Texto de Aline Costa*
Escrevo isso hoje com base em uma observação de consultório. Crianças e adolescentes ansiosos e com dificuldade para dormir. Adolescente ainda vá, mas 4 aninhos com estas queixas? E o uso de tablets e celulares para "pegar no sono". E as historinhas para dormir? E a massinha de modelar, o giz de cera, o lápis de cor? E as primeiras impressões de se estar construindo algo com as próprias mãos? Num toque de dedo na tela tudo já existe. Crianças pequenas, sem noção de tempo completamente estabelecida e já imediatistas. Penso que tipo de colapso existirá (ou já existe?) no choque entre o tempo virtual, que influencia na nossa noção de tempo mental, com o tempo biológico - o tempo da vida: o tempo da sementinha plantada germinar, brotar, crescer e florescer. Afinal estamos indo cada vez mais rápido. Para onde, aonde? E coisas simples como dormir e acordar se tornam difíceis. O simples não é fácil. O simples exige esforço, atitude de querer o simplificar. Não o simplório, a simplicidade."
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