terça-feira, 26 de novembro de 2013

E tudo o que resta é todo o resto da vida

Mais um ciclo se fechando e novamente repleto de riqueza e aprendizado. Conversando com Maiko, hoje a tarde, pude observar com cuidado toda essa experiencia desde sair do Rio de biciclea até o fim de uma experiencia em Paraty tendo o custo zero de vida como objetivo.

No que diz respeito a viver sem dinheiro o passo foi grande, passei por meses que não cheguei a gastar 15 reias, mas quanto a qualidade de vida, e com isso quero dizer necessidades básicas, ficou um tanto aquém das minhas expectativas. Ar, Água, Agasalho e Abrigo (este ainda pago, mas por opção) tivemos em abundância na Toca, mas questão do Alimento, puro, sadio, orgânico, para mim, ainda ficou um pouco a desejar. Fato que tem me motivado a buscar novas fontes. Pouco plantamos e pouco colhemos. Apesar de termos explorado a agricultura regional, muitas vezes compramos, contribuindo com a escala industrial de processamentos e nossas ''queridas'' monoculturas tóxicas.

O fato de termos achado uma gruta, uma kaverna de verdade, nos inspirou a iniciar um movimento de casa compartilhada e colaborativa. Até ai tudo bem. A casa de todos nós (eu, Sergio, Maiko, Fernando), acredito, sempre será compartilhada. O incomum surgiu depois que colocamos energia em uma ideia que já vinha crescendo. A de uma casa pré-definida, caracterizada pelo que acreditamos. Tornando-a assim não livre, não fluida. O nome kaverna voltou a pegar deixando a pessoa em segundo plano, tornando eu, Maiko e Nando, pessoas incomuns.

Aconteceu de criarmos, sem querer querendo, um projeto, uma instituição, e a Toca Encantada passou a funcionar de uma forma determinada. ''Aqui na Toca se faz assim''. ''Aqui somos livres.'' ''Aqui somos um.'' Enfim ganhamos novos moradores Luna, Sofie, Cristian,Alejandra) e eles tiveram que se adaptar a forma como a Toca funciona e não o contrário. É uma coisa muito sutil, mas acaba fazendo da pessoa menos importante do que a ideia, o que acaba por alimentar um ego que prevalece sobre a interação.

Observado isso, volto ao meu processo de ''desconstrução'' e ''desintoxicação''. Vou em busca de ser uma pessoa comum. Interagindo com igualdade.
No fim das contas estamos todos ''coincidentemente'' dando inicio a novas grandes mundanças. Nando e Sofie prestes a serem papais indo passar um tempo na Belgica. Eu e Alê de malas prontas para uma imersão em alimentação viva em Nova Friburgo depois Bolivia. Maikito se preparando pra fechar este ciclo da casa com uma bela celebração de fim de ano, que infelizmente não estarei de corpo presente. Já posso adiantar que estão todos convidados né?! Só chegar chegando e aqui a gente vê o que acontece.

O sentimento que fica pode ser traduzido em uma palavra que todos já conhecemos bem. Gratidão! Não há sensação de perda, de mudança, de despedida ou de saudade. É mais uma vez a vida fluindo, como deve ser. E a gente pronto pra mergulhar de cabeça nesse rio de imprevisibilidade.

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