Um caminhante, muitas vezes um pedalante, mas sempre autopropelido, um praticante que pensa, que busca praticar o que pensa e pensar sobre o que pratica. Atualmente vivendo na Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, na parte Sul das Índias Ocidentais
''A gente vive em um país que reconhecidamente tem se mostrado conservador e moralista, mesmo que tenhamos um governo de esquerda ou que votemos por leis consideradas moderninhas sobre abortos, relações interpessoais e direitos. Na verdade somos um país onde o pecado individual é tratado como algo grave (quando é feito pelo outro, mesmo que quando de nosso lado seja até direito ou esperteza): corrupção, violência, roubo, desrespeito.... tudo é ruim quando é o outro que comete. E a gente deseja, deseja muito, e admira, e tem como exemplo, as estruturas que estão na raiz do problema. A gente condena a ganância, mas admira os ricos donos do sistema acumulador de capital. A gente diz que todo mundo é individualista, e ainda assim deseja ter um carrão para colocar um sonzão e mandar 300 cavalos puxarem sozinhos uma ou duas pessoas. A gente condena a prostituta, e cultiva a indústria de vulgaridade, da moda, da pornografia e da exibição do corpo como se fosse carne em açougue. A gente condena crianças abandonadas, enquanto abandona os filhos à mercê de um sistema educacional terceirizado, e que os transforma em consumidores apáticos. A gente reclama da falta de cooperação e insiste com os filhos para se entenderem em um mundo competitivo. A gente diz que as novas gerações são apáticas e sem iniciativa, mas compra telas e tablets para os guris ficarem quietos e não nos perturbarem nos carros bacanas, hipnotizados por desenhos imbecis no banco traseiro dos mesmos.A gente reclama das doenças e se envenena no supermercado.
Nosso conservadorismo se traduz na crença cega de que o negócio é baixar maioridade penal, ampliar as cadeias, enfiar os meninos na escola 12 horas por dia, passar o fim de semana no Shopping e na fila do Burguer King e do Macdonalds, e por considerar que a lei das empregadas é um abuso, e que alguém cuidando de nossa casa, e que não senta na mesa com a gente, é item de série na fábrica social de desigualdade.
O pecado, que está sempre no outro de forma individual, é na verdade um mal identificável nas estruturas que admiramos de poder, de prazer e de dinheiro. OS principados e potestades a que São Paulo se referia, não são demônios pairando no ar, mas as estruturas destruidoras que comandam a vida, que constroem os sistemas, que cativam as mentes. São estas o habitat natural do tal pecado, e se nutrem do convencimento de que elas são neutras ou mesmo positivas (quem não quer ter o filho CEO, ou não se orgulha de ter um amigo que pode dar carteirada?), elas estão na raiz que sustenta a emergência de uma sociedade conservadora no tratamento do outro enquanto indivíduo, ao mesmo tempo em que é liberadora do mal no sentido corporativo e sistemático. E assim, como dizia o apóstolo, urge lembrar que nossa luta "não é contra o sangue e a carne" (ou seja as pessoas), mas contra os "principados e potestades" (estruturas) Contra os "principes e hostes da maldade"(seus comandantes) que vivem na "nuvem", impalpáveis, imperceptíveis, e usualmente... extremamente conservadores. Bom dia.''
Nosso conservadorismo se traduz na crença cega de que o negócio é baixar maioridade penal, ampliar as cadeias, enfiar os meninos na escola 12 horas por dia, passar o fim de semana no Shopping e na fila do Burguer King e do Macdonalds, e por considerar que a lei das empregadas é um abuso, e que alguém cuidando de nossa casa, e que não senta na mesa com a gente, é item de série na fábrica social de desigualdade.
O pecado, que está sempre no outro de forma individual, é na verdade um mal identificável nas estruturas que admiramos de poder, de prazer e de dinheiro. OS principados e potestades a que São Paulo se referia, não são demônios pairando no ar, mas as estruturas destruidoras que comandam a vida, que constroem os sistemas, que cativam as mentes. São estas o habitat natural do tal pecado, e se nutrem do convencimento de que elas são neutras ou mesmo positivas (quem não quer ter o filho CEO, ou não se orgulha de ter um amigo que pode dar carteirada?), elas estão na raiz que sustenta a emergência de uma sociedade conservadora no tratamento do outro enquanto indivíduo, ao mesmo tempo em que é liberadora do mal no sentido corporativo e sistemático. E assim, como dizia o apóstolo, urge lembrar que nossa luta "não é contra o sangue e a carne" (ou seja as pessoas), mas contra os "principados e potestades" (estruturas) Contra os "principes e hostes da maldade"(seus comandantes) que vivem na "nuvem", impalpáveis, imperceptíveis, e usualmente... extremamente conservadores. Bom dia.''

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