terça-feira, 18 de agosto de 2015

As Minhocas do Vale

Mais uma nova fase que promete grande aprendizado vem se apresentando. Visconde de Mauá novamente como palco.
Quero dizer o que aprendi até aqui com essa brincadeira de casa aberta, vida aberta, relações abertas esmiuçando a máxima: “aqui é tudo nosso”.
Houveram mudanças comportamentais significativas desde que comecei essa deliciosa brincadeira a 5 anos atrás com Nando, Maiko, Kienteca, Venuto e companhia.
Hoje a abertura ao imprevisível é permitida com mais responsabilidade. Atentando ao cuidado e respeito ao outro.
Moramos eu, Fabio e Didi, por enquanto. O ambiente no dia-a-dia vai se configurando de forma a tornar as coisas mais funcionais para nós. Por exemplo: os 3 amam cozinhar, logo, qualquer mudança de utensílios na cozinha deve contemplar a opinião dos 3.

Percebi que antes da casa ser de todos, ela é minha. Não pela ideia paradigmática de propriedade. Não sinto assim. Mas logística e logicamente, o ambiente deve ser favorável a quem passa mais tempo por aqui.
A casa é de quem convive mais dentro dela. Não há regras, não há restrições sobre o que fazer, e isso não significa que você pode fazer o que bem entender. Existem limites. E eles são muitos. Quanto mais liberdade, quanto mais pessoas dentro da casa, mais limites hão de ser respeitados naquele momento. Dai a importância da pergunta, gosto de explorar essa ferramenta. Tentar entender o outro é imprescindível para uma convivência mais agradável. Perguntar é a forma mais eficiente que encontrei até agora.

Entendi que o “chegar chegando” não é pra qualquer um. É pra quem tem liberdade para tal.
Tudo depende das pessoas e do momento em que se dá a interação. Existem momentos e pessoas que chegam sem avisar, na hora que for e saem entrando sem cerimônia. Isso pode gerar algum constrangimento se não houver empatia suficiente na relação.

A motivação original para alugarmos uma casa grande foi para receber viajantes voluntários para trabalhos que envolvem permacultura e agroecologia no Vale das Minhocas. Não é da nossa preferencia oferecer cursos e muito menos fundar ecovilas. Seria perfeito se as pessoas pudessem se explorar manifestando suas habilidades sem restrições aqui e acolá. Eu sou assim. Primo pela livre interação e livre aprendizagem. Por onde eu andar minhas relações tendem a se desenvolver dessa forma. Se estou nessa casa, parte dela será como eu. São as pessoas que configuram os espaços no momento em que se relacionam com ele e entre si. A casa se configurar com um estatuto ético e moral, como uma entidade, como um espaço onde se faz algo específico é um grande desrespeito com quem passa por ela. Ética é algo que se desenvolve na interação e se manifesta baseada nos valores de cada um.

Há muito trabalho a ser feito por aqui. Estamos prazerosamente dedicados a fazê-lo. Dado a quantidade de afazeres, visando construir uma relação mais sustentável com a terra, a participação de alguém que haja de forma descuidada e desatenta, depreciando o espaço, se tornou menos tolerável nesse momento. Todo tipo de ajuda é bem vinda. Sinta-se a vontade para participar dessa história e contribuir com a gente, uma comunidade global.

Amar é perceber a existência do outro ser humano na sua frente.




2 comentários:

  1. Extremamente surpreendida por seu relato. Creio que isso é um amadurecimento significativo de liberdade com responsabilidade onde respeito e limites não são vistos como vilões mas aliados para um todo que pode vir a ser de todos. Amei e faço votos que assim perdure e que sirva de reflexão para muitos coletivos colaborativos que estão se desfazendo.

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  2. Fico muito feliz de ver os nossos aprendizados sempre nos movendo para o que é genuíno a nós mesmos, uma pesquisa coletiva, mas com um respeito individualizado. Assim, com a checagem constante sobre o que e porque estamos agindo obtemos clareza nas nossas vontades e a vida fica mais simples :) Amo vcs! <3

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