sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Movimento 2 - Into the cement (No cimento selvagem)

Dia 20 voltamos à Volta Redonda de carona com o Sergião. Depois de alguma burocracia e horas de espera, passaporte em mãos. Feito o que havia de ser feito por lá, todos de volta à Penedo. No caminho a visita inesperada do Rafa com sua simpatia e conhecimentos automobilísticos.
"Boa sorte na caminhada, meu irmãozinho!"

Acordamos no dia 21 preparados para meter o pé na estrada. O Rafa acordou mais cedo e levou o excesso da nossa bagagem de volta pro Rio (gratidão). Mais uma carona do Sergio até a Graal para tentarmos uma carona de lá pra SP. Articulamos com gerentes e funcionários conhecidos, e ficamos na expectativa de rolar alguma coisa.

Sergião voltou pra casa e logo vemos que a galera do posto, ocupada em suas funções, não ia poder ajudar muito. Esticamos o dedão, um de cada lado. Rapidinho a Alê conseguiu um caminhão. Valdecir, o simpático Tico, nos cedeu uma carona, em seu potente caminhão 320 cavalos, direto pra Guarulhos, onde combinamos de pegar a câmera GoPro, generosamente trazida pela amiga Juliane dos EUA. De lá seguiríamos para Paraíso para se hospedar na casa das amigas Monica, Savana e Lisoca.

No caminhão sentamos, quase deitados, numa cabine super confortável. O Tico até nos pediu para tirar o tênis na porta. Seguindo devagar e sem pressa, fomos os três proseando até São José dos Campos, onde rolou uma paradinha pra esticar as pernas. 1h depois: de volta a estrada. Um telefonema e uma mudança de planos. Tico teve que mudar a rota em direção a Mauá. Minutos para repensarmos nosso caminho.

Os primos Célio e Elis! Pra lá que a mãe da Alê estava indo, "coincidências" da vida, ela ia chegar de Recife no mesmo dia que nós.
No caminho pra Mauá, Tico conseguiu nos deixar a pouco menos de 2km da casa da Elis.
Encarando o sobe e desce das ruas de Santo André com mais de 10kg nas costas, chegamos na hora que o primo Célio foi para o Aeroporto buscar a Fátima e a Dani (mãe e irmã da Alê). Frutas frescas para dar fim à larica da estrada.

A GoPro ficou pro dia seguinte. Missão para o figurassa e tagarela Sidnei!
Sidnei é o entregador de mercadorias da empresa do primo Célio que tinha uma entrega pra fazer em Guarulhos no dia seguinte. "Valeu Universo!"
Às 9h da manhã a figura estava na porta de casa montando o banco da Kombi para nos levar até lá.
Fizemos 2 entregas, nos enfiamos num lugar que julgamos improvável acharmos com facilidade, mais uma entrega e em 3 ou 4 horas já estávamos de volta em casa para o almoço com a câmera em mãos. Porém, um porém. A Juliane foi visitar sua irmã Halanne no Rio e levou os acessórios, na esperança de nos entregar, esquecendo justamente a câmera em casa. Fato que não fez da nossa viagem até Garulhos ser em vão.

Comida leve e simples. Do jeito que a gente gosta. Arroz, feijão e os vegetais cruz e cozidos. Tarde de preguiça, conversas e brincadeiras com a admirável Bia, de 3 aninhos. Mais abaixo um parágrafo especial pra essa pequena. Senti que deveria fazer uma massagem no joelho da Dona Socorro (mãe do Celio) ao ouvi-la reclamando de dor. Ali pus em prática todo o aprendizado obtido gratuitamente com o paizão Zezito em Paraty. Mais gratidão.

No fim do dia, conversando com a Alê, ficou claro, pra mim, que é muito difícil viver por aqui! A periferia de São Paulo, não diferente de outras periferias, existe pra suprir as necessidades de quem ostenta poder e bens de consumo. As regiões mais pobres surgiram com o crescimento econômico, exatamente como se dá num processo de favelização. A politica do medo é fortemente implementada, as classes mais baixas, notavelmente ignorantizadas e a cultura do ter, fortemente presente. Quanto mais se tem, mais se deseja ter, gerando mais insegurança e medo da perda. A ideia de posse vai segregando e distanciando as pessoas umas das outras, em um espaço físico cada vez menor. A sensação que da é que, como diz Criolo, "Nao existe amor em SP".

Mais umas frutinhas e cama.
Descansando e seguindo essa alimentação de frutas e vegetais (alguns cozidos) chegamos ao dia 24 (sexta-feira) se preparando para a próxima etapa. Uma visita à "casa das meninas" em Paraiso. Recebemos os acessórios da GoPro enviados pela querida Lane por correio, "Yes! \o/", fechamos a conta corrente da Alê no banco,  "uhuuuul \o/", e partimos de baixo do sol quente.

Antes de sair nos despedimos da galera que nos recebeu com todo coração. Gratidão aos primos Célio e Elis. Dona Socorro por todo o carinho, atenção e a toalha de banho de presente e Maquinhos pelas informações geográficas. E a pequena Bia. 3 aninhos de pura sabedoria. De fato uma criança cristal. Super segura, decidida, curiosa, questionadora, delicada e gentil. Muito amor. Uma capacidade de compreensão que se ve em poucas crianças nessa idade. A livre aprendizagem flui sem amarras no dia dia, perguntando, assimilando e entendendo. Um pouco de chororo ao se despedir de nós. Se permitissem ela embarcava junto com a gente nessa trip. Tiramos uma foto e simbora pro coração da cidade.

Ah! Tem foto lá no face!

Alguns Números

Peso:
Mochila da Alê - 14,6 kg
Mochila do Ronny - 11,3 kg

Desembolso:
-

Total:
2 viajantes
6 dias
5 caronas
1 casas que hospedaram
291 Km
R$ 0,00

Total da Viagem:
2 viajantes
14 dias
13 caronas
4 casas que hospedaram
681 Km viajados
R$ 116,65

Um comentário:

  1. Que bacana o diário! Estou por aqui acompanhando as peripécias da Nina, da Nina e do Nino, não necessariamente nesta ordem! :D
    Beijos!

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