Há tempos entendo que há uma linha muito tênue entre liberdade e respeito. Isso vem ficando mais claro e fazendo mais sentido ao longo de cada interação, seja com pessoas, animais, natureza e coisas em geral.
Minha busca pela liberdade sempre acaba entrando em conflito com o limite da liberdade que o outro me dá. Até onde fazer o que quero, não agride ao outro?!
Ter a sensibilidade de perceber isso é fundamental para a manutenção da paz e da harmonia em um ambiente. Quase nunca é comunicado até onde você pode ir, até onde você está exagerando. É um exercício de percepção. Dificilmente alguém diz ''até aqui você pode ir comigo, a partir disso já me sinto incomodado.''
Uma atitude que eu considero livre, pode soar agressiva, invasiva ao outro. O ideal, então, seria exercer sua liberdade com consciência, atento a cada interação, cuidando dela, para que a liberdade possa perdurar e para que todos exerçam, cada um a sua.
As pessoas se encontram em níveis diferentes de conhecimento, evolução, julgamentos. Respeito e cuidado se fazem essenciais para a vida em comunidade.
Existem ambientes que lhe permitem mais ser você mesmo e outros que lhe exigem uma disciplina, um padrão de comportamento maior. É de lugares exigentes assim que tento fugir. Normalmente as tradições estão cheias deles. Casamentos, batizados, natal e até mesmo carnaval (quem não está pulando fantasiado pode facilmente ser vítima de preconceito). São lugares críticos, não livres, engessados com um forte potencial de comparação e julgamento.
Outro dia o Dado Sutter, se manifestou contra o desmatamento numa área de preservação ao lado da casa dele. Se existe a dificuldade de chegar pro cara que ta ceifando as árvores e falar: ''meu camarada, não concordo com isso, vamo pensar a respeito'' nem entro na questão. Falar com terceiros, com instituições, com peças de uma máquina é o mesmo que falar com paredes, na minha opinião. Enquanto a galera de lá mete a faca na floresta eu to cultivando agroflorestas do lado de cá. Meu trabalho é de formiguinha, mas é isso que eu sou. Se trabalhássemos todos como uma colônia de formigas as formiguinhas solitárias seriam essas engrenagens desumanas e tenderiam a desaparecer.
A ideia de ter um lugar livre, compartilhado, cooperativo, é fugir desses paradigmas e alcançar uma maior qualidade de vida, emocional principalmente. Onde as coisas podem ser fluidas, sem tempo pra acontecer, na medida da vontade de cada um. Onde há a preocupação com o outro. Com a origem dos desejos e vontades. Onde todos buscam se entender e não convencer ou impor uma opinião.
Por experiência própria já vi resultados muito positivos como na Moleque de Ideias em Niterói e na Kaverna Mountain em Visconde de Mauá. Existem outros lugares testando isso, mas esses foram os lugares por que passei que mais me senti a vontade para exprimir quem eu sou e fazer o que eu quisesse.
Talvez o problema seja testar. A palavra testar já vem com a idéia de um resultado, um objetivo final. Não há o que ser testado, apenas vivido, organicamente, cada momento e dai se tira as conclusões, as experiencias.
Por diversas vezes já me vi tentando implementar o conceito de livre interação em espaços que não estavam dispostos a viver assim. Já me vi tentando convencer alguém do que era melhor a se fazer, e o que é pior, julgando que estava certo de alguma coisa. Isso, em minha opinião caracteriza a falta de respeito, a falta de cuidado, a não sensibilidade pra perceber o desconforto do outro. Querer que o outro queira me parece muito equivocado. Se há incomodo, há desequilíbrio e a melhor ferramenta que conheço para restaurar a harmonia é a comunicação. Quanto mais sutil e doce for a fala, quanto menos violenta, mais chances de sucesso haverá.
Gentileza gera gentileza, não é?!
É isso!
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