domingo, 18 de janeiro de 2015

Sou o que somos

Nós somos resultado das nossas interações. Me construo a cada momento na minha interação com o outro. É um equivoco acreditar que temos controle sobre nossa vida. Que escolhemos fazer o que quiser a qualquer momento. Fazemos isso sim, mas dentro do nosso núcleo de atividade social. O tempo todo replicamos padrões e por isso, reconheço a necessidade de encontrar novos mundos. Quanto mais eu experimento ações e interações que me desenvolvem, mais eu transmuto, autopoieticamente, em ressonância com esses novos mundos. Mais estou replicando não-padrões, coisas diferentes, e portanto mais informação para me perceber no meio.

Digo isso ao perceber os amigos que antes estavam sempre discutindo assuntos importantes da humanidade, os dramas cotidianos, e hoje já não se interessando mais. Estão mais preocupados em construir suas vidas dentro dos paradigmas que estão inseridos. É difícil perceber que ainda questionamos o modelo social no qual estamos inseridos se não temos contato com esses acontecimentos. O nosso desenvolvimento é dado na medida da absorção de novos aprendizados e novas experiencias. A estagnação existe, assim como o retrocesso. Não estou avaliando quantitativamente, mas eles existem. Continuar fazendo mais do mesmo é replicar padrões do velho paradigma. Não digo que é ruim querer continuar vivendo os mesmo padrões tradicionais se assim desejar, mas é um grande engano acreditar que se pode mudar a qualquer hora. Que por ter experimentado algo que sentiu empatia um dia, podemos voltar a vive-lo quando "der na telha". Não mudamos para um meio desconhecido, inserido em um meio que não explora o imprevisível. A não ser que a gente consiga abandonar tudo de lado. Mas é muito mais difícil dizer um "que se foda a porra toda" de uma hora pra outra. É mais facil e mais prazeroso ir se construindo no caminhar.

Hoje tenho novos amigos que discutem os mesmos novos temas e se interessam pelas mesmas novas coisas. O antigos estão mais afastados pela falta de interesse. Nossa rede social vai crescendo na medida em que buscamos mais informação, mais conteúdo, mais novidades. Aqueles que se mantém debatendo, questionando os temas cotidianos se aproximam mais uns dos outros. Assim se desenvolve um maior entendimento sobre viver e conviver alternativamente ao padrões implementados.

"Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade."


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