Comecei uma grande busca por autoconhecimento a pouco mais de 5 anos. A dois anos atrás, mais ou menos, comecei a ter meu primeiro contato com a Umbanda. Já vinha estudando a doutrina de Alan Kardec com alguns questionamentos. Sempre achei estranho a certeza, nos escritos espiritas, afirmando o que haveria após a morte.
Comecei a me interessar pela religião dos Orixás devido a minha fixação por natureza.
Logo comecei a frequentar um centro bem familiar. Recém inaugurado. Lá fui estudando a religião e observando todo o processo de montagem de um centro de umbanda junto com a mãe da casa. Desde sua fundação até a festa de fim de ano.
Me dediquei a estudar a origem da Umbanda, o fundador, os sincretismos, a legalidade, todo o processo histórico. Aos poucos, durante as giras (embalada apenas por palmas e pontos cantados por quem quisesse cantar), fui sentindo as energias e aprendendo a me concentrar. Comecei com manifestações bem comuns como suar de mãos, corpo vibrando, dores de cabeça e lacrimejar dos olhos.
Lembro o primeiro dia de uma incorporação perfeita. Me concentrando naquilo que meu corpo respondia, no ambiente, deixei fluir, me entreguei e logo percebi que já não tinha mais controle sobre meus movimentos. Sorria. Um riso de felicidade, de satisfação, de enfim ter conseguido algo extraordinário. Os olhos foram abrindo aos poucos, e escorrendo lágrimas, fui cumprimentando todas as pessoas da casa (que já eram como uma família devido ao convívio quase que diário) com um sentimento de fraternidade no coração e um grande sorriso no rosto.
Era um preto-velho. Os grandes seres de luz da Umbanda. Sentia um grande prazer ao me envolver com essa energia. Sentia que não havia julgamento, sentia paz, sentia um amor incondicional por todos. A primeira coisa atípica foi o fato do preto-velho que se manifestava em mim não andar curvado e sim ereto, com uma grande segurança e certeza do que fazia, ainda sem falar nada, mas se comunicando comigo em pensamento.
Me ensinaram a fazer perguntas para a entidade (o preto-velho) e ouvir o que ele queria. Me disseram que é bom saber o nome da entidade com que trabalha, pois assim sabe-se que não é um ser de pouca luz (egum, como se conhece estes), mas esse preto-velho nunca havia dito seu nome. Uma grande yalorixá disse que ele conversou com ela e que se chamava pai Jacó do Oriente. Ele dizia que era meu guia de frente. Que está sempre comigo, me acompanhando. Tempos depois se revelou como meu falecido pai e por isso me acompanha em toda minha vida. Tudo fez sentido na época. Hoje não faz diferença quem ou o que ele é. É simplesmente o que sinto.
O tempo foi passando, eu ficando mais sensível as energias. Comecei a incorporar outros velhos. Pai João, que eu reconhecia como aquele que cuida da minha saúde e equilíbrio espiritual. Dona Maria Conga, que falava coisas surpreendentes na minha cabeça e sempre me emocionava. Conselhos e frases que tocavam no fundo do coração. Verdadeiras reflexões de vida. E ainda, de forma mais tímida, os chamados exus e caboclos.
Não lembro quando, mas de forma muito intensa que recebi um erê (as crianças da Umbanda). Imediatamente se apresentou como Thiaguinho e era pura alegria. Explodia energia. Feliz, ágil, comunicativo, puro, sincero. Fazia o que queria com o meu corpo, falava o que viesse na cabeça. Mas sempre respeitava quando eu pensava ''não, isso eu não quero fazer''.
Passado mais ou menos 8 meses do primeiro contato com uma gira, eu já me sentia hiper sensível. Começaram as giras com atabaques frequentes e eu sabia exatamente que tipo de energia, qual entidade, se passava pelo meu corpo. As musicas, que invocam entidades especificas, ajudavam a direcionar o pensamento para ela. Não havia uma musica (pontos cantados) que eu não sentisse vontade de dançar e me entregar. Mas segurava a onda. Haviam momentos determinados para incorporação. Havia alguém dirigindo o trabalho mediunico. Acredito que aprendi a controlar essas energias por causa da forma como tudo era conduzido cronologicamente. Respeitando um nível de hierarquia dos mais experientes (com mais tempo dedicado a religião).
