, sem a preocupação com dias comerciais, dias sem amor, mal vividos, que tenha que vir aqui e se explicar de alguma maneira ou se "tornar" uma outra maneira...
Feliz dia todos os dias!!!''
sábado, 8 de junho de 2013
Selvagem x Civilizado
"Você vai me dizer: o índio tá falando, mas é selvagem. Selvagem é vocês, milhares de anos estudando e nunca aprenderam a ser civilização. Prá que você está estudando? Prá destruir a Natureza e no fim destruir a própria vida ?" (José Luiz Xavante)
Acho que qualquer caminho é o caminho quando o individuo se sente pleno, e por plenitude entendo o mais próximo do seu estado natural, das coisas que ama e, de forma não compulsória, faz com maestria.
Quando entramos dentro de um meio acadêmico, já existe toda uma rotina pré configurada que nos inibe de fazer as próprias escolhas e pensar livremente. Ele nos torna cada vez mais competitivos e egoístas. Quando pensamos no coletivo, comummente é no nosso grupo, aqueles que pensam igual, que fazem as mesmas coisas e tem os mesmos interesses. Ai é uma ignorância pensar em uma sociedade comum, civilizada, com valores como cuidado, harmonia, etc...
Não mais penso que devemos salvar o mundo, ou a sociedade ou a humanidade, mas emergencialmente salvemos a nós mesmos que chegamos ao ponto de pensar que temos o poder de salvar os outros.
Me lembrei uma frase de Thoreaut:
''Até o aluno pobre estuda e lhe é ensinado apenas economia política, enquanto aquela economia de viver, sinonima da filosofia, nem sequer é professada em nossas faculdades. O resultado disso é que o aluno ao mesmo tempo que lê Adam Smith, faz com que seu pai se endivide irremediavelmente.''
Acho que qualquer caminho é o caminho quando o individuo se sente pleno, e por plenitude entendo o mais próximo do seu estado natural, das coisas que ama e, de forma não compulsória, faz com maestria.
Quando entramos dentro de um meio acadêmico, já existe toda uma rotina pré configurada que nos inibe de fazer as próprias escolhas e pensar livremente. Ele nos torna cada vez mais competitivos e egoístas. Quando pensamos no coletivo, comummente é no nosso grupo, aqueles que pensam igual, que fazem as mesmas coisas e tem os mesmos interesses. Ai é uma ignorância pensar em uma sociedade comum, civilizada, com valores como cuidado, harmonia, etc...
Não mais penso que devemos salvar o mundo, ou a sociedade ou a humanidade, mas emergencialmente salvemos a nós mesmos que chegamos ao ponto de pensar que temos o poder de salvar os outros.
Me lembrei uma frase de Thoreaut:
''Até o aluno pobre estuda e lhe é ensinado apenas economia política, enquanto aquela economia de viver, sinonima da filosofia, nem sequer é professada em nossas faculdades. O resultado disso é que o aluno ao mesmo tempo que lê Adam Smith, faz com que seu pai se endivide irremediavelmente.''
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Como ser mãe em uma época em que impera a lei do menor esforço?
Texto de Daniele Brito*
''Não tenho a obrigação de ficar calada. Ninguém tem a obrigação de concordar. Nasce a polêmica.
Quem me acompanha, mas quem me acompanha mesmo a ponto de me conhecer minimamente, sabe que não gosto de estar envolvida em assuntos polêmicos, que geralmente entram em combustão com argumentos muito rasos para sustentar uma ideia, uma opinião. Não tenho tempo nem estômago para administrar isso.
Muita gente deve ter uma ideia equivocada sobre mim pelo fato de eu escrever sobre maternidade e postar muitas coisas relacionadas a isso na fan page do blog. Devem me achar uma super mãe, aquela que está acima do bem e do mal, que certamente não reclama de nada e que vive eternamente feliz.
Não gosto desse rótulo e muito menos o reivindiquei pra mim.
Quem me acompanha, mas quem me acompanha mesmo a ponto de me conhecer minimamente, sabe que sou uma mãe em transformação, ou melhor, uma pessoa em transformação. Escrevo mais sobre meus erros que sobre meus acertos. Escrevo ainda sobre as coisas que descubro, que me fazem entrar numa catarse sofrida e me modificam. Como mãe e como ser humano.
