quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Hackeando o Sistema de Ensino

Acredito que se deixarmos que indivíduos aprendam por meio da vida em vez de fechá-los em instituições acadêmicas, podemos despertar e libertar neles potencial humano, encorajando as pessoas a mudar o mundo.

Existe uma razão por trás de cada decisão, mesmo que não estejamos cientes dela. Isto é verdade para tudo, desde a escolha da faculdade até a escolha do leite que compramos no supermercado.

Dê um passo atrás e considere a pergunta num nível macro. Pergunte por que está tomando essa decisão.

Não questione por que está frequentando uma faculdade específica. Pergunte por que está frequentando a faculdade. Não pergunte por que está comprando o leite “x” em vez de desnatado; pergunte por que está comprando leite.

Você poderia estar fazendo algo diferente. Pensar num nível macro te permite encontrar respostas inovadoras a perguntas aparentemente normais. Não tenha medo de se perguntar “Por que estou fazendo o que estou fazendo?”

Enquanto a maioria aponta a necessidade de levar mais estudantes para dentro das salas de aula, acho que precisamos ajudar os jovens a sair das salas de aula. Os jovens têm criatividade, inovação e uma curiosidade natural sistematicamente aniquilada pelo sistema escolar. Ensino formal, incluindo a faculdade, ensina conformidade em vez de inovação, competição em vez de colaboração, regurgitação em vez de aprendizagem, e teoria em vez de aplicação. Ensina nossos jovens a temer o fracasso e tomar riscos, mesmo que a coragem de tentar, fracassar, e tentar novamente seja essencial para a inovação. Se deixamos as pessoas aprender fora das instituições acadêmicas, podemos liberar potencial humano, empoderar a todos para mudar o mundo.

A parte mais difícil desta visão pós-ensino é a mudança de modelo mental da sociedade – e mesmo dos jovens – sobre o poder e a habilidade dos jovens. Os jovens são sistematicamente desencorajados no colégio. Falam que não podemos aprender sozinhos, e que não podemos participar da sociedade até cumprirmos certos requerimentos sociais – como obter um diploma universitário. Essa discriminação nos previne de atingirmos o nosso potencial total. Em vez de confinar os jovens numa sala de aula e obrigá-los a se adaptar dentro dos paradigmas educacionais padrões, devíamos encorajar aprendizagem de experiências, baseada na vida.

Um melhor futuro não virá da estagnação; um melhor futuro vira da inovação. Frequentar a faculdade é considerado o único caminho ao sucesso, mas existem alternativas válidas. É só olhar para o exemplo de Richard Branson, Walt Disney, Steve Jobs, Steven Spielberg, Mark Zuckerberg e Ingvar Kamprad – todos largaram a faculdade -, para entender que o sucesso não depende de um colégio. Estes indivíduos chegaram ao topo porque optaram sair da faculdade e conseguiram perseguir a sua paixão e mudar o mundo.

Aprender fazendo – no mundo, não numa sala de aula- é a melhor forma de desenvolver seu talento, transformando sua inteligência teórica em prática. Imagine se, em vez de ir para faculdade, os milhões de jovens de dezoito a vinte e dois anos – que atualmente estão copiando palavra a palavra dos professores, enquanto veem o jeito mais fácil de atingir os créditos necessários para obter um emprego -, estivessem lá fora, no mundo, trabalhando, criando e resolvendo problemas. Imagine se começassem suas próprias empresas, escolas e iniciativas. Imagine se voltássemos a aprender como era praticado nos Salões Franceses, onde as pessoas se reuniam para debater, questionar e se apoiar uns nos outros na construção de um mundo melhor. Imagine o capital humano que poderíamos coletar deixando as pessoas aprender da vida, em vez de confinadas em instituições acadêmicas.

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