Aprendi a consagrar e defumar uma casa e passei a incorporar minhas entidades no meu quarto (exercicio que me proibiam, ou melhor, não recomendavam que eu fizesse fora do centro por ser muito perigoso). Diziam que eu poderia manifestar os tais eguns e até desencarnar. Bom, eu fazia e não contava a ninguém, pois me sentia muito a vontade para fazer isso. Fui começando a falar através das minhas entidades. Conversava com as pessoas sempre de forma muito consciente. Lembrava de tudo o que dizia e escutava. Cheguei a conversar com 2 amigos por diversas vezes no meu quarto através da minha preta-velha. As conversas sempre geravam muitas reflexões, impulsionando uma forma de vida livre de pensamentos mais densos, racionais e concretos. Sempre com muitas verdades e muitos choros sinceros de desabafo.
Quanto mais aprendia, mais tinha a aprender. As coisas aconteciam de forma tão intensa e rápida que logo os livros de Umbanda não mais respondiam as minha perguntas. Comecei a perguntar e questionar os mais experientes e dificilmente conseguia alcançar uma resposta de experiencia pessoal. Sempre haviam as respostas prontas, as vezes até analisadas, mas indiretamente vinham de um livro, que ditavam a doutrina Umbandista. Eu queria respostas como: ''comigo acontece de tal forma.'' Quase sempre era um efeito de causa e consequencia pré-definido. De como se manifestavam as entidades, seus nomes, de onde vinham, o que queriam. Eu precisava de pessoas, de seres humanos. Saber o que elas sentiam e o que significava aquilo tudo para cada uma delas. A partir dai ver a Umbanda como apenas mais uma religião passou a fazer mais sentido.
Comecei a entender a Umbanda como uma ferramenta maravilhosa de acesso ao desconhecido, porém limitante. Não vai além de um propósito de caridade. A caridade é feita através de conselhos e equilíbrio de energias pelas entidades, cada uma com sua função, mas não há abertura para a auto-exploração, o se conhecer melhor. Acredito que quanto mais nos conhecemos, mais podemos conhecer os outros.
Foi ai que parti sozinho para outra forma de pensar. Continuei me observando e classificando da forma que eu achava mais conveniente o que se manifestava em mim. Aprendi a chamar de erê o meu lado mais infantil, alegre, descontraído, sem vergonha, questionador, inocente e verdadeiro. Que não tinha medo de errar. Entendi que não existia erro e sim o preconceito das pessoas. Assim também de preto-velho, o que revelava meu lado mais sereno, sábio, pacífico, não-preconceituoso. De exu o meu lado mais carnal, boêmio (já com pouca afinidade) e chamando de caboclo o que eu tenho de mais sério e disciplinado. Considerava isso uma boa leitura de mim. Procurava sempre renomear aquilo que me era apresentado com termos umbandistas e que se manifestava naturalmente no meu dia a dia, porém de forma menos intensa.
Lembro o primeiro dia de uma incorporação perfeita. Me concentrando naquilo que meu corpo respondia, no ambiente, deixei fluir, me entreguei e logo percebi que já não tinha mais controle sobre meus movimentos. Sorria. Um riso de felicidade, de satisfação, de enfim ter conseguido algo extraordinário. Os olhos foram abrindo aos poucos, e escorrendo lágrimas, fui cumprimentando todas as pessoas da casa (que já eram como uma família devido ao convívio quase que diário) com um sentimento de fraternidade no coração e um grande sorriso no rosto.