Fui mãe pela primeira vez em 2003. Não tínhamos redes sociais e as informações estavam todas compiladinhas em portais www. Ainda assim, procurei me cercar de uma quantidade gigantesca de informação. Fiz minhas escolhas baseadas não só nessas, mas em vivências familiares.
Como mãe, fui eu quem decidiu o parto. Desconhecia o termo violência obstétrica, achei injustas as intervenções no primeiro parto (natural), o descaso dos profissionais de saúde que me cercavam, mas nunca me ocorreu que nós – a sociedade – teríamos argumentos e força para lutar contra um modelo obstétrico em vigor há pelo menos um século. Chorei ao saber da episiotomia, mas ingenuamente, achei que fizesse parte do pacote. E contra aquilo não me voltei.
Como mãe, fui eu quem decidiu não perseverar na amamentação dos dois filhos! Quem me vê defendendo ferrenhamente a amamentação prolongada acha que amamento meus filhos até hoje! A mais velha mamou até os quatro meses, quando acabou minha licença-maternidade. Ouvindo conselhos do pediatra e de posse de informações equivocadas em revistas, julguei ter feito a minha parte. “Mamou o suficiente”, dizia. O segundo, querendo amamentar até os dois anos ou mais, com leite suficiente pra isso, fui mal orientada por um profissional da saúde. Meu filho tinha refluxo e eu, hiperlactação. Ele não conseguia mamar e eu chorava. O pediatra deu o diagnóstico: manha. E eu sucumbi ao fracasso. Tendo refluxo, nenhum outro leite seria bom pra ele como o meu.
Até bem pouco tempo – pouquíssimo tempo, aliás – tinha o maior preconceito contra a amamentação prolongada. Não sabia que era possível amamentar durante a gestação, muito menos que mulheres eram capazes de nutrir dois filhos em idades diversas. Meu desconhecimento me levou a falar muita besteira.
Como mãe, fui eu quem optou pela combo chupeta + mamadeira, reproduzindo um padrão de vivência familiar. Eu usei. Todos os meus irmãos usaram. Ninguém morreu, veja que beleza!
Como mãe, fui eu quem optou por comidas prontas que facilitariam a vida doméstica. Diminuiriam meu cansaço e sobraria mais tempo pra mim e para minha filha. Com o segundo, a coisa foi diferente. Só não sabia que seria possível revolucionar geral com a comida servida a todos nessa casa. Mudança de hábitos, consumo consciente.
Como mãe, usei de recursos que aprendi ainda na infância, como gritar e dar palmadas para dar limites e mostrar a minha autoridade de mãe, por medo de ser permissiva e omissa. Só não sabia que, com isso, estava apenas ensinando o descontrole e a falta de assertividade em resolver as querelas domésticas. Desconhecia o poder da disciplina positiva.
Essas são as minhas escolhas. Não é porque as fiz que elas estão certas.
É muito cômodo escolher o caminho fácil quando não temos informação ou quando elas nos chegam de forma parcial. E, naquela época, eu queria me cercar de facilidades.
O que estava por trás de todas essas minhas escolhas? Aprendi a me fazer essa pergunta.
Existe mesmo livre escolha?
O mercado, através de suas peças publicitárias, nos bombardeia com mensagens que nos mostram que não somos capazes, que não conseguiremos dar conta. Que precisamos de um auxílio, de um produto que facilite nossas vidas. Pode ser de bisturi a macarrão instantâneo.
Encarar o meu papel de forma consciente exige um esforço contínuo. Procuro me cercar de informação não pasteurizada, que não queira me agradar, mas que me confronte com meus próprios medos, com minhas fraquezas.
Confirmar os vínculos com meus filhos exige de mim compromisso. Mudar, quebrar paradigmas pode significar sofrimento, MAS também pode ser um antídoto, um alento. Finalmente, sair da caverna é penoso, mas é libertador.
* * * * *
Hoje, num desabafo, contei algo que vem acontecendo na casa da minha vizinha. Não nos conhecemos. Nem mesmo sei o seu nome. Coisas da vida moderna.
Sua bebê nasceu no começo do ano e só sei que é uma menina, pois vejo no varal roupinhas cor de rosa. Desde então, ouço seus choros e sua mãe falando em tatibitati. Bate aquela nostalgia! Como é bom bebê novinho em casa!
