Recentemente os sites de redes sociais foram vítimas de diversas postagens relacionadas a morte de Steve Jobs. Também vi críticas a tal comportamento baseado nas milhares de mortes que ocorrem diariamente por fome, maus tratos, e condições sub-humanas de trabalho, a priore em países africanos. De certa forma a manifestação é relevante, visto que era um visionário e suas criações foram de suma importância para a era da tecnologia e comunicação.
Passado alguns dias outra grande personalidade, Ray Anderson, também CEO (Chief Executive Officer), também grande empresário, também americano, perdeu sua vida pelo mesmo mal (câncer). O que me fez pensar se tais manifestações de pesares à Jobs, não estariam diretamente vinculadas a relação de consumo de seus aparelhos modernos, ou a fama da grande corporação Apple.
Não creio que a fama e o conhecimento da empresa InterfaceFlor, empresa de Anderson, sejam menores que as de Steve Jobs por questão de tamanho, capital ou lucro, já que eram duas líderes em seu segmento. E sim por não estar relacionada diretamente ao consumismo, e por consequência, não ter a divulgação midiática que tinham as empresas de Jobs (Apple e Next).
Se grandes mentes, engajadas e preocupadas com valores morais e sociais como Noam Chomsky, Michael Moore ou Eduardo Galeano morrerem hoje, por causa de um câncer, indubitavelmente não fariam mais barulho nas redes dos sociais do que Giorgio Armani por exemplo.
Nos leva a entender que só houve um grande alvoroço pela morte de Jobs por seus aparelhos estarem relacionados a objetos materiais que gostamos de ter. Mais uma vez a ideia de posse. Digo isso porque vi muitos agradecerem a Jobs por seus aparelhos eletrônicos. Apenas isso. Negando a grande mente criativa que ele foi. Ray Anderson, também foi uma grande mente criativa. Infelizmente, para maioria, o interesse sócio-ambiental é menos importante do que se distrair com um "Ipod Nanico".
A InterfaceFLOR ao contrário de outras, é uma empresa onde há preocupação com o meio ambiente e com a vida. Não usa a responsabilidade social como uma medida publicitária para atrair clientes. Nela se trabalha de forma maximamente sustentável, reciclando seu lixo e reaproveitando, evitando o desperdício de água e energia reduzindo ao máximo a emissão de GEEs (Gases de Efeito Estufa). Um de seus feitos inéditos é comprar o lixo de empresas do mesmo ramo e recicla-lo. Tem como maior objetivo desligar suas chaminés e trabalhar de forma 100% sustentável algum dia.
Segue o link de uma palestra de Ray Anderson no TED:
Ray Anderson sobre a lógica de mercado da sustentabilidade
Muito bom o texto Ronny. Também concordo que esse ode ao Jobs é muito mais uma forma de agradecimento ou homenagem pela criação desses recursos que tanto fazem sucesso como o Ipod, Iphone etc..
ResponderExcluirMas confesso que discordei de uma parte:
"Não creio que a fama e o conhecimento da empresa InterfaceFlor, empresa de Anderson, sejam menores que as de Steve Jobs por questão de tamanho, capital ou lucro, já que eram duas líderes em seu segmento."
Eu não conheço essa empresa, que Ray Anderson era sócio, mas COM CERTEZA tinha menor tamanho e lucro que a Apple.. A Apple passou a Microsoft ano retrasado e foi a primeira empresa a atingir a marca de trilhões (de lucro) e chegou no topo. Tem artigo sobre isso.
E acho que essa questão do Jobs ter sido despedido da Apple nos anos 90 e depois, readmitido, quando a empresa mais precisava, reerguendo-a de uma falência iminente na época, mostrou o quão competente e genial era o cara.
E ainda tem um detalhe: no período que foi afastado da Apple, ele criou nada menos que a PIXAR (empresa de computação gráfica que fez toy story etc.
Resumindo, ambos eram fodas (dei uma olhada na biografia do Ray), mas realmente, o fato do produto de Jobs ser mais consumível e mais atraente, acabou por destacar mesmo entre os grandes.
Abração cara!
Lucas Ventura
De fato Kinhas, tinha menor tamanho e lucro que a Apple, não estou negando isso. O que eu disse foi que sua fama conquistada não se deve tão somente a isso. Deve-se muito mais por ser uma empresa voltada ao consumo desenfreado e propaganda comercial. E Jobs sem dúvida foi um cara fora de série. Só para constar a pixar não foi criação dele, pertence a empresa Walt Disney. Ele trabalhou lá como, também como CEO.
ResponderExcluirAh é? Achava que a Disney tinha comprado a Pixar dele ou algo assim.. é isso ai!
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