Era um preto-velho. Os grandes seres de luz da Umbanda. Sentia um grande prazer ao me envolver com essa energia. Sentia que não havia julgamento, sentia paz, sentia um amor incondicional por todos. A primeira coisa atípica foi o fato do preto-velho que se manifestava em mim não andar curvado e sim ereto, com uma grande segurança e certeza do que fazia, ainda sem falar nada, mas se comunicando comigo em pensamento.
Me ensinaram a fazer perguntas para a entidade (o preto-velho) e ouvir o que ele queria. Me disseram que é bom saber o nome da entidade com que trabalha, pois assim sabe-se que não é um ser de pouca luz (egum, como se conhece estes), mas esse preto-velho nunca havia dito seu nome. Uma grande yalorixá disse que ele conversou com ela e que se chamava pai Jacó do Oriente. Ele dizia que era meu guia de frente. Que está sempre comigo, me acompanhando. Tempos depois se revelou como meu falecido pai e por isso me acompanha em toda minha vida. Tudo fez sentido na época. Hoje não faz diferença quem ou o que ele é. É simplesmente o que sinto.
O tempo foi passando, eu ficando mais sensível as energias. Comecei a incorporar outros velhos. Pai João, que eu reconhecia como aquele que cuida da minha saúde e equilíbrio espiritual. Dona Maria Conga, que falava coisas surpreendentes na minha cabeça e sempre me emocionava. Conselhos e frases que tocavam no fundo do coração. Verdadeiras reflexões de vida. E ainda, de forma mais tímida, os chamados exus e caboclos.
Não lembro quando, mas de forma muito intensa que recebi um erê (as crianças da Umbanda). Imediatamente se apresentou como Thiaguinho e era pura alegria. Explodia energia. Feliz, ágil, comunicativo, puro, sincero. Fazia o que queria com o meu corpo, falava o que viesse na cabeça. Mas sempre respeitava quando eu pensava ''não, isso eu não quero fazer''.
Passado mais ou menos 8 meses do primeiro contato com uma gira, eu já me sentia hiper sensível. Começaram as giras com atabaques frequentes e eu sabia exatamente que tipo de energia, qual entidade, se passava pelo meu corpo. As musicas, que invocam entidades especificas, ajudavam a direcionar o pensamento para ela. Não havia uma musica (pontos cantados) que eu não sentisse vontade de dançar e me entregar. Mas segurava a onda. Haviam momentos determinados para incorporação. Havia alguém dirigindo o trabalho mediunico. Acredito que aprendi a controlar essas energias por causa da forma como tudo era conduzido cronologicamente. Respeitando um nível de hierarquia dos mais experientes (com mais tempo dedicado a religião).
Aprendi a consagrar e defumar uma casa e passei a incorporar minhas entidades no meu quarto (exercicio que me proibiam, ou melhor, não recomendavam que eu fizesse fora do centro por ser muito perigoso). Diziam que eu poderia manifestar os tais eguns e até desencarnar. Bom, eu fazia e não contava a ninguém, pois me sentia muito a vontade para fazer isso. Fui começando a falar através das minhas entidades. Conversava com as pessoas sempre de forma muito consciente. Lembrava de tudo o que dizia e escutava. Cheguei a conversar com 2 amigos por diversas vezes no meu quarto através da minha preta-velha. As conversas sempre geravam muitas reflexões, impulsionando uma forma de vida livre de pensamentos mais densos, racionais e concretos. Sempre com muitas verdades e muitos choros sinceros de desabafo.
Quanto mais aprendia, mais tinha a aprender. As coisas aconteciam de forma tão intensa e rápida que logo os livros de Umbanda não mais respondiam as minha perguntas. Comecei a perguntar e questionar os mais experientes e dificilmente conseguia alcançar uma resposta de experiencia pessoal. Sempre haviam as respostas prontas, as vezes até analisadas, mas indiretamente vinham de um livro, que ditavam a doutrina Umbandista. Eu queria respostas como: ''comigo acontece de tal forma.'' Quase sempre era um efeito de causa e consequencia pré-definido. De como se manifestavam as entidades, seus nomes, de onde vinham, o que queriam. Eu precisava de pessoas, de seres humanos. Saber o que elas sentiam e o que significava aquilo tudo para cada uma delas. A partir dai ver a Umbanda como apenas mais uma religião passou a fazer mais sentido.
