A dificuldade de evoluir diálogos que questionam e investigam a estrutura social se fez mais uma vez presente em uma discussão, dessa vez sobre economia monetária, numa tread do facebook.
Comummente encontro alguma resistência em quererem aprofundar essas questões. Entendo que pode parecer ameaçador de um certo comodismo.
Adoro discursos poéticos e acho lindo uma visão de mundo com paz, amor e harmonia como valores de uma sociedade mais humana e integrada. Mas começo a me sentir desconfortável quando esse tipo de discurso é usado para dar fim à uma discussão que poderia ser aprofundada para melhor entendimento de condicionamentos cotidianos. Usar paradoxos e pensamentos relacionados a leis universais, não ajudam a entender o meio de convívio social.
Me soa como uma forma de negligenciar o problema e assumir um discurso confortável que justifique a acomodação, a não-ação, a zona de conforto. Usar a inteligencia para modificar engrenagens e tornar as coisas mais livres, mais acessíveis, dá trabalho, reconheço isso. Mas se parece ser o melhor para a tal da sociedade mais humana, porque não estamos querendo ter esse trabalho?!
Obviamente tem algo de muito grave em assuntos como esse parecerem chatos e cansativos. Podem ser chatos e cansativos a vontade, mas a questão que eu levanto é por que? Por que será que o futebol ou a vida do vizinho parecem ser mais interessantes do que discutir a estrutura acadêmica, o processo de aprendizagem, criação de filhos, alimentação, formas alternativas de vida, etc.
Há uma necessidade de concluir um assunto e, talvez por isso, se torne desgastante. Isso é um mito. O assunto não tem que ter fim. Não tem, na verdade. Quanto mais conhecimento se gera, mais o tema se alonga. E nesse conflito de querer estar certo, de querer ter a palavra final, de buscar o vilão e o herói, a galera ta desistindo de debater. O desgaste vem de uma tentativa enrustida de convencimento. Quando se entra desarmado numa discussão só se aprende e ela flui. Debates exercitam o livre pensar, não precisam ter conclusões.
Assim termino esse texto sem conclusão, simplesmente porque estou com sono e agora ele continua com quem quiser adicionar informações a esse pensamento.
gratidão pela partilha!
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