O tempo foi passando e percebi que o trabalho foi se lapidando. A busca por conhecimento se tornou natural. Me fez mais questionador. A prática me deu mais segurança e abriu novos horizontes. É como se fossemos nos especializando, porém sem restrições. Vamos nos aperfeiçoando em sermos nós mesmos. Isso é formidável. Me senti muito grato pelos momentos de liberdade de escolha.
Com todo esse aprendizado me surge o velho mundo novamente. Convidando a embarcar no navio da escassez. Um novo emprego, só que com um nome mais bonitinho. Boas recompensas. Um lugar legal para realizar um trabalho legal com pessoas legais, um recurso financeiro extra pra pagar as necessidades materiais básicas e até uma promessa de tornar o mundo um lugar melhor, enfim... Ofertas que nos fazem pensar se vale a pena. Fica até dificil perceber que com isso assumimos também o compromisso com algo ou alguém, assim nos privando da boa e velha liberdade de escolha, e lá vem a falta de tempo (na minha opinião nosso recurso mais valioso).
Acaba faltando tempo para o outro, para cuidar do outro, para cuidar de si mesmo. Isso nos afasta do presente, do momento. Estamos sendo algo além de nós, muitas vezes, sem se dar conta.
Claro que isso não é um regra, mas, na minha opinião, tendemos a ficar insatisfeitos. Não acredito que nascemos para desempenharmos uma função ou fazer parte de uma instituição ou grupo. Não somos engrenagens de uma máquina. Nós somos seres mutantes, uma eterna metamorfose. Somos fluxo. Nascemos para aprender, para nos permitir, mergulhar de cabeça no desconhecido. Se não fazemos isso damos permissão para o medo se apropriar de nós e aceitamos facilmente o que nos oferecem, com uma falsa ilusão de segurança.
O único coletivo que enxergo é a coletividade humana como um todo. É para melhor servi-la que me especializo em ser eu mesmo. Para dar mais atenção às minhas relações, para estar disponível para o outro, para estar pronto para resolver qualquer eventual problema que possa surgir. Assim estou mudando o mundo, no que é cabível a minha pequeneza humana, sem nem me dar conta.
Isso é o que me leva a continuar plantando, cozinhando, permaculturando, bioconstruindo, fazendo musica, massagem, yoga experimentando e estudando o que eu quiser, como e quando quiser. Sobra tempo. Na verdade o tempo cronológico deixa de existir, tudo passa a pertencer ao presente, ao momento. A vida vai ficando leve e eu vou descobrindo o que é amar de verdade.
''Se fossemos restaurar o genero humano por meios genuinamente naturais, caberia, em primeiro lugar, sermos nós mesmos, simples e bons como a natureza. Não nos limitemos a ser provedores de pobres, mas tentar nos tornar a própria riqueza do mundo.''
Henry David Thoreau
Aqui o que escrevi sobre o que penso quando me perguntam: ''mas como a gente vai mudar o mundo?''
Varrendo o Quintal de Casa
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