Comecei a entender a Umbanda como uma ferramenta maravilhosa de acesso ao desconhecido, porém limitante. Não vai além de um propósito de caridade. A caridade é feita através de conselhos e equilíbrio de energias pelas entidades, cada uma com sua função, mas não há abertura para a auto-exploração, o se conhecer melhor. Acredito que quanto mais nos conhecemos, mais podemos conhecer os outros.
Foi ai que parti sozinho para outra forma de pensar. Continuei me observando e classificando da forma que eu achava mais conveniente o que se manifestava em mim. Aprendi a chamar de erê o meu lado mais infantil, alegre, descontraído, sem vergonha, questionador, inocente e verdadeiro. Que não tinha medo de errar. Entendi que não existia erro e sim o preconceito das pessoas. Assim também de preto-velho, o que revelava meu lado mais sereno, sábio, pacífico, não-preconceituoso. De exu o meu lado mais carnal, boêmio (já com pouca afinidade) e chamando de caboclo o que eu tenho de mais sério e disciplinado. Considerava isso uma boa leitura de mim. Procurava sempre renomear aquilo que me era apresentado com termos umbandistas e que se manifestava naturalmente no meu dia a dia, porém de forma menos intensa.
O meu ultimo dia no centro calhou de ser no dia em que foi distribuído o estatuto da casa. Agora era pra valer. Ali funcionava uma casa de Umbanda regulamentada. Aprende-se a doutrina e a forma como devem ser conduzidos os trabalhos de caridade. Já havia uma diferença ideológica muito grande pra mim. Foi quando comecei a fazer um curso de formação em instrutores de yoga em Visconde de Mauá e conhecer a cultura Vaishnava e as escrituras sagradas (como Bhagavad Gita). Essas também sendo fortemente questionadas por assumir Deus em uma forma pessoal (Krishna) ao invés daquilo que eu acreditava. De uma forma horizontal presente em todos os seres, no interior de cada um.
Percebi coisas delicadas e profundas sobre mim e na minha relação com o mundo que eu vivia. As pessoas, o ambiente. Tudo passou a ser analisado ainda mais cuidadosamente. Tudo gerava uma grande reflexão. Percebi a incrível semelhança que há entre os ritos sagrados. Estão sempre tratando da mesma coisa. Só mudam os nomes. Temia ter uma incorporação durante uma prática de yoga ou meditação e percebi que eram energias distintas, ou melhor, o foco da energia era outro. Nesse momento eu já conseguia incorporar, ou não, qualquer das entidades que eu já conhecia em qualquer lugar, a qualquer momento. Bastava um pouco de concentração e instantaneamente já estava ali.
Fui morar em Visconde de Mauá e me aproximei ainda mais das energias sutis. A natureza era o que me fazia bem e portanto a cidade me levava para níveis de pensamentos que não me faziam pleno. Ao chegar a uma cachoeira quase virgem, sozinho era instantâneo o acesso àquelas energias da Umbanda. Incorporava, os caboclos e os velhos, conversava com eles ao mesmo tempo que tinha controle sobre o meu corpo.
Houve um dia que me senti mal. Dei uma resposta atravessada ao amigo que morava comigo e ele me questionou pelo fato de estar falando mais energicamente. Tentei entender o motivo e fui pra baixo de uma bela jabuticabeira que eu costumava me conectar com as energias sutis (minha entidades). Se manifestou em mim algo que considerei ruim, um peso no coração. Ao tentar conversar com aquilo que já imaginei ser um egum, pelo que aprendi na Umbanda, ele me disse ''eu não vou lhe matar, mas é isso que acontece quando você não se cuida.'' Em seguida comecei a limpar minha aura, pentear meu corpo com as mãos (o passe mediúnico na Umbanda e Kardecismo). Então voltei a sentir bem devagar aquela energia de pretos-velhos. Até mandei uma mensagem preocupada para minha ''mãe de santo''.