Um dia publiquei na fan page que, quando a bebê chorava prolongadamente, eu colocava a mão na parede e dizia mentalmente “Calma, amiga. Vai passar. É só uma fase.” De lá pra cá, tenho ouvido muitos gritos. Descontrolados. Altos.
Conversando com meu marido, disse que estava com pena dela. Relembramos juntos vários momentos difíceis e recordamos do tempo que achávamos que isso nunca teria um fim. Até então, não sabia que os gritos eram direcionados à bebê. Imaginei que ela gritasse com as paredes, com o marido, com a babá.
Pontualmente, a bebê acorda às 00:30. Suponho que seja para mamar. Outro dia, então, não só ouvi os gritos, como pude discernir o que exatamente aquela mãe estava falando. Mandou a bebê – que não deve ter seis meses – calar a boca várias vezes. Mandou parar de manha. Uma adulta mandando uma bebê parar de manha.
E foi isso que me deixou triste, que me fez perder o sono. Muita gente mostrou preocupação com a mãe, que deve sim estar passando por um momento difícil, que deve, inclusive, estar com depressão pós-parto. Que seja. Afinal, sabemos que amor não se impõe nem se decreta. Se constrói. Mas na hora, naquele momento, só consegui me preocupar com a criança. E se os gritos forem acompanhados de outras formas de violência? Liguei as pecinhas e deduzi (veja bem) que há tempos essa bebezinha recebe ordens para se calar, para lidar sozinha com sua natural imaturidade. A mãe é adulta e dispõe de vários recursos para procurar ajuda, mas quais recursos a bebê possui?
Na minha fofoca matinal, escrevi algo sobre não estarmos preparados emocionalmente para ter filhos: as pessoas querem um filho, mas NÃO querem passar pelo processo. Querem um filho, mas não querem um parto. Optam pela cesárea. Querem um filho, mas não querem amamentar. Optam pelo leite artificial. Querem um filho, mas não querem cuidar. Contratam uma babá (que durma no quarto, inclusive). Querem um filho, mas não querem trabalho na hora de alimentá-lo. Optam pela comida industrializada. E ainda reclamam.
De fato, não gosto desse coitadismo materno. Somos da geração do menor esforço, do prazer instantâneo (como o macarrão), do prazer individual. Não queremos problemas, queremos resultados. A coletividade nos assusta. O outro não interessa. Agimos como eternos garotos mimados, num ciclo aparentemente inquebrantável da infantilização da vida adulta.
“Sentir-se ofendido é uma forma de negação que nossa cultura impôs com grande êxito”, como bem salienta Sergio Sinay.
A maternidade não pode ser vista como satisfação imediata de prazeres só porque a fantasiamos como um simples exercício de manipulação de um painel de controle.
Queremos as facilidades.
Dizem, entre sorrisos e músicas alegres nos comerciais da TV, que não precisamos de regras para criarmos nossos filhos. Como se isso pudesse ser de alguma forma libertador.
De fato, não precisamos de regras.
Precisamos de compromisso, responsabilidade, cumplicidade e ética.''
*Daniele tem 32 anos e é estudante de Direito, mãe da Bia, de 9 anos, e do Otto, de 4, mora em Florianópolis/ SC e é autora do blog Balzaca Materna.
''Não tenho a obrigação de ficar calada. Ninguém tem a obrigação de concordar. Nasce a polêmica.
Quem me acompanha, mas quem me acompanha mesmo a ponto de me conhecer minimamente, sabe que não gosto de estar envolvida em assuntos polêmicos, que geralmente entram em combustão com argumentos muito rasos para sustentar uma ideia, uma opinião. Não tenho tempo nem estômago para administrar isso.
Muita gente deve ter uma ideia equivocada sobre mim pelo fato de eu escrever sobre maternidade e postar muitas coisas relacionadas a isso na fan page do blog. Devem me achar uma super mãe, aquela que está acima do bem e do mal, que certamente não reclama de nada e que vive eternamente feliz.
Não gosto desse rótulo e muito menos o reivindiquei pra mim.
Quem me acompanha, mas quem me acompanha mesmo a ponto de me conhecer minimamente, sabe que sou uma mãe em transformação, ou melhor, uma pessoa em transformação. Escrevo mais sobre meus erros que sobre meus acertos. Escrevo ainda sobre as coisas que descubro, que me fazem entrar numa catarse sofrida e me modificam. Como mãe e como ser humano.
