"Quando falam de um caminho para a verdade, isso implica que a verdade, essa realidade viva, não esteja no presente, mas algures na distância, algures no futuro. Ora para mim, verdade é realização, e para a realização não pode haver qualquer caminho.
Portanto parece, pelos menos a mim, que a primeira ilusão em que são apanhados é este desejo de garantia, este desejo de certeza, esta interrogação sobre um caminho, uma maneira, um modo de viver pelo qual possam alcançar a meta desejada, que é a verdade. A vossa convicção de que a verdade só existe no futuro distante implica imitação.
Quando perguntam o que é a verdade, estão na realidade a pedir que lhes digam o caminho que leva à verdade. Então querem saber qual o sistema a seguir, qual o modo, qual a disciplina, para os ajudar no caminho para a verdade.
Mas para mim não há caminho para a verdade; a verdade não é para se compreender através de nenhum sistema, através de nenhum caminho.
Um caminho implica uma meta, um fim estático, e por isso um condicionamento da mente e do coração por esse fim, o qual necessariamente requer disciplina, controlo, aquisitividade.
Esta disciplina, este controle, torna-se um fardo; rouba-lhes a liberdade e condiciona a vossa ação na vida diária. "
- J. Krishnamurti || A Arte de Escutar, Adyar - 5ª palestra 2 de janeiro, 1934 -

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