Fiquei pensando onde foi que eu havia me descuidado. E realmente estava distante das coisas que me agradavam. Estava confuso, ansioso, gerando expectativas sobre o que poderia acontecer na minha vida. Não estava fazendo exercícios físicos, nem me observando e até a alimentação era um tanto descuidada. Não estava fluindo. Tomei um banho de cachoeira (recomendado pela minha ''mãe de santo''), voltei a me exercitar e seguir o que minha intuição (entidades) dizia, ou seja, seguir meu coração junto com o que era mais sensato pra mim. Aquilo que acredito ser necessário pra ser feliz.
Tempos depois, após muitas experiencia de vida e relações verdadeiras e livres com amigos que fiz pelo caminho, já me conhecia muito mais. Tendo a certeza de que ainda há um infinito a se conhecer, fui morar em paraty. Lá conheci um trabalho de massoterapia, no qual me envolvi com muito amor.
Percebi coisas delicadas e profundas sobre mim e na minha relação com o mundo que eu vivia. As pessoas, o ambiente. Tudo passou a ser analisado ainda mais cuidadosamente. Tudo gerava uma grande reflexão. Percebi a incrível semelhança que há entre os ritos sagrados. Estão sempre tratando da mesma coisa. Só mudam os nomes. Temia ter uma incorporação durante uma prática de yoga ou meditação e percebi que eram energias distintas, ou melhor, o foco da energia era outro. Nesse momento eu já conseguia incorporar, ou não, qualquer das entidades que eu já conhecia em qualquer lugar, a qualquer momento. Bastava um pouco de concentração e instantaneamente já estava ali.
Fui morar em Visconde de Mauá e me aproximei ainda mais das energias sutis. A natureza era o que me fazia bem e portanto a cidade me levava para níveis de pensamentos que não me faziam pleno. Ao chegar a uma cachoeira quase virgem, sozinho era instantâneo o acesso àquelas energias da Umbanda. Incorporava, os caboclos e os velhos, conversava com eles ao mesmo tempo que tinha controle sobre o meu corpo.
Houve um dia que me senti mal. Dei uma resposta atravessada ao amigo que morava comigo e ele me questionou pelo fato de estar falando mais energicamente. Tentei entender o motivo e fui pra baixo de uma bela jabuticabeira que eu costumava me conectar com as energias sutis (minha entidades). Se manifestou em mim algo que considerei ruim, um peso no coração. Ao tentar conversar com aquilo que já imaginei ser um egum, pelo que aprendi na Umbanda, ele me disse ''eu não vou lhe matar, mas é isso que acontece quando você não se cuida.'' Em seguida comecei a limpar minha aura, pentear meu corpo com as mãos (o passe mediúnico na Umbanda e Kardecismo). Então voltei a sentir bem devagar aquela energia de pretos-velhos. Até mandei uma mensagem preocupada para minha ''mãe de santo''.
Fiquei pensando onde foi que eu havia me descuidado. E realmente estava distante das coisas que me agradavam. Estava confuso, ansioso, gerando expectativas sobre o que poderia acontecer na minha vida. Não estava fazendo exercícios físicos, nem me observando e até a alimentação era um tanto descuidada. Não estava fluindo. Tomei um banho de cachoeira (recomendado pela minha ''mãe de santo''), voltei a me exercitar e seguir o que minha intuição (entidades) dizia, ou seja, seguir meu coração junto com o que era mais sensato pra mim. Aquilo que acredito ser necessário pra ser feliz.
Tempos depois, após muitas experiencia de vida e relações verdadeiras e livres com amigos que fiz pelo caminho, já me conhecia muito mais. Tendo a certeza de que ainda há um infinito a se conhecer, fui morar em paraty. Lá conheci um trabalho de massoterapia, no qual me envolvi com muito amor.
Ali se seguiam ensinamentos espiritas e ao frequentar algumas reuniões tive a certeza de que a certeza com que falavam de como seria a vida após a morte era absurda pra mim. Dentre outras tantas coisas que julguei serem contraditórias. Preferi continuar só na massagem.
Ainda tinha algumas dúvidas se eu estaria perdendo a faculdade de um dom, uma sensibilidade que me foi entregue ao nascer e que desenvolvi durante a vida. Isso volta e meia passava pela minha cabeça. Por isso recentemente, numa passagem de volta ao Rio de Janeiro fui procurar a antiga casa de umbanda que trabalhei.
Acompanhei a grande familia, hoje muito maior, que lá trabalhava, em uma cerimonia de batizado.
Não consegui fazer parte daquele grupo. Fiquei bastante introspectivo e observador.
Ao chegar no terreiro me sentia bem. Estava imerso na natureza. Envolto de muita água e muito mato.
A primeira coisa que fiz foi dar um mergulho na cachoeira. Sem saber se era permitido, respeitei aquilo que meu corpo pedia.
Durante a gira senti as vibrações. Sentia os tambores tocarem dentro de mim. Me segurei, mas sem desconforto, para não manifestar o que pedia para ser manifestado, em respeito ao ritual sagrado para todos ali. Ao ser chamado por um dos mediuns incorporados, recebi um abraço e deixei vir o que viesse. Mentalizei os antigos exus que trabalhava, pois era a energia invocada no dia. Dei aquela gargalhada, mais para mostrar que tipo de energia se manifestava ali, porém sem controlar isso. Algo muito instintivo.
Em seguida recebi o meu preto-velho. Era como se não tivesse recebido. Tinha total controle sobre o corpo e ouvia tudo o que ele dizia, perfeitamente, sem ruidos. Por fim uma cigana, apenas para liberar aquela vontade interna que eu tinha de dançar conforme o som que meu peito escutava.
Aproveitei para escrever o que o preto-velho dizia. E assim eu escrevi:
''Siga o seu coração. Você já sabe o que te faz bem.
Você se conhece o suficiente pra não ter pensamentos egoístas.
Continue vivendo em prol do coletivo, da comunidade.
Siga sua intuição. Não importam os nomes, nem os rituais.
Cada um faz da forma como se sente melhor. Você descobriu
a melhor forma pra você. Isso é espiritualidade. Você não
deixou de exercitar o seu Dom. Você correu atrás dos seus sonhos
e está se tornando cada vez mais sensível. Isso é amor!''
Em seguida abandonei o terreiro no meio da gira, impulsionado por uma força que me motivava a entrar nas matas e mergulhei na cachoeira, sem ninguém por perto. Fui movido a um riacho próximo, com algumas oferendas em volta. Pedi licença por não saber das intenções ali presentes e ao encontrar uma linda imagem de Oxum, senti que era pra eu deixar a guia branca que sempre me acompanhou.
Hoje entendo assim. A guia branca, os pretos-velhos, eres, exus, caboclos, a roupa branca, os livros sagrados, Oxalá, Omulu, Krishna, Jesus, Buda, Mikao Usui, Krishnamurti, Henry Thoreaut, está tudo dentro de mim. Isso é o que sou nesse momento da vida.
''Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.''
Simone de Beauvoir
Ainda tinha algumas dúvidas se eu estaria perdendo a faculdade de um dom, uma sensibilidade que me foi entregue ao nascer e que desenvolvi durante a vida. Isso volta e meia passava pela minha cabeça. Por isso recentemente, numa passagem de volta ao Rio de Janeiro fui procurar a antiga casa de umbanda que trabalhei.
Acompanhei a grande familia, hoje muito maior, que lá trabalhava, em uma cerimonia de batizado.
Não consegui fazer parte daquele grupo. Fiquei bastante introspectivo e observador.
Ao chegar no terreiro me sentia bem. Estava imerso na natureza. Envolto de muita água e muito mato.
A primeira coisa que fiz foi dar um mergulho na cachoeira. Sem saber se era permitido, respeitei aquilo que meu corpo pedia.
Durante a gira senti as vibrações. Sentia os tambores tocarem dentro de mim. Me segurei, mas sem desconforto, para não manifestar o que pedia para ser manifestado, em respeito ao ritual sagrado para todos ali. Ao ser chamado por um dos mediuns incorporados, recebi um abraço e deixei vir o que viesse. Mentalizei os antigos exus que trabalhava, pois era a energia invocada no dia. Dei aquela gargalhada, mais para mostrar que tipo de energia se manifestava ali, porém sem controlar isso. Algo muito instintivo.
Em seguida recebi o meu preto-velho. Era como se não tivesse recebido. Tinha total controle sobre o corpo e ouvia tudo o que ele dizia, perfeitamente, sem ruidos. Por fim uma cigana, apenas para liberar aquela vontade interna que eu tinha de dançar conforme o som que meu peito escutava.
Aproveitei para escrever o que o preto-velho dizia. E assim eu escrevi:
''Siga o seu coração. Você já sabe o que te faz bem.
Você se conhece o suficiente pra não ter pensamentos egoístas.
Continue vivendo em prol do coletivo, da comunidade.
Siga sua intuição. Não importam os nomes, nem os rituais.
Cada um faz da forma como se sente melhor. Você descobriu
a melhor forma pra você. Isso é espiritualidade. Você não
deixou de exercitar o seu Dom. Você correu atrás dos seus sonhos
e está se tornando cada vez mais sensível. Isso é amor!''
Em seguida abandonei o terreiro no meio da gira, impulsionado por uma força que me motivava a entrar nas matas e mergulhei na cachoeira, sem ninguém por perto. Fui movido a um riacho próximo, com algumas oferendas em volta. Pedi licença por não saber das intenções ali presentes e ao encontrar uma linda imagem de Oxum, senti que era pra eu deixar a guia branca que sempre me acompanhou.
Hoje entendo assim. A guia branca, os pretos-velhos, eres, exus, caboclos, a roupa branca, os livros sagrados, Oxalá, Omulu, Krishna, Jesus, Buda, Mikao Usui, Krishnamurti, Henry Thoreaut, está tudo dentro de mim. Isso é o que sou nesse momento da vida.
''Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.''
Passei por estas mesmas experiências , chegando nestas mesmas conclusões ...
ResponderExcluirO nome disso é esquizofrenia.
ResponderExcluirAmigo me identifiquei bastante com a tua história, também era médium de umbanda desde os 14 anos, e depois de 10 anos me dedicando muito a religião com bastante amor, percebi que já não mais encontrava respostas.
ResponderExcluirPassei a estudar budismo, taoísmo e todas as demais filosofias que me mostram que Deus está dentro de nós, quando eu descobri isto, percebi que então não preciso ser um servo de entidade nenhuma e desde então luto por minha liberdade.
abraços
Vi por acaso este testo aliás levado pela intuição e foi correta pois, me identifiquei com tudo e fiquei feliz. São respostas a nos mesmos a tantos pensamentos, que ficam sempre presentes em nossa mente. Obrigado e que este relato seu ajude a tantas gentes que precisam.
ResponderExcluirQuis escrever : tantas pessoas.
ExcluirObrigada pelo post. Sim, não somente a guia branca, mas as guias de todas as matizes estão dentro de nós. Amén.
ResponderExcluirA Umbanda é só mais uma religião. Exatamente isso: nem síntese das religiões, nem nada de "especial". Apenas uma, com arcabouços conceituais em disputa, conflitos doutrinários, etc, etc. Abraços.
ResponderExcluirQue interessante! Eu por P rimeira vez ontem fui a una Tenda de Umbanda. APESAR de inicio eu querés sair corre do, depois dos passes, ME sentí extremamente leve.Soy filha de babalorixa, ex evangélica, e e meu pai sempre me disse que ñ Asia ya lugar por algo que é meu caminho, e segundo ele, a Umbanda é meu caminho. Enfim,o texto me esclareceu muitas coisas.. quero aprender ....
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