Fui mãe pela primeira vez em 2003. Não tínhamos redes sociais e as informações estavam todas compiladinhas em portais www. Ainda assim, procurei me cercar de uma quantidade gigantesca de informação. Fiz minhas escolhas baseadas não só nessas, mas em vivências familiares.
Como mãe, fui eu quem decidiu o parto. Desconhecia o termo violência obstétrica, achei injustas as intervenções no primeiro parto (natural), o descaso dos profissionais de saúde que me cercavam, mas nunca me ocorreu que nós – a sociedade – teríamos argumentos e força para lutar contra um modelo obstétrico em vigor há pelo menos um século. Chorei ao saber da episiotomia, mas ingenuamente, achei que fizesse parte do pacote. E contra aquilo não me voltei.
Como mãe, fui eu quem decidiu não perseverar na amamentação dos dois filhos! Quem me vê defendendo ferrenhamente a amamentação prolongada acha que amamento meus filhos até hoje! A mais velha mamou até os quatro meses, quando acabou minha licença-maternidade. Ouvindo conselhos do pediatra e de posse de informações equivocadas em revistas, julguei ter feito a minha parte. “Mamou o suficiente”, dizia. O segundo, querendo amamentar até os dois anos ou mais, com leite suficiente pra isso, fui mal orientada por um profissional da saúde. Meu filho tinha refluxo e eu, hiperlactação. Ele não conseguia mamar e eu chorava. O pediatra deu o diagnóstico: manha. E eu sucumbi ao fracasso. Tendo refluxo, nenhum outro leite seria bom pra ele como o meu.
Até bem pouco tempo – pouquíssimo tempo, aliás – tinha o maior preconceito contra a amamentação prolongada. Não sabia que era possível amamentar durante a gestação, muito menos que mulheres eram capazes de nutrir dois filhos em idades diversas. Meu desconhecimento me levou a falar muita besteira.
Como mãe, fui eu quem optou pela combo chupeta + mamadeira, reproduzindo um padrão de vivência familiar. Eu usei. Todos os meus irmãos usaram. Ninguém morreu, veja que beleza!
Como mãe, fui eu quem optou por comidas prontas que facilitariam a vida doméstica. Diminuiriam meu cansaço e sobraria mais tempo pra mim e para minha filha. Com o segundo, a coisa foi diferente. Só não sabia que seria possível revolucionar geral com a comida servida a todos nessa casa. Mudança de hábitos, consumo consciente.
Como mãe, usei de recursos que aprendi ainda na infância, como gritar e dar palmadas para dar limites e mostrar a minha autoridade de mãe, por medo de ser permissiva e omissa. Só não sabia que, com isso, estava apenas ensinando o descontrole e a falta de assertividade em resolver as querelas domésticas. Desconhecia o poder da disciplina positiva.
Essas são as minhas escolhas. Não é porque as fiz que elas estão certas.
É muito cômodo escolher o caminho fácil quando não temos informação ou quando elas nos chegam de forma parcial. E, naquela época, eu queria me cercar de facilidades.
O que estava por trás de todas essas minhas escolhas? Aprendi a me fazer essa pergunta.
Existe mesmo livre escolha?
O mercado, através de suas peças publicitárias, nos bombardeia com mensagens que nos mostram que não somos capazes, que não conseguiremos dar conta. Que precisamos de um auxílio, de um produto que facilite nossas vidas. Pode ser de bisturi a macarrão instantâneo.
Encarar o meu papel de forma consciente exige um esforço contínuo. Procuro me cercar de informação não pasteurizada, que não queira me agradar, mas que me confronte com meus próprios medos, com minhas fraquezas.
Confirmar os vínculos com meus filhos exige de mim compromisso. Mudar, quebrar paradigmas pode significar sofrimento, MAS também pode ser um antídoto, um alento. Finalmente, sair da caverna é penoso, mas é libertador.
* * * * *
Hoje, num desabafo, contei algo que vem acontecendo na casa da minha vizinha. Não nos conhecemos. Nem mesmo sei o seu nome. Coisas da vida moderna.
Sua bebê nasceu no começo do ano e só sei que é uma menina, pois vejo no varal roupinhas cor de rosa. Desde então, ouço seus choros e sua mãe falando em tatibitati. Bate aquela nostalgia! Como é bom bebê novinho em casa!
Um dia publiquei na fan page que, quando a bebê chorava prolongadamente, eu colocava a mão na parede e dizia mentalmente “Calma, amiga. Vai passar. É só uma fase.” De lá pra cá, tenho ouvido muitos gritos. Descontrolados. Altos.
Conversando com meu marido, disse que estava com pena dela. Relembramos juntos vários momentos difíceis e recordamos do tempo que achávamos que isso nunca teria um fim. Até então, não sabia que os gritos eram direcionados à bebê. Imaginei que ela gritasse com as paredes, com o marido, com a babá.
Pontualmente, a bebê acorda às 00:30. Suponho que seja para mamar. Outro dia, então, não só ouvi os gritos, como pude discernir o que exatamente aquela mãe estava falando. Mandou a bebê – que não deve ter seis meses – calar a boca várias vezes. Mandou parar de manha. Uma adulta mandando uma bebê parar de manha.
E foi isso que me deixou triste, que me fez perder o sono. Muita gente mostrou preocupação com a mãe, que deve sim estar passando por um momento difícil, que deve, inclusive, estar com depressão pós-parto. Que seja. Afinal, sabemos que amor não se impõe nem se decreta. Se constrói. Mas na hora, naquele momento, só consegui me preocupar com a criança. E se os gritos forem acompanhados de outras formas de violência? Liguei as pecinhas e deduzi (veja bem) que há tempos essa bebezinha recebe ordens para se calar, para lidar sozinha com sua natural imaturidade. A mãe é adulta e dispõe de vários recursos para procurar ajuda, mas quais recursos a bebê possui?
Na minha fofoca matinal, escrevi algo sobre não estarmos preparados emocionalmente para ter filhos: as pessoas querem um filho, mas NÃO querem passar pelo processo. Querem um filho, mas não querem um parto. Optam pela cesárea. Querem um filho, mas não querem amamentar. Optam pelo leite artificial. Querem um filho, mas não querem cuidar. Contratam uma babá (que durma no quarto, inclusive). Querem um filho, mas não querem trabalho na hora de alimentá-lo. Optam pela comida industrializada. E ainda reclamam.
De fato, não gosto desse coitadismo materno. Somos da geração do menor esforço, do prazer instantâneo (como o macarrão), do prazer individual. Não queremos problemas, queremos resultados. A coletividade nos assusta. O outro não interessa. Agimos como eternos garotos mimados, num ciclo aparentemente inquebrantável da infantilização da vida adulta.
“Sentir-se ofendido é uma forma de negação que nossa cultura impôs com grande êxito”, como bem salienta Sergio Sinay.
A maternidade não pode ser vista como satisfação imediata de prazeres só porque a fantasiamos como um simples exercício de manipulação de um painel de controle.
Queremos as facilidades.
Dizem, entre sorrisos e músicas alegres nos comerciais da TV, que não precisamos de regras para criarmos nossos filhos. Como se isso pudesse ser de alguma forma libertador.
De fato, não precisamos de regras.
Precisamos de compromisso, responsabilidade, cumplicidade e ética.''
*Daniele tem 32 anos e é estudante de Direito, mãe da Bia, de 9 anos, e do Otto, de 4, mora em Florianópolis/ SC e é autora do blog Balzaca Materna.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Dados da industria automobilistica
Texto de Sergio Venuto*
''Pra quem quiser se divertir pesquisando...
Bem, numa simplicista analise, poderiamos levar em conta:
1- venda de automoveis em função de isenção/redução de IPI + Facilidade de Credito.
2- Depois, possivel inadimplencia, aumento do risco de credito e possivel aperto na concessão de novos emprestimos
3- Passando por setor que faz o que bem entende: 70% do setor na mao de 4 empresas (Fiat, VW, GM, Ford).
4- Lembrem-se que há o setor dos veículos prontos e o setor que envolve toda a cadeia de autopeças (os 2 juntos = ind automobilistica)
5- Como é dificil achar noticias com FATURAMENTO DO SETOR. Facil mesmo, é achar quantidade de carros vendidos.... que interessante, naõ? Eu, busquei bastante e nada diretamente... Tive que buscar os faturamentos das empresas, em separados, na lista EXAME de empresas, depois somar, depois cruzar os dados com os % de participação da ind no PIB INDUSTRIAL e, depois , PIB TOTAL
6- A operação "abafa" da industria!!!
7- Não deixem de observar tb os numeros de MOTOS, de CAMINHOES e UTILITARIOS! (Ah, isso com incentivo IPI + Credito (credito que tende a ficar menos farto e mais caro)
http://download.uol.com.br/carros/fenabrave_marco_2013.pdf
8 -A IND AUTOMOBILISTICA já representa 18,2% do PIB INDUSTRIA!!! (R$ 110bi aprox)(obs: os numeros nao batem se somarmos os faturamentos das
9- O PIB INDUSTRIA (que só cai)(R$600 bilhões), tá em 13,5% do PIB TOTAL (R$ 4,4 trilhoes em 2012)
10- FATURAMENTO SETOR>VENDAS LIQUIDAS (sem impostos)
FIAT (aprox R$ 24bilhoes), VW (R$ 22 bilhoes), GM (R$ 18 bilhoes), MERCEDES (R$ 14,5 bilhoes) , FORD (R$ 13 bilhoes), MOTO HONDA (R$ 11,4 bilhoes), MAN (R$ 9,5 bilhoes), Toyota (R$ 9,4 bilhoes), etc...
Bem, nao precisa nem dizer a força que tem este setor super concentrado!!!!
E como estamos ainda sendo "alavancados" por tal industria.
Se juntar os itens que sao usados em funçao do automovel (estrada, pedagio, combustivel, etc), aí vê-se que vivemos em função do motor 'a combustão e de transporte de poucos passageiros! E vocês ainda querem que o governo incentive o uso de bicicletas? Tá de brincadeira????
OBS> No Brasil, produz-se aprox 5 milhoes de bikes e um pouco mais disso em automoveis (carros+bus+caminhoes+motos).
OBS2: Faturamento do setor de bike no Brasil = R$ 900 milhoes (menos de 1% do automovel) E olha que as bikes aqui são caras tb!!!
OBS3: Faturamento PETROBRAS = R$ 280bilhoes (venda liquida R$ 200bilhoes),
OBS4: Venda liquida BR DISTRIBUIDORA = R$ 80 bilhoes
OBS5: VENDA DE COMBUSTIVEL ( Gasolina, Alcool, Diesel, GNV) = R$ 240 bilhoes
Bem, se juntar venda de combustivel 240bi + automovel 150 bilhoes (estimativa) + autopeças = digamos que passa tranquilamente de 10% do PIB brasileiro. Juntando isso com os bancos.... ah, os bancos...
ITAU 2012 = ATIVOS = R$ 1trilhão! Isso mesmo. Trilhao!!! = quase 15% do PIB com modico lucro liquido de R$ 13,6 bilhoes (o lucro do Itau foi maior que o faturamento liquidoda FORD!!!)
BRADESCO 2012 = ATIVOS = R$ 880 bilhoes LUCRO = R$ 11,4 bilhoes
BANCO DO BRASIL 2012 = ATIVOS = R$ 1,15 TRILHOES LUCRO = R$ 12,2 bilhoes
CAIXA 2012 = ATIVOS = R$ 700 bilhoes (proprio. Administrados inclusos vai para R$ 1,3 TRILHOES) LUCRO = R$ 6,1 bilhoes
SANTANDER 2012 = ATIVOS = R$ 450 bilhoes LUCRO = R$ 2,7 bilhoes
OBS: Computados somente ativos CAPTADOS e nao os ADMINISTRADOS
OBS: Total só de LUCRO destes 5 bancos no Brasil em 2012: R$ 46 BILHOES!!!
E aí, ainda vão acreditar em mudança de governo, mudança política, mudança sei lá de quê? Só o dia em que dinheiro não tiver mais relevância..... acho que vai levar um tempinho ainda...
Pra mim, já não tem. Já é um bom começo!
abraço''
''Pra quem quiser se divertir pesquisando...
Bem, numa simplicista analise, poderiamos levar em conta:
1- venda de automoveis em função de isenção/redução de IPI + Facilidade de Credito.
2- Depois, possivel inadimplencia, aumento do risco de credito e possivel aperto na concessão de novos emprestimos
3- Passando por setor que faz o que bem entende: 70% do setor na mao de 4 empresas (Fiat, VW, GM, Ford).
