sábado, 18 de julho de 2015

A importancia do fazer

Movemos o mundo com nossos corações. A partir do momento que ele grita: Faça alguma coisa!!!
Desse jeitinho que fui me libertando das amarras. Aprendi a ouvi-lo e respeitar meus impulsos mais genuínos, com muita incoerência, claro, mas aberto para entender o que sentia e alinhando pensamentos críticos e intuição.
Não foi um trabalho fácil, não está sendo, mas a satisfação é garantida. Liberdade não é uma virtude para preguiçosos. É pra quem rala, pra quem arrisca e principalmente pra quem confia.

Posso dizer que a mais ou menos 6 anos atrás comecei a questionar muito o mundo que foi me apresentado originalmente. Logo entendi como girava a roda da economia monetária e de onde vinha a desigual distribuição de renda.
Após estudar e entender bem mais do que aprendi na escola, parti pra ação. Não por ser um cara super corajoso, mas por não suportar mais as grosseiras incoerências sociais que me rodeavam na cidade. E foi assim, na base da confiança que me veio a onda de desapego. Reduzi meu quarto a uma grande mochila. Fui viajar sem dinheiro para experimentar o que é não ter nada. O que é depender necessariamente da boa vontade do ser humano. E aprendi um tanto bem bom.

Meu custo de vida foi sendo reduzido vertiginosamente. Fui  percebendo a felicidade nas coisas simples da vida. Aluguei uma casa num canto pertinho do rio e da mata, que não sofria tanto com a especulação imobiliária. E assim como meus poucos bens materiais, não fazia sentido ter mais direitos sobre aquele espaço do que qualquer outra pessoa.
Dai surgiu a máxima: "aqui é tudo nosso!". Sim, bem radical, arrisquei e confiei mais uma vez. Posso dizer que serviu de base pra aprender mais um tanto.

Abri minha casa, e de forma bem resumida digo que seguia os 4 princípios do open space:
1. Quem quer que venha, são as pessoas certas.
2. Quando começar é a hora certa.
3. O que quer aconteça é a única coisa que poderia ter acontecido.
4. Quando acabar, acabou.

Me permiti aos conflitos que poderiam surgir dai. Assumi a responsabilidade por minas atitudes e aceitei o incessante trabalho da manutenção da harmonia de uma "casa da mãe Joana". Em 2 ou 3 anos aprendi e vivi mais do que os últimos 20 e poucos. 
Algumas experiencias fui relatando e compilei aqui para compartilhar com quem se interessa: 

Pra quem pensa que aprendi tudo isso sofrendo e passando necessidade, está muito enganado. Aprendi brincando de viver. Foi fluindo pela vida e recebendo com graça o que me era oferecido, que pude experimentar momentos de plena felicidade e abundancia. Hoje em dia só sei viver assim. E assim sigo fluindo abertamente, compartilhando os recursos que disponho, desenvolvendo minha relação com a posse, respeitando os limites da minha relação com o outro e trabalhando incansavelmente minhas habilidades terapêuticas e agroecológicas.

"Brincar é uma atividade que se realiza no prazer de ser feita, com a atenção posta no prazer de fazer a coisa, pelo fazer mesmo, não na conseqüência. Permite a seriedade do fazer pelo próprio fazer, pelo respeito àquilo que se está fazendo, pelo prazer de fazê-lo e não pelas conseqüências que poderá ter."
Humberto Maturana


Nenhum comentário:

Postar um comentário