Nossas ações sobre as coisas são passiveis de depreciação, sempre. O que me deixa triste, é ver isso acontecendo de forma desproporcional, seja qual for o lugar que eu frequente.
Normalmente quem se preocupa com a manutenção do espaço é o "dono" dele. Raramente há essa preocupação por parte daqueles que estão ali apenas fazendo uso do mesmo.
Nos movimentos de casa compartilhada que comecei com amigos, esse cuidado era mais observado pelos visitantes, mas ainda assim estava longe de ser algo sustentável para a integridade do lugar.
Conversando com o Sergio, fiquei com um olhar ainda mais atento à isso.
Os meus segundos de descuido podem representar horas de trabalho para o outro gerando um trabalho desproporcional que poderia ser evitado, não fosse meu ato preguiçoso. Vou dar alguns exemplos práticos:
Se eu piso com o pé sujo no chão da cozinha, alguém terá que limpa-lo em algum momento e certamente gastará muito mais tempo do que eu, se tivesse deixado o sapato do lado de fora.
Se alguém se acidenta com um prego que eu, despreocupadamente, larguei no chão, além da exposição ao risco, a ferida dessa pessoa vai demorar muito mais para sarar do que se eu tivesse feito o devido descarte.
Se eu tiro uma coisa do lugar e não devolvo, alguém pode perder o dia procurando tal coisa que me tomaria alguns segundos para guardar onde peguei.
O pior é que esses exemplos passam desapercebidos com facilidade no dia a dia. Inacreditavelmente é preciso ter um olhar criterioso pra observar-los.
Estou acostumado, e me causa muito desconforto, ver a louça deixada na pia para a mãe lavar, o banheiro acumulando sujeira para a diarista limpa-lo no fim da semana e ainda a ação machista dos pais de família em dias de celebração que deixam todo o serviço de casa para as mulheres, enquanto passam o dia sentados assistindo TV.
Durante todo o dia estamos depreciando desproporcionalmente os lugares por onde passamos, porque nosso ser egoísta, inconscientemente, já acredita que a manutenção do espaço é responsabilidade do outro. No supermercado quando não devolvemos o produto às gôndulas, nas lanchonetes e restaurantes quando deixamos o prato em cima da mesa, nos shows e festas que jogamos o lixo no chão, nos banheiros públicos... esses não preciso nem comentar, parecem um depósito de excrementos, e só. O que é ainda mais grosseiro é pensar que alguém deve fazer aquilo porque estamos pagando, nos livrando assim de toda a responsabilidade. Justificar nossa cretinice designando um encarregado para a função é o cúmulo do descuidado.
O ato de usar e repor é saudável para o ambiente. Aprendi a passar por um lugar e se não puder deixar melhor, deixa-lo pelo menos igual ao que encontrei.
Se você, meu amigo, chegar na minha casa (que entendo como sendo nossa casa) e usufruir dos recursos de forma descuidada, certamente sua ação será notada e sua atenção será chamada para a forma como você está agindo.
Um lugar onde há celebração e há trabalho, ou todos trabalham e todos celebram de forma integrada, ou as chances de uma convivência harmoniosa tendem a diminuir exponencialmente.
"Aprendi a passar por um lugar e se não puder deixar melhor, deixa-lo pelo menos igual ao que encontrei." Meu lema também, Ron! =)
ResponderExcluirEssencial para harmonia do ambiente e pessoas. Acredito tenha influência no estado de espirito dos que ali vivem.
ResponderExcluirBom, passei aqui pela primeira vez e voltarei, com certeza.
Gratidão pelo texto.
Abraços.
Adorei o texto! Não sei como cheguei aqui, mas cheguei na hora e no texto certo! Valeuzão! Abraços!! Carol Estrela
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