texto de Claudio Oliver*
''No passado, vivemos muito tempo. Isso gerou um valor, comum a várias culturas: a sabedoria. Tínhamos a sociedade da sabedoria, acumulada e enraizada em uma diversidade cultural e uma paleta de cores incrível... e usualmente bem equilibrada ao seu entorno. No paralelo, impérios e sistemas subiram, e caíram, tentaram crescer, e morreram.
Até que nos últimos quinhentos anos achamos o caminho para abandonar a uma só vez a sabedoria e a espiritualidade. Ficamos espertos e subimos na árvore do conhecimento. A sociedade do conhecimento cresceu e hegemonizou o império. Fizemos o que Francis Bacon sugeriu: torturamos a mãe natureza até que ela entregasse seus segredos. Criamos a sociedade do conhecimento.
Lá pelo meio do século XX, o conhecimento nos tonteou e passamos a simplesmente querer saber fazer, e criamos a sociedade do Know How (se falava tanto nisso nos anos 70...). Depois, descemos mais um degrau, e nos inundamos de internet, mídias e meios.... criamos uma sociedade de informações, que nem se quer se articulam, mas que ocupam toda nossa mente.
E nesse século XXI, de tanta informação, emburrecemos, adoramos gladiadores em seus ringues de galo de briga, ouvimos coisas horrendas a que chamamos música, vemos TV, e sabemos mais sobre produtos que sobre a vida. Esvaziamos nossa casa, para ficar 12 horas por dia trabalhando, para ter dinheiro, para consumir, e cansados, nos distraímos em uma estupidificada sociedade do entretenimento. E achamos, que entretendo crianças, informando jovens, inflando nosso conhecimento teremos a alegria, que só os sábios serenamente sabiam ter... o futuro, se houver, está no passado.''
Nenhum comentário:
Postar um comentário