Sempre me lembro de um texto do Paulo Brabo quando tendemos a nos afastar do "peer to peer", das relações naturais e espontâneas que se dão no momento ao pré-configurar um espaço.
Diz Paulo Brabo que instituições, organizações, grupos, não existem. Só existem pessoas. E elas, nós, as pessoas, criamos algo determinístico no desespero de ter as coisas sobre controle. E o controle é uma mera ilusão, meu amigo. Não temos controle sobre nada. Mais vale a gente aprender a seguir fluindo do que se matar tentando fazer nossos planos se materializarem.
Uma casa aberta, nunca será aberta se as pessoas que a frequentam não se permitirem ao imprevisível, não se abrirem a experiencia de viver o momento. Uma casa não é aberta por que assim se determina. Pessoas abertas fazem de qualquer lugar um espaço aberto. As relações podem ser abertas. Os ambientes, nunca.
Passei por casas de amigos muito queridos onde me senti num verdadeiro lar. Confortável e a vontade para dormir, comer, usar o que fosse e ficar o tempo que quisesse. O mais curioso é que alguns desses amigos nunca ouviram falar em "co-housing", "casa colaborativa", ou coisas do tipo. A interação era livre, aberta, honesta e baseada na confiança.
Se você experimenta relações livres na sua vida, naturalmente a casa que você mora não será um lugar cheio de regras e manuais de boa conduta.
Novamente nossas ideias se encontram... Essa é justamente a minha argumentação sobre o porque eu vejo com un pouco de ressalva os projetos megalomaniacos colaborativos. Acho que cultura colaborativa se constroi em casa, em nossas relacoes com nossos pais, irmaos, colegas, amigos e amantes.
ResponderExcluirAcho uma puta incoerencia aquele que levanta a bandeira para lugares como a Catete mas que em casa é incapaz de compartilhar o ultimo pacote de biscoito.