quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sobre o aumento da tarifa do transporte público

Acredito, de verdade, que nos questionar sobre o que estamos fazendo é o primeiro passo pra uma mudança daquilo que não concordamos. Deixo então o meu questionamento lembrando que discordâncias não precisam se tornar discórdias. O debate é sempre muito enriquecedor independente de certo e errado, verdade e mentira.

Recentemente um amigo defendeu o direito ao transporte público assim como temos direito à saúde e à educação. Seu questionamento é interessante, porém seus exemplos não me fazem muito sentido. Notavelmente o direito à escola ou o direito à saúde estão sendo respeitados. Hoje o direito a escola e a saúde são mais uma arma contra nós, do que a favor. A escola, vejo como um ambiente desumano, opressor, autoritário, que extermina a criatividade. Não há aprendizagem ali, só há ensino. Professores, que por esse titulo, nunca estão em pé de igualdade com as crianças, querendo sempre entupir os pequenos com o chamado ''conteúdo programático''. E esse ''direito'' é defendido por uma lei que obriga crianças desde os 4 anos de idade a estarem matriculadas em escolas.

O mesmo se aplica a área da saúde. Sabidamente a industria farmacêutica é a que mais lucra no mundo atualmente. Os médicos estão cada vez mais especializados em doenças (muitas criadas) e menos preocupados com o lado emocional e humano dos pacientes. O enfermo é uma coisa que precisa ser curada. Semelhante ao trabalho de um mecânico (que aliás está ganhando mais que um médico por hora trabalhada, mas isso já é outra discussão). Medicina preventiva hoje se tornou coisa alternativa. Além de tudo vem o estado com uma outra lei que proíbe a automedicação mas garante o seu direito a saúde, claro. ''It's all profits, my friend.'' Nada passa de bons negócios!

Com isso concluo que o direito ao transporte público é só mais uma ferramenta pra nos manter dentro das engrenagens. Vamos engolir o aumento das passagens como já aceitamos com naturalidade que precisamos ter um diploma, ingressar no mercado de trabalho, uma profissão, uma casa e um carro na garagem pra ser uma família realizada, como ter um filho na escola (coisa que antes do século XVI não existia) é normal, como comer alimentos envenenados é habitual. Não há preocupação com a origem da maior fonte de energia do corpo. De onde vem o que nos mantem vivos é pouquíssimo questionado. Tentei beber uma água sem cloro na cidade outro dia e não tinha como. Não vou nem citar o preço de alimentos orgânicos (que aliás além de vir em caixinha de plástico passam por distribuidor e fornecedor antes de chegar até nós, o final da cadeia ainda ta bem longe do produtor).

É só mais um problema que mostra a negligencia do Estado para com a população e reflete claramente o quão estamos repugnantemente dependentes deste Estado. Eu fiz a minha escolha. Eu quero fazer parte cada vez menos desse circo. Minha função não é ser palhaço. Faço aquilo que eu acredito. Planto meu alimento, moro perto de muita água, compartilho todos os meus recursos com as pessoas, pedalo pra qualquer lugar independente de chuva ou sol, tento ser generoso e amável respeitando o outro como igual. Não consigo me desvincular totalmente dessa dependência, mas até onde consigo eu faço.

Estamos pagando uma conta muito maior do que aquela que está nos noticiários. Estamos cuidando da manutenção desse estado da sociedade para que os aumentos da passagem se justifiquem. E o que mais fazemos é dar justificativas para continuar fazendo esse sistema funcionar. Na maioria das vezes por comodismo. Digo por mim, que já fui muito acomodado e ainda me reconheço um pouco assim em algumas circunstancias. Agora, muito mais cauteloso pra não cair nessa armadilha novamente. Cansei! Já deu! Vou fazer diferente!

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