quarta-feira, 11 de março de 2015

Porque a Escolha do Não-Diploma

A cerca de 3 ou 4 anos atrás comecei a descobrir novos mundos à medida que ia descobrindo novos amigos. Tais amizades me abriram portas pra entender que o tutano da vida poderia ser experimentado em acontecimentos muito além da minha limitada realidade.

Através desses amigos que iam e vinham, e eram novos, e eram outros a cada instante, decidi abandonar a faculdade, uma vida em meio ao academicismo jurídico, e me permitir à um mundo de incertezas e inseguranças. Juntei todo o dinheiro que tinha e investi em um curso de formação em instrutores de yoga numa cidade pequena. Foi o ultimo curso que fiz e não obtive a formação acadêmica por recusar escrever uma monografia.

Poucos meses depois já estava morando nessa cidade, dividindo uma casa com um amigo e fazendo dessa casa um laboratório para experimentação da livre-interação entre as pessoas. Uma casa onde tudo era de todos e qualquer pessoa era bem vinda para passar o tempo que fosse e usar a casa como bem entendesse.
Ali aprendi que liberdade não se trata de fazer o que quer. Quanto mais livre é um ambiente, mais limites devem ser respeitados.

O tempo foi passando e cada vez mais novos amigos e mais novas experiencias. Fui adquirindo muita confiança em viver com as incertezas e inseguranças. Fato que me proporcionou viajar pra fora do pais, conhecer pessoas de todas as classes sociais pelo caminho, me relacionar com pessoas de ideologias diferentes, respeitar o outro, morar em outras 4 cidades e como resultado final uma vida incomparavelmente mais vivida nos ultimos 3 anos do que nos 22 anteriores.

Pra quem se questiona sobre a relação financeira, trabalho, profissão e etc., não tive pais bancando minha empreitada e nem vendia artesanato pra turistas de cidade em cidade ou vivia de malabares no sinal.
Estando mais próximo da natureza e consequentemente da minha natureza, pude desenvolver habilidades adormecidas em mim. Aquelas que foram caçadas durante o ensino e ansiavam por se manifestar.
Desenvolvi a culinária (algo que pouco praticava em casa pelos limites impostos pelos pais), a musica (hoje toco ukulele), ingles e espanhol (com pessoas que recebi em casa e encontrei pelo caminho). Aprendi a plantar e cuidar de um jardim, identificar ervas comestíveis e medicinais e o surpreendente mundo da botânica e ecologia. Aprendi a construir uma casa com técnicas alternativas despertando meu lado criativo para a permacultura. Aprendi mecânica de bicicleta. Aprendi técnicas fantásticas de massoterapia clinica e shiatsu (onde mergulhei em anatomia, cinesiologia).
Conheci e estudei diversas religiões. Genuinamente aprendi a gostar de ler e me encantei pela arte de manifestar os sentimentos através da escrita (tarefas que repudiava na escola - redação e interpretação de texto). Pude explorar a dança, o meu corpo em movimento, sem o medo do ridículo. E tantas outras coisas que não me recordo agora.

Atualmente estou estudando nutrição (buscando minhas próprias fontes e contatos) e aprendendo muito sobre medicina ortomolecular. E posso dizer que o que mais me move nesse momento é explorar e investigar as relações humanas, a origem dos sentimentos e a forma como são expressos. Tenho descoberto como a alimentação interfere na atividade neurológica.
Como professor de yoga mesmo, estudei 9 meses e até hoje fiz muito pouco que necessitasse de toda a metodologia aprendida naquele curso.

Com tanto aprendizado, basta escolher uma dessas ferramentas pra desenvolver e retirar dali o pouco recurso financeiro que necessito pra sobreviver de forma confortável.

Enfim, tudo que eu adoraria ter aprendido na escola, só pude aprender por não estar lá. Me corta o coração imaginar uma criança não podendo experimentar a vida intensamente da forma como, ainda que com muita dificuldade de desprendimento, pude experimentar.

Segue o link de uma riquíssima discussão no facebook sobre desescolarização:
A Educação Não Escolar Pelos Academicos


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