Eu soube hoje pelos vizinhos. Uma briga de faca.
Um sentimento de derrota. Perceber dentro da vizinhança que me disponho a cuidar dia após dia, a cada “bom dia” com sorriso estampado no rosto, a cada meia horinha dispensada no portão para uma prosa rápida, um caso extremo que me encontra na contra-mão do caminho.
A morte de qualquer ser humano é de uma conseqüência imensurável na sociedade. Nunca é apenas a morte do indivíduo. É a morte de relacionamentos, companheirismo, apoio e da integridade dos ambientes familiar e comunitário.
Me sinto impotente diante da situação. Mataram um cara na minha rua e não há nada que eu possa fazer. Mataram o sorriso das crianças. Mataram a cantoria da dona de casa. Confiar, cooperar, compartilhar e contribuir, se tornam palavras mais distantes da realidade.
O que me resta é o desejo que, das cinzas dessa amarga derrota, renasça o vigor para manifestar a vida que há na vida. Que me venha aquela vontade de gritar: confiem, cooperem, compartilhem e contribuam. Sim, nós podemos. Mais do que isso.. nós precisamos.
Mataram um cara na minha rua e o que não falta é trabalho a ser feito agora. Reunir os vizinhos. Falar sobre o assunto. Trazer as crianças pra dentro de casa. Reafirmar que não aceitamos isso. Precisamos deixar claro pra nossa comunidade que tirar a vida de outrem é um comportamento inaceitável e intolerável.
Mataram um cara na minha rua. E esse é só o sintoma da doença que me proponho a curar a um ínfimo passo de cada vez. Quero ouvir a Dona voltar a cantar, quero ver as crianças voltarem a sorrir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário