sábado, 10 de setembro de 2016

Nós somos "aquela geração"

As vezes me pego apegado. Apegado a uma ideia super nova. Que precisa aparecer, sair da caixola e tomar forma. E pra quê?!
Ora, pra quê? Pra mudar o mundo.
Ai me dou conta do tamanho da minha pequeneza humana. Desse complexo de Deus que me inquieta. Mas que seria super legal fazer algo novo, impactante, xocante, que salvaria a humanidade e me faria ser lembrado por centenas de anos, seria.
Nããão! Que horror! Em algum aspecto isso parece tão ultrapassado.

Hoje em dia essa tal mudança vem da vida. A linguagem é outra. Falamos em potencia, consciência, presença, meditação, compartilhar, co-trabalhar, co-habitar, bom dia, por favor e gratidão. Auto empoderamento é a bola da vez! Aprender a extrair o máximo de nossa natureza, resgatar nossas habilidades e trazer pro coletivo requer muita disciplina e dedicação.

Eu vejo uma meia duzia de gato pingado já fazendo um tantão de coisa diferente.
E dizendo "Não, obrigado!" pra mesmice que oferecem os mais antigos.
- Essa escola?! Esse governo?! Essa tradição?! Essa cultura?! Não, obrigado. Vou tentar diferente.

E vejo mudanças comportamentais, mudanças que trazem verdade, liberdade, respeito, manifestações de afeto e cuidado. Estou vendo essa meia duzia dizendo: "eu me importo com o outro."
Fico feliz. Por vezes radiante. Mas ainda com o desejo de ver mais. Duas duzias. Três. Esse mundão todo se renovando por completo.
Uma vozinha dentro da cabeça diz: "Calma jovem. Faz o teu."

Eu to morrendo sabe?! Eu queria ver essas coisas novas se manifestando mais e mais. Eu sou curioso demais pra pensar que vou deixar a vida no melhor da história. Tem uma galera dando duro aqui. Dando a cara a tapa, desafiando o conservadorismo que vem de papai e mamãe. Desafiando o Estado. Vivendo da rua. Aprendendo no morro. Misturando cultura. Explorando o mundo na boleia de um desconhecido pela estrada.

Caiu pra nós essa missão de desafiar o velho mundo e não brindar a consequência.
Ser imortal não é uma qualidade que cabe nessa utopia. Dá até pra prolongar um pouquinho a caminhada optando por comer uns vegetais a mais. Mas ver o que estou / estamos construindo... isso não. Os netos talvez.

Não serei aquele que irá deixar meu nome na memória de muitos cidadãos. Não serei o orgulho da nação ou o grande heroi do século. Nenhum de nós será.
Seremos lembrados como alguém que pertenceu aquela geração dos anos 2000. A geração que permitiu surgir os cidadãos sem pátria. Que desafiou limites, que desconstruiu paradigmas, que desfez os muros da escola e conseguiu com muito amor no coração dizer: Não, muito obrigado!

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