sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Gritaria frouxa


Gritar cansa. Já deu de gritar o meu desejo de que o outro seja alguma coisa.
To mais querendo deixar que as pessoas sejam. O mundo está tão cheio de chatos, sabedores, detentores da razão tão pouco razoáveis... Ah não! Não suportaria ser mais um.
Quero ouvir, mais do que falar. Quero ser apoio quando precisam, quero a sensação que vem ao reconhecer-me útil em algum lugar, para algum alguém. Não desejo o afastamento, quero proximidade, calor, humanidade que acalenta, quero pessoas como são e não como eu gostaria que fossem. Quero perceber quando tento fazer com que minha opinião prevaleça. Quero observar a gritaria vazia do meu discurso. Quero a consciência do meu desespero ao tentar me fazer entender. Me farei entender se o outro quiser me entender. Chega de revolta sem sentido, de gritos carentes, de tentativas de afirmações inseguras. No fim das contas, o simples fato de expor as minhas necessidades garantem o limite de que preciso para agir com liberdade. "Falar sobre" é bem diferente de "conduzir para". Ok, já entendi isso. Contudo, perceber a minha motivação ao "falar sobre", é imprescindível para que eu não me torne um enfurecido maquinista de uma locomotiva ou uma metralhadora automática de opiniões desinteressantes.
Importa mais, muito mais, a real intenção por trás da fala.
"Eu quero que o outro pense diferente?"


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