4- Lembrem-se que há o setor dos veículos prontos e o setor que envolve toda a cadeia de autopeças (os 2 juntos = ind automobilistica)
5- Como é dificil achar noticias com FATURAMENTO DO SETOR. Facil mesmo, é achar quantidade de carros vendidos.... que interessante, naõ? Eu, busquei bastante e nada diretamente... Tive que buscar os faturamentos das empresas, em separados, na lista EXAME de empresas, depois somar, depois cruzar os dados com os % de participação da ind no PIB INDUSTRIAL e, depois , PIB TOTAL
6- A operação "abafa" da industria!!!
7- Não deixem de observar tb os numeros de MOTOS, de CAMINHOES e UTILITARIOS! (Ah, isso com incentivo IPI + Credito (credito que tende a ficar menos farto e mais caro)
http://download.uol.com.br/carros/fenabrave_marco_2013.pdf
8 -A IND AUTOMOBILISTICA já representa 18,2% do PIB INDUSTRIA!!! (R$ 110bi aprox)(obs: os numeros nao batem se somarmos os faturamentos das
9- O PIB INDUSTRIA (que só cai)(R$600 bilhões), tá em 13,5% do PIB TOTAL (R$ 4,4 trilhoes em 2012)
10- FATURAMENTO SETOR>VENDAS LIQUIDAS (sem impostos)
FIAT (aprox R$ 24bilhoes), VW (R$ 22 bilhoes), GM (R$ 18 bilhoes), MERCEDES (R$ 14,5 bilhoes) , FORD (R$ 13 bilhoes), MOTO HONDA (R$ 11,4 bilhoes), MAN (R$ 9,5 bilhoes), Toyota (R$ 9,4 bilhoes), etc...
Bem, nao precisa nem dizer a força que tem este setor super concentrado!!!!
E como estamos ainda sendo "alavancados" por tal industria.
Se juntar os itens que sao usados em funçao do automovel (estrada, pedagio, combustivel, etc), aí vê-se que vivemos em função do motor 'a combustão e de transporte de poucos passageiros! E vocês ainda querem que o governo incentive o uso de bicicletas? Tá de brincadeira????
OBS> No Brasil, produz-se aprox 5 milhoes de bikes e um pouco mais disso em automoveis (carros+bus+caminhoes+motos).
OBS2: Faturamento do setor de bike no Brasil = R$ 900 milhoes (menos de 1% do automovel) E olha que as bikes aqui são caras tb!!!
OBS3: Faturamento PETROBRAS = R$ 280bilhoes (venda liquida R$ 200bilhoes),
OBS4: Venda liquida BR DISTRIBUIDORA = R$ 80 bilhoes
OBS5: VENDA DE COMBUSTIVEL ( Gasolina, Alcool, Diesel, GNV) = R$ 240 bilhoes
Bem, se juntar venda de combustivel 240bi + automovel 150 bilhoes (estimativa) + autopeças = digamos que passa tranquilamente de 10% do PIB brasileiro. Juntando isso com os bancos.... ah, os bancos...
ITAU 2012 = ATIVOS = R$ 1trilhão! Isso mesmo. Trilhao!!! = quase 15% do PIB com modico lucro liquido de R$ 13,6 bilhoes (o lucro do Itau foi maior que o faturamento liquidoda FORD!!!)
BRADESCO 2012 = ATIVOS = R$ 880 bilhoes LUCRO = R$ 11,4 bilhoes
BANCO DO BRASIL 2012 = ATIVOS = R$ 1,15 TRILHOES LUCRO = R$ 12,2 bilhoes
CAIXA 2012 = ATIVOS = R$ 700 bilhoes (proprio. Administrados inclusos vai para R$ 1,3 TRILHOES) LUCRO = R$ 6,1 bilhoes
SANTANDER 2012 = ATIVOS = R$ 450 bilhoes LUCRO = R$ 2,7 bilhoes
OBS: Computados somente ativos CAPTADOS e nao os ADMINISTRADOS
OBS: Total só de LUCRO destes 5 bancos no Brasil em 2012: R$ 46 BILHOES!!!
E aí, ainda vão acreditar em mudança de governo, mudança política, mudança sei lá de quê? Só o dia em que dinheiro não tiver mais relevância..... acho que vai levar um tempinho ainda...
Pra mim, já não tem. Já é um bom começo!
